Bossa Nova: o legado de João Gilberto para a música mundial

Do Brasil para o mundo, João Gilberto foi um dos grandes responsáveis por colocar a música brasileira em um patamar elevado no cenário internacional

Morreu no último sábado (6), aos 88 anos de idade, o cantor e compositor brasileiro João Gilberto. Ele, que já enfrentava problemas de saúde há algum tempo, morreu na própria casa no Leblon, no Rio de Janeiro, e teve o corpo velado na segunda-feira (8) no Theatro Municipal do Rio.

Considerado o pai da Bossa Nova, João Gilberto reinventou a música brasileira no final dos anos 50, com uma mistura de samba e jazz. O primeiro LP, “Chega de saudade”, foi lançado em 1959 e contou com muitas composições de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Pouco tempo depois, em 1961, já estavam concluídos os outros dois álbuns que, juntos com o primeiro, mostrariam o novo estilo para o mundo: “O amor, o sorriso e a flor” (1960) e “João Gilberto” (1961).

Em 1962, a Bossa Nova foi reconhecida e consagrada internacionalmente, após João Gilberto, Tom Jobim e outros músicos brasileiros participarem de um histórico concerto no Carnegie Hall, em Nova Iorque. Desde então, o estilo é referência de qualidade para músicos de todo o mundo.

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João Gilberto no Carnegie Hall em Nova Iorque, em 2004.       (Foto: AP/reprodução)

Para o pianista e compositor Gustavo Ballesteros, uma das maiores contribuições de João Gilberto para a música brasileira foi a simplicidade. Em oposição aos cantores da época, que eram bastante influenciados pelo canto lírico, ele introduziu um canto mais natural, intimista e próximo da fala.

Ele foi um intérprete diferenciado e influenciou praticamente todos os cantores brasileiros que vieram após ele, dentro e fora da Bossa Nova”, afirma Gustavo.

Apesar de ter nascido de jovens músicos de classe média alta do Rio de Janeiro, e ter ficado marcada como “música para a elite”, fora do Brasil a Bossa Nova era um dos estilos mais ouvidos do mundo. Prova disso é que a música “Garota de Ipanema”, composta por Tom Jobim e letrada por Vinicius de Moraes, em 1962, é a segunda música mais tocada na história, perdendo apenas para “Yesterday”, dos Beatles.

Dono de um legado inegável, João Gilberto, que ganhou o primeiro violão do pai aos 14 anos, agora, vive em outras vozes.


Thatiana Cordeiro – 6º período

 

Liam Gallagher ex-vocalista do Oasis anuncia novo álbum

Sem novidades desde 2017, o ex-membro do Oasis anuncia seu segundo álbum solo

A carreira de Liam Gallagher é cada vez mais independente, mas ainda com a fórmula do antigo Oasis. Gallagher anuncia seu novo álbum, chamado “Why me? Why not” e, como divulgação, lançou a música “Shockwave” no último sábado (15).

O sucessor de “As You Were”, lançado em 2017, parece ser mais pesado, mas ainda tem cara de um hit saído dos anos 90. A fórmula já conhecida pelos fãs no Oasis está de volta com as guitarras agudas e as batidas marcadas.  O som já característico da banda se estende para a carreira solo do vocalista.

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Lian Gallagher anuncia lançamento do novo álbum “Shockwave” (Foto: Divulgação/Liam Gallagher)

Como “As You Were” tinha um clima bem diferente, alguns fãs estranharam a volta ao britpop que o fez conhecido. O baixista e admirador da banda, Felipe Vieira, fala sobre o novo álbum do artista: “Ouvi ‘Shockwave’ e gostei bastante. Deu até uma nostalgia, porque parece muito com as músicas que o Oasis já fazia, o toque britânico é bem forte. Imagino que o álbum tenha esse mesmo clima”.

Daniel Fernandes – 7° Período

Tiago Iorc retorna com álbum novo após mais de um ano de hiato

Cantor Brasiliense movimentou internet ao divulgar em suas redes sociais “Reconstrução”, seu primeiro trabalho em 16 meses

Na madrugada de sábado (5), fãs do cantores Tiago Iorc tiveram um bom motivo para comemorar. Após dezesseis meses afastado da mídia e de redes sociais, o músico, além de atualizar sua conta no Instagram, rompeu o silêncio para divulgar seu mais novo projeto, o álbum visual ‘’Reconstrução’’, causando surpresa até mesmo em sua própria gravadora.

Com narrativa linear, uma história é traçada no decorrer treze clipes, um para cada faixa do álbum. Tendo como protagonistas o próprio cantor e a atriz Michele Alves, os clipes contam a história de um casal em diferentes fases de seu relacionamento. O projeto contou com Rafael Trindade como diretor de fotografia, com a escritora Venezuelana Maria Elena Morán, e com Tiago no roteiro.

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Cantor Brasiliense retorna a mídia após período sabático (Foto: Divulgação/Twitter)

 

Apesar de também poder ser intendido como uma metáfora para o seu período sabático, o título também é uma referência a música ‘”Construção’’ de Chico Buarque, cuja os versos se encerram sempre em proparoxítonas. Já ‘’Reconstrução’’, faixa de Tiago Iorc, apresenta a mesma estrutura, porém o final dos veros termina em oxítonas. Mesmo consistindo basicamente em baladas acompanhadas pelo seu característico violão, o álbum explora elementos diferentes de seus trabalhos anteriores e também mostra arranjos mais densos e elaborados .

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Música de Chico Buarque lançado em 1971, é referência presente na faixa ”Reconstrução” (Foto: Divulgação/Twitter)

 

Repercussão na internet

Após a divulgação de seu retorno, a internet foi tomada por tweets comentando o retorno do cantor. Além de centenas de fãs, a notícia também gerou repercussão entre diversas personalidades como a atriz Bruna Marquezine, a cantora Marília Mendonça e a apresentadora Sabrina Sato.

 

 


Felipe Pereira – 7º período 

Morte de Kurt Cobain, líder da banda Nirvana, completa 25 anos

Um dos primeiros à levar o Grunge para o público, Kurt é considerado uma lenda da música

A música do final dos anos 80 não era exatamente representativa para a juventude da época. Bandas como Guns N`Roses e Mötley Crüe faziam bastante sucesso falando sobre mulheres e festas, mas não conseguiam responder as expectativas de alguns que sentiam falta de uma música que retratasse a realidade mais pesada daquele público. Neste cenário, surgiu no início dos anos 90, em Seattle (EUA), o movimento do grunge, cujo maior expoente era o Nirvana.

O primeiro álbum da banda, intitulado Nevermind de 1991, foi um sucesso imediato. Com músicas como “Come As You Are” e o maior hit da banda “Smells Like Teen Spirit”, o Nirvana alcançou números de venda impressionantes, mas a verdadeira marca foi a influência deixada pelo disco, que começou a onda das bandas de Seattle. Soundgarden e Pearl Jam surgiram desse mesmo movimento.

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Kurt em uma apresentação pelo Nirvana (Foto: Reprodução/Twitter Foo Fighters)

Kurt era um dos maiores músicos de seu tempo. O psicólogo Matheus Silva fala sobre o perfeccionismo de Kurt. “Gostava muito da banda, li alguns livros e soube que ele só mostrava as músicas que escrevia para a banda quando achava que aquilo estava perfeito”, comenta Matheus.

Além de ótimo músico, Kurt influenciou toda uma geração de artistas, é o que diz um dos fãs da banda, o estudante de publicidade Philippe Pereira. “Kurt influencia uma galera até hoje, muito pela música, mas acho que mais ainda pela personalidade que ele passava nas letras. Até um rapper, o Lil Peep tinha uma música chamada ‘Cobain’, e ele era comparado ao Kurt pelo estilo de vida, e pela mesma morte trágica. Kurt era um ser humano fantástico em muitos aspectos, mas infelizmente não era uma pessoa saudável”, diz Philippe.

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Kurt com sua inseparável guitarra (Foto: Reprodução/Twitter Foo Fighters)

O baixista e arquiteto João Paulo Miranda fala sobre a diferença do som criado por Kurt: “Pra mim, o Kurt e o Nirvana foram os últimos a criar arte. Eles criaram um padrão estético, quando você fala do grunge, se lembra de várias outras bandas, mas nenhum desses sons lembra o som do Nirvana. O que o Kurt escrevia era visceral em todos os sentidos. Era visceral no sentido de onde vinha aquele grito, das vísceras mesmo”, comenta.

João Paulo continua e explica o conceito de estética da banda. “Na música, tem várias bandas que tentaram se aproximar, mas nenhuma conseguiu isso. É até difícil classificar o Nirvana como uma banda grunge, porque nenhuma outra se parece ou chega perto do estilo deles. Acho que hoje, no rock alternativo, tem muita influência da sonoridade deles. No trap, que é uma vertente do Hip-hop ele também é muito influente, é parecido com o estilo do XXXtentacion”, completa João Paulo.

Daniel Fernandes – 7° Período

Jonas Brothers, Sandy & Júnior e os comebacks da música pop

Artistas de sucesso no passado voltam aos palcos depois de anos afastados dos holofotes

A música pop vive de novidades. De tempos em tempos aparecem novos artistas, ritmos, modas e por aí vai. Em 2019, porém, a moda é a nostalgia. Diversos grupos de sucesso no passado estão voltando à ativa e fazendo seus fãs delirarem com a memória dos antigos e alguns novos hits.

Já se sentia desde 2017, com a volta do grupo Black Eyed Peas, que uma possível onda dos chamados “comebacks” (termo em inglês usado para descrever o retorno de artistas) estava para acontecer, o que não se esperava era a dimensão que se tornaria essa nova tendência da música. Grupos consagrados como Jonas Brothers, Spice Girls e o fenômeno Sandy e Júnior também fazem parte disso.

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Jonas Brothers na divulgação de seu retorno (Foto: Reprodução/Twitter)

Explorar o passado sempre foi comum na cultura pop, especialmente no cinema e nas séries de TV. Fazem sucesso nas telas produções como a vencedora do Amy Awars de melhor série, “The Americans”, um drama sobre a guerra fria, ou mesmo o recente filme “Capitã Marvel”, que se passa nos anos 90.  Ainda assim, é a primeira vez que essa tendência invade a música.

Após o retorno do grupo Black Eyed Peas, que sem a cantora Fergie, uma das estrelas da banda, não chegou perto do sucesso que tinha antes da pausa de seis anos dos palcos, foi a vez de uma mania britânica voltar aos holofotes. As Spice Girls anunciaram uma turnê de 13 shows em grandes estádios do Reino Unido, como por exemplo, o Wembley Stadium, com capacidade para até cem mil pessoas. É um evento tão grandioso no Reino Unido, que Jess Glyne, uma das cantoras de maior sucesso na música britânica atualmente, fará “apenas” os shows de abertura da turnê.

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Spice Girls em sua nova formação, sem Victória Beckham (Foto: Reprodução/Twitter)

Diferentemente do grupo norte-americano, as Spice Girls devem deixar uma forte marca na música pop em 2019, mesmo sem Victória Beckham, uma das integrantes mais famosas. Assim como o símbolo da geração dos anos 90 no Brasil, Sandy e Júnior, que também anunciaram uma turnê de celebração pela história da dupla. Uma curiosidade é que tanto Sandy e Júnior, como as Spice Girls não lançaram nenhuma música nova, portanto seus setlists contarão exclusivamente com sucessos do passado.

No Brasil, a dupla foi um verdadeiro fenômeno, com milhões de discos vendidos e acumulando fãs através dos anos. Uma delas é Jenifer Lemos, que fala um pouco sobre sua admiração pela dupla. “Não lembro exatamente quando os conheci, devia ter uns 3 anos, mas desde então, me apaixonei, era completamente fissurada neles, sou até hoje. Deixava o CD deles tocando o dia todo na casa da minha avó, e eu cantava, dançava, assistia todos os programas possíveis de TV”, comenta.

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Dupla durante a promoção da turnê ‘Nossa História” (Foto: Reprodução/Twitter)

Jenifer fala também sobre o período de afastamento dos artistas, que teve início em 2007. “Continuei ouvindo todas as músicas, mesmo depois que eles terminaram a dupla, e durante todos esses anos, e até hoje tenho uma playlist. Não foi uma coisa que se perdeu”. Ela continua, contando sobre a influência da dupla: “era a única coisa que ouvia quando criança, então foi uma grande influência, um exemplo, e isso me fez levar essa paixão pela música, pelo canto, instrumentos, tanto que eu entrei na escola de música, me formei e depois dei aula de canto por dois anos”, conta.

Uma explicação Cientifica para essa paixão

O retorno desses artistas e principalmente o sucesso deles mostra o quanto as música antigas geram apego. Essa paixão pode ser entendida pela psicologia, como explica a musicoterapeuta Ludmila C. S. Poyares. “O ser humano convive com sons desde o ventre da mãe, então todas as experiências estão sendo formadas, através dos receptores do sistema sensorial que é a primeira forma de aprendizado e interação com o que está sendo vivido”, esclarece.

Ela explica também quando começamos a relacionar a música com as experiências de vida e como isso influencia o nosso gosto musical. “Com o tempo, os órgãos sensoriais são estruturados e proporcionam a essência do significado. Com a música ocorre da mesma forma, construindo as memórias afetivas e musicais, sendo envolvidos nos aspectos qualitativos e subjetivos, nos diferentes estímulos sonoros alterando, assim, o comportamento, a socialização, a psique, a formação neuronal nas áreas cognitivas, entre outras. Os efeitos sonoros e musicais podem ser sentidos em diferentes ambientes e situações que atingem as emoções, que é um dos objetivos da música e vice-serva. Por isso que quando ouvimos uma música de uma década específica ocorre o momento nostálgico de prazer/desprazer”, ressalta Ludmila.

Por causa disso existe uma área específica da ciência responsável apenas por entender e aplicar os benefícios da música no cérebro humano. “Como musicoterapeuta utilizo os elementos musicais e a música como uma forma de tratamento. Ele tem que ser realizado de forma adequada, por um profissional habilitado e graduado em Musicoterapia que proporciona com um objetivo especifico para cada quadro clínico a reabilitação global biopsicossocial de cada sujeito”, conclui.

A força de um comeback

Outros artistas que voltaram nessa leva dos comebacks foram: Panic! At the disco, The Black Keys, Hozier, Rouge e talvez o mais surpreendente dos retornos, os Jonas Brothers.

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Nick, Joe e Kevin se reúnem após cinco anos em projetos paralelos (Foto: Reprodução/Twitter)

Os irmãos que começaram bem novos tiveram seu auge entre 2008 e 2010, especialmente na época do lançamento do filme “Camp Rock” que também ajudou a lançar a cantora Demi Lovato ao grande público. Ao longo dos anos foram conquistando fãs, prêmios e sucessos, mas ironicamente o hit mais bem sucedido só veio com o retorno, depois de cinco anos dos integrantes Nick e Joe tentarem outro projetos. Nick, com sua bem sucedida carreira solo e Joe, com a banda DNCE.

A música “Sucker” estreou em primeiro lugar nas paradas americanas, superando “Shallow” de Lady Gaga e Bradley Cooper, e os hits de Ariana grande, “Thank You, Next” e “7 Rings”, que haviam estacionado nas primeiras posições da lista por algumas semanas.

Assim como Sandy e Júnior, os Jonas Brother também marcaram uma geração de fãs, uma delas, Rachel Binoto fala sobre a importância do grupo em sua vida. “Não faço ideia de como os conheci, mas gostei desde o início. Foram marcantes com suas músicas que pensei até em colocar nos 15 anos, porque tinha um significado muito grande”.

Karyne Luize, outra admiradora do grupo fala sobre o significado das músicas para ela. “Foram marcantes no sentido de eu entender que a música tinha várias faces, eu não precisava seguir um padrão de comportamento para ouvir aquela música”, comenta. Ela diz também que acompanhou os outros projetos dos integrantes durante o hiato. “Gostava de algumas (músicas), sim, como ‘Kissing Strangers’ e ‘Cake By The Ocean’ do DNCE e “Levels” do Nick Jonas”.

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Volta da banda Oasis é uma das mais pedidas nas redes sociais (Foto: Reprodução/Twitter)

Com essa nova moda na música, alguns fãs já se animaram e começaram nas redes sociais a pedir pelo retorno de outros grupos, como os britânicos do One Direction, The Wanted, e principalmente pela banda Oasis, afastada desde 2008. Por isso, os ânimos aguardam ansiosamente pelo o que este ano ainda reserva.

Daniel Fernandes 7° Período