Qual é o segredo para construir uma carreira de sucesso?

A consultora de carreira Clara Nunes comandou palestra exclusiva na Universidade Veiga de Almeida visando contribuir com crescimento profissional dos alunos

Na tarde desta quinta-feira (9), a Agência de Comunicação Institucional da Universidade Veiga de Almeida promoveu um workshop no campus com o tema “LinkedIn e a construção da carreira na graduação”.

Com o intuito de auxiliar os alunos a construir um currículo melhor e aumentar as chances de ofertas de trabalho, a palestrante Clara Nunes, consultora de carreira, articulou sobre a importância de dominar técnicas modernas como o LinkedIn e ofereceu dicas para a formação complementar dos alunos.

Clara apresentou exemplos de como montar o perfil ideal no LinkedIn. Foto: John Willians/Agência UVA

De acordo com Clara, o foco das empresas atualmente é observar a experiência do indivíduo, então é importante destacar pontos em que suas ações, de alguma forma, foram impactantes e contribuíram para a construção de algo ainda maior do que apenas a carreira. 

Durante a palestra, a consultora citou a sigla “CHA”: Conhecimento, Habilidade e Atitude, uma estratégia para lembrar aos alunos dos pontos principais a serem pensados durante a construção de uma carreira profissional.

“É importante fazer as coisas acontecerem, sempre divulgando isso para o mercado, deixando claro que está atualizado em sua área e fazendo este networking”, explica.

Ao conceder uma entrevista para a Agência UVA, a palestrante contou um pouco mais do papel de redes sociais específicas para o mercado de trabalho, como o LinkedIn nos tempos modernos.

“É uma grande rede de relacionamentos, com o papel principal sendo o profissional, que permite a visualização de eventos de empresas, observar estilos e culturas”, explica. 

O evento foi realizado no auditório da Universidade Veiga de Almeida. Foto: John Willians/Agência UVA

Um ponto importante de toda a evolução de novas técnicas pode ser a exclusão de grupos sociais que, sem condições de acesso, não possuem conhecimento digital prévio. Sobre isso, Clara comenta. 

“Grande parte dos processos atuais são feitos através de redes sociais e aplicativos. Sistemas mais tradicionais, como enviar o currículos a parte ou entregar em mãos, estão ficando cada vez mais obsoletos, então acredito que, embora em cargos mais operacionais isso não afete tanto um público com menos renda, em cargos mais estratégicos é necessário sim ter um controle da tecnologia, mesmo que minimamente”, conta a consultora.

A palestra envolveu também atividades como uma simulação de entrevista de emprego. Na foto, a palestrante Clara Nunes com a aluna Caroline Rocha. Foto: John Willians/Agência UVA

“A palestra deu uma luz sobre uma ferramenta que é tão importante para o nosso uso de nós profissionais e estudantes também”, conta Caroline Rocha, aluna do 5o período de Publicidade, e convidada por Clara para realizar uma simulação de entrevista de emprego no palco.

“Além de me ajudar a sanar dúvidas de muito tempo, me fez pensar em como eu posso melhorar o meu currículo no LinkedIn”, continua a aluna, explicando a intenção de complementar um perfil que antes estava mais “básico”.

Durante os momentos finais do evento, a organização sorteou dois alunos presentes para um treinamento individual com Nunes.

“Estou muito feliz em ter sido contemplado. Pelo fato de ela ter muita experiência no recrutamento e seleção de candidatos, sei que vamos aprender muito, de forma a construir um currículo melhor e mais atrativo”, relata Rafael dos Santos, aluno de Jornalismo do 7o período e um dos sorteados para a consultoria.

Já Joana Senes Botinelly, do mesmo período, conta de suas expectativas ao dizer que Clara vai “ajudar naqueles caminhos que a gente sempre fica cheio de dúvidas, se questionando ‘o que fazer, o que colocar, como agir’ e isso vai ser incrível. Com certeza vai agregar muito a tudo que eu já sei”.

Clara finaliza a entrevista expondo sua visão sobre do grande segredo para uma carreira de sucesso atualmente: autenticidade: “é estar conectado com o que você acredita, com a sua verdade, e quanto mais você se conecta a isso, mais sucesso você tem, além de colaborar com outras pessoas de forma genuína, pois funciona como abrir portas, e tudo que é feito volta para você”. “O importante é estar conectado a você”, expressa a consultora.

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John Willians – 9° Período

Spohr fala sobre seu universo ficcional: ‘Está em expansão contínua’

Um dos nomes mais conhecidos da literatura fantástica brasileira, o escritor Eduardo Spohr teve um contato ímpar com as mais diversas culturas, desde a infância, graças ao trabalho dos pais que eram piloto de avião e comissária de bordo. Para o então jovem Eduardo, essas experiências fomentaram o que viria a ser um elemento crucial de suas obras, a diversidade de personagens e suas filosofias de pensamento.

Obra mais conhecida de Spohr, a tetralogia angélica tornou-se referência no mercado literário nacional por trabalhar o conceito de um universo inteiramente novo e dinâmico feito por um autor brasileiro. Em entrevista exclusiva à AGÊNCIAUVA, o Spohr fala sobre o universo da cultura pop no Brasil e sobre adaptações de livros para o cinema.

AGÊNCIAUVA: É complicado lançar uma obra cujo o tema seja mitologia brasileira?

EDUARDO SPOHR: Eu acho que vai variar de acordo com a qualidade da obra, se o produto for bem escrito e bem divulgado. Não existe essa história de preferência a uma mitologia estrangeira em detrimento de uma brasileira. Isso não é uma questão nem para a editora, nem para o autor, nem para o leitor.

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Eduardo Spohr fala de sua visão da profissão [foto: Lizandra Rios\ Agência UVA Barra]

Sobre a adaptação de um livro para o cinema, você acha que o autor deve acompanhar de perto o desenvolvimento de uma adaptação ou ele deve ficar apenas como consultor e deixar nas mãos do roteirista?

Depende do escritor, cada um tem uma visão. O Bernard Cornwell (escritor), por exemplo, me disse em uma entrevista que ele é o tipo de cara que não se preocupa e deixa tudo nas mãos dos produtores. Já outros preferem ter mais controle, como é o caso, me parece, da J.K Rowling (escritora), que sempre revisava o roteiro dos filmes do “Harry Potter”. Então, depende muito da visão que o autor quer para a sua obra no cinema.

Depois de finalizar a tetralogia angélica, qual será o próximo passo? Você planeja expandir esse universo?

No meu caso, até agora, esse universo do “Batalha do Apocalipse”, que eu criei junto com os meus amigos, é uma expansão contínua. Tanto é que eu lancei o universo expandido há pouco tempo, que é um guia visual daquele universo, que serve também para cada vez gerar mais histórias e mais ideias.

 

Gustavo Barreto – 6º período

Mauricio de Sousa: ‘Quero levar a Mônica para o resto do mundo’

Mauricio de Sousa é um nome que dispensa apresentações. Criador de personagens como Mônica, Cebolinha, Magali e Cascão, sua marca quebrou barreiras nacionais e alcançou a fama mundial ao ser traduzido para mais de 14 idiomas. Natural da cidade de Santa Isabel, interior de São Paulo, Mauricio tinha o desejo de se tornar um ilustrador. Em 1959, seu primeiro trabalho foi publicado. Franjinha e seu cão Bidu eram os protagonistas.

Mônica e Cebolinha só viriam a existir nos anos 60, tornando-se protagonistas das histórias. Em entrevista exclusiva a AgênciaUVA, Mauricio contou como surgiram seus principais personagens,  um pouco do processo de criação das revistas e os planos para o futuro.

AgênciaUVA: Como é criar uma enorme gama de personagens tão diferentes entre si e que consigam criar tamanha identificação com o leitor?

Mauricio de Sousa: Confesso que foi acidental. Quando comecei a desenhar as primeiras tiras de jornal eu saquei que precisava buscar algo bastante fresco na minha memória e na minha vivência. Eu me lembrava bastante da minha infância, com meus amigos, suas peculiaridades e principalmente das minhas filhas que desde cedo já demonstravam traços fortes de personalidade própria. Foi neles que eu me inspirei para primeiros personagens criados.

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A inspiração de Mauricio veio da sua vida [foto: Lizandra Rios/ Agência UVA Barra]

Quando você criou esse universo, já tinha em mente que ele seria uma obra dessa dimensão ou apenas esperava criar uma ferramenta de entretenimento?

Desde o inicio eu queria fazer tudo que faço hoje. Planejei tudo que estou fazendo hoje, incluindo cinema, animação etc. Só não contava com a internet. Eu me baseei nas histórias em quadrinhos americanas no que toca a transformar os produtos em uma empresa. Mesmo sabendo que empreender no Brasil seria difícil, copiei o modelo de difusão norte-americano. Sabia que era questão de tempo e de um bom trabalho até começar a dar frutos.

Depois de alcançar tantas conquistas, qual é o próximo passo?

Espero que venha um momento de calma e tranquilidade para que eu possa criar mais coisas. Existem muitos países que ainda não conhecem “A Turma da Mônica”. Quero levar os personagens para o resto do mundo. Nosso próximo objetivo é internacionalizar a marca. Temos um programa de desenho animado no Youtube chamado “Mônica Toy”, que é nossa principal ferramenta nessa empreitada. É um caminho novo, a velha tirinha transportada para a internet.

Gustavo Barreto – 6º período

 

Pedro Bandeira: ‘Livros tratam do ser humano e não de tecnologias, por isso são eternos’

Considerado um dos melhores autores de livros infantojuvenis do Brasil, o escritor Pedro Bandeira sempre manteve bases fincadas no mundo do jornalismo e da publicidade. Formado em Publicidade pela Universidade de São Paulo (USP), Bandeira trabalhou no jornal “A Última Hora” e na Editora Abril, onde escrevia artigos e fascículos. Foi a partir de 1972 que ele passou a escrever pequenos contos e histórias para a Abril e outras editoras.

Em entrevista exclusiva à AGÊNCIAUVA, o escritor avalia a posição da juventude perante os livros e a tecnologia. Ele fala também sobre diferenças e semelhanças entre as gerações que cresceram lendo suas histórias e sobre o papel dos adultos em suas obras.

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Pedro Bandeira avalia a juventude [foto: Daniel Deroza\ AgênciaUVA

AGÊNCIAUVA: Como você mantém uma conexão com o público jovem atual, tão diferente de outras gerações?

Pedro Bandeira: Muda a tecnologia, mas não o corpo humano.  Nem o corpo, nem a mente. Os sentimentos de um menino de 12 anos da época em que escrevi “A Droga da Obediência” são os mesmos sentimentos de um menino de hoje. Ele tem esperanças, tem dúvidas, tem paixões e raiva. Exatamente como eram seus pais e avós. Por isso os livros têm grande relevância. Eles não tratam de tecnologias, mas sim do ser humano e, por isso, se tornam eternos.

Você se preocupa em não vilanizar os adultos em suas obras?

Meus heróis são sempre as crianças e os adolescentes. Os adultos são muito mais atrapalhados do que vilões. Os meus vilões são sempre o opressor, o ditador, o poder mal utilizado. Não é porque uma pessoa é mais velha que ela é má, mas eu tento pôr sempre a esperança no mais jovem, porque ele construirá o futuro.

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Para o autor, as crianças são o futuro [foto: Daniel Deroza\AgênciaUVA]

Você percebe um afastamento dos jovens em relação aos livros, principalmente por causa das mídias sociais?

Não, isso não está acontecendo. As novas mídias não vêm para destruir nada, elas vêm para acrescentar algo. Meus livros continuam vendendo, as crianças continuam lendo, jogando videogame e brincando. A vida é muito rica para termos medo do novo.


Gustavo Barreto – 6º período

Ziraldo quer livrarias nos estádios de futebol

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O escritor Ziraldo [foto: Ana Colla\divulgação]

Escritor, cartunista e criador do famoso personagem “Menino Maluquinho”, Ziraldo foi apresentado como o grande convidado do segundo dia (01/09) da Bienal do Livro no Rio de Janeiro. Ele foi o primeiro autor brasileiro a criar uma história em quadrinhos sozinho, a “Turma do Pererê”, em 1959. Durante a ditadura militar no Brasil, foi um dos fundadores do semanário “O Pasquim”. Nos anos 80, publicou a história do “Menino Maluquinho”, personagem mais conhecido do escritor até hoje e que inspirou várias gerações.

Em entrevista exclusiva à AGÊNCIAUVA, Ziraldo defende que o hábito da leitura seja abordado com maior seriedade pelo governo, fala sobre o mercado literário e sobre o futuro de quem planeja seguir por esse caminho, e afirma que estádios de futebol deveriam ter livrarias. Com 84 anos, se orgulha de ter domínio sobre o assunto.

AGÊNCIAUVA: Como o senhor avalia o mercado literário?

Ziraldo:  O brasileiro lê mais do que o pessoal pensa. Eu acho que a distribuição de livros no Brasil ainda é deficiente. Cidades de porte médio, por exemplo, não têm livraria. Os livros são vendidos em papelarias e elas não são a casa dos livros. A casa do livro é a própria livraria. Eu acho que livro precisa ser popular, precisa ser prestigiado. O governo deveria pegar a bolha literária brasileira e fazer com que o povo tenha acesso a ela. Deveriam ser instalados pontos de livraria em vários lugares, como por exemplo, nos estádios. A gente tem que facilitar a chegada do livro na mão do brasileiro.

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Ziraldo concedendo entrevista [foto: Francisco Valdemir\Agência UVA]

 

O senhor concorda com o método de ensino nas escolas?

Ziraldo: O livro é o objeto mais fantástico que o ser humano inventou. Ficam inventando currículo para limitá-los. Tudo é conversa jogada fora. O que o professor deveria ensinar é só leitura, aprender a ler, dar o código e deixar o aluno se virar. É ler, escrever e contar, só isso. A criança deve saber ler, entender o que está lendo, escrever o que ele está pensando e fazer as quatro operações matemáticas. A criança sabendo fazer isso tudo, ela está preparada para a vida.

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O autor mostrou muita convicção em suas opiniões [foto: Francisco Valdemir\Agência UVA]

Qual seu conselho para quem deseja ingressar nesse meio?

Ziraldo: Escreva seis volumes e mande para a editora, porque não adianta ter pistolão (contatos), porque ninguém vai editar um livro só porque é amigo de outro cara. O editor só edita um livro quando pega o material e pensa: “Esse cara escreve maravilhosamente bem”. O jeito é entrar em um concurso, escrever três ou quatro cópias e deixar tudo na editora até descobrirem você. Talento é igual a diamante, você acha no fundo do rio e se você tiver talento, pode acreditar, eles vão te descobrir.

Gustavo Barreto – 6º período

Jout Jout e gerente do LinkedIn falam do empreendedorismo jovem

youtuber Julia Tolezano (Jout Jout) foi uma das convidadas do “Extra Conect@”, evento organizado pelo jornal “Extra”, com o patrocínio da Universidade Veiga de Almeida, na última quinta-feira (25), no campus Tijuca. Alguns dos mais conhecidos influenciadores digitais da atualidade debateram sobre o empreendedorismo do jovem. O escritor Affonso Solano e a gerente do LinkedIn Erika Tabacniks também participaram do debate.

O medo do jovem para dar o primeiro passo na conquista de uma vida independente e a pressão para ser “bem-sucedido” foram abordados pelos participantes do evento. Solano contou como foi o início da trajetória dele no mercado literário brasileiro. O escritor também falou sobre a dificuldade de conseguir promover sua obra. “Para que eu chegasse no momento em que a editora me notasse como escritor, eu demorei uns 10 anos. Trabalhei como ilustrador, publicitário e podcaster e escrevi para vários veículos. Foram 10 anos construindo minha carreira”, afirmou.

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influenciadores relembram suas trajetórias [foto: Daniel Deroza/ Agência UVA]

Com um canal com mais de um milhão de inscritos no Youtube, a influenciadora Jout Jout era uma das presenças mais esperadas no evento. Ela disse que possui um público alvo misto no canal, que facilmente “abraça” a linguagem dos seus vídeos. Para Jout Jout, não deve ser feita distinção de linguagem entre as faixas etárias do público: “Eu não penso muito nisso. Vou falando do jeito que eu falo. Acho que condicionar sua fala pode acabar subestimando seu público”.

Jout Jout ressaltou que, durante o período da faculdade, o maior desejo dela era o de trabalhar em uma grande editora. Apesar de ter alcançado o sonho, a youtuber contou que não se sentia feliz e que a ideia de criar um canal veio por acidente: “Depois que eu realizei meu sonho, eu parei e me perguntei: ‘e agora?’ Um dia, eu peguei uma câmera e, sem qualquer super produção, comecei a falar tudo o que eu pensava sobre vários assuntos”.

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Jout Jout define sua trajetória no Youtube [foto: Daniel Deroza/Agência UVA]

Mas para inovar, deve-se arriscar. O risco dos jovens para construir carreiras e a independência foi abordado por Erika Tabacniks. Falando da experiência própria de ter se aventurado fora do Brasil e da posição de gerente do LinkedIn da América Latina, ela afirmou que o atual momento do país pode ser uma oportunidade para o jovem empreender e mostrar vocação para liderar. “O momento cria mais oportunidades para empreender, pois se questiona o que pode ser feito de diferente. Como a liderança é uma característica situacional, ela pode surgir no ambiente universitário como a figura que inspira e demonstra proatividade”.


Gustavo Barreto – 6° período

Despindo o manto da invisibilidade

No dia do Transtorno do Espectro Autista, o caminho para a luta contra o preconceito é acabar com seu estigma através da informação.

Ano após ano, no dia 2 de abril, algo de grande importância é comemorado no mundo. O Dia do Autismo, como é chamado, foi decretado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2008, e se tornou sinônimo de conscientização, luta contra o preconceito e apoio às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O distúrbio neurológico afeta vários aspectos da comunicação, além de influenciar também no comportamento e nas relações do indivíduo.

De acordo com estatísticas levantadas pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, 1 a cada 110 crianças possuem autismo, tornando a síndrome mais comum do que parece. No Brasil, estima-se que esse número pode chegar até 2 milhões de autistas. Muitos estudos relacionam o transtorno a fatores genéticos ou causas ambientais, porém essas suspeitas ainda não são conclusivas, levando a uma grande desinformação e demora no diagnóstico.

As dúvidas que cercam o transtorno

Os primeiros sintomas do autismo ocorrem antes dos três anos de idade. No entanto, como existem diferentes graus da síndrome, a intensidade pode variar. Existem autistas, no nível mais avançado, que possuem a linguagem e interações sociais muito afetadas. Outros são extremamente inteligentes. Essas alternâncias do espectro podem causar grande confusão na hora de se realizar um diagnóstico preciso. Contudo, em 2014, pesquisadores do Projeto Genoma, trabalho de mapeamento do genoma humano, identificaram que o gene TRPC6 pode ser um dos predispostos da síndrome. Grande parte das análises ainda são feitas a partir da observação do paciente.

A importância da conscientização

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Aline Drummond. [foto: arquivo pessoal].

Apesar de diversos avanços, ainda há uma longa caminhada no que tange a desmistificação do assunto. É o que explica Aline Drummond, professora de Psicologia da Universidade Veiga de Almeida. Segundo a especialista, a conscientização é importante porque permite pensar as políticas públicas de saúde mental para crianças e adolescentes. “No Brasil, ainda é recente o reconhecimento dessas políticas como sendo questão de saúde pública e que devem integrar o conjunto de ações do SUS (Sistema Único de Saúde)”, afirma. A professora relata que a finalidade é a construção de uma rede de cuidados capaz de atender efetivamente a necessidade desses pacientes.

Aline enxerga, ainda, que muitas crianças e adolescentes diagnosticados como autistas são colocadas à margem da sociedade, e peregrinam em busca de um atendimento especializado. Para a psicóloga, só haverá mudança através de uma reestruturação da assistência aplicada atualmente. “Crianças e adolescentes ficaram excluídos da construção de dispositivos clínicos e psicossociais que sustentem um novo modelo de cuidar voltados a um paciente que está em sofrimento”, diz.

Azul é a cor do amor

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Pâmela e Gilberto (Giba) Gonçalves. [foto: arquivo pessoal].

A cor azul, que representa a data comemorativa do Dia do Autismo, foi também fonte de inspiração para Pâmela Gonçalves, 30 anos, do Rio Grande do Sul. Ela é dona da página “Autismo – Histórias de um amor azul”, no Facebook, onde compartilha o cotidiano junto ao filho autista, Gilberto, de 9 anos. Pâmela utiliza a rede para levar informação sobre o transtorno, possibilitando a criação de uma rede de apoio a outros pais de crianças autistas. De acordo com ela, o período inicial após a descoberta foi bastante difícil. “A primeira coisa que passa em nossa cabeça é: ‘Como será o futuro do meu filho? E se eu morrer?’. Aos poucos vamos aprendendo a viver um dia de cada vez.”

Pâmela conta que Giba, como é carinhosamente chamado, apesar de ainda não falar, realiza diversas atividades ao longo da semana. “Ele faz muitas terapias como fonoaudiologia, equoterapia, natação, entre outras, e estuda em escola regular”, conta. “Quando recebemos a notícia de que Gilberto teria alguma necessidade especial, pensamos: ‘Como será? Como vou ensiná-lo?’. Mas, ao longo do caminho, percebemos que um filho ‘especial’ ensina muito mais a nós do que nós a ele”.

A mãe de Giba faz um apelo para que exista uma maior conscientização e, principalmente, mais qualificação para os profissionais da saúde. “Espero que os profissionais dediquem-se mais e se qualifiquem. É importante também que as famílias ensinem às crianças a serem solidárias e menos preconceituosas, porque sinto que estamos engatinhando quando o assunto é inclusão, mas, ainda sim, acredito que estamos no caminho certo.”


Thainara Carvalho – 50 período

Uma noite de música e esporte

Na noite da última sexta, dia 2, o programa esportivo “De Primeira”, da Rádio Mix FM (102.1) contou com participações muito especiais: o cantor Tico Santa Cruz e o guitarrista Renato, ambos da banda de Detonautas. A dupla convidada, falou sobre assuntos relacionados a esporte e aproveitou a oportunidade para divulgar o encerramento da atual turnê do grupo – “A Saga Continua” –, cujo último show aconteceu no Centro Cultural João Nogueira, o Imperator, no Méier, neste último fim de semana.

Comandado por Felipe Ruggeri, Smigol e Fernanda Maia, o “De Primeira” aborda os assuntos do momento no mundo dos esportes de forma leve e descontraída. O vocalista da banda, logo no início do programa, já admitiu que prefere praticar esportes do que acompanhar as competições. “Eu gosto mais de jogar bola do que assistir aos jogos”, ele disse, rindo. Mas nem tudo foi só alegria. Foi inevitável não falar sobre o recente acidente que chocou não apenas o Brasil, mas o mundo, sendo noticiado pelos principais veículos de notícias internacionais: o desastre aéreo que matou 71 pessoas e deixou 6 feridas – entre elas, jogadores da Chapecoense e jornalistas –, na última terça (29), em Medellín, na Colômbia.

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Ao fundo, Renata (centro) e Tico (direita) no estúdio da Mix. [foto: Daniel Deroza/ Agência UVA]

Com todos os comentários já feitos ao longo da semana sobre o fato que comoveu o mundo, as palavras de Tico Santa Cruz – apesar de breves – expressaram o único sentimento possível: “eu estou triste. Muito triste”. O cantor, que é uma figura muito atuante nas redes sociais, já havia feito declarações sobre o ocorrido no Facebook. “Deixo aqui a minha solidariedade às famílias, aos amigos, aos torcedores, à cidade de Chapecó, todos envolvidos neste acidente muito triste. Como a vida é um sopro…”, ele publicou, além de também postar uma mensagem de agradecimento ao país onde ocorreu a tragédia. “Viva a Colômbia e seu espírito revolucionário do AMOR. Uma lição de empatia, carinho e respeito num momento de tanta dor para famílias Brasileiras. Vocês foram incríveis”.

Ao falar acerca da atual turnê da banda, os artistas contaram um pouco sobre o processo de preparação do repertório para esta última apresentação, que contará com canções dos trabalhos anteriores do grupo. “Tem uma música que é muito pedida e eu estou tentando decorar a letra para amanhã, que é ‘O Alienista’, em homenagem ao livro [homônimo de Machado de Assis]. É bem bacana e a gente quer tocar amanhã. A dupla também contou que a setlist do show conterá composições de outros artistas – mas não revelaram quais – com uma “roupagem” no estilo do Detonautas. “A melhor homenagem que você pode fazer ao tocar uma música de outro artista é tocando do seu jeito”, finaliza Renato.


Daniel Deroza- 4º Período

O corpo segundo Antonin Artaud e a guerra contra o preconceito

Para o encerramento da “20ª Semana da Psicologia da UVA” foi promovido, na última sexta (30), o debate sobre as questões do corpo nos textos do autor francês Antonin Artaud. O evento organizado por Aline Drummond, professora da graduação da UVA e coordenadora da especialização em psicanálise, teve a presença da educadora Ana Paula Kiffer, do programa de Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade – PUC-RJ. O evento acontece há dez anos e é realizada através da parceria do mestrado e do doutorado nos campus da Tijuca e da Barra.

Antoine Marie Joseph Artaud (1896-1948), conhecido como Antonin Artaud, nasceu em Marselha, na França. Além do ofício de escritor, era também poeta, dramaturgo, ator, roteirista e diretor de teatro. Sua produção literária e imagética inclui 28 obras e 75 desenhos. Desse total, 18 narrativas foram escritas em um intervalo de cinco anos. O feito do autor chega a impressionar pelo volume, sendo comparado apenas ao da produção de Picasso. Ainda sob sua autoria, foram escritos 503 cadernos e incontáveis notas. Sobre isso, Ana Paula Kiffer comenta que “diferente de outras pessoas, a própria noção de obra em Artaud é contestada. Não há uma linearidade. Não é possível determinar o início e o fim de seus trabalhos. São incontáveis notas, cadernos. Põe em questão a obra e nossa capacidade de entendimento”.

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Em 1937, após um incidente, Artaud é considerado louco e internado em um hospital psiquiátrico. Então, ele é transferido sucessivamente para inúmeros manicômios franceses e depois de um período de seis anos, dá entrada em outra instituição psiquiátrica, desta vez em Rodez, cidade ao sul da França, em que permanece por três. Nessa época, estabeleceu correspondência com o médico responsável. O terapeuta admite o talento de poeta e o estimula a retomar a produção literária. No entanto, tem seu comportamento classificado como delirante e é submetido ao tratamento de eletrochoque, o que afeta sua memória e seu corpo.

As cartas que trocava com o médico, eram um recurso de Artaud para não se desprender de sua lucidez. O conteúdo refletia um indivíduo em sofrimento, que fala de sua dor da maneira mais íntima que encontra. Ele dizia que não queria que ninguém ignorasse sua dor e seus gritos. Queria ser ouvido. Ana Paula comenta que o autor se refez. “Ele entende que o ativo da dar e a precariedade geram força. Não fica se lamuriando. Ele consegue sobreviver à sua própria ausência. Em sua produção existem três momentos: a falha; a fome como afirmação de vida, um ato político da afirmação de um corpo precário e por fim, o corpo sem órgãos, que ataca a organização. Denuncia que vivemos em uma sociedade que vive sob um estado de abandono controlado”.

Na primeira tentativa de publicar seus textos, Artaud o pedido negado por um editor e o responde com uma carta visceral. O impacto que o conteúdo causa é tamanho que abre um precedente para que inverta a ordem das publicações literárias. Chega ao conhecimento do público através de suas cartas e não de sua composição integral de textos, uma vez que o volume e a pluralidade de fragmentos nos levam a repensar a noção de obra.

A vida de quem é estrangeiro no próprio corpo

Ainda no evento, foi realizada uma mesa de debate composta por Luciana Ribeiro Marques, coordenadora de psicologia; João W. Nery, primeiro trans homem brasileiro a fazer cirurgia de readequação de gênero e Indianara Siqueira, ativista e militante trans. A conversa além de esclarecer a diferença entre gênero e sexualidade, aproximou o público presente dos termos cisgênero, transgênero, gênero binário, intersex, assexual e também discutiu o que é ser homem e o que é ser mulher.

A existência do humano em meio a uma sociedade misógina, sexista, racista e homofóbica torna absolutamente necessária a discussão em torno da pluralidade dos corpos, principalmente pelo fato do Brasil ser o primeiro país do mundo a matar LGBTs. Entre 2008 e 2014, 604 assassinatos de travestis e transexuais, além de 318 homicídios motivados por homofobia. E mesmo com esses números alarmantes de violência contra esse grupo, grande parte da população ainda desconhece o assunto.

A disciplina de gênero e sexualidade praticamente inexiste e quando aparece nas grades universitárias é apresentada como eletiva. Em um país onde o desconhecimento e o ódio ainda se fazem muito presentes no dia a dia dos LGBTs, é de suma importância o debate sobre gênero e sexualidade nos espaços educacionais, sejam eles em escolas ou no nível superior de ensino. A UVA buscando se adequar, adotou no ano passado o nome social, designação adotada por travestis e pessoas trans quando reconhecida sua identidade de gênero. Atualmente se formam no Brasil psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e médicos sem saber diferenças elementares como entre gênero e sexo, e com isso, sem ter as condições mínimas para atender a população transgênera, por exemplo.

O ativista de direitos civis e primeiro transgênero a fazer a cirurgia de readequação de gênero no Brasil, João W. Nery, avalia a importância da ocupação do espaço de fala nas universidades pela população trans: “eu estou muito satisfeito, porque nunca pensei que um dia eu chegaria a ser um ativista dos direitos humanos. A falar e a comparecer a tantas palestras em faculdades e participar de congressos. Me operei em 1977, durante a ditadura militar. Nesse período, as cirurgias eram proibidas. Só 20 anos depois é que foram permitidas, embora tenha começado apenas em 2008 a vigorar. Eu não tinha nenhum modelo, nenhuma referência. Naquele tempo, eu não tinha internet e fui conhecer uma pessoa trans apenas com 30 anos, com quem eu pude trocar algumas experiências”.

Formado em psicologia, João exerce um trabalho de orientação virtual às pessoas LGBTs em situações de risco ou crise: “Hoje em dia estou 14 horas disponível no Facebook para conversar. Sou uma espécie de psicólogo virtual. Atendo principalmente garotos trans. Criei 26 grupos secretos, um para cada estado, em que posto os profissionais que estão habilitados para atendê-los, psicólogos, advogados, endocrinologistas, cirurgiões, porque o SUS não dá vazão. O tempo médio de espera por uma cirurgia é de dez anos. Tanta demora faz crescer ainda mais o sofrimento. Os garotos se mutilam ou se suicidam ou entram em profunda depressão por causa da transfobia. Mais do que o desconforto com o próprio corpo”.

João também alerta sobre o risco da homofobia para a sociedade como um todo. “A homofobia atinge também as pessoas cisgênero. É algo que passa despercebido. Acham que por não serem homossexuais não precisam se preocupar com a homofobia, quando na realidade a coisa está tão séria que dois homens abraçados na rua podem ser mortos. Como é o caso do pai que estava abraçado com o filho e que sofreu agressão, e acabou perdendo uma parte da orelha. Ou ainda o caso dos irmãos em Camaçari, na Bahia, que saíram abraçados de uma boate. Um deles foi morto e o outro foi hospitalizado”.

A também ativista pelos direitos civis da população LGBT e das trabalhadoras sexuais, Indianara Siqueira, em sua fala no debate salienta: “A sociedade não está preparada para todos os corpos e a diversidade e pluralidade de vivências. Ser travesti e transgênero na nossa sociedade quando não significa uma morte física precoce – a expectativa de vida da população trans é de 35 anos de média –, representa uma morte social, pois nos são negados direitos civis básicos, além de haver uma invisibilidade crônica de nossas pautas”.


Laís De Martin- 8º Período

#Rio2016: Voleibol

volei_vs_futebolOficialmente, o vôlei de quadra é o segundo esporte mais popular no Brasil. Os dados, tanto da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) quanto da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), confirmam que a modalidade é a segunda mais exercitada no país – com 15,3 milhões de praticantes – perdendo apenas para o futebol (30,4 milhões).

A popularização do esporte deve-se muito às grandes conquistas das seleções masculina e feminina. Entretanto, não só de vitórias vive o vôlei. A dedicação e a entrega dos atletas em quadra ajudaram a conquistar o público brasileiro. Além das gerações vencedoras, a organização interna da CBV, o apoio de patrocinadores e o investimento do Governo Federal ajudaram no desenvolvimento da modalidade. 224 esportistas de quadra fazem parte do programa Bolsa-Atleta e 24 jogadores profissionais são apoiados diretamente com recursos do Plano Brasileiro de Medalhas.

Na areia, o vôlei também já é um dos esportes mais amados, mas também divide o espaço na areia com o futebol. A criação do ‘Circuito Banco do Brasil’, em 1991, foi um marco para a modalidade, pois a competição passou a se estruturar como espaço para o surgimento de novos talentos e divulgação da prática. Atualmente, a versão de praia da modalidade possui 2.856 atletas registrados nas federações estaduais. No quesito preferência, é o segundo entre o público masculino, mas campeão entre o feminino.

Com a chegada das Olímpiadas no Rio de Janeiro, todos os números citados tendem a aumentar. O momento será de grande importância para o desenvolvimento do esporte, seja na quadra ou na praia. Além disso, a expectativa do público por medalhas é alta. Para muitas pessoas, apostar nas seleções de vôlei é mais confiável do que nas de futebol.

Vôlei de praia: atual geração é a mais bem-sucedida da história.

Quem nuca jogou voleibol nas praias do rio em um fim de tarde? Esse esporte é tão popular quanto o de quadra. Analisando a linha do tempo da história, profissionais brasileiros se destacam a cada vez mais no cenário internacional da modalidade. Neste ano, a tendência segue pelo mesmo caminho. As Olimpíadas estão chegando e a seleção nacional está com um time forte na busca pelo ouro.

Pouco se sabe, mas o primeiro campeonato internacional de vôlei de praia aconteceu nas Rio de Janeiro, em 1987. Agora, a cidade maravilhosa traz de volta o espirito esportivo. Atletas de diversas categorias de base estão ansiosos para chegada dos jogos. Muitos começaram desde pequenos, na quadra, e depois migraram para as areias.  Um exemplo vivo dessa geração é a atleta Beatriz Vieira (19). “Decidi me dedicar somente ao voleibol de praia aos 16 anos. Mas desde que comecei a jogar, não conseguia ver um futuro afastada do esporte”.

Beatriz começou jogando nas quadras do time do Fluminense e depois partiu para a areia no Instituto Evokar. “Com 13 anos venci um brasileiro sub-19 ao lado de uma das minhas melhores amigas. Ninguém nos conhecia, as meninas mais velhas achavam graça e nós não sabíamos na época a importância que aquele campeonato tinha. Acabamos vencendo a dupla favorita em um tie break muito disputado”, comenta a atleta.

A Seleção Feminina de Vôlei é a atual bicampeã olímpica, depois dos títulos conquistados em Pequim-2008 e em Londres-2012. É o time mais bem sucedido da história e isso conta muitos pontos para uma possível vitória esse ano. “Somos os atuais melhores do mundo, então a fé é grande e a expectativa é alta. Acho que estamos sendo muito bem representados nos dois naipes, tanto no circuito brasileiro como nas competições internacionais, tendo resultados expressivos de ambos os lados”, completa Beatriz.

Nas últimas semanas, um dos maiores atletas do vôlei, Emanuel Rego, anunciou sua aposentadoria. Paranaense de 42 anos, tem no currículo três medalhas olímpicas: conquistou a de ouro na Atenas-2004 (Grécia), a de bronze na Pequim-2008 (China) e a de prata na Londres-2012 (Inglaterra). As duas primeiras foram ao lado de Ricardo, e a última junto com Alison Cerutti.

Franco Neto, gestor da das categorias da base do vôlei de praia da CBV, comenta que há possibilidade da nova geração ser uma grande aposta para o futuro. “Hoje, as duplas que estarão jogando as olimpíadas são de uma geração anterior à do Emanuel e isso se deve ao fato de esse esporte proporcionar uma longevidade”, completa o treinador, que acha que atletas como Alison, Bruno Schmidt, Pedro Solberg, Evandro, Bárbara Freitas Carolina Solberg, Duda, Ana Patricia e Rebecca darão muito orgulho para a nação.

Neto acredita que os Jogos Olímpicos possam deixar um legado emocional e que os jovens possam se inspirar nas conquistas e nas histórias de superação. “Isso seria um bom começo para planejar um desenvolvimento da prática da atividade esportiva como uma ferramenta de construção de uma sociedade mais saudável e com possibilidades de aumento dos nossos atletas”, finaliza o gestor da base.

Como se tornar um atleta profissional?

Para começar, somente jovens com data de nascimento a partir de 1º de janeiro de 1996 (sub-21) e a partir de 1º de janeiro de 1998 (sub-19) podem se matricular no sistema de registro da CBV. Os jogadores ainda precisam se manter e em dia com a renovação anual. Depois dessa primeira etapa, os atletas passam por competições e ficam aos cuidados da federação.

Cada federação terá direito a inscrever uma dupla de cada gênero, além de dois técnicos, em um total de 28 equipes. No formato com 16 times, no torneio principal, a federação poderá inscrever uma ou mais grupos na competição. Neste caso, o par que concorrerá com pontuação para fins de Ranking deverá ser indicado.

Vôlei de quadra: esperança de medalhas para 2016.

Quando o assunto é Olimpíadas, um fato não pode ser negado: o vôlei de quadra é um dos esportes mais empolgantes e que traz maior esperança de medalha aos brasileiros, superando até mesmo o tão famoso futebol. Para os Jogos em 2016, a modalidade teve uma das maiores procuras de ingressos, mesmo com a baixa venda comparada às expectativas. Rodrigo Pimentel, ponteiro do Sada Cruzeiro pensa que a modalidade vai se popularizar com a Olimpíada. “O esporte hoje em dia está em alta. Acredito que os Jogos vão trazer uma visibilidade maior e um crescimento interno”, afirma o jogador.

Com oito anos de idade, Rodrigo começou a jogar na escolinha do colégio. Desde o começo, tinha o sonho de ser jogador, mas só percebeu que a carreira poderia dar certo aos 16. Em 2014, foi integrado às categorias de base do Sada Cruzeiro e não demorou muito para receber uma oportunidade no time profissional, com o qual conquistou o Mundial de Clubes (2015), a Supercopa (2015) e também a Superliga (2014/15). “É difícil escolher apenas um acontecimento, mas com certeza meu primeiro Campeonato Mundial e minha primeira convocação para as seleções de base me marcaram mais”, comenta o atleta.

Entretanto, a o atleta já passou por momentos difíceis na carreira. O jogador precisou operar o joelho e ficou cerca de dois meses fazendo fisioterapia. “Demorei ainda mais tempo para me recuperar totalmente.  Foi um momento muito difícil”, completa o jogador, triste ao relembrar o momento sombrio em sua história no esporte.

Na Inglaterra, a realidade é outra…

Mariana Neves optou pelo vôlei por sentir muito frio ao jogar futebol na Inglaterra.

Mariana sacando.

Se no Brasil o vôlei pode ser considerado um esporte em alta e em desenvolvimento, na Inglaterra, o panorama é diferente. Mariana Neves é brasileira, mas mora e estuda em Londres. Lá, ela é capitã do time de voleibol da universidade, mas revela que nenhuma jogadora é britânica. “A Liga é bem organizada, mas é triste pois não temos ninguém assistindo aos nossos jogos”, conta a atleta, falando que o esporte é constantemente confundido com netball (prática semelhante ao basquete).

Neves começou no voleibol por influência do pai, que todo fim de semana jogava na praia e levava ela e a irmã. Em 2012, já na Inglaterra, decidiu entrar para um time e começar a treinar. “Eu praticava futebol no Brasil, mas quando me mudei para Newcastle, não consegui dar continuidade, pois sentia muito frio. Como meus pais são atletas, eles insistiram para que eu praticasse algum esporte e o vôlei foi a solução, comenta Mariana.

Agora, já na faculdade, Mariana seguiu sendo parte de um time. Durante a semana, são duas horas de treino, o que ela considera pouco. “Mas é o que podemos fazer no momento”, explica. O campeonato disputado por ela e suas companheiras é a BUCS, uma organização que possui competições para todos os esportes. Para participar, o time precisa ser de uma universidade e os participantes devem todos estar registrados nessa instituição. Para quem não é estudante, existe a opção de jogar em um clube da Liga Nacional.

Hoje, Mariana (deitada) é capitã do time da Brunel University em Londres.

Hoje, Mariana (deitada) é capitã do time da Brunel University em Londres.

Os jogos acontecem quase toda a semana e é um serviço totalmente voluntário. “O que nós podemos fazer é uma aplicação para tentar receber uma bolsa de estudos, mas é um longo processo, no qual cada caso é analisado individualmente e existe um limite de bolsas que a universidade pode distribuir”, explica Mariana.

Apesar de investir tempo e suor nos treinos e nas competições, ela revela que não vê o esporte como uma opção de carreira. A maior barreira é o fato de não existir vôlei profissional na Inglaterra. “Eu adoraria”, confessa. “Mas eu teria que mudar de país e eu não quero isso. Além do mais, acho que não tenho habilidade ou altura para chegar a tal nível”.


Lorena Lopes- 3º Período
Nathalia Araújo- 7º Período