Profissionais bem sucedidas no Marketing falam sobre carreira na SECOM

Palestra ‘Mulheres Digitais’ contou com trio de palestrantes mulheres que dividiram suas trajetórias e experiências profissionais na Comunicação 

Em tempos em que o papel da mulher no mercado de trabalho e a importância do marketing na comunicação nunca foram tão relevantes, um debate sobre os temas cai bem. Seguindo essa lógica a UVA Tijuca, recebeu na manhã dessa quarta feira (22), a palestra ‘Mulheres Digitais’, no terceiro dia de sua SECOM (Semana da Comunicação).

O debate foi comandado por um trio de executivas mulheres de sucesso na área de Marketing, e debateu assuntos como carreira, mercado de trabalho e atuação profissional no marketing, além de compartilharam suas trajetórias de sucesso com os alunos, que lotavam o auditório.

Leia Também: 15a SECOM tem debate sobre rádio na web e podcasts

WhatsApp Image 2019-05-22 at 10.24.49

Camila Paula, Carla Knoplech e Patrícia Cotta em momento de descontração durante a palestra (Foto: Victor Leal)

Palestraram no evento a coordenadora de Marketing de Conteúdo da empresa Descomplica, Camila Paula, a diretora da agência Forrest, Carla Knoplech, e a responsável pelo marketing do Kinoplex, Patrícia Cotta.

Leia Também: SECOM empoderada: Encerramento contou com participação de mulheres jornalistas

WhatsApp Image 2019-05-22 at 11.11.21

Trio de palestrantes abordou temas sensíveis durante o debate (Foto: Victor Leal)

A experiência de ser mulher em um mercado dominado por homens, permeou as falas das três palestrantes, que não tiveram medo de se posicionar e falaram abertamente sobre assédio e importunação sexual e moral no ambiente de trabalho.

As dificuldades e oportunidades do mercado da Comunicação, não poderiam deixar de serem faladas, inteligência emocional foi ressaltada como uma qualidade profissional importante atualmente.

As participantes também responderam perguntas dos alunos da platéia, com dicas de como de portar em uma entrevista de emprego e no ambiente de trabalho e como lidar com a pressão e estabelecer uma carreira de sucesso.

Programação
Confira o que acontece nesta quinta-feira (23), quarto dia da SECOM 2019.


Matheus Marques – 7 período

15a SECOM tem debate sobre rádio na web e podcasts

Conversa, durante a Semana da Comunicação, reuniu jornalistas e produtores de podcasts que debateram sobre o futuro do rádio na web

“O rádio e a internet: como o clássico sobrevive à modernidade” foi o tema da palestra que aconteceu na manhã dessa terça feira (21), no auditório da UVA Tijuca, e abriu o segundo dia da SECOM (Semana da Comunicação), em sua 15a edição, que esse ano possui como tema a Tecnologia 4.0.

Participaram do evento o repórter e colunista da Rádio Band News FM, Gustavo Sleman, o mentor do BRIO, blog e podcast sobre o mercado jornalístico, Júlio Lobianco, e Beto Estrada, o criador e apresentador de uns dos mais antigos e maiores podcasts do país, o “Matando Robôs Gigantes”. A conversa foi moderada pela professora de Radiojornalismo da UVA, Mônica Nunes, que também coordena a Rádio UVA.

DSC_0341

Beto Estrada, Gustavo Sleman e Júlio Lobianco durante a palestra, no palco da SECOM com professora Mônica Nunes que mediou o evento (Foto: Analice Ferreira)

O trio abordou como os podcasts são a evolução natural da rádio tradicional na era da internet, e ressaltaram a tendência de crescimento do mercado e no investimento de conteúdo nesse tipo de mídia, causando a popularização dos podcast.

O termo podcast surgiu faz mais de 10 anos e já é popular em muitos países, como os EUA por exemplo. Depois de anos com uma presença tímida, com o espaço e divulgação das plataformas digitais, tem apresentado um salto de audiência no Brasil.

Os palestrantes também compartilharam suas trajetórias pessoais de trabalho na área e dicas de como empreender na área.

A estudante, Jennifer Lemos, aluna do 7o período de Jornalismo, disse ter adorado conteúdo do evento, principalmente os palestrantes, suas falas, e interações com alunos.

“Acho que a palestra serviu muito para mostrar que alguns meios de comunicação, como o rádio, não está morto. Ele só migrou para a web, especialmente agora no formato podcast. Podemos dizer que este “novo rádio” pode crescer muito e trazer sucesso para profissionais da área”, disse.

Programação
Confira a programação desta quarta-feira (22), terceiro dia da SECOM 2019.

61038020_353777041917442_1541884433106206720_n

LEIA TAMBÉM: SECOM 2018: encerramento contou com participação de mulheres jornalistas


Matheus Marques – 7o período

Qual é o segredo para construir uma carreira de sucesso?

A consultora de carreira Clara Nunes comandou palestra exclusiva na Universidade Veiga de Almeida visando contribuir com crescimento profissional dos alunos

Na tarde desta quinta-feira (9), a Agência de Comunicação Institucional da Universidade Veiga de Almeida promoveu um workshop no campus com o tema “LinkedIn e a construção da carreira na graduação”.

Com o intuito de auxiliar os alunos a construir um currículo melhor e aumentar as chances de ofertas de trabalho, a palestrante Clara Nunes, consultora de carreira, articulou sobre a importância de dominar técnicas modernas como o LinkedIn e ofereceu dicas para a formação complementar dos alunos.

Clara apresentou exemplos de como montar o perfil ideal no LinkedIn. Foto: John Willians/Agência UVA

De acordo com Clara, o foco das empresas atualmente é observar a experiência do indivíduo, então é importante destacar pontos em que suas ações, de alguma forma, foram impactantes e contribuíram para a construção de algo ainda maior do que apenas a carreira. 

Durante a palestra, a consultora citou a sigla “CHA”: Conhecimento, Habilidade e Atitude, uma estratégia para lembrar aos alunos dos pontos principais a serem pensados durante a construção de uma carreira profissional.

“É importante fazer as coisas acontecerem, sempre divulgando isso para o mercado, deixando claro que está atualizado em sua área e fazendo este networking”, explica.

Ao conceder uma entrevista para a Agência UVA, a palestrante contou um pouco mais do papel de redes sociais específicas para o mercado de trabalho, como o LinkedIn nos tempos modernos.

“É uma grande rede de relacionamentos, com o papel principal sendo o profissional, que permite a visualização de eventos de empresas, observar estilos e culturas”, explica. 

O evento foi realizado no auditório da Universidade Veiga de Almeida. Foto: John Willians/Agência UVA

Um ponto importante de toda a evolução de novas técnicas pode ser a exclusão de grupos sociais que, sem condições de acesso, não possuem conhecimento digital prévio. Sobre isso, Clara comenta. 

“Grande parte dos processos atuais são feitos através de redes sociais e aplicativos. Sistemas mais tradicionais, como enviar o currículos a parte ou entregar em mãos, estão ficando cada vez mais obsoletos, então acredito que, embora em cargos mais operacionais isso não afete tanto um público com menos renda, em cargos mais estratégicos é necessário sim ter um controle da tecnologia, mesmo que minimamente”, conta a consultora.

A palestra envolveu também atividades como uma simulação de entrevista de emprego. Na foto, a palestrante Clara Nunes com a aluna Caroline Rocha. Foto: John Willians/Agência UVA

“A palestra deu uma luz sobre uma ferramenta que é tão importante para o nosso uso de nós profissionais e estudantes também”, conta Caroline Rocha, aluna do 5o período de Publicidade, e convidada por Clara para realizar uma simulação de entrevista de emprego no palco.

“Além de me ajudar a sanar dúvidas de muito tempo, me fez pensar em como eu posso melhorar o meu currículo no LinkedIn”, continua a aluna, explicando a intenção de complementar um perfil que antes estava mais “básico”.

Durante os momentos finais do evento, a organização sorteou dois alunos presentes para um treinamento individual com Nunes.

“Estou muito feliz em ter sido contemplado. Pelo fato de ela ter muita experiência no recrutamento e seleção de candidatos, sei que vamos aprender muito, de forma a construir um currículo melhor e mais atrativo”, relata Rafael dos Santos, aluno de Jornalismo do 7o período e um dos sorteados para a consultoria.

Já Joana Senes Botinelly, do mesmo período, conta de suas expectativas ao dizer que Clara vai “ajudar naqueles caminhos que a gente sempre fica cheio de dúvidas, se questionando ‘o que fazer, o que colocar, como agir’ e isso vai ser incrível. Com certeza vai agregar muito a tudo que eu já sei”.

Clara finaliza a entrevista expondo sua visão sobre do grande segredo para uma carreira de sucesso atualmente: autenticidade: “é estar conectado com o que você acredita, com a sua verdade, e quanto mais você se conecta a isso, mais sucesso você tem, além de colaborar com outras pessoas de forma genuína, pois funciona como abrir portas, e tudo que é feito volta para você”. “O importante é estar conectado a você”, expressa a consultora.

LEIA MAIS: Desemprego obriga jovens a se profissionalizarem mais cedo


John Willians – 9° Período

Empresas investem na experiência de consumo

Durante a 19º edição do Ciclo de Casos do prêmio Marketing Contemporâneo, empresas admitem que atribuir significado às propagandas é o que contribui para o seu sucesso

Dentro da área empresarial, é comum pensar que o produto possa ser o único fator de sucesso para uma marca. Produzir um serviço de qualidade, com um bom preço, são algumas das necessidades de se ter em torno do conceito de produto. No entanto, durante palestras ministradas na Universidade Veiga de Almeida, grandes empresas expuseram entendimentos diferentes.

Além de ser afetado por envolvimento em casos de corrupção, o Posto BR – da marca Petrobrás, não vende um produto necessariamente apelativo à população. “Postos de gasolina são lugares pelos quais as pessoas passam, não existe a vontade de visitar”, foi o que disse Luiz Phillipe Blower, gerente de publicidade, patrocínio e comunicação digital da BR.

Foi pensando nisso que a equipe de comunicação da empresa resolveu aderir a ideia de “Curtir o Caminho”. Propagandas empenhadas em apresentar ao cliente que a marca oferece a oportunidade de experiências durante as viagens. Para Luiz Phillipe, isso trouxe leveza à marca. “A gente buscou vender um potencial revelado. Não a obrigação de comprar gasolina, mas a liberdade de poder viajar com a família”, explica.

Luiz Phillipe Blower, Gerente de Publicidade, Patrocínio e Comunicação da BR, durante palestra no 19º Ciclo de casos do Prêmio Marketing Contemporâneo (2019) Foto: Arielle Curti/ Agência UVA

Focar no consumidor é importante para a venda de produtos e serviços, no entanto, empresas como a 3AW evidenciam que os impulsionadores do serviço – fornecedores, vendedores e trabalhadores no geral – são parte integrante do sucesso de suas campanhas.

Em parceria com os Supermercados Mundial, por exemplo, a 3AW foi reconhecida no mundo empresarial pela ideia de juntar todos os seus fornecedores em uma das lojas que ainda estava em construção, o evento “Café com Poeira”. Para o Vice-Presidente de Criação da empresa, Henrique Carvalho, isso mostra para a indústria a força do mercado.

“No evento, a gente apresentou a história do supermercado. O relacionamento da indústria é importante. Precisa de um vínculo de confiança entre quem compra e quem vende”, explica. Para ele, os brindes, o bom atendimento e o cuidado aos detalhes criam uma parceria muito maior com a marca.

O supermercado Mundial tem, atualmente, cerca de 9.000 colaboradores, entre eles, 400 funcionários são pessoas com deficiência. A empresa financia eventos que dão aos seus empregados a vontade de trabalhar, financiando eventos como casamentos coletivos e corais compostos por pessoas surdas.

Henrique Carvalho, Vice-Presidente de Criação da 3AW, durante palestra no 19º Ciclo de casos do Prêmio Marketing Contemporâneo (2019) Foto: Arielle Curti

Arielle Curti – 7º Período

Especialistas debatem função das empresas em um ambiente inovador

Inovação e criatividade dentro das empresas foram dois dos assuntos mais falados nesse primeiro dia de Rio2C

Na Casa das Marcas, um dos palcos da Rio2C, o maior evento de criatividade e inovação da América Latina, importantes representantes da indústria criativa sentaram na terça-feira (23) para debater com o público sobre marketing e comunicação corporativa. Tais como o publicitário Hugo Rodrigues, da WMcCann, e o gerente do hub de inovação da Nestlé Brasil, José Pereira Jr, além de outros.

Nestle

José Pereira Jr, Head of Innovation & New Business Models na Nestlé, falou sobre seu trabalho na empresa suíça. Foto: David Barbosa/Agência UVA

José Pereira Jr destacou que as empresas hoje em dia devem procurar inovar em produtos para atender a expectativa dos clientes. “A instituição tem que buscar soluções, pois já há um grande gap entre a tecnologia que permite a indústria desenvolver um produto e a expectativa do consumidor em cima do produto”, conta o gerente da Nestlé.

Durante a palestra, ele compartilhou como a Nestlé elabora novas formas de criação durante a Páscoa, por exemplo. “Nós aliamos a tecnologia com os ovos de Páscoa, assim podemos chamar atenção em meio à confusão das compras dos chocolates”, conta.

ww

Hugo Rodrigues, CEO da WMcCan, dá dicas para empresas inovarem.  Foto: David Barbosa/Agência UVA

Para Hugo, as agências publicitárias devem rever seu comportamento neste novo ambiente de inovação onde todos os profissionais necessitam ser criativos. Muitas vezes, no entanto, as empresas estão mais preocupadas com elas mesmas. “O consumidor está mais empoderado e o cliente é o grande ator do mercado publicitário. Quando as agências prestarem atenção no cliente vão voltar a ter a importância que já tiveram”, revela. Ele ainda destaca que os clientes nos dias de hoje estão impacientes, assim como as propagandas estão muito mais interruptivas.

A utilização de plataformas também foi um dos assuntos da Rio2C. Palestrantes falaram qual é o sucesso das parcerias com o público alvo. A relação entre os produtores de conteúdo e as plataformas cada vez mais se fortalece devido ao avanço da tecnologia, mudando o consumo de conteúdo por parte das pessoas. Entender o público alvo e relacionar isso ao conteúdo é sucesso para o engajamento.

Produtores

Entender o público alvo e relacionar isso ao conteúdo é sucesso para o engajamento. Foto: David Barbosa/Agência UVA.

Os diretores das empresas Uol AdLab, InfoGlobo, e Lab Estadão, André Vinícius, Edward Pimenta e Luís Fernando Bovo, respectivamente, falaram  sobre os conteúdos que podem ser oferecidos ao mercado de acordo com a linha editorial de cada veículo. Destacaram também que para ter um publisher a qualidade é primordial e que todos os veículos de comunicação devem dar importância a esta função.


Felipe Pereira – 7° período, David Barbosa – 6° período e Tainá Valiati 7° período. 

Professores e alunos do curso de Jornalismo lamentam morte de Boechat

Âncora da BandNews e da TV Bandeirantes morreu na queda de um helicóptero na tarde de segunda-feira (11)

A notícia da morte do jornalista Ricardo Boechat, na tarde de segunda-feira (11) caiu como uma bomba nas redações de todo o Brasil, mas também nos corredores e salas de aula da Universidade Veiga de Almeida (UVA). Como se não bastassem o desastre  de Brumadinho e o incêndio no Ninho do Urubu, em que 10 jovens atletas morreram queimados, o início de 2019 levava também uma das figuras mais icônicas dos meios de comunicação do país.

Para o jornalista Luís Bittencourt, Coordenador do Curso de Jornalismo e Doutor em Comunicação e Cultura, o jornalismo brasileiro está de luto. “Ricardo Boechat era um norte para todos nós. Uma presença diária que nos lembrava a todo momento do que é ser jornalista nessa era da “pós-verdade”. Não se iludir com esses conceitos da moda. Ter consciência do compromisso com a sociedade. Não se intimidar com os “donos do poder”. E a consciência de que jornalista não tem partido. Se há partido é o que está do lado da sociedade, da democracia, da liberdade de expressão, que ele tão bem usou durante todos esses anos nos diversos meios que trabalhou”, disse Bitt.

A jornalista, Mestre em Avaliação e professora da disciplina de Assessoria de Imprensa da UVA, Ana Cristina Rosado também comenta a perda. Ela conta que foi uma honra ter Ricardo Boechat como seu professor no curso de Jornalismo da Faculdade da Cidade.

“Com certeza um dos maiores presentes que recebi durante a minha formação. Ele era um sábio, um gênio, uma águia do jornalismo. Boechat marcou o jornalismo com a sua coragem. Eu sempre dizia que era o porta-voz do povo brasileiro”, comentou Ana Cristina.

A admiração por Ricardo Boechat não partia somente dos que conviveram com ele. O professor de Telejornalismo da Veiga, Gustavo Lacerda, que é Doutorando em Comunicação, conta que ficou impressionado com a carreira premiada de Boechat e, a partir disso, começou a acompanhar mais o seu trabalho. “Nossos alunos sentiam muita proximidade com o trabalho dele. Ele impressionava por sua proximidade com o público em geral”, disse. Gustavo relembrou alguns episódios em que a forma contundente de falar de Boechat mostrava claramente seu posicionamento engajado em causas políticas e sua preocupação com o bem estar social.

Boechat

Além de âncora, Ricardo Boechat era conhecido pelo programa que apresentava todas as manhãs na BandNews, o site da rádio chegou a ficar fora do ar devido à morte do jornalista Foto: Reprodução

Leia mais: Conhecendo a rotina do radiojornalismo

Durante o dia, numa tentativa de falar com alunos e ex-alunos da Veiga que trabalham no Grupo Bandeirantes, a reportagem da Agência UVA conseguiu conversar com Carlos Briggs, chefe de reportagem da Rádio BandNews Fluminense FM. “O Boechat não era da Band, a Band era do Boechat”, afirma o jornalista Carlos Briggs. Com quase dez anos de casa, Briggs comenta como era conviver com Boechat. “Ele era de uma genialidade, de um pensamento rápido, de um raciocínio em frações de segundo, algo fora do comum. Ele nos ensinou a sermos jornalistas de uma forma que transcende qualquer explicação lógica. Fui durante oito anos repórter dele, hoje eu sou chefe de reportagem, muito graças a ele”, contou, emocionado.

A Doutora em Comunicação e jornalista Maristela Fittipaldi, também professora do curso de Jornalismo da Veiga, conta que trabalhou no jornal O Globo no mesmo período em que Boechat mantinha uma coluna:

“Quando um jornalista morre, além de sua própria história, vai embora parte da história de todos nós. Em sua profissão, um jornalista testemunha, vivencia, mergulha na realidade de forma intensa todos os dias, na permanente tentativa de desvendar o ser humano, a sociedade, a realidade à sua volta, para compartilhar com o público. E Boechat certamente fazia isso de forma competente, vigorosa e destemida. Espero que seu legado possa continuar inspirando gerações de jornalistas a valorizar sua profissão e a acreditar num jornalismo corajoso e de qualidade”, disse Maristela.

A aluna do curso de Jornalismo Raísa Pires, que foi estagiária da BandNews por cerca de um ano e meio, reforçou o quanto Boechat era querido na redação. “O Boechat era fora do ar o que ele era no ar, ele não tinha máscara. Era a mesma pessoa, então, se no ar ele brigava, ele puxava a orelha, ele fazia isso fora do ar. O que as pessoas me diziam lá, os que trabalhavam diretamente com ele, é que isso instigava elas a correrem atrás e melhorar. E o grande legado dele naquela rádio, é a relação que a rádio tem com os ouvintes. O legado dele é o vinculo com os ouvintes, os ouvintes consideram a Band  como uma família, uma segunda família pra eles”, refletiu ela.

Eloá Custódio, aluna de Jornalismo e estagiária da Rádio UVA, diz que a morte de Boechat se torna tragédia não só pela forma violenta e inesperada como aconteceu, mas também pelo que ele representava. “O principal legado que os novos jornalistas devem aprender com Boechat é que é possível ser imparcial e, ao mesmo tempo, crítico, como ele foi”, disse. “Ser crítico é defender o interesse público e Boechat fazia isso. Só temos a aprender com ele. Na segunda-feira mesmo, pouco antes de morrer, ele estava no ar denunciado e comentando tragédias anteriores”, completou. Para ela, é o jornalismo perde um de seus grandes nomes.

Boechat

Ricardo Boechat tinha 66 anos Foto: Divulgação

Boechat morreu no início da tarde desta segunda-feira (11), em São Paulo. O apresentador e radialista retornava de uma palestra em Campinas, quando o helicóptero no qual estava caiu na Rodovia Anhanguera, próximo ao Rodoanel. A queda causou a colisão com a dianteira de um caminhão que passava pela via no momento. Além de Boechat, o piloto do helicóptero, Ronaldo Quattrucci também morreu. O motorista do caminhão sofreu ferimentos.

A notícia da morte do jornalista repercutiu rapidamente nas redes sociais. Amigos, colegas de profissão e admiradores do trabalho de Boechat expressaram indignação e tristeza pelo trágico acidente e pela falta que o comunicador fará, não só no jornalismo, mas na sociedade.


Francisco dos Santos – 7º Período

Oficina para combater Fake News acontece em várias cidades brasileiras

Projeto leva o ensino e o debate sobre o jornalismo para dentro das salas de aula

No atual momento, em que muito se discute sobre fake news, poucas propostas concretas surgem para solucionar o problema. Isso não quer dizer que não haja ninguém procurando reverter o atual cenário da comunicação, que está inundado de notícias falsas. Assim, o Énois, Escola e Laboratório aberto de Jornalismo, lançou oficinas gratuitas para professores (principalmente do Ensino Médio) para a aplicação da metodologia da Escola de Jornalismo em sala de aula, em diversas cidades.

O projeto visa oferecer o conhecimento das teorias e práticas jornalísticas, como o processo de criação da pauta e de distribuição da notícia, aos professores e às professoras do Ensino Médio, possibilitando a construção de projetos que apliquem o conteúdo aprendido em sala de aula. Baseado na interdisciplinaridade do ensino, a oficina pretende aproximar as escolas da sociedade e incentivar o aproveitamento de recursos multimídia, além de oferecer ferramentas para que os professores possam ensinar aos alunos qual a melhor forma de agir diante de uma fake news. A inscrição para participar das oficinas pode ser feita aqui.

Dentro da Escola de Jornalismo (EJ), o Énois criou o projeto ChecaZap, onde os jovens participantes da EJ fazem a checagem semanal de fatos e boatos distribuídos por meio do aplicativo de conversas WhatsApp. Durante as eleições, diversas fake news foram detectadas pelo grupo. Vinícius Cordeiro, jornalista e videomaker no Énois, explica que a formação da Escola de Jornalismo dura cerca de dez meses e é dividida em três módulos. Cada módulo termina com a entrega de um produto jornalístico, que pode ser um mini documentário, uma reportagem multimídia ou, por exemplo, um projeto de checagem de notícias que circulam por aplicativos e que possam interferir no processo eleitoral, como foi o caso do Checazap.

“O módulo passado contemplou desde debates sobre ‘como a gente pensa como pensa’, ‘sistema político brasileiro’, ‘retórica’ e, mais precisamente, sobre ‘fake news’, para, no fim, apurar em mais de 300 grupos, fatos e boatos que estavam circulando. As checagens foram publicadas em veículos como CBN, Huffpost Brasil, Quebrando o Tabu e também na rede social Twitter. Durante esse processo, a galera entendeu a importância da checagem do que chega para nós nas redes sociais, pra que não espalhemos desinformações”, explica Vinícius.

Além do trabalho no desenvolvimento jornalístico, o Énois realiza, através da plataforma Diversa, estudos sobre diversidade racial e sexual nas redações do Brasil e do mundo. O último newsletter da Diversa, de junho de 2018, intitulado “Precisa-se de jornalistas negros além da raça”, apontou que 74% das redações do país não possuem ações voltadas à diversidade e que cerca de 40% dos jornalistas já sofreram alguma discriminação racial no trabalho.

Turma Escola de Jornalismo 2018

Alunos da turma de 2018 da Escola de Jornalismo Foto: Divulgação / Énois

A Agência UVA conversou com Amanda Rahra, co-fundadora da Escola de Jornalismo da Énois, sobre as inspirações do coletivo, assim como sobre soluções para minimizar os efeitos das fake news em nossa sociedade.

Agência UVA: Quais são as bases teóricas da Escola de Jornalismo e de onde veio a inspiração para criá-la?

Amanda Rahra: Nossa base teórica é a prática, a gente não vem da educação, criamos uma figura de interesse público com a Escola de Jornalismo. Há 10 anos, em janeiro de 2009, fomos fazer um trabalho voluntário na Casa do Zezinho, no Parque Santo Antônio (SP), para fazermos uma fanzine e então, começamos a conversar sobre jornalismo e produção. De cinco semana que iríamos ficar, acabamos passando cinco meses com eles e os cinco jovens que queriam fazer a fanzine, acabaram se tornando trinta jovens que queriam produzir uma revista completa com as pautas. Então fomos apoiando e conseguindo parcerias com gráficas, fotógrafos, publicitários e aí fizemos três mil exemplares, que os jovens distribuíram em suas escolas. Esse episódio mudou nossa vida e nos levou para a formação em jornalismo, ou seja, nos tirou da redação e nos colocou na Oficina de Jornalismo, que foi criada a partir daí.

Zzine (primeira revista)

Primeira fanzine criada pelos jovens da Casa do Zezinho Foto: Divulgação / Énois

AU: Pode falar um pouco sobre a metodologia? Quais tópicos são ensinados?

AR: Dez anos depois do início na Casa do Zezinho, conseguimos lançar a Oficina de Jornalismo nas escolas e entender o processo. Nossa metodologia é formada em 3 U’s, que são três processos investigativos: a descida do U é um processo de abertura, onde trazemos profissionais do mercado e contextos de temas, recortes da pauta, especialistas do tema e, assim, temos aulas de pauta, técnica de entrevistas, apuração de dados, roteiro em vídeos e áudios, técnicas de som. Ou seja, a descida do U é sempre a parte de formação e a parte teórica.

Na parte da base do U, no centro dele, é nossa imersão, quando tiramos o jovem do contexto de sala de aula. Uma vez levamos eles para um restaurante coreano, por exemplo, para eles entenderem os quesitos de gastronomia desse território, ou seja, retiramos eles do contexto de sala de aula, para uma reunião de pauta dentro do objeto de estudo. Na subida do U, junto às duas etapas anteriores, a questão teórica aprendida na primeira etapa é praticada agora com base na reunião sob imersão da “base do U”, e então, decidimos o que podemos fazer com sua pauta, com os processos de apurações e subimos até a produção e os tópicos teóricos são praticados até o processo de distribuição.

AU: Em tempos de difusão de fake news, como a Escola de Jornalismo pode auxiliar a educação a se tornar crítica e ajudar os jovens a identificar informações falsas?

AR: Em tempos de fake news, a existência da Escola de Jornalismo é fundamental. Como jornalistas, estamos fechados em um mundo bastante restrito econômica, social e politicamente, porém, nosso trabalho na escola é com jovens vindos de periferias e que vão ocupar estes espaços nas redações, tornando-as mais diversas, assim como dando às pautas novos olhares, inclusive inserindo nelas o discurso e o debate sobre gênero e raça – pois quando se fala de mulheres e negros, estamos falando das maiorias populacionais do país, e assim, traz à essa nova visão sobre pautas, o interesse público de poder falar com essas populações.

Ou seja, levamos interesse público para dentro das redações, que é uma das funções do Énois, que inclusive solidifica o combate às fake news, pois dá mais complexidade ao diálogo e diversidade aos pensamentos jornalísticos. Por outro lado, como sintetizamos nossa metodologia, esse é o primeiro ano de formação de professores, em que explicamos onde tem todas essas informações, para que os professores as levem para dentro das salas de aula formais, assim como em seus projetos sociais, ONG’s e outros espaços educativos. É muito importante reforçarmos e mostrarmos os códigos do jornalismo para poder educar as pessoas no sentido do que é fake news, da diferença entre repórter e o cidadão comum. É fundamental que a Escola de Jornalismo exista em tempos de fake news e também que o jornalismo se posicione de forma mais complexa e aprofundada nessa leitura da realidade, pois já há uma varredura das redes sociais sobre a informação. O trabalho do jornalista nos tempos atuais é de como organizá-las.

AU: Qual a relação do Énois com a Escola de Jornalismo?

AR: O Énois é a nossa “marca maior” e no guarda-chuva da Énois, há a Escola de Jornalismo, que é uma associação sem fins lucrativos onde os jovens podem passar por esse processo de formação durante um ano e passam também por um processo seletivo para entrar na escola. Também temos a Agência de Jornalismo Énois, em que vendemos pautas para grandes veículos e onde colocamos o pessoal em formação para trabalhar.


Daniel Romão – 8º período  (Texto para a disciplina de ED de Oficina de Jornalismo)

 

Fake news repercutem em redes sociais e podem ser consideradas uma ameaça para o jornalismo

Para fomentar boatos e inverdades, as chamadas fake news (em português, notícias falsas) são disseminadas em veículos que se aproveitam do ineditismo e do sensacionalismo das circunstâncias. O objetivo é alcançar cliques rapidamente e com isso conseguir publicidade e dinheiro através de plataformas digitais, como Google e Facebook. Devido à revolução tecnológica, as redes sociais são consideradas por especialistas a maior propagadora das inverdades.

A professora de Jornalismo Digital da Universidade Veiga de Almeida (UVA) Daniela Oliveira ​destaca um dos motivos que colocam as fake news em ascensão. “Hoje, não importa muito para o leitor a marca de um veículo jornalístico. Como muitas vezes recebemos informações de pessoas próximas, vale mais quem compartilhou, o tema e a importância do assunto para a gente do que a marca do veículo que a produziu”.

Esse era o caso da jornalista Aline Carneiro, de 27 anos, que antes de ingressar na
universidade, compartilhava publicações falsas nas redes sociais. “Durante as aulas, percebi que a credibilidade construída pelos jornalistas ao longo de anos tem sido colocada em xeque à medida em que qualquer pessoa pode produzir e compartilhar um conteúdo. E nós profissionais da Comunicação sabemos que uma fake news repassada viraliza e pode destruir a paz de qualquer um”.

fhdfhdf

A estudante Aline Carneiro agora avalia mais criticamente tudo o que lê. Foto: Acervo pessoal

Apesar da preocupação, as notícias forjadas não podem ser consideradas um fenômeno recente. Em 2014, a dona de casa Fabiane de Jesus foi assassinada após ser acusada por moradores de praticar magia negra com crianças no Guarujá, litoral de São Paulo. Toda a situação foi filmada e divulgada nas redes sociais. Segundo o advogado da vítima, Airton Citon, a agressão aconteceu devido a um boato que foi espalhado numa página do Facebook.

Quem lembra dessa situação é o policial militar Carlos Siqueira, de 49 anos, que compartilhou nas redes sociais a inverdade. Segundo ele, naquela época, as fake news não eram tão frequentes. “Embora tratemos com muitas ocorrências no dia a dia, não nos damos conta que casos duvidosos como esses acontecem e são compartilhados a todo momento. Acreditamos que se está na internet é verdade”.

Especialistas jurídicos não garantem que haverá uma redução das notícias falsas compartilhadas. “A dificuldade de se localizar os autores, as penas brandas e o uso da internet como a principal plataforma de divulgação da propaganda eleitoral são apenas alguns dos motivos que impedem este processo”, explica o advogado em Direito Eletrônico Walter Capanema. Para ele, a legislação penal e eleitoral precisa ter penas proporcionais à conduta. “A divulgação de uma notícia falsa na internet ganha uma dimensão mundial, e é praticamente impossível removê-la totalmente”, justifica.

Em 2016, o Dicionário Oxford reconheceu a pós-verdade como a palavra do ano. Anualmente, a instituição britânica elege um termo que seja de acordo com os interesses culturais da sociedade. Neste caso, escolheu o âmbito político devido à influência das eleições norte-americanas e à votação do Brexit, que chamaram a atenção de todos.

Durante a candidatura de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos, veículos publicaram notícias prejudiciais contra a democrata Hillary Clinton, principal adversária do republicano. A partir disso, a indústria da fake news recebeu o apoio de ​boots (robôs com tarefas online automatizadas) com o objetivo de manipular a invenção de dados. “Atualmente, os ​boots são uma ferramenta de intensificação de engajamento de usuários usados para impulsionar canais ou postagens. Durante esse período eleitoral, percebemos que o robô construiu um falso crescimento para os itens focados para a campanha”, destaca o consultor criativo de Design e Tecnologia, Cleber Correia.

Além disso, Correia destaca a importância de debater o assunto nos dias de hoje. “O problema é que estamos começando a viver um lado diferente na sociedade, visto que empresas, produtos, serviços, marcas e o próprio cidadão estão sofrendo difamações e exposições negativas na mídia. E isso pode ser considerado uma novidade, pois agora está sendo enxergado como crime”, ressalta.

Tratar as publicações falsas como crime é uma prática que as autoridades encontraram para solucionar o problema. Apesar do movimento, ainda existem algumas dificuldades tecnológicas que prejudicam identificar o autor das notícias. Por isso, o Tribunal Superior Eleitoral busca conscientizar a população durante as eleições de 2018. A proposta é fazer com que a sociedade fique atenta e não ajude a propagar as inverdades.

Agência de Fact-checking no Brasil

Devido ao alcance das fake news, o Brasil passou a adotar recursos especializados na área do ​fact-cheking (checagem de fatos). Entre os principais veículos de comunicação que realizam este trabalho estão a ​Agência Lupa e ​Aos Fatos​. Ambas oferecem a verificação de informações e trabalham com diferentes editorias do jornalismo. As equipes analisam notícias consideradas duvidosas.

A agência Lupa é a pioneira do país em se preocupar com a propagação das fake news. Em 2015, lançou uma metodologia que verifica as notícias falsas e, ao longo dos anos, desenvolveu este processo de forma eficaz. A empresa cumpre com os princípios éticos da profissão e está vinculada a ​International Fact-Checking Network (IFCN).

Já os jornalistas do Aos​ Fatos ​acompanham declarações de políticos e autoridades de expressão nacional, de diversas colorações partidárias, buscando verificar se eles estão falando a verdade. Para isso, a equipe adotou uma fórmula com sete etapas para realizar as checagens, que é vista pelo menos por um repórter e um editor. O objetivo é apresentar ao público uma informação precisa e sem erros.

Ambos veículos foram procurados pelos repórteres por e-mail, mas não obtiveram resposta sobre uma possível entrevista. “A nossa equipe está com um volume de trabalho que tem impossibilitado atender a essas demandas como gostaríamos”, disse Bernardo Moura, responsável pelo Aos Fatos. A Agência Lupa não se pronunciou.

6 dicas de como identificar as fake news

● Verifique a fonte da notícia;
● Desconfie de URL (endereço na internet) parecida com as de sites renomados;
● Desconfie de notícias alarmantes;
● Verifique a data da notícia;
● Apure em sites de pesquisa informações similares;
● Compartilhe apenas aquilo que leu e que tem certeza ser verdade.

 


Reportagem de Carlos Brito e Roberta Benedetti para a disciplina Jornalismo Investigativo

Processo de apuração de livro sobre ditadura e jogo do bicho inspira alunos de Jornalismo

Para os estudantes de Jornalismo existem variadas opções de áreas, editorias e mídias a seguir. Mas a base de todo o trabalho, sem dúvida, é a apuração bem feita. Sem falar da curiosidade e interesse em contar histórias ou de apenas contribuir para que sejam propagadas. Ter preferências dentro desse guarda-chuva que é a comunicação é esperado. Quem optou por um dos caminhos mais meticulosos e gratificantes são os jornalistas Aloy Jupiara e Chico Otavio.

Os dois uniram o interesse por carnaval e pelo tema da ditadura para escreverem o livro “Os porões da contravenção – Jogo do bicho e ditadura militar: a história da aliança que profissionalizou o crime organizado”. Os processos de investigação, ou seja, a apuração para se chegar nessa obra, podem inspirar aqueles que querem seguir carreira no jornalismo investigativo.

Jornalista Aloy Jupiara fala sobre o processo de investigação para o livro "Os porões da contravenção" a alunos da UVA. Foto: Patrícia Sá Rêgo / AgênciaUVA

Jornalista Aloy Jupiara fala sobre o processo de investigação para o livro “Os porões da contravenção” a alunos da UVA. Foto: Patrícia Sá Rêgo / AgênciaUVA

Esse é um trabalho que está ligado a uma reportagem mais aprofundada. Não que apenas no jornalismo investigativo seja assim, mas é uma característica essencial dele. E as diferentes fontes contribuem para o conteúdo e a estrutura da grande matéria. Além de personagens, especialistas e mídias como origem dessas informações, Aloy destaca os acervos históricos digitais e analógicos.

Dessa maneira foi iniciada a apuração da série de matérias que mais tarde foi ampliado se tornou um livro. “É um trabalho de formiguinha, documento por documento, realizado no Acervo Nacional e no Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. Por meio de pesquisa e garimpo, encontrava informações sobre bicheiros, torturadores e políticos. Fazia isso duas vezes por semana”, conta.

Toda a investigação, segundo o jornalista que atuou por 30 anos no jornal “O Globo” e  hoje trabalha com projetos e produtos digitais, surge da curiosidade, que se relaciona também com assuntos de interesse de cada profissional. Chico tinha interesse por temas ligados à corrupção, enquanto Aloy possuía afinidade com carnaval, e os dois se interessavam em estudar a ditadura.

Papo entre jornalista Aloy Jupiara com alunos da disciplina Tópicos especiais em jornalismo especializado, no Campus Tijuca da UVA. Foto: Patrícia Sá Rêgo / AgênciaUVA

Papo entre jornalista Aloy Jupiara com alunos da disciplina Tópicos especiais em jornalismo especializado, no Campus Tijuca da UVA. Foto: Patrícia Sá Rêgo / AgênciaUVA

A hipótese inicial do Aloy era de que os temas teriam uma ligação. “Grupo de bicheiros, que formariam a cúpula do jogo do bicho e, mais tarde, a Liga das Escolas de Samba (Liesa), surgiu na década de 70, durante o regime militar. Teríamos que provar que um fato influenciou o outro”, explica.

A investigação para as reportagens mostrou que os bicheiros precisavam de reconhecimento social. E o carnaval era o meio pelo qual chegariam ao status almejado. “Por isso investiram no que se tornaria o grande espetáculo: escolas de samba, instituições culturais saindo do gueto”, esclarece o escritor.

No entanto, o que levou a essa movimentação de militares para a contravenção foi o desmonte do aparelho repressivo. “Com a abertura gradual público-política feita pelo presidente Geisel, os torturadores se sentiram abandonados e procuraram outro poder”. Eles ajudaram a reorganizar administrativamente o jogo do bicho. “Foi implantada tortura, caça e corrupção”, acrescenta o autor.

As descobertas sobre essa migração foram publicadas em quatro reportagens no jornal “O Globo” em 2013, com a primeira matéria de três páginas publicadas no domingo. A princípio, Aloy se recusou a escrever um livro sobre as denúncias, mas foi convencido de que haveria mais o que apurar e contar. “Não que existissem falhas na série de reportagens, mas percebi que havia espaço para o crescimento da investigação”, explica.

Assim, a apuração continuou e deu origem ao livro “Porões da Contravenção”, que focou em três personagens: Castor de Andrade,  Anísio Abraão David ou Anísio, como ficou conhecido na Escola de Samba da Beija-Flor, e Capitão Guimarães. O livro trata de como os contraventores dominaram dinheiro, relações institucionais e ganharam exposição social. Um trabalho jornalístico que deu frutos aos seus autores, elucidou a história por trás do carnaval carioca e, além disso, contribui para a formação de jornalistas.

Como acredita Gabriel Lopes, estudante de Jornalismo de 25 anos. A partir da apuração feita por Aloy Jupiara e Chico Otavio, o jovem compreendeu o que é ideal para a área investigativa. “Pude perceber que para fazer esse tipo de reportagem é preciso tempo e ir a fundo nos materiais disponíveis, não apenas confiando na internet, como pode acontecer nos dias de hoje”.


Jefferson Alves – 7° Período

Moda com propósito: o estilo da juventude em 1960

32286014_1665390463514735_5123033851047706624_n

 Reproduzido do Pinterest I Love Fashion

A roupa do dia era um conjunto de terninho com botões encapados e saia evasê, ambos de linho. A estampa do tecido eram listras verticais em rosa e branco. Salto de sete centímetros e uma bolsa: duas peças que deviam estar sempre a combinar. A cor? Branco, claro, para harmonizar com o terninho. A roupa costurada pelas próprias mãos foi produzida para ir à escola em que lecionava à turma de Ensino Fundamental. O estilo e o capricho na hora de se vestir eram reconhecidos pelas outras mulheres que moravam no bairro, que, ao vê-la passar rumo ao trabalho, comentavam: “Lá vem a elegante da Luis Sobral”.

A cena descrita acima foi vivida por Lidice Marcia Peçanha, de 68 anos. A roupa usada pela professora era comum às mulheres da época, no fim dos anos 50. Tempo em que a moda se torna revolucionária e passa a representar os desejos, as ideologias e a identidade do jovem. Um período de transformação. As mulheres com roupas comportadas, vestidos e saias rodadas começam a dar lugar às calças cigarette, aos terninhos e às saias e vestidos tubinhos. Uma das décadas mais ricas em cultura e moda, o ano de 1960 foi considerado um tempo de liberdade, principalmente para as mulheres, mas também, um ano de repressão.

Enquanto, por um lado, 1960 compôs um cenário importante para a moda, por outro, foi palco de um período turbulento e de grandes marcos na história recente do Brasil e do mundo. Os acontecimentos dessa década são representados por ‘Maio de 68’, época que emergiram grandes manifestações. O ideário contestador desse período surgiu ao longo dos anos anteriores – inspirado no sucesso de revoluções como a de Cuba, em 1959; e a independência da Argélia, em 1962 – até eclodir em 1968.

1968: o ano que não acabou

Maio de 68 foi semeado por anos cinzentos, mas marcou caminhos. Havia países em desenvolvimento se rebelando contra as grandes potências capitalistas e, ao mesmo tempo, o modelo soviético socialista era fortemente contestado. Na França, surgia uma onda revolucionária dos universitários e sindicalistas. No Brasil, então sob Ditadura Militar desde 1964, o ano também foi marcado por intensas mobilizações sociais e pelo endurecimento do regime. Maio 68 foi um movimento profundo, alimentado pela raiva contra a sociedade conservadora e a modernização dilacerante.

E em meio ao caos, a saída era se rebelar e expressar a ideologia contrária ao que era imposto à sociedade por meio da cultura, da música e da moda. Os anos 60 foram marcados por movimentos musicais que inspiraram a moda em dois sentidos: no comportamental e no comercial. O professor de História da Moda, Flávio Bragança, explica que nesse período a roupa surge como uma questão identitária. “Para se pertencer a um grupo e ao mesmo tempo se diferenciar de outros que não se tenha afinidade”, explica.

Até a década de 50 a moda tinha um padrão homogêneo, uma silhueta única. Nos anos seguintes, formou-se um novo grupo de consumidores, que romperam com essa estética ao decidirem não se parecer com os pais conservadores. Nesse novo cenário, o grande destaque eram os baby boomers – aqueles que nasceram após a Segunda Guerra Mundial. Pela primeira vez o foco era exclusivamente os adolescentes. Uma explosão da juventude em todos os sentidos.

Bragança aponta o crescimento da moda industrial como outro aspecto que incentivou essa fragmentação. Com a massificação da prêt-à-porter (pronto para vestir) as pessoas deixam, cada vez mais, de fazer roupa sob medida, com costureiros. “A indústria da roupa pronta estava totalmente atrelada com a juventude, porque ela precisava do imediato. E também com o comércio, porque incentivava a produção e a venda em larga escala”.  

Essas coleções abriram o caminho para a popularização de um produto de design a preço acessível, para todas as classes sociais. A moda única é deixada de lado e passa a existir um novo estilo, que varia de acordo com o comportamento. Torna-se um meio de expressar a personalidade e o individualismo.

Os movimentos musicais e a influência na moda

A música e a moda chegaram, lado a lado, a um patamar político sem precedentes no Brasil. Era mais do que ritmo e roupa, era um movimento, pois a música não se limitava aos discos e shows. Tudo deveria fazer sentido, das roupas ao corte de cabelo. O estilo era fundamental, transmitia a essência do que era ser jovem.

MPB, Bossa Nova, Jovem Guarda, Música de Protesto e Tropicália: foram os meios como a música popular brasileira se manifestou nos tempos da ditadura no País. Todos esses movimentos musicais foram protagonistas importantes para a construção da história e da memória do Brasil em 1960. Porém os que mais inspiraram a sociedade no quesito estética foram a Jovem Guarda e o Tropicalismo.

O primeiro chegou para balançar as estruturas, e os quadris, ao som do rock and roll e do pop em 65. O grupo composto por Roberto, Erasmo e Wanderléa conquistaram corações com sua estética mod, terninhos, minissaias, lenços, vestidos tubinhos e cabelos sempre bem penteados. Foram trilha sonora de festas e beijos de adolescentes com os hormônios a flor da pele. Também conhecidos como a “turma do iê iê iê”, que tem origem do “yeah yeah yeah” dos Beatles – maior influência externa -, o grupo teve grande apelo midiático, por fazer parte do programa “Jovem Guarda” que foi transmitido durante três anos pela TV Record. “Quando chegou em 68, eles (a jovem guarda) trocaram a estética mod pelo cabelo e barba grande, roupas mais coloridas e outras inspirações do hippie e de Woodstock“, relembra Flávio.

32215149_1665390486848066_122384418789654528_n

Ícones da Jovem Guarda, Roberto, Erasmo e Wanderléa formaram padrões de moda nos anos de 1960 (Reprodução do Tumblr Brasilbrasilbrasil)

Já o movimento Tropicália chegou em 68 para mexer com a mente e a forma que os jovens enxergavam o mundo. “Era uma mistura do moderno com o antigo, o urbano com o rural. Eles romperam com todas as fronteiras entre os estilos existentes na época”, aponta Bragança. O repertório musical era um mix de ritmos, com a crítica à sociedade por trás do jogo de palavras e batidas dançantes. Era o “ser diferente” traduzido em moda, que se reafirmou na década de 70.

As roupas usadas pela Tropicália tinham um papel comportamental importante. O cabelo grande, por exemplo, era a maneira de mostrar que eram inconformados com o sistema e tudo que estava acontecendo. Segundo Bragança, a “Tropicália foi uma afronta comportamental”, por romper com os padrões existentes da época. “Rendas do nordeste, chita, brasilidade, bordado manual, aplicação artesanal, batas, maxi saia, kafta, inspiração étnica e muita cor. Tudo com um tom psicodélico da cultura hippie”, explica o especialista. A regra era o “no sense” (sem sentido), as misturas da Tropicália não tinham lógica e não precisavam ser explicadas, pois falavam por si só.

Vale ressaltar que a moda não deve ser tratada como um tema isolado nesse período. “Primeiro temos que lembrar que estamos falando de um movimento que é muito ligado a musica, mas vem das artes plásticas também. Esse era o clima de 1960. Um clima cultural  revolucionário, de transformação”.

“A Tropicália foi uma afronta comportamental” (Flávio Bragança)

32202789_1665390556848059_8346846430958190592_n

Reproduzido do Tumblr Alquebrada

O melhor da moda anos 60

Passado o período pós-guerra, a Europa revivia uma efervescência cultural e comercial. Após anos de racionamento, inclusive de tecidos, a moda reocupa o seu espaço e os estilistas exploram toda a sua criatividade. A partir da década de 50, o que se viu foi um extravasar, uma revolução na composição de peças.

A especialista em moda Suzana Cohn relembra que no mundo da costura isso se refletia em novas tendências e o abandono do que vinha sendo pregado pelas grandes maisons dos anos 50, como Dior, Galtieur e Balenciaga. A moda passou a ser, então, democrática, unissex e de caráter contestador, político, identitário e filosófico.

Entre as principais inovações e tendências de moda que marcaram os anos 1960 estão o uso de calças pelas mulheres, as minissaias, calças de cintura baixa e a famosa “Boca de sino”, tecidos acetinados com cores vibrantes, estampas em preto e branco, coloridas e floridas, botas brancas e de verniz, bico fino e salto baixo, taileur com mangas ¾, vestidos tubinho, roupas futuristas, tecidos sintéticos, plásticos e metalizados.

Na mesma época o movimento feminista ganhou força e suas integrantes vestiam-se com um estilo hippie.  A moda também foi afetada pela “vibe” do musical e peças artesanais, como tricô e crochê, viraram tendência. “Os estilistas passaram a procurar, cada vez mais, inspirações internas, no Brasil, e não apenas da Europa, como vinha sendo até então”, conta Suzana.

Ainda na vibe dessa viagem pelo tempo sobre a moda, que tal descobrir qual seria o seu estilo se você estivesse em 1960? Responda ao quiz e descubra!

Reportagem de Raissa Gomes para a disciplina de Oficina Multimídia em Jornalismo