Gaymada celebra a diversidade em formato de esporte

Por Lia van Boekel

Glitter, música, fantasia, coreografia, maquiagem e esporte. Um desses não é como os outros, mas quando o assunto é a Gaymada, faz todo o sentido. Quase todo mês do ano, membros da comunidade LGBT se reúnem para celebrar a diversidade e jogar queimada em locais públicos. O evento nasceu em 2016, em Belo Horizonte, com o intuito de aproveitar e praticar o esporte em um espaço agradável e acolhedor para pessoas de diferentes gêneros e orientações sexuais.

O Brasil é um país onde a homofobia ainda está profundamente enraizada na sociedade, o que pode ser claramente observado dentro dos estádios mais populares do país, onde termos intolerantes são muitos usados visando insultar adversários. Um dos casos mais recentes envolveu o Atlético Mineiro, quando seus torcedores esbravejaram ataques ameaçando homossexuais de morte. Além das ofensas verbais, gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros também temem sofrer outros tipos de atentados apenas por existirem, afinal, segundo levantamento do Grupo Gay da Bahia, entidade que colhe dados sobre a população LGBT, o Brasil é o país que mais mata pessoas por conta da orientação sexual no mundo.

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A drag queen Kendra Karter se prepara para jogar Foto: Arquivo da Gaymada de São Paulo

Para fugir dessa realidade, foi criado o evento batizado de “Gaymada”, nome que mistura as palavras “gay” e “queimada”. Uma das organizadoras da Gaymada de São Paulo, Mayra Moraes, fala sobre a popularização do evento. “É muito gratificante saber do reconhecimento e do respeito que o evento recebe. Era uma ideia simples, misturar esporte com celebração e conseguimos criar um ambiente acolhedor e confortável para todos”.

A Gaymada foi um experimento que deu muito certo. Seu formato está sendo reproduzido em diversas regiões do Brasil, ganhou “edições especiais” em feriados, como a Gaymada Natalina, que contou com mais de 200 participantes, virou bloco de carnaval e até recebeu prêmios. O criador da Gaymada, o jornalista Lucas Galdino, comenta sobre como o evento inicialmente tomou forma.

“Me inspirei pelo que hoje eu chamo de formato rascunho da Gaymada, que veio de Belo Horizonte, onde um grupo de teatro gay encenava jogos esportivos. Daí surgiu a ideia de tornar isso realidade. No primeiro evento que criei pelo Facebook, na minha página pessoal mesmo, recebi confirmação de presença de centenas de pessoas e assim aconteceu a primeira edição da Gaymada, no dia 19 de março de 2016, com inicialmente 60 participantes, no Largo da Batata, em São Paulo. Foi um grande sucesso e já na segunda edição, várias pessoas se ofereceram para me ajudar e logo montamos uma equipe de produção. Somos quatro organizadores no total”.

Além disso, o idealizador também comenta sobre a visibilidade que ganhou no meio através de indicações como ao prêmio do site Guia Gay São Paulo, na categoria melhor evento em 2016, tendo ficado em segundo lugar, atrás apenas da Parada do Orgulho LGBT. As nomeações se repetiram em 2017 e no ano seguinte, quando concorreram ao Prêmio Papo Mix da Diversidade e participaram da Virada Cultural. “Isso é muito importante para continuarmos”, acrescenta.

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Árbitros posam com cartão vermelho e amarelo Foto: Arquivo da Gaymada de São Paulo

Já com quase três anos de existência e ocorrência quase mensal, a Gaymada se tornou essencial na vida de várias pessoas, a drag queen Kendra Karter, de 19 anos, conta o que torna o evento especial para ela:

“É difícil fazer um exercício físico recebendo olhares tortos pelo seu jeito diferente, estar constantemente sob o julgamento de terceiros pelo esporte que você pratica e como pratica. Esse é o diferencial da Gaymada, é um lugar na luz do dia, sem preconceitos, onde a gente pode se divertir e se exercitar, com pessoas que viraram amigos, que entendem e respeitam seus medos e sofrimentos”.

Presença garantida desde o primeiro jogo de queimada, Yago Nascimento, também de 19 anos, fala sobre a importância da Gaymada e convida todos a participarem:

“Eu recomendo para todo o tipo de pessoa que queira ir, se divertir, ocupar espaço sendo LGBT, sendo negra, afeminada, sendo travesti, qualquer um que queira um evento diferente, longe dos ambientes esportivos comuns, que muitas vezes podem ser tóxicos. A população LGBT acaba sendo marginalizada e forçada a apenas existir na noite, no escuro e nós buscamos acabar com isso, colocando a cara no sol, jogando bola, dançando, saindo com os amigos e ocupando um espaço que é público, que é nosso também”.


Reportagem produzida para a disciplina de 5º período Projeto Interdisciplinar em Jornalismo Impresso

Conheça “Min e as Mãozinhas”, desenho animado do YouTube totalmente em Libras

De acordo com o Ministério da Saúde, a surdez atinge quase dez milhões de pessoas no Brasil, mas apesar disso, faltam alternativas na indústria cultural infantil para esse público.

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A personagem principal de “Min e as Mãozinhas” Foto: Reprodução / YouTube

Pensando nisso, Paulo Henrique dos Santos, que participou da produção de desenhos como “Turma da Mônica” e “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, decidiu criar uma animação inteiramente em Libras (Língua Brasileira de Sinais). Ele teve a ideia quando precisou se comunicar com uma pessoa surda, mas não conseguiu.

“Eu achei um absurdo ter uma pessoa brasileira do meu lado e eu não ter ideia de como me comunicar. Vi que há um grande despreparo da maioria para falar com os surdos”, conta Paulo Henrique.

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A animação é inteiramente na Língua Brasileira de Sinais Foto: Reprodução / YouTube

Em cada um dos capítulos, são ensinados cinco sinais em Libras e mesmo quem não possui nenhuma deficiência auditiva, é capaz de se envolver com a trama, já que é possível ouvir uma melodia de fundo e qualquer som é ilustrado na tela por meio de onomatopeias. O episódio piloto foi lançado no YouTube no dia 26 de setembro, data marcada pelo Dia do Surdo.

“Cada um tem a sua língua. O gato fala ‘gatês’, o elefante fala ‘elefantês’ e por aí vai, mas com tantas línguas diferentes, é difícil entender o outro”. É dito durante a animação.

O diretor contou com uma equipe de professores e intérpretes para desenvolver o projeto. Ao todo, a primeira temporada tem 13 episódios, mas apenas o primeiro está produzido.

“A ideia do desenho é que os professores também possam usá-lo em sala de aula e que o projeto seja liberado da maneira mais democrática possível”, explica Paulo Henrique.

Para concluir o trabalho, Paulo está em busca de parceiros e empresas. Também foi criada uma página de arrecadação coletiva para o projeto.


Thais Fernandes – 7° período

Parada do Orgulho LGBTI reúne milhares de pessoas pelo mundo

No último domingo (30), milhares de pessoas se reuniram na Orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, para a 23º Parada do Orgulho LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexo).  Oito trios elétricos animaram o evento, com participação de artistas que apoiam a causa. Com a aproximação das Eleições, o tema da parada desse ano foi: “Vote em ideias, não em pessoas. Vote em quem tem compromisso com as causas LGBTI”.

O evento tem o intuito de propor reflexões e manifestações contra a homofobia e transfobia, preservação de direitos e apoio à cultura LGBTI. O ato não acontece somente no Rio, mas em vários estados e cidades do Brasil, como em outros países. A maior do país, em questão de público e estrutura, é a de São Paulo, que ocorre desde 1997, na Avenida Paulista.

De acordo com um levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), 445 lésbicas, gays, bissexuais e transexuais foram mortos em crimes motivados por homofobia no ano de 2017. Eventos como esse são importantes, pois expressam a resistência e alegria dessas pessoas, além de colocarem em pauta a importância de se viver em uma sociedade igualitária, principalmente no país onde mais se mata LGBTIs no mundo.

No vídeo abaixo, a Agência UVA colheu depoimentos de quem apoia o movimento LGBTI.


Eric Macedo e Vinícius Dias – 7° período

CCBB comemora Dia Nacional do Surdo

26 de setembro. Dia Nacional do Surdo. Essa é uma data importante para refletir sobre aqueles que constantemente lutam por igualdade e principalmente inclusão na nossa sociedade. Em comemoração ao dia da pessoa com deficiência física, o Programa CCBB Educativo de setembro organizou uma programação especial.

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Ator e educador Augusto Machado na atividade Lugar de Criação, no dia 23 Foto: Leticia Heffer / AgênciaUVA

No programa, que vai do dia 21 até dia 30 deste mês, o público poderá conhecer mais sobre a cultura surda em atividades desenvolvidas pelos educadores do museu, como o aprendizado de Libras por meio de histórias contadas para crianças e adultos. Além disso, o programa conta com visitas feitas em Libras para pessoas com deficiência visual e autistas.

O CCBB já conta com atividades como audiodescrições das exposições e visitas mediadas em Libras, porém, agora em setembro, elas serão intensificadas por ser o mês do Orgulho Surdo e a Semana de Luta da Pessoa com Deficiência. É uma forma de celebrar as lutas e conquistas das pessoas com deficiência.

A partir do dia 24 ao dia 28, o público poderá trocar conhecimentos sobre a cultura e seu idioma com uma série de dinâmicas, não só feitas pelos educadores, como também, com a colaboração do educador e ator surdo Augusto Machado.

Ele também participou da atividade Lugar de Criação, onde crianças e adultos puderam participar da atividade e aprender de forma bem didática um pouco mais sobre o universo da Língua Brasileira de Sinais.

Para a estudante de pedagogia, que quer se formar em adepta de Libras, Sarah Coelho, de 22 anos, o evento foi essencial para ajudá-la a adquirir mais conhecimento. Sarah atua no meio, ela trabalha em campo na Escola Municipal Benjamin Franlin e diz o quão importante é o evento para a sociedade. “Achei muito interessante, muito bom! A gente que quer trabalhar com isso, ver o surdo presente na sociedade, é muito bom! Fiquei muito emocionada!”.

Segue abaixo a programação do evento:

24, 26, 27 E 28 DE SETEMBRO | SÁBADO A QUARTA-FEIRA | 15H ÀS 17H | LOCAL: TÉRREO

Dia Nacional do Surdo – De mão em mão 

O CCBB educativo propõe de uma forma lúdica uma troca de conhecimentos sobre a cultura surda e seu idioma, com uma série de dinâmicas desenhadas pela equipe do Educativo em colaboração com o educador e ator surdo Augusto Machado.

Visitas Mediadas especiais para públicos com deficiências

Na ocasião do Dia da Luta da Pessoa com Deficiência e o Dia Nacional do Surdo, o Programa CCBB Educativo promove Visitas Mediadas adicionais para pessoas surdas, pessoas com deficiência visual e com autismo.

Visitas Mediadas em Libras – 27 DE SETEMBRO | QUINTA-FEIRA | 17H

Visita Mediada para público com deficiência visual – 28 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA | 17H/  30 DE SETEMBRO | DOMINGO | 11H

Visita Mediada para público autista – QUARTA A SEGUNDA | 10h ÀS 20H

Espaço de Convivência

O Espaço de Convivência convida ao encontro, à pausa e ao diálogo. É um lugar onde todos os públicos são acolhidos em suas diferenças e singularidades, afirmando o compromisso do Programa CCBB Educativo – Arte & Educação com a acessibilidade, a diversidade e a inclusão. O espaço conta com vídeos em libras e audiodescrição sobre destaques das exposições em cartaz.

Para mais informações visite o site do CCBB.


Leticia Heffer- 7º período

Dia Nacional do Surdo ajuda na conscientização da importância de aprender Libras

É comemorado hoje (26) o Dia Nacional do Surdo. A data foi escolhida pois é o aniversário da criação da primeira escola de surdos do país, fundada em 1857 pelo professor francês Eduard Huet, que era deficiente auditivo. O Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES), como é conhecido hoje, fica localizado em Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Durante o Setembro Azul, como é chamado o mês dos surdos, comemora-se no dia 30 o Dia Internacional do Surdo e o Dia do Profissional Tradutor.

As datas servem para reforçar a luta de pessoas que normalmente só querem poder se comunicar, sem preconceito e com mais inclusão. Em 2010, segundo o censo do IBGE, 5,1% da população possuía algum tipo de deficiência auditiva, o que representa cerca de 9,7 milhões de brasileiros. Por isso, cada vez mais eventos de conscientização sobre a acessibilidade dessas pessoas têm sido realizados, mas apesar da conquista, ainda há o que fazer.

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é o segundo idioma oficial do Brasil, mas a luta por mais escolas bilíngues, nas quais alunos surdos e ouvintes possam ter a oportunidade de aprender juntos, ainda é presente. Por achar interessante e pensando em seus futuros pacientes, a estudante de psicologia Gabrielli Martins, de 20 anos, estudou Libras. Ela não se considera fluente e pelo curso não ser reconhecido pelo MEC, não a capacita como intérprete. Ainda assim, garante que aprendeu bastante e consegue se comunicar bem. “Eu posso ter pacientes que são surdos. Eles também precisam de atendimento como qualquer pessoa, mas nem todo mundo os entende. A gente se importa demais em saber inglês, espanhol, mas saber falar em Libras não acontece muito, por mais que seja a segunda língua oficial do país”.

Tendo essa preocupação, pesquisas apontam que o número de deficientes auditivos no Brasil só deve crescer. Além do aumento da população idosa, que com a idade podem desenvolver alguma deficiência auditiva, os problemas que poderiam ser reversíveis, se constatados até os seis meses de idade, só são realizados no Brasil depois dos quatro anos, em sua maioria. Não é apenas nos pequenos que isso é enfrentado, nos adultos o uso de aparelhos de som com fone de ouvido em alto nível ajudam a causar surdez.

O estudante de publicidade Peterson Lopes, de 21 anos, se comunica tranquilamente por Libras. Essa aprendizagem veio por vontade própria, pela possibilidade de ajudar essas pessoas, que segundo ele são esquecidas pela sociedade. “Um dia me deparei frente a esse problema de não conseguir falar com um surdo, a partir disso fui assistindo vídeo-aulas e aprendendo com um conhecido que tem deficiência auditiva. Foi uma aprendizagem sensacional e que me orgulho sempre”.

A importância em aprender Libras é diária, visto que vivemos em uma sociedade que busca uma maior inclusão. Cursos grátis estão disponíveis pelo Brasil inteiro. Um deles é o curso ministrado pelo grupo de Mídias Digitais da Universidade de São Paulo (USP), que é voltado a todas as pessoas surdas ou ouvintes com interesse na Língua Brasileira de Sinais. Outra oportunidade também é dada pelo Programa Estudo Para Todos, em Rio Preto, São Paulo, que desde o mês de julho, iniciou o curso de Letramento em Libras I. Desde então, vem dando continuidade mais avançadas. Sem contar com a nova geração de youtubers surdos, que vem ensinando a língua na internet.

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Aula do curso de Letramento em Libras I Foto: Divulgação / Programa Estudo Para Todos


Eric Macedo e Vinícius Dias – 7º período 

Haiti Aqui: Projeto integra haitianos à comunidade brasileira

O número de migrantes haitianos no Brasil aumentou 160% nos últimos dez anos, segundo dados da Polícia Federal. Para auxiliá-los, a ONG Viva Rio criou o projeto Haiti Aqui. A organização participa de uma missão de paz no Haiti desde 2004 e, após o aumento no fluxo migratório vindo do país, criou o programa cujo foco principal é a integração dos haitianos à comunidade brasileira, além do auxílio para a obtenção dos documentos oficiais e da promoção da cultura do país em terras tupiniquins.

Francelin Saint-Ilme é um desses migrantes. É com expressão triste que ele mostra o papel carimbado que lhe serve como identidade provisória. Há dois anos tenta tirar o documento oficial, válido por nove anos. Sem conseguir, ele procurou o projeto Haiti Aqui. Ele veio do país em busca de trabalho para que pudesse enviar dinheiro à família, que ficou em sua terra natal, mas como ainda não tem a Cédula de Identidade do Estrangeiro (CIE), nem isso pôde fazer. Ele tem que apelar para amigos haitianos que conseguiram o registro para que possa mandar o dinheiro à família de forma legal.

O jovem de 29 anos desembarcou no Brasil pelo Acre, depois de uma exaustiva viagem pelas fronteiras da América do Sul. “Depois que cheguei em Rio Branco peguei um ônibus para São Paulo. Foram cinco dias de ônibus. Mas não consegui trabalhar e fui para Rio de Janeiro”, conta ele. O haitiano teve dificuldades para encontrar trabalho devido à falta do documento oficial, mas após seis meses foi contratado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), em Vila Isabel, como auxiliar de serviços gerais.

Francelin é um dos milhares de haitianos que migraram para o Brasil após o catastrófico terremoto de 2010, que deixou 200 mil mortos e um milhão de desabrigados. Em um país com pouca estrutura, o tremor de magnitude 7 teve efeitos devastadores. A qualidade de vida caiu drasticamente, dando início a um fluxo migratório de pessoas em busca de melhores oportunidades. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Haiti é o menor do continente americano e mais da metade da população vive abaixo da linha de pobreza.

Assim como Francelin, seu conterrâneo Benneus Joseph, 42 anos, veio de Fort-Liberté para o Brasil em busca de trabalho, que também encontrou no Inca. Sua esposa e filho ainda estão no Haiti, e ele espera pelo dia em que obterá o documento oficial que permitirá trazer a família de que tanto sente falta. “Não quero voltar para o Haiti. Não tem trabalho lá. Quero trazer a minha família para morar comigo. Já faz dois anos que não vejo eles, só falo pelo WhatsApp”, conta Benneus.

A realidade dos dois é muito comum entre os haitianos que entram no Brasil clandestinamente e encontram dificuldades para obter a residência oficial. Quando chegaram em Rio Branco, Francelin e Benneus receberam um documento da polícia local. De posse dele, deveria ser simples obter a CIE, mas o processo no Rio de Janeiro se mostrou complicado. Para tentar resolver o problema, pediram ajuda aos amigos com os quais dividem casa e que também emigraram do Haiti. Eles indicaram o projeto realizado pelo Viva Rio.

É quase sem sotaque que Jean Baptiste, 29, coordenador do projeto Haiti Aqui, explica que a maior dificuldade dos haitianos ao chegar no Brasil é o idioma. O português é radicalmente diferente do crioulo haitiano (créole), que tem suas raízes no francês. “O Haiti Aqui é importante para integrar o que os haitianos podem fazer para participar de forma ativa na sociedade brasileira. Ajudamos com documentos, mas também promovemos a cultura por intermédio da rádio e do próprio programa”, explica.

A Viva Rio tem uma rádio própria, na qual há o programa Voz do Haiti. Como o nome indica, ele é voltado para o público do país caribenho e é veiculado principalmente em créole. Além de informar as principais notícias do país e criar um canal de comunicação com os haitianos, a música desempenha um papel fundamental, ao trazer um pouco da terra natal àqueles que sentem falta dela, como o próprio Jean, que, apesar da saudade, não tem planos de voltar.

O Brasil é o país na América do Sul que mais recebeu haitianos, à frente de Chile e Argentina, devido à relativa facilidade de imigração. Depois do desastre ambiental de 2010 e da crise resultante dele, o governo brasileiro abriu uma nova categoria de vistos humanitários para facilitar a entrada desses imigrantes. O processo foi facilitado com a aprovação, em abril, da Lei de Migração, que substitui o Estatuto do Estrangeiro, em vigor desde 1980. A nova lei garante a eles os mesmos direitos que os de um cidadão brasileiro, além de coibir a xenofobia e o racismo.

“O brasileiro tem uma postura preconceituosa com relação aos imigrantes de países pobres. Isso vem muito da nossa herança da escravidão. Temos que repensar a nossa própria verdade, o preconceito e a intolerância, principalmente contra negros e pobres. Um imigrante norte-americano ou francês que vem ao Brasil para trabalhar não é malvisto, mas o que vem de um país menos favorecido é”, explica Karla Gobo, professora de Relações Internacionais da Universidade Veiga de Almeida.

Não é o que pensa Paula Andrade, estudante de História, 21 anos. Para ela, os imigrantes e refugiados são bem-vindos, ainda que ela não conheça nenhum. “Não tenho nada contra a presença deles no país. Acho que quanto mais gente para gerar renda, melhor para a situação econômica. Tenho convicção que eles devem ser bem tratados e respeitados como cidadãos estando em solo brasileiro. Mas aqui tem muita desigualdade, não seria diferente para outros que vêm de fora”, conta.

Assim como Paula, Gabriel Ramalho, estudante de Engenharia, 18, também aprova a vinda dos imigrantes para o Brasil, que tem recebido a maioria das pessoas que sai de seus países de origem em busca de melhores condições de vida.  “Acho incrível a presença de estrangeiros no Brasil, pois, além de termos ainda mais oportunidades de conhecer novas pessoas de culturas diferentes da nossa, estamos ajudando aquele que infelizmente não pode viver no seu próprio território”.

 

Jean Baptiste e colega

Jean Baptiste e seu colega de trabalho na sede do projeto Haiti Aqui, realizado pela ONG Viva Rio.  [foto: Camilla Castilho]


Camilla Castilho e Tainá Valiati 

*Reportagem realizada para o Projeto Interdisciplinar em Jornalismo I – Impresso.

Coletivos negros estudantis agem pela construção de uma nova identidade

O Dia da Consciência Negra – comemorado há mais de 30 anos por ativistas, mas que só passou a integrar o calendário nacional em 2003 e só foi oficializado por lei em 2011 – tem sido alvo de comentários e indagações a respeito de sua legitimidade. Entretanto, nos últimos anos, a internet e as redes sociais vêm expondo a necessidade da existência da data ao mostrar que o Brasil não é um país livre do racismo. E muito desta exposição se deve à ação de coletivos estudantis, que são grupos organizados por pessoas que se unem para debater e colocar em prática ações acerca de determinadas causa. Existem, por exemplo, coletivos feministas, LGBT’s, e negros, muitos deles formados em ambiente universitário, onde, geralmente, alunos e professores tendem a discutir e trabalhar temas de cunho social.

Um exemplo disso é o coletivo FaveLab, que teve sua festa de lançamento na última sexta-feira, 17, na Casa Coletiva, em Santa Teresa, no Rio, e contou com a participação de outros grupos negros. “O FaveLab é um laboratório de audiovisual que surgiu depois de encontros de amigos da faculdade, nos quais eram abordadas e discutidas situações vividas na periferia que causaram insatisfação”, explica o estudante de Publicidade Murilo Borges. O universitário também conta que, nesses encontros que originaram o grupo, todos sentiam um grande desejo de mudança. E, como havia estudantes de Publicidade, Jornalismo e Produção Cultural, surgiu a ideia de usar as especificidades e conhecimentos de cada curso, somados às experiências pessoais de cada um, para formar o coletivo.

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[foto: Reprodução do Facebook].

O jovem explica que a missão deles é produzir documentários, vídeos jornalísticos, web TV e rádio, vídeo clipes e filmes por meio do contato direto com as práticas artísticas e culturais da periferia. “A ideia é inserir a comunidade na construção de uma nova identidade periférica, que se distancia da visão hegemônica e negativa que é propagada pelas grandes mídias”, afirma Murilo, reafirmando a descrição do coletivo nas redes sociais: uma fábrica de sonhos.

Aliás, o evento de lançamento ilustrou bem a proposta do grupo, contando com exposições culturais de quadros fotográficos e telas de graffiti de diversos artistas, brechós, afroempreendedorismo e exibição de documentários e vídeos, como o clipe “Ou Some”, da Mamute Produtora, uma das parceiras do FaveLab. “É muito bom ver surgir espaços de reafirmação e valorização da cultura negra, da cultura periférica. Existem muitos grupos que vêm tentando derrubar este conceito de que favela é só pobreza e marginalidade, tem muita coisa boa também”.

E este tipo de movimento tem se propagado e se estabelecido. A estudante Juliana Vicente, 23, afirma que se surpreendeu com a dimensão do trabalho realizado por estes coletivos. “Eu fui à festa de lançamento para saber como era o trabalho que eles fazem, e, confesso que tem muito mais do que eu esperava”, conta. Já a universitária Helen Almeida, 21, destaca a importância de grupos e espaços para debate sociais e ações afirmativas. “Tudo que é feito visando o empoderamento de um grupo, seja de negros, de mulheres, de LGBT’s, vale a pena e deve ser incentivado”.

AÇÕES PARA A CONSCIENTIZAÇÃO

Enquanto muitos ainda questionam a legitimidade do Dia da Consciência Negra, vários grupos, como o “Geledés – Instituto da Mulher Negra”, tem publicado ao longo do mês de novembro uma série de matérias e textos acerca da importância da data. Um dos destaques é o artigo “O Mês da Consciência Negra e a Representatividade na TV”, escrito pela jornalista Ana Cláudia Mielke para o portal Intervozes. “Silêncio dos canais comerciais sobre tema ao longo de novembro reforça importância da comunicação pública para promoção da diversidade racial na mídia”, Mielke escreve no começo do texto.

Até mesmo sites de entretenimento, como o Buzz Feed Brasil, apresentou duas matérias complementares a respeito do tema. Em “21 Pessoas Contam em que Momento Perceberam que eram Negras”, há uma compilação de relatos de pessoas sobre o incidente que fez com que elas percebessem que teriam de lidar com o racismo diariamente. Em uma das histórias, por exemplo, Iris Abrantes conta que, aos cinco anos, na escola particular em que estudava, ouviu a frase “Não brinque com eles! Eles são pretos!”.

Já em “18 Pessoas Contam em que Momento Perceberam que eram Brancas”, foram coletados depoimentos de diversos indivíduos sobre a ocasião em que perceberam o privilégio social que possuem somente por serem brancos. Entre estes relatos, um dos que mais chamam atenção conta como uma mulher branca, que preferiu não se identificar foi pega roubando: “Eu fui detida em flagrante e dentro da viatura os policiais me orientaram a inventar uma desculpa para não ser presa”.


Daniel Deroza – 6º período

Identidade de gênero e transexualidade são tema de seminário na UVA

A Universidade Veiga de Almeida (UVA) será palco de um evento voltado para a conscientização a respeito do tema das transexualidades no campus Barra da Tijuca, no dia 2 de setembro, de 8h30 às 16h30. No seminário, transexualidades e identidade de gênero serão abordados a parir do ponto de vista da psicanálise. A presença de profissionais renomados na área também está confirmada, como a psicóloga argentina Mirta La Tessa.

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Arte de divulgação do evento

Serviço

Data: 2/9/2017 ( sábado)

Horário:  08h30 às 16h30

local: Campus Barra

Entrada: R$ 70,00 ( profissionais) / R$ 35,00 ( estudantes de graduação)

 

Uma noite para a reflexão

O auditório do campus Tijuca da Universidade Veiga de Almeida (UVA), sediou na noite de terça feira (08) uma palestra sobre a desmistificação de preconceitos sobre os direitos humanos, promovido pelo curso de Relações Internacionais. Dentre os convidados, destacava-se o Deputado Estadual e professor Marcelo Freixo, que não só demonstrou todos os seus conhecimentos na área em questão como serviu para chamar a atenção para o evento. O clima interno do local caminhava de encontro do externo.

Em uma noite aonde o assunto eram causas sociais, centenas de estudantes se aglomeraram na entrada do auditório lotado, cujo o numero limite é de duzentas pessoas, tentando encontrar um jeito de assistir as palestras e se manifestando quando o acesso não era mais possível. Alguns entraram e muitos outros ficaram de fora. Na parte interna do local, coube à presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, Célia Regina de Paula, introduzir uma breve história sobre como surgiu a necessidade de se criar proteções legais ao ser humano.

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Convidados escutam à perguntas da plateia [foto: Daniel Deroza/Agência UVA]

Em seguida, o advogado de Direitos Humanos, Felipe Coelho, contextualizou o tema à prisão do morador de rua Rafael Braga nas manifestações de 2013. Na época, o jovem foi acusado de portar equipamento inflamável e, sem provas contundentes, foi detido. “Rafael era morador de rua e foi preso por protesto violento. Contra o que ele iria lutar se ele não tem base nenhuma? Como se rebelar sem saber contra o que está se rebelando? Por ser negro e morador de rua, ele foi tido como culpado”.

A estudante do curso de direito, Isabel Ribeiro, apoiou a presença de nomes como Flavio Coelho e Marcelo Freixo no debate. “Isso é ótimo, ter alguém como eles aqui ajuda a compreendermos melhor o papel dos Direitos Humanos, tanto na área social quanto no campo do Direito”.

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Marcelo Freixo participando do debate [foto: Daniel Deroza/Agência UVA]

A ótica da situação internacional veio por meio das palavras da professora de direito da UVA, Roberta Lussac, que trouxe a discussão sobre a repressão a movimentos LGBT’s na Rússia e Chechênia. Com observações pontuais, Marcelo Freixo apontou, após o fim da palestra, como está a situação desse grupo no Brasil. “O grande debate de gênero ainda é ruim em qualquer lugar, é péssimo nas universidades e escolas públicas\privadas. Muito devido a esse setor mais conservador da sociedade que tem no diálogo sobre uma batalha quase campal em nome de uma ideologia”.

Por fim, após o término do debate, Freixo categorizou a vitória do Presidente Donald Trump como um alerta do quão perigosas as corridas eleitorais podem ser para os avanços na área dos Direitos Humanos. “A eleição do Trump nos deixa uma lição: a barbárie não pode ser tratada como piada. A lição para o Brasil, em 2018, é não tratar nenhuma coisa esdruxula como piada, porque essa piada pode virar presidente”.


Gustavo Barreto – 6º Período

 

Talk show debate o empoderamento feminino na UVA

“Empoderamento feminino é o ato de conceder o poder de participação social às mulheres, garantindo que possam estar cientes da luta pelos seus direitos, com total igualdade”, esta foi a definição para o termo trazida por Patrícia Armstrong, coordenadora da executiva municipal do PRB MULHER RJ, militância do partido que busca aumentar o envolvimento das mulheres na política. O evento aconteceu na última segunda-feira, 07, no campus Tijuca da Universidade Veiga de Almeida e reuniu um expressivo público no Salão Preto da unidade.

Durante sua fala, Patrícia fez questão de ressaltar a data providencial do talk show: este ano, justamente no dia 7 de agosto, a Lei Maria da Penha, que pune os praticantes de qualquer tipo de agressão às mulheres, completou 11 anos. “Essa lei trouxe paras as mulheres, dentro e fora do Brasil, um empoderamento da mulher. Hoje ela se sente protegida”. Aproveitando o gancho, a palestrante tirou algumas dúvidas a respeito disso. Por exemplo, muitas pessoas achavam que a lei é direcionada apenas a cônjuges ou parceiros, mas ela se refere a qualquer pessoa que agredir uma mulher.

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Patrícia Armstrong [foto: Gustavo Barreto/Agência UVA].

Além disso, Patrícia também tocou em um tópico importante à discussão: as barreiras que as mulheres ainda encontram hoje em dia. De acordo com a coordenadora do grupo, a principal delas é o medo – de ficarem desprotegidas, desabrigadas ou perderem os filhos –, e, para quebrar este obstáculo, são necessários o autoconhecimento e a ciência de todas as leis, projetos e grupos de apoio. “Em muitos casos, quando a mulher começa a se empoderar e o homem se manifesta contra, ela passa a dar muita ênfase ao homem. Tudo aquilo que você alimenta vai ser mais forte do que você”.

Ainda sobre este tema, Patrícia relembrou como a construção histórica patriarcal do Brasil teve peso na repressão das mulheres ao longo do tempo. A convidada explicou que assim como muitas mulheres dão parte de agressão, mas acabam retirando a queixa por medo do que pode acontecer com elas ou com os filhos, muitas pessoas sabem de casos de agressão, mas não denunciam por conta de convenções pré-estabelecidas. “Antigamente, existia esse mito de que ‘em briga de marido e mulher, não se me a colher’. Hoje, a gente mete o corpo todo. Tem que ligar 180, tem que denunciar”, afirma.

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Palestra sobre Empoderamento Feminino [foto: Gustavo Barreto/Agência UVA].

Antes de encerrar sua fala, Patrícia levantou a questão da representatividade, que, como declarou, tem uma função de destaque no empoderamento feminino, seja na área da política, do esporte, da cultura, da educação. A palestrante mostrou ao público quatro exemplos de mulheres empoderadas ao longo da história recente do Brasil e que se tornaram grandes personalidades e expoentes da cultura brasileira, inclusive fora do país.

Assim, foram apresentadas personagens como Tarsila do Amaral, um dos principais nomes da Semana de Arte Moderna de 1922, Chiquinha Gonzaga, primeira maestrina brasileira e compositora da primeira marchinha de carnaval – “O Abre-Alas” –, em 1899, a jogadora de futebol, Marta, eleita cinco vezes consecutivas a melhor jogadora do mundo e a judoca Rafaela Silva, ganhadora da medalha de ouro nas Olimpíadas do Rio, em 2016. “A representatividade é capaz de incentivar outras mulheres a quererem tomar as rédeas das próprias vidas e darem o primeiro passo para isso”.


Daniel Deroza – 6º Período