Música e saúde mental: uma parceria importante

Letras de música abordam temas como depressão e ansiedade, e se tornam grandes aliadas nos tratamentos de saúde

Não é novidade a utilização da música de forma terapêutica nos mais diversos ramos da psicologia. A própria técnica, conhecida como musicoterapia, além de auxiliar no tratamento de problemas físicos, emocionais, mentais e sociais, contribui também para desenvolver as mais diversas habilidades do paciente. Ela continua sendo uma das terapias complementares mais procuradas para tratamento e reabilitação.

Aos poucos, além da musicoterapia, a música passou a exercer um outro papel. Muitos artistas demostram cada vez mais interesse em expor nas canções temas que possam se aproximar das experiências do público. Para a psicanalista Thamires Gracio, é preciso lembrar que muitas pessoas precisam de ajuda, mas acabam não indo atrás dela e a música pode ajuda nesse processo.

“São casos como este, em que músicas que abordam temas como autoestima, ansiedade, convívio social e saúde mental em geral, se tornam não só importantes, mas essenciais”, conta Thamires.

A profissional explica que toda a situação é vista como “mais fácil” de ser enfrentada a partir do momento que envolve música. “Faz parte de todos nós. É muito mais confortável encarar seja qual for a situação de uma maneira mais regular, sem envolver elementos de grande novidade, que podem acabar assustando e gerando um sentimento de negação no paciente, causando o subsequente afastamento do mesmo”, analisa.

“É muito comum dizer que só melhoramos de alguma coisa quando ouvimos músicas, não?”, questiona Cynthia Lopes, engenheira de 26 anos, que afirma ser hiperativa e ter dificuldade para se concentrar em várias tarefas. “Parecia impossível ler qualquer coisa que demandasse mais que cinco minutos”, conta. Por meio de recomendação de diversos colegas, ela passou a ouvir músicas mais calmas antes de iniciar tarefas que exigiam uma dedicação maior e melhorou a concentração.

“É algo de outro mundo, como uma meditação mesmo: a mente esvazia por um tempo, e você se abre para novas informações. Eu realmente me sinto mais capaz de ‘botar alguma coisa dentro da caixinha’”, diz Cynthia.

A psicanalista Thamires explica que a música está diretamente relacionada às lembranças. “Se você foca nas lembranças mais positivas, a mente consegue atingir uma área de expansão. Você se sente pronto para formar novas lembranças e adquirir novas experiências, pois sua mente já efetuou uma ligação positiva quanto a isso”.

O publicitário Lucas Rodrigues sabe bem como a música pode ajudar. “Eu tenho o costume de criar playlists para tudo e todos. Assim como possuo uma específica para atividades físicas, para leituras e viagens de metrô, criei também uma para meus amigos e para o meu namorado. Tudo isso acaba me deixando muito mais disposto e otimista para fazer seja lá o que eu deseje. Criei até mesmo uma para cozinhar, e eu nem sequer cozinho… ainda!”, conta Lucas.

A psicanalista Thamires explica ser admirável artistas tão reconhecidos abordarem essas questões de tamanha importância em seus produtos. “É algo muito grandioso, e de uma generosidade enorme. Não existe uma necessidade na indústria de que eles lancem materiais que de fato se aproximem das experiências psicológicas do público e, ainda assim, muitos artistas fazem questão de compartilhar suas histórias”.

A estudante de letras Ana Beatriz Siqueira complementa esta ideia, ao lembrar das letras da artista Sabrina Carpenter. “Eu sempre fui muito fã, acompanhei a carreira dela desde o início, mas só atualmente eu percebi a enorme ajuda que ela havia me proporcionado, por meio das suas músicas”. A jovem cita a canção Exhale como exemplo, pois a ajudou a enfrentar a luta diária contra a depressão.

“Ouvir esse single me fez perceber que eu não sou a única a passar por isso. Que essa ‘falta de ar’ não é algo único meu, e que se uma artista como ela passa por isso e consegue superar, eu também conseguiria”, comenta a estudante.

A ansiedade é uma questão comumente abordada em muitos dos hits atuais. O estudante do ensino médio Bruno Carvalho é um dos que sofrem com crise de ansiedade e crise do pânico, e acredita que a música pode ser uma grande aliada na melhora do quadro de saúde. Para ele, apesar de diversos cantores enxergarem a abordagem da ansiedade nas letras das músicas como uma oportunidade de chegar nos primeiros lugares das rádios, essas letras tem ajudado muitas pessoas. 

Para o produtor musical Thiago Lima, de 29 anos, esse tipo de temática se tornou uma questão popular e lançar músicas que envolvam algo que a sociedade está diariamente enfrentando traz uma maior possibilidade de sucesso. No entanto, para ele, também não se pode negar que esse tipo de música genuinamente traz ajuda e amparo àqueles que consumem estes produtos.

“Não é algo egoísta, muito pelo contrário. Sendo a maior intenção o sucesso ou não, se de fato isso colaborou com a ajuda de um caso, que seja, já é um passo inteiramente positivo quanto à sociedade”, comenta o produtor.

Vale ressaltar que a música não pode ser o único tratamento. De acordo com Thamires, apesar de grande suporte em qualquer questão, as músicas podem não ser o suficiente para uma melhoria absoluta. “É sempre necessário fazer uma avaliação profissional. É importante procurar um especialista”, afirma.


John Willians – 9° Período

Campanha de vacinação contra gripe é aberta ao público geral

Vacinação será aberta aos demais sem restrição nos postos do SUS e foi prorrogada até finalizar o estoque

A partir desta segunda-feira (3), a vacinação contra a gripe será aberta a todos e não mais ao grupo de prioridades. O estado do Rio de Janeiro será o único que manterá para o público prioritário. Após quase dois meses de vacinação, o Ministério da Saúde notou que 0% da população não estava imune e com isso postergou o prazo até esgotarem o armazenamento.

Saiba mais sobre a gripe: causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

Dados de vacinação dos estados brasileiros (Fonte: Divulgação/Ministério da Saúde)

Segundo o Ministério da saúde, os grupos prioritários tiveram entre os dias 10 de abril e 31 de maio para se vacinar com exclusividade, e devido a isso, eles prorrogaram a campanha e abriram aos demais.

Saiba mais: Dia D de vacinação contra a gripe 2019 é nesse sábado (4)

O grupo prioritário anteriormente abrangeu:

  • Mulheres que em 45 dias deram a luz,
  • Crianças de até 6 anos,
  • Idosos,
  • Pessoas com doenças crônicas,
  • Professores,
  • Indígenas,
  • Profissionais da área de saúde

 


Priscilla Romana – 7° Período

 

Como os exercícios físicos impactam a memória e a saúde do ser humano

Confira a reportagem especial da Agência Uva sobre a importância e os benefícios que as atividade físicas trazem para a vida das pessoas

Não é segredo que a atividade física traz inúmeros benefícios para o corpo. E a ciência reuniu provas suficientes para adicionar um novo e poderoso efeito à sua lista de ações positivas: o aprimoramento do cérebro. As mais recentes descobertas indicam que a prática regular de exercícios ajuda as pessoas a pensarem com mais clareza, melhoram a memória e proporcionam um grande ganho na aprendizagem.

Essas conclusões são de uma ampla série de pesquisas divulgadas nos Estados Unidos, por uma das mais renomadas cientistas no campo da neurogênese, Henriette van Praag (Ph.D), do Laboratório de Neurociências do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. Henriette e seus colaboradores afirmam que há maior produção de neurônios e um aumento das substâncias que atuam na nutrição e desenvolvimento dessas células em animais submetidos a exercícios regulares.

A cientista detectou ainda que o exercício aumenta a capacidade do cérebro de se adaptar e criar novas conexões. Em estudos com ressonância magnética feitos em indivíduos, foi possível também observar que quem se exercita regularmente produz uma intensa atividade no hipocampo. Essa região cerebral está relacionada à memória e à aprendizagem, e lá estão armazenadas as células-tronco que darão origem aos novos neurônios.

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Pesquisa indica que ser fisicamente ativo reduz o risco do mal de Alzheimer e outras demências Foto: iStock

As relações entre exercícios e cérebro estão no centro das atenções da neurociência por suas implicações imediatas e futuras na vida de milhares de pessoas. Há avanços em diversas frentes. Os cientistas comprovaram, por exemplo, que as vantagens começam com a elevação dos níveis de oxigenação e do fluxo sanguíneo no corpo como um todo. A atividade física aumenta ainda a produção e a liberação de neurotransmissores. Esses compostos participam da regulação de funções como memória, aprendizagem, emoções, sede, sono, fome, bem-estar, ansiedade e humor.

Pesquisadores mostraram em ratos e camundongos que correr estimula a criação de novas células cerebrais no hipocampo, uma parte do cérebro dedicada à formação de memória e armazenamento. Nas pessoas, a pesquisa epidemiológica indica que ser fisicamente ativo reduz o risco do mal de Alzheimer e outras demências, e pode retardar a progressão dessas doenças. Acredita-se que o mal de Alzheimer envolva, em parte, mudanças na forma como as células cerebrais usam a energia, por isso os cientistas deduziram que o exercício pode ajudar a proteger o cérebro ao aumentar os níveis de irisina.

O PhD e professor assistente do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Mychael Lourenço, fala um pouco da associação entre a prática de atividade física e o Alzheimer, e sobre estudos feitos nos laboratórios da UFRJ, que mostram que praticar exercícios, liberam certos hormônios (como a irisina) e enzimas, podendo também ajudar na prevenção à doença.

“São estudos preliminares, mas podemos dizer que o corpo também impacta favoravelmente o cérebro e não apenas o contrário, como sempre estudamos”.

Mychael também incentiva a prática do exercício.

“Sabemos que exercícios físicos são incríveis por uma série de fatores, agora, podemos também pensar que estamos nos exercitando e ajudando nosso cérebro”.

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Mychael Lourenço (em pé ao centro), PhD e professor assistente do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, conversando com o público após sua fala no evento da Rio2C Foto: Daniela Oliveira/Agência UVA

A importância do exercício físico na vida do ser humano é algo inegável e ajuda bastante na saúde como um todo. Cleusa Glória, de 59 anos, pratica regularmente musculação na academia.

Para mim o exercício físico é muito importante para a saúde e para melhorar minha qualidade de vida, pois quando não me exercito, fico cansada rapidamente”. A prática constante das atividades físicas melhora muito o funcionamento do corpo. “A pratica de exercícios regularizou meu intestino, minha pressão e melhorou bastante meu condicionamento físico”.  

Já a jornalista, Adriana Oliveira, que trabalha na Assessoria de Imprensa da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, não abandona o Pilates, mesmo com seus 68 anos.

“O Pilates me dá energia para exercer as atividades diárias. Já pratico há mais de 15 anos,  3 vezes por semana”.

É fundamental manter a atividade física independente da idade. Adriana comenta que a prática do exercício físico dá disposição, ânimo, e que o Pilates resolve problemas de sáude.

“No meu caso, não tenho nenhuma doença, mas tive amigas que, apesar de ter 40 anos, tinham hérnia de disco ou dor ciática, artrose, alguns com indicação de cirurgia. O Pilates resolveu o problema”.

Luhan Alves- 6º Período 

Dia D de vacinação contra a gripe 2019 é nesse sábado (4)

Dia de mobilização da vacina contra a gripe será o mais importante durante toda a campanha, que é realizada até o dia 31 de maio

A campanha de vacina contra a gripe no estado terá o dia D no próximo sábado (4 de maio), com o intuito de vacinar o maior número de pessoas possíveis e facilitar o acesso da população que trabalha durante a semana. A vacina é ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, seguindo orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), é considerada trivalente, pois protege contra os três subtipos da influenza: H1N1, H3N2 e influenza B. Segundo a Prefeitura do Rio, mais de 500 pontos de vacinação, entre unidades de saúde e postos extras, serão disponibilizados das 8h às 17h em toda a cidade.

Dia D vacina contra gripe

No próximo sábado (04/05), não deixe de procurar o posto de saúde mais próximo da sua casa para se vacinar! (Foto: Divulgação/Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro)

Além do dia D, a campanha está em vigor desde o dia 10 de abril e seguirá até o dia 31 de maio em todo o Rio. A primeira fase (até o dia 19 de abril) foi voltada para as grávidas e crianças de 6 meses a 6 anos.

“No Brasil, fazemos a campanha nessa época do ano para que, até o inverno, que é o período de maior incidência da influenza, as pessoas mais vulneráveis às complicações já estejam protegidas. Nossa meta é vacinar 90% dos grupos alvo recomendados da campanha. Quem tem idosos ou crianças em casa, ou faz parte dos demais grupos prioritários, não pode deixar de ir ou levá-los aos postos de vacinação”, afirma a Secretária Municipal de Saúde, Beatriz Busch.

Desde o dia 22 de abril até o final da campanha, todo o público-alvo da campanha tem direito à vacina, incluindo:

  • Trabalhadores da saúde
  • Povos indígenas
  • Puérperas (mulheres até 45 dias após o parto)
  • Idosos
  • Professores de escolas públicas e privadas
  • Pessoas com doenças crônicas ou imunidade baixa
  • Jovens sob medidas socioeducativas
  • Funcionários do sistema prisional
  • Pessoas privadas de liberdade
  • Profissionais das forças de segurança e salvamento (policiais, bombeiros e membros ativos das Forças Armadas)

Fonte: Saúde Abril

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Fazendo referência à série de TV, a Secretaria de Estado de Saúde faz campanha para o Dia D em rede social oficial (Foto: Reprodução/Twitter)

A vacina contra a influenza é uma das que mais se tem experiência na utilização, pois já são vários anos de campanha de vacinação. Os imunizantes são compostos por fragmentos inativados do vírus influenza, que estimulam o organismo a produzir anticorpos. Porém, ainda há muita gente que acha que ela não é eficaz ou que as pessoas podem eventualmente ficar gripadas ao serem vacinadas. De acordo com o Subsecretário de Vigilância em Saúde do Estado do Rio de Janeiro, Alexandre Chieppe, esses são mitos que devem ser combatidos.

“É uma vacina extremamente segura e eficaz. A gripe pode ser uma doença simples mas se a pessoa não estiver protegida o risco de complicações pode ser significativo”, alerta o Subsecretário.

O mito também é negado pelo enfermeiro da Rede Básica de Saúde e mestre do curso de Enfermagem da Universidade Veiga de Almeida, Paulo Roberto Machado, que explica que não existe esta possibilidade por tratar-se de uma vacina composta por vírus mortos e não vivos, impossibilitando essa hipótese. Paulo esclarece que a influenza é uma doença respiratória infecciosa, de elevada transmissibilidade, e a forma de contágio é por meio de secreções das vias aéreas respiratórias da pessoa contaminada ao falar, tossir, ou pelas mãos e por objetos contaminados, quando entram em contato com boca, olhos ou nariz. Segundo ele, a gripe um problema de saúde pública no Brasil e no mundo.

“É importante conscientizar a população para se prevenir, não somente através da vacina, mas também com atitudes como lavar sempre as mãos, evitar aglomerações e manter o ambiente sempre arejado”, aleta o professor.

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Distribuição das doses de vacina (Fonte: Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro)

A vacinação contra a gripe foi um grande marco no histórico de vacinação no Brasil nos últimos anos. Ela conseguiu reverter um número crescente de casos de óbitos por gripe comparado ao período anterior à vacinação. A meta para 2019 da Secretaria de Estado de Saúde é vacinar 4,8 milhões de pessoas. Veja como foi desenvolvida a mesma campanha no ano anterior:

TOTAL DO PÚBLICO-ALVO E DOSES DA VACINA NO RIO DE JANEIRO

REGIÃO/UF PÚBLICO-ALVO DOSES VACINA
SUDESTE 23.662.040 26.028.500
RJ 4.552.323 5.007.600
Brasil 54.465.930 59.913.800

 PÚBLICO-ALVO DA CAMPANHA DE 2018 NO RIO DE JANEIRO

PÚBLICO-ALVO ESTIMATIVA
Idosos (maio de 60 anos) 2,1 milhões
Crianças (de seis meses a menores de 5 anos) 921,4 mil
Trabalhadores de saúde 426,6 mil
Gestantes 164,3 mil
Puérperas (até 45 dias após o parto) 27 mil
Povos indígenas 672
População privada de liberdade 55,1 mil
Funcionários do sistema prisional 6,4 mil
Pessoas com morbidades (diabetes; hipertensão; transplantados) 686,9 mil
Professores da rede pública e privada 153,6 mil

Fonte: Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro

A importância da vacinação é muito lembrada também para os idosos, que pela idade, são mais vulneráveis à gripe e a eventuais complicações, como a pneumonia. Com 68 anos, Judith Batista conta que está sempre participando de todas as campanhas apresentadas pelo governo à população. A senhora diz que tem a consciência de que deve se vacinar para evitar a doença e, segundo ela, a população deveria se informar melhor sobre as complicações advindas da influenza.

“Temos que fazer a nossa parte para evitar epidemias e mais gastos para o governo se adoecermos. Vamos nos vacinar, vamos nos proteger, vamos ter saúde!”, afirma Judith que se vacina contra a gripe anualmente na época da campanha.

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Campanha de vacinação será até o dia 31 de maio (Foto: Divulgação/Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro)

Natália Pires – 8º período

O mundo azul precisa do seu amor

Mães relatam experiências dos filhos com o transtorno do espectro autista (TEA) 

O dia 02 de abril ganhou um novo significado. Criado em 2008 pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Mundial da Conscientização do Autismo tem o objetivo de promover conhecimento para a população e humanizar a causa, trazendo amor e carinho, além de suporte para os autistas. Estima-se que uma a cada 59 crianças está dentro do transtorno do espectro autista (TEA).

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2 de abril, Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Foto: Agência Brasil

Apesar de ser um transtorno que compromete o convívio social das pessoas, foi só em 1993 que a ONU incluiu a síndrome na Classificação Internacional de Doenças. Apesar de não existir número exato, estima-se que são quase dois milhões de autistas no Brasil. Para obter um diagnóstico correto, é necessário que a pessoa passe por algumas sessões de análise de comportamento, já que não existe um exame com precisão, o que pode fazer com que o diagnóstico leve tempo, mesmo anos, para ser dado.

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Luís diz que quando crescer vai ser criador de robôs. (Foto: Arquivo pessoal)

Foi o caso da mãe do Luís, de 10 anos, a Renata Lucas (foto ao lado). Quando ele tinha apenas dois anos, Renata começou a notar que o comportamento do filho não se igualava ao das demais crianças da mesma idade. O laudo só veio cinco anos depois, Luís já tinha sete anos. “Mesmo sem ter um papel que comprovasse o comportamento do meu filho, procurei especialista para melhorar a vida dele. Por mais que nenhum pediatra tenha encaminhado a um neurologista, eu tive a iniciativa de procurar”, conta.

Alguns pais passam por dificuldades em encontrar profissionais para tratar o TEA, seja no atendimento público, ou no particular. Uma alternativa para aqueles que buscam tratamento é a Associação de Apoio da Pessoa Autista (AAPA), lá é possível encontrar todos os tipos de terapias, além de psicólogos comportamentais, psicopedagogos, psicomotricistas, fonoaudiólogos. A instituição tem a finalidade de tratar, mas com preços mais baixos.

“Chegamos a um acordo que as famílias pagariam diretamente aos profissionais um valor acessível. Recebemos doações de brinquedos, água… E para ajudar estamos na campanha “Doe R$ 10” para instituição, mas mesmo assim é difícil”, diz Emanoelle Freitas, criadora da AAPA.

As extensões do cuidado com a criança são ainda maiores quando ela tem autismo. Os pais precisam estar preparados para entender as limitações dos filhos, além de procurar todo o suporte para que eles tenham uma qualidade de vida melhor. Segundo a psicóloga Ana Carolina Lima, a socialização do autista é um dos principais fatores a serem tratados. “Às vezes, no primeiro momento, há negação por parte dos pais. Mas é preciso entender que o quanto antes a criança for estimulada, melhor”.

Demora no diagnóstico ainda atrapalha tratamento
Mesmo que ainda seja não possível identificar as verdadeiras causas do autismo, existem linhas de pesquisa que sugerem os motivos, podendo ser: de origem genética; imunológica; por conta de uma infecção ou uma disfuncionalidade cerebral. De acordo com o último Manual de Saúde Mental, que é um guia de classificação diagnóstica, diversas condições foram fundidas e passaram a receber um único diagnóstico como Transtornos do Espectro Autista, são elas: transtorno autista; transtorno desintegrativo da infância; transtorno generalizado do desenvolvimento não-especificado e Síndrome de Asperger.

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Fundadora da AAPA, Emanoelle Freitas e o filho Eros em um passeio de barco. Foto: Arquivo Pessoal

A então fundadora da AAPA, Emanoelle Freitas, vive o autismo em todas as horas do dia. Além de comandar a instituição, ela também tem um filho, Eros, de 15 anos, diagnosticado com autismo. O adolescente está nos estágios mais severos, e já passou por dois AVCs, o que prejudicou todo o ganho no decorrer de seus tratamentos. Além de tudo, Eros foi diagnosticado tardiamente: primeiramente foi constado como surdo e só teve seu real diagnóstico como autista aos cinco anos.

“Foi um período muito complicado, acreditava que se ele tomasse um remédio poderia melhorar. Fiquei desempregada durante o tratamento e tive que parar as consultas, até que tivesse dinheiro novamente”, relembra Emanoelle.

As limitações do dia-a-dia para o tratamento de um autista se tornam ainda mais difíceis quando fala-se de preconceito, seja na escola, entre os amigos ou na família. Nenhum pai ou mãe quer ver o filho ser deixado de lado nas brincadeiras ou receber olhares tortos. Mas, é o que acontece no cotidiano. Emanoelle Freitas contas todas as lutas que já passou. “Um caso que me marcou muito foi quando estávamos na rua e o Eros teve uma crise. Ele me batia, mordia e puxava meus cabelos, quando eu vi ao meu redor tinha uma multidão nos filmando e dizendo que eu não sabia educar meu filho, que não tinha pulso forte. É triste ver como as pessoas julgam”, conta ela.

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Maria Eduarda conta que escreveu o livro em dois meses e fica muito feliz em ver outras crianças lendo ele. A sensação é de que fez o certo.  Foto: Tainá Valiati

Com informação, as pessoas entendem que portadores do transtorno do espectro autista podem viver bem, mesmo que dentro das suas limitações. Levando isso em consideração,  Maria Eduarda Loureiro, de  nove anos, teve a decisão de fazer um livro infantil que falasse do mundo do autismo: “Meu amigo autista”. Ela percebeu atitudes diferentes em seu novo colega de classe e resolveu investigar o que se tratava. “Perguntei à mediadora dele e aí que veio a palavra autismo, isso explodiu na minha cabeça. Fui procurar em uma livraria do que se tratava e não tinha nenhum livro para crianças. Procurei na internet e entendi o que era. Aos poucos fui me tornando amiga dele e ele foi ficando mais calmo comigo. E então senti a necessidade de colocar em um livro tudo que tinha aprendido com ele, assim outras crianças também entenderiam”, conta a jovem autora.

Atitudes como a de Maria Eduarda podem até ser difíceis de encontrar, mas são elas que tornam a conscientização do autismo mais humanizada. Encontre uma Duda dentro de você e dê carinho a um autista do seu lado.

LEIA TAMBÉM: Famílias mudam suas visões acerca do autismo depois do diagnóstico


Tainá Valiati – 7° período

No Dia Internacional da Pessoa com Síndrome de Down, o que eles desejam é respeito

O convívio com portador de SD pode ajudar a romper com os preconceitos 

Síndrome de Down (SD) não é uma doença, é uma condição genética humana e qualquer pessoa pode nascer com ela. É causada pela presença de três cromossomos no par 21, totalizando 47 cromossomos, um a mais que o esperado. Além de definir se a criança terá SD, é dentro das células que se define a cor dos olhos, dos cabelos, a altura e outras características.

Essa condição vai além do que uma simples explicação sobre genes. Aborda vidas, sentimentos e respeito. Nesta quinta-feira (21) é comemorado o Dia Internacional do Síndrome de Down, que tem como objetivo combater o preconceito e mostrar que eles são iguais a qualquer um, ficam tristes, sentem raiva e atração por outras pessoas. Deve-se entender apenas, que o desenvolvimento cognitivo e motor dessas pessoas é diferente dos demais.

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Sarah Petali tem oito anos e nasceu com Síndrome de Down Foto: Arquivo Pessoal

Segundo a fonoaudióloga, Helenice Cristina, é importante o acompanhamento de um psicólogo para ajudar os pais a entender as possíveis limitações da criança, além do acompanhamento médico do portador. “Os tratamentos devem ser precoces, porque algumas coisas podem não se desenvolver como deveriam. É uma equipe que vai ajudar no tratamento, nunca um profissional sozinho. Não há uma receita de bolo quanto a isso, mas geralmente trabalham fonoaudiólogos, psicólogos, neurologistas e motricistas. Mesmo a criança crescendo, isso não pode faltar”.

É o caso da filha da professora Beatriz Petali, a Sarah, de oito anos. Ela tem Síndrome de Down e passa por muitos profissionais: fisioterapeuta, psicopedagoga, fonoaudióloga, psicomotricidade, além de estudar em uma escola inclusiva, que tem como método de ensino o construtivismo. “Eu e meu marido trabalhamos para que a Sarah tenha uma melhor qualidade de vida. O que eu mais quero é que minha filha seja uma mulher independente, que trabalhe, construa uma família, viaje sozinha e conquiste os sonhos dela”.

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A família Petali reunida com a pequena Sarah Foto: Arquivo Pessoal

Além da inclusão social, é importante também que as pessoas com Síndrome de Down sejam incentivadas a ter uma alimentação equilibrada. Rica em frutas, vegetais, fonte de fibras e vitaminas, pois alguns apresentam problemas cardíacos e respiratórios. Além disso, possuem características diferentes: olhos puxados, marcas nas mãos, dedos dos pés muito separados e estatura mais baixa. Atualmente, a expectativa de idade deles aumentou e pode chegar até os 60 anos. Ao contrário do que diz o senso comum, um Down é capaz de ler, escrever e ter uma vida autônoma.

Apesar disso, mesmo com muitos anos de luta contra a discriminação, o portador de SD ainda passa por dificuldades no dia a dia. É o que relata a mãe de Alisson, de seis anos, Luciana Souza, de 25, que mesmo com uma gravidez indesejada, dá todo o suporte para melhorar o desenvolvimento do filho, mas, infelizmente, as dificuldades e os preconceitos existem. “O Alisson tem mediador na escola, mas quando o profissional falta, meu filho não pode frequentar a aula e isso acaba prejudicando a evolução dele. Além disso, é muito difícil o preconceito que ele sofre até na família, as pessoas acham que ele não é gente como a gente”.

A mãe da Sarah compartilha também as dificuldades que passou devido o preconceito. “Minha filha estudava na mesma escola na qual eu lecionava. Depois que eu parei de trabalhar lá, a diretora veio conversar comigo para falar que Sarah dava muito trabalho para manter, pois era uma criança que precisava de mais cuidados. Eu saí de lá muito chateada”.

Essa inclusão, portanto, não é só importante para eles, mas também para os ditos “normais”, pois ter pessoas com Síndrome de Down em seu convívio pode ajudar a romper preconceitos, através do entendimento e da empatia, que são os nortes dessa data.


Tainá Valiati – 7° Período 

Motivos para dizer “sim” ao vegetarianismo

Por Karolyne Caparelli

Nem sempre é fácil lidar com mudanças, ainda mais quando o assunto é alimentação. Afinal, essa fase é iniciada aos seis meses de idade e é construída ao longo da vida, além de ser considerada parte da identidade cultural. Às vezes, a decisão de modificar radicalmente os hábitos alimentares pode ocorrer por diversos motivos: o amor pelos animais que são explorados para o consumo, a redução dos impactos ambientais causados pela pecuária, a busca por uma vida saudável e com mais qualidade ou até mesmo, para o tratamento de doenças. Independentemente da razão, o vegetarianismo é uma tendência cada vez mais comum entre as pessoas.

Não é à toa. De acordo com uma pesquisa do Ibope realizada em 2018 em parceria com a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), 14% da população do Brasil se declara vegetariana – quase 30 milhões de pessoas. Nas regiões metropolitanas de São Paulo, Curitiba, Recife e Rio de Janeiro, esse número cresce para 16%, representando um aumento de 75% em relação a 2012, quando o levantamento foi feito pela primeira vez. Diante disso, surge a dúvida: o que o vegetariano come? Depende. O indivíduo que decide aderir ao vegetarianismo não se alimenta com nenhuma proteína animal nem derivados, porém se ele não comer carne e consumir leite e ovos é classificado como ovolactovegetariano. Quando ingere somente leite é lactovegetariano e caso coma apenas ovos, ovovegetariano.

Pedro Bernardi Salvador é vegetariano há seis anos Foto: Acervo Pessoal

Pedro Bernardi Salvador, vegetariano há seis anos, faz parte da estatística da pesquisa. O estudante de Educação Física, de 23 anos, diz que a alimentação sem proteína animal auxilia na prática de exercício. “Faço esporte todos os dias e me sinto mais leve”. Ele ainda acrescenta sobre sua relação com a carne. “Algumas mudanças aconteceram depois que parei de comer. Consumir a morte de um bicho pesa espiritualmente para quem acredita como eu”. O principal motivo para decidir ser vegetariano foi a compaixão pelos animais, que sofrem durante o processo de abate. Ele afirma que deseja continuar seguindo esse estilo de vida futuramente. “Alguns acham que é moda, mas para mim não foi. Acredito que adotei mesmo a cultura do vegetarianismo. Enquanto puder ser saudável, sem matar o bicho, continuarei sendo vegetariano”.

Quem também decidiu se tornar vegetariana, pelo mesmo motivo, foi a estudante de Publicidade e Propaganda, Mylena Gonçalves. Aos 20 anos e vegetariana há quase dois, ela conta que o amor pelos animais foi a principal razão para mudar sua alimentação. Antes de escolher o vegetarianismo, ela consumia todos os tipos de fonte de proteína. “Não gostava de carne como a maioria das pessoas. Tinha nojo de carne vermelha, porém comia frango e o peixe era apenas na comida japonesa”, destaca. Quanto aos benefícios desse estilo de vida, ela diz ser uma pessoa muito mais saudável do que antigamente. “Jamais vou me arrepender de ter me tornado vegetariana. Saber que não estou consumindo um bicho que tanto sofreu faz com que eu me sinta mais leve”, acrescenta.

Mylena, apaixonada pelos animais e sua gata Amy Foto: Acervo Pessoal

A sensação de leveza é explicada pela nutricionista Bruna Ferreira Ribeiro, que afirma que isso pode estar associado ao maior tempo de digestão da carne e à consciência mais tranquila. No entanto, ela justifica a importância das fontes de proteína animal, pois são ricas em vitamina B12, essencial para o bom funcionamento do organismo. Por isso, alerta: “Normalmente, vegetarianos precisam de suplementação da B12, já que não consomem carne, leite, queijos e ovos”. Sobre as vantagens da dieta vegetariana, a especialista cita que pode melhorar a atividade intestinal, porque legumes e verduras são ricos em fibras. Apesar disso, ela aponta: “De nada adiantarão os benefícios do vegetarianismo, se a pessoa tornar hábito consumir açúcar e outros alimentos maléficos à saúde”. Segundo Bruna, um estudo recente revelou que vegetarianos têm menos chances de ter doenças cardiovasculares e apresentam níveis de colesterol mais baixos.

A nutricionista Bruna Ferreira Ribeiro Foto: Acervo Pessoal

Pensando justamente na saúde devido à mudança alimentar, Frederico Madeira de Ley Servos, 25 anos, planeja suas refeições de acordo com os nutrientes diários que o corpo necessita. Vegetariano há dois anos, ele explica que o processo de transição começou com o movimento Segunda Sem Carne, que tem a proposta de substituir a proteína animal pela vegetal em um dia específico da semana. Trabalhando em uma Organização Não Governamental (ONG), Frederico conta que o motivo para aderir ao vegetarianismo foi o meio ambiente. “Teve a ver com as mudanças climáticas que estamos vivendo hoje. A pecuária é responsável por uma emissão gigantesca de gases poluentes do efeito estufa”. Ele relaciona a dieta vegetariana com a causa que defende: “Como ativista ambiental, sou contra isso. É uma hipocrisia continuar lutando e comendo carne”. Após adotar o novo estilo de vida, sua percepção em relação aos animais mudou para melhor.  

Além de Frederico, Rafaella de Souza Torres declara que sua proximidade com os animais aumentou depois que virou vegetariana, mas eles não foram a razão principal de sua mudança alimentar. “Foi o meio ambiente, porque comecei a entender que a criação de gado gastava muita água e desmatava as florestas”, afirma a estudante de Economia. Com 21 anos e vegetariana há quase três, ela comenta que tem somente um primo que também é adepto ao vegetarianismo e explica sobre o crescimento desse estilo de vida. “Está crescendo pela informação a que temos acesso hoje em dia. A tecnologia ajuda e deixa a pessoa mais segura para decidir”. Embora sinta um pouco de dificuldade de comer quando sai com os amigos à noite, dependendo do lugar, Rafaella argumenta que no dia a dia é diferente. Quando pensa no futuro, ela acredita que continuará sendo vegetariana e se arrepende apenas de não ter mudado antes.

Rafaella Torres: “Não me arrependo em nenhum momento de ter virado vegetariana” Foto: Acervo Pessoal

Seguir o estilo de vida sem proteína animal é uma ótima opção, segundo a nutricionista Cleonice Cristina Pereira. Vegetariana há 24 anos, ela diz que todos podem escolher o vegetarianismo, entretanto, alerta: “A pessoa precisa fazer acompanhamento nutricional”. Cleonice esclarece que, devido ao consumo de alimentos com mais proteínas biodisponíveis, facilmente absorvidas pelo organismo, o vegetariano tem uma série de benefícios. “Cabelo, pele, saúde e raciocínio lógico são diferentes, porque ele não come alimentos altamente inflamatórios e estimulantes como carne, leite e derivados, que podem proporcionar doenças e alergias”.

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou que a carne processada é um alimento carcinogênico tipo 1 e que as não processadas são do tipo 2, o que significa que quem come proteína animal está mais propenso a ter câncer. Por isso, Cleonice fala sobre o tratamento de seus pacientes oncológicos e a relação com à alimentação. “Todos são vegetarianos. Se eles não quiserem ser, não trato”. Portanto, o número de adeptos ao vegetarianismo tem crescido não somente pelo amor aos animais, pela proteção do meio ambiente ou em busca de qualidade de vida, mas também para tratar patologias.

Opções de proteína vegetal para substituir a animal Fontes: Nutricionistas Bruna Ribeiro e Cleonice Pereira


Reportagem produzida para a disciplina de 5º período Projeto Interdisciplinar em Jornalismo Impresso

“YouTubers mirins” ganham cada vez mais espaço

A popularidade crescente do site de vídeos YouTube deu início a um fenômeno: o aumento dos chamados “YouTubers mirins”. Com a facilidade de comunicação oferecida pelos meios digitais, a publicidade infantil tem sido motivo de preocupação. Existem diversos canais comandados por crianças e seus próprios pais, que recebem produtos por partes das empresas e, às vezes, até mesmo pagamento para que o objeto seja mostrado.

O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária (Conar) pode intervir nesses casos específicos, pois existem leis que proíbem a publicidade infantil. Muitas vezes, as empresas praticam a “publicidade velada”, que é feita de forma implícita. A questão infantil relacionada ao YouTube já virou um embate entre empresas, advogados e poder público.

Em maio de 2016, o Instituto Alana fez uma denúncia ao Ministério Público Federal do Rio de Janeiro contra 15 empresas de diversos setores. O caso está em andamento, hoje, no Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Uma outra representação, contra a empresa Mattel, foi feita em março de 2017. O Promotor de Justiça do MP-SP, Eduardo Dias de Souza Ferreira entendeu que se tratavam de dois procedimentos abertos para investigar o mesmo fato.

As 15 empresas citadas na denúncia de 2016 ao MPF foram: Biotropic (cosméticos), C&A (roupas), Cartoon Network (canal de TV a cabo infantil), Foroni (material escolar), Kidzania (entretenimento), Long Jump e Mattel (brinquedos), McDonald’s (comida), Pampili (sapatos), Puket (meias e pijamas), Ri Happy (loja de brinquedos), SBT (canal de TV aberta), Sestini (mochilas) e Tilibra (papelaria).

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A facilidade de acesso ao celular faz com que muitas crianças passem horas assistindo vídeos do YouTube Foto: FreePik

O papel do CONAR vem sendo questionado, já que, no YouTube o volume de conteúdo é enorme e os próprios YouTubers têm pouco ou nenhum conhecimento das regras. No Reino Unido, a ASA (Advertising Standards Authority) criou, em 2015, uma série de regras voltadas especificamente para o meio dos vloggers, o que até então não existia.

OS ESPECTADORES DO SEGMENTO

Com apenas três anos de idade, Mariana Barcelos já ama assistir vídeos no YouTube e faz questão de escolher seus canais preferidos. No início, ela via episódios de desenhos no celular da mãe, até que aprendeu a usar a plataforma e fazer suas próprias escolhas por meio das sugestões do aplicativo.

“A pior coisa que eu fiz foi deixar Mariana assistir isso”, diz a mãe.

Hoje, a esteticista Melissa Barcelos, de 31 anos, tenta fazer com que Mariana deixe de assistir aos chamados “YouTubers mirins”, pois já nota que a paixão da filha pelos produtos apresentados cresce a cada dia. Os vídeos são basicamente os mesmos, com adultos e crianças se divertindo com brinquedos de determinadas marcas.

A mãe observa que a filha passou a fazer coisas sem sua autorização depois dos vídeos e que hoje quer comprar tudo o que vê pela frente. Melissa afirma que a menina não era assim antes disso, e que, quando a pergunta onde aprendeu, ela confirma que foi no YouTube.

Mesmo apagando o histórico, os registros e afirmando que não há interesse no conteúdo, Melissa diz que as sugestões dos vídeos voltam a aparecer. Ela conta que, em muitos casos, é nítido que as crianças estão sendo forçadas pelos próprios pais a gravar.

O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS

“A criança, por não ter consciência crítica ainda muito desenvolvida, se torna vulnerável e facilmente persuadida”, analisa a pedagoga Hozana Cavalcante, de 51 anos.

A especialista diz que os pais e responsáveis devem monitorar constantemente as crianças. Hozana afirma ainda que a publicidade voltada ao público infantil é geralmente abusiva e conduz a um consumismo prejudicial e sem medidas. Ela alega que é muito importante que a educação contribua com campanhas de sensibilização e conscientização dos próprios estudantes, os orientando sobre os cuidados e abusos presentes nesse meio.

“Precisamos formar sujeitos éticos, conscientes e com participação social, que visam a transformação”, afirma a pedagoga.

Hozana acredita que os professores, que lidam diariamente com as crianças, percebem quando algo está fora da normalidade e que a escola deve aproveitar momentos oportunos, quando percebe que um tema deve ser melhor explorado. O objetivo de tais ações seria ensinar as crianças a ter um pensamento crítico e a não serem facilmente manipuladas e engolidas por uma sociedade de extremo consumo.

Para a advogada do programa Criança e Consumo do Instituto Alana, Livia Cattaruzzi, as  leis existentes são suficientes para regular a publicidade infantil. Ela cita o Parágrafo 2° do Artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor, que diz: “É abusiva, dentre outras, a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança.”

“As empresas precisam ter respeito pela lei já existente, os órgãos públicos tem o dever de fiscalizar e o judiciário de aplicar as leis quando necessário”, admite Livia.

O Instituto Alana, por meio do seu programa Criança e Consumo, atua identificando casos e tenta algum tipo de diálogo com as empresas. Quando isso não dá certo, é enviada uma representação ao órgão público competente para que investiguem e resolvam o caso.

A advogada ainda lembra a resolução de 2014 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA, que ajuda na identificação dos casos de publicidade infantil e tem poder de lei. “Dispõe sobre a abusividade do direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança e ao adolescente”.

Para Livia, o uso da plataforma por crianças não é o problema, pois ela acredita ser bom que a mesma tenha voz e espaço para se expressar. O perigo está nas empresas que veem ali uma oportunidade de fazer publicidade infantil. Outros riscos como vídeos com conteúdo impróprio também são um problema, já que as crianças navegam livremente pelo aplicativo.


Thaiane Barcelos – 6º período

 

 

Vídeos de ASMR prometem relaxar e melhorar a insônia

Em sociedades com ritmo intenso e estressante de vida, buscam-se cada vez mais alternativas para as pessoas terem momentos de relaxamento e alívio. Uma dessas técnicas surgiu nos Estados Unidos e é um fenômeno recente que tem arrebatado milhares de visualizações em canais do YouTube – ASMR.

A sigla corresponde a Autonomous Sensory Meridian Response, uma expressão em inglês que denomina as sensações que se obtém ao assistir os vídeos. Os espectadores relatam uma espécie de “cócega no cérebro”, um arrepio e formigamento que percorre todo o corpo, causado pelo estado de relaxamento profundo. Nem todas as pessoas são capazes de sentir, mas quem experimenta essa sensação garante que acalma.

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YouTubers utilizam sons como o de arranhar o microfone para causar sensação de arrepio nos espectadores, como nesse vídeo do canal Tena ASMR Foto: Reprodução / YouTube

“Os pensamentos ficam menos dispersos, parece que a cabeça fica focada e tranquila”, relata a veterinária Yngrid Mota, de 24 anos, que assiste aos vídeos quando está irritada ou agitada. Para atingir esse efeito, os ASMRtists utilizam sussurros, sons com a boca, toques e palavras suaves para acalmar quem assiste. Além disso, existem os roleplays, que consistem em simulações de situações relaxantes, como por exemplo, ser maquiado por alguém ou fazer limpeza de pele. Assista ao vídeo abaixo usando fones de ouvidos:

A YouTuber acima é Monique Colin, dona do canal Monique Always, que possui mais de 145 mil inscritos. Inicialmente criado como um vlog de saúde e beleza, o canal passou a receber conteúdo de ASMR após Monique se encantar com a técnica no canal gringo GentleWhispering, um dos mais famosos sobre o tema. Para criar seus vídeos, ela se inspira nas experiências pessoais e busca atender aos pedidos dos seus seguidores. “Sempre priorizo aquilo que meus inscritos mais me pedem e crio os vídeos a partir daquelas ideias! Para tudo que eu olho, qualquer objeto, qualquer superfície, absolutamente em tudo, eu vejo uma oportunidade para criar um vídeo novo de ASMR”.

MONIQUE ASMR

“Muita gente sempre falava que minha voz nos vídeos era bem calma e que por vezes dava soninho”, conta Monique Colin Foto: Reprodução / YouTube

Monique conta ainda que cada vídeo é planejado para ter o maior impacto possível. “O principal objetivo do ASMR é o relaxamento, acalmar e dar sono e quando isso é atingido, não existe sensação maior de gratidão! Por isso quando gravo, sempre analiso os tipos de sons que mais despertam esses gatilhos de relaxamento nas pessoas, pra que possa ser algo bastante efetivo em todos os sentidos”.

No entanto, existem canais diversos e com benefícios diferentes para cada pessoa. A universitária Ana Beatriz Santos, de 20 anos, acompanha o canal SAS-ASMR, que tem vídeos com diferentes alimentos (confira abaixo). “Por eu ter perda de apetite, tenho dificuldade em comer totalmente minhas refeições, os ASMRs de comida me ajudam, como enquanto assisto”, explica, “Me dá fome na mesma hora”.

Já para Gabriela Tomaz, de 22 anos, a técnica também diminui a ansiedade. “Foi a única coisa que surtiu efeito em mim, nem remédios para insônia ou aquelas músicas para meditações me deixavam diferente. O ASMR me dá efeito imediato, me arrepiando a cabeça, a nuca, me deixando com sono. Distrai muito bem minha mente, como se alguém estivesse fazendo um carinho minucioso em mim para me acalmar”, relata.

A popularidade e as semelhanças entre os efeitos já levaram a ciência a tentar explicar essa curiosa experiência. Ainda existem poucas pesquisas sobre o assunto, mas uma delas, realizada pelo Centro Nacional de Informações Biotecnológicas dos Estados Unidos apontou que de 475 usuários entrevistados, 82% usavam o método para dormir e 70% disseram que ajuda a aliviar o estresse.

Em entrevista ao The Guardian, o Dr. Nick Davis, responsável por um dos primeiros estudos sobre o tema diz que, apesar de muitas vezes ser chamado de “orgasmo mental”, o relaxamento causado não tem necessariamente uma conexão sexual. “O fato de que um grande número de pessoas têm isso ativado por sussurros sugere que a sensação está relacionada a ter intimidade com alguém de uma forma não-sexual. Pouquíssimas pessoas relataram uma motivação sexual para o ASMR, realmente é sobre se sentir relaxado ou vulnerável com outra pessoa”, explicou.


Maria Carolina Martuchelli – 6º período

A segunda temporada de “Atypical” e a importância de se entender o autismo

Já é hora do recreio e as crianças estão eufóricas para uma rotina que tanto as alegra. Os corredores são tomados por correrias e gritos, na tentativa de chegar aos brinquedos do pátio. Algumas sentam em pequenos grupos, abrem suas lancheiras e já mergulham os dedos no pacote de biscoito. Alguns metros dali, porém, um menino de cabelos cacheados, calçando um par de tênis do seu personagem favorito, o Homem-Aranha, surge, isolado dos demais.

Aparentando estar triste e sem sequer manter contato visual com as outras crianças, senta em um banco esverdeado, distante. Ele se prepara para tomar o suco que sua mãe colocara em sua mochila. O menino sofre de autismo. Assim como ele, cerca de 150 mil crianças por ano são afetadas pela síndrome no Brasil. O Transtorno do Espectro do Autismo é um problema psiquiátrico, que costuma ser identificado na infância, entre um ano e meio a três anos de idade e que compromete as habilidades de comunicação e interação social da criança.

Para a mãe Bruna Almeida Rachid, de 37 anos, foi bastante complicado lidar com a descoberta do filho, de 10, que é autista. “A persistência em todos os ensinamentos foi o que me fez continuar, é uma batalha diária lidar com a síndrome, mas a paciência de entender é o caminho da vitória”, conta. Na série Atypical, da Netflix, é possível entender melhor como funciona a interação do jovem Sam (Keir Gilchrist) e como ele tenta lidar com os problemas da adolescência e também com a família. É curioso como Sam passa boa parte do tempo assistindo sobre a vida animal dos pinguins e acaba percebendo que a relação entre os animais funciona como a sua mente, sendo encarada de forma metódica e racional.

Keir Gilchrist

Keir Gilchrist interpreta o jovem Sam, portador de autismo Foto: Divulgação

O ator Keir Gilchrist faz um bom trabalho, conseguindo representar bem o autismo, sendo possível notar como dá vida ao personagem de maneira tocante e marcante. Sua atuação faz com que os telespectadores entendam que, de fato, essa condição não deveria ser tratada de forma anormal. Se a primeira temporada já era boa em retratar essa síndrome com esmero, a segunda é feliz em manter o nível.

Nela, é possível relembrar não apenas dos pinguins do jovem Sam, mas também do humor diferenciado do protagonista. A nova temporada estreou no último dia sete de setembro na Netflix e mesmo parecendo sem apelo do grande público, acabou conquistando diversas pessoas que se identificaram com a forma humana dos personagens de levar a vida. Leve, a série nos faz refletir e manipula emoções e sentimentos sobre a ignorância humana.

A estudante e fã da série Roberta Martins afirma que é nítida a compreensão dos diálogos com o mundo do autismo. “Tive a oportunidade de participar da Obra Social Dona Meca e lá trabalhei com um voluntário para crianças e adolescentes portadores do autismo, foi uma experiência única e marcante”, declara a jovem de 22 anos. A estudante diz ainda que a série não deixa a desejar em nada e que para quem quer compreender um pouco mais da síndrome, é uma boa pedida se aventurar pelos capítulos da obra.


Suellen Santos – 6º período e Márcio Rodrigues – 7º período