Jair Bolsonaro é o novo presidente do Brasil

Jair Messias Bolsonaro (PSL) venceu Fernando Haddad (PT) em segundo turno e foi eleito o 38° Presidente da República neste domingo (28). O resultado foi confirmado às 19:18, quando, com 94,44% das seções apuradas, Bolsonaro somava 55.205.640 de votos (55,54% válidos) e não podia mais ser alcançado por Fernando Haddad. O candidato do PT alcançou 44.193.523 votos (55,13% válidos). Concluída a apuração, Bolsonaro somou 57.797.847 votos (55,13%) e Haddad, 47.040.906 (44,87%).

O cientista político Guilherme Carvalhido acredita que o novo presidente terá dificuldades com o novo Congresso. “Ele terá que negociar muito para conseguir aprovar as reformas básicas, previdência, política e fiscal”. Carvalhido também explica que Bolsonaro precisará unir a população. “Estamos em um cenário polarizado entre direita e esquerda, o que dificulta qualquer governo em um país complexo como o Brasil”.

Assim como Carvalhido, o advogado Leonardo Rabelo acredita que o desafio do novo presidente será promover uma unificação nacional. “Ele contará com a rejeição de praticamente metade do país”. A polarização, segundo ele, sempre existiu, mas foi acentuada com as mídias digitais. “O acesso às redes ficou popularizado, aproximou as pessoas e promoveu a possibilidade de criação das fake news, que deram o tom dessa campanha, como aconteceu com os Estados Unidos”.

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Com 100% das urnas apuradas, Bolsonaro alcançou 55,13% dos votos válidos Foto: Visual Hunt

Conheça um pouco sobre os candidatos:

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, atuava como deputado federal desde 1991. Antes disso, em 1987, foi vereador no Rio de Janeiro. Em 26 anos no Congresso, ele apresentou 171 projetos e dois deles foram aprovados. Capitão da reserva do exército, formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras. Ao longo de sua carreira política, passou pelos partidos PDC, PP, PRP, PPB, PTB, PFL, PP, PSC e PSL.

O candidato do PT, Fernando Haddad, é formado em Direito na Universidade de São Paulo (USP). Ele é mestre em economia e doutor em filosofia pela USP. Sua carreira política começou em 2001, quando assumiu o cargo de chefe de gabinete da Secretaria de Finanças, na prefeitura de São Paulo. Em 2005, foi Ministro da Educação no governo Lula. Em 2012, Haddad foi prefeito de São Paulo.


Letícia Montilla – 6° período

Eleições 2018: como as Fake News influenciam episódios de violência

Os recentes episódios de violência, aliados ao fenômeno das fake news, marcaram as Eleições de 2018. A Folha de São Paulo divulgou recentemente um esquema de envio de notícias falsas em massa, enquanto surgiam cada vez mais casos de agressões por motivações políticas em todo o Brasil. A pergunta do momento passou a ser a seguinte: Como as pressões das redes sociais podem influenciar as Eleições?

Em primeiro lugar, é preciso entender as possibilidades que a internet oferece. Os dispositivos móveis surgem como fonte de informação tão relevante quanto o rádio e a TV. A principal oportunidade aberta pela web foi a liberdade com a qual todos podem transmitir informação. Foi só questão de tempo até aparecerem portais que divulgam notícias falsas ou distorcidas.

A professora e pesquisadora de Comunicação Social, Diana Damasceno aborda a questão do compartilhamento de notícias falsas em suas aulas. Para ela, a população brasileira ainda não possui condições de distinguir o que é importante na enxurrada de informações que são compartilhadas todos os dias.

Diana salienta que algumas pessoas compartilham as notícias na tentativa de satisfazer o próprio ego virtual: “Elas acham que ao compartilhar estão tendo mais visibilidade, mas o conteúdo que realmente interessa é mínimo”. Entretanto, as pessoas são apenas parte do processo que hoje é estruturado.

Renan Barbosa, sociólogo e mestrando em Ciências Políticas, faz questão de ressaltar a forma como as informações falsas são disseminadas. Ele entende que o processo de difusão dessas mensagens passa por pessoas com conhecimento técnico de informática. Tais profissionais, que dominam códigos de programação, conseguem criar robôs que disparam mensagens automaticamente, os bots.

“Para uma difusão em nível nacional, tem-se descoberto cada vez mais o uso de robôs nas redes sociais, para inflar determinados candidatos ou temas”, afirma Renan. A mecânica é simples: os bots fazem publicações de forma massiva sobre determinado assunto, que vai parar nos temas mais comentados do Brasil e logo vira pauta de conversas e matérias de pequenos jornais, trazendo assuntos falsos ou distorcidos à tona.

Renan pondera sobre o processo: “As fake news são sempre sobre fatos nunca existentes, que visam depreciar uma pessoa. Consequentemente e subjetivamente, esse tipo de notícia tem como finalidade dividir a sociedade”. Tal efeito pode ser observado no atual momento, com o aumento de atos violentos, tendo divergências políticas como motivação.

A estudante de Engenharia Ambiental Fernanda Oliveira, de 21 anos, acredita que as notícias falsas mudaram o curso da eleição e impulsionam a tensão existente no cenário atual. “Quando as pessoas acreditam que você apoia um candidato que criou o Kit Gay ou da exposição do sexo precoce para crianças, elas podem achar que você é uma pessoa má, só que na verdade, é tudo mentira”. Ela ainda cita a falta de um filtro na internet, o que torna fácil encontrar mentiras mascaradas como verdades.

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Fernanda acredita que faltam formas de separar a verdade da mentira na web Foto: Arquivo Pessoal / Fernanda Oliveira

Basta ter uma conta no aplicativo WhatsApp (um grupo de conversas) e logo começam a chegar as mensagens sem fontes verificadas ou mentirosas. O professor de Geografia Anderson Lima, 35, é um exemplo. Ele já recebeu mensagens que favoreciam e caluniavam o candidato dele para presidente. Apesar de se informar principalmente por meio da internet, Anderson faz questão de utilizar portais oficiais como fontes primárias.

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Anderson Lima: “O aspecto mais negativo da internet é a propagação de notícias falsas” Foto: Arquivo Pessoal / Anderson Lima

“É ruim, porque muitas pessoas ainda não aprenderam a lidar com toda a informação que recebem”, diz Anderson. Como apontou o sociólogo Renan, a propagação de notícias falsas visa dividir ainda mais a sociedade e dessa polarização, surge o problema: diversos casos de violência em função de divergência política eclodiram nas últimas semanas.

Anderson é categórico: “Eu acho que beira a barbárie. A eleição acaba se tornando uma disputa parecida com o futebol, entra o fanatismo e isso se torna um aspecto negativo”, diz o professor, lembrando que já foram produzidas notícias falsas sobre os próprios atos de agressão, como o caso da jovem do Rio Grande do Sul, que se automutilou e acusou militantes de agressão com motivação política.

As Eleições de 2018 foram marcadas pelas fake news, pelos bots e pelos ciborgues, humanos que criam múltiplas contas para atividade nas redes sociais. Cabe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), junto aos órgãos internacionais de monitoramento de empresas, criar mecanismos que impeçam o uso de tais ferramentas para influenciar o voto, o principal direito da democracia.

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Brasília – Manifestantes pró (à direita) e contra (à esquerda) o impeachment de Dilma Rousseff ocupam a Esplanada dos Ministérios durante o processo de votação na Câmara dos Deputados  Foto: Juca Varella / Agência Brasil


Luíza Accioly Lins e Pablo Guaicurus – 8º período

Eleições 2018: como as Fake News podem impactar a decisão do eleitor

Os políticos, durante a corrida eleitoral, sempre usaram artifícios – sendo eles lícitos ou não – para alavancar suas campanhas ou prejudicar seus adversários. O uso de boatos para manchar a imagem dos demais candidatos não é algo novo no meio, mas com a força que as redes sociais e os aplicativos de mensagens têm ganhado, está cada vez mais difícil controlar a disseminação de notícias falsas e o uso de bots pelos candidatos para levantar hashtags, por exemplo.

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As fake news (notícias falsas) têm circulado com facilidade pela internet Foto: Shutterstock

Esse fenômeno das fake news ganhou destaque durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 2016. Além dos eleitores de uns candidatos espalharem notícias falsas sobre os demais, eles também acusavam a mídia tradicional de usar desse mesmo artifício, deslegitimando o trabalho do jornalista e atraindo a população, cada vez mais, para meios de comunicação controlados por seus apoiadores.

Devido a esse boom, o Facebook criou uma nova política contra notícias falsas, muito mais rígida. Após a denúncia, é feita uma investigação por parte da equipe da rede social. Se de fato a notícia for falsa, ela é apagada e seu autor banido por período que pode durar de trinta dias a permanentemente, dependendo da quantidade de notícias falsas compartilhadas pelo perfil ou página.

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As redes sociais são o principal meio de propagação de notícias falsas Foto: Shutterstock

A medida causou revolta entre alguns políticos e grupos que são frequentemente acusados de criar e propagar notícias falsas. Isso gerou grupos de compartilhamento em massa dessas notícias no aplicativo de mensagens WhatsApp, onde a denúncia é dificultada pela criptografia, e até a criação de redes sociais exclusivas para eleitores de um candidato específico.

A Agência UVA entrevistou Débora Pio, Mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para tirar algumas dúvidas sobre o que são as fake news e como devemos combatê-las.

Agência UVA – Você acredita que o uso de fake news e bots pode influenciar o resultado dessas eleições?

Débora: Sim, essas decididamente foram as eleições das fake news, mas elas não são o elemento único da disputa política. As redes sociais, em geral, foram a grande estrela dessas eleições e isso passou longe do monitoramento dos especialistas. Vários candidatos YouTubers foram eleitos com grande número de votos, mesmo sem tempo de TV ou sem muito dinheiro. Acredito que isso ninguém imaginava.

Agência UVA – Como combater o compartilhamento de notícias falsas e perfis fake?

Débora: Não há como combater, quando não há um entendimento sobre o fenômeno. Hoje, como não existem mecanismos de rastreamento, fica muito difícil saber de onde elas surgem e como se espalham. O que já existe, para tentar frear o avanço disso, são as agências de checagem, como a Agência Lupa e Aos Fatos e até mesmo algumas editorias dentro do jornalismo tradicional. No entanto, as fábricas de fake news funcionam a todo o vapor e provavelmente não vão parar tão cedo. Outra maneira de barrar isso seria educar as pessoas para os usos da internet e sobre o perigo das notícias falsas. Isso exigiria um esforço não só governamental, mas também da população.

Agência UVA – Como posso distinguir uma notícia falsa de uma real?

Débora: Conferindo com as agências de checagem talvez seja o caminho mais seguro para saber a veracidade da notícia. Vale também, caso você desconfie, fazer uma busca na internet e procurar em fontes seguras se aquela notícia é falsa ou verdadeira.

Agência UVA – No WhatsApp, por exemplo, existe certa dificuldade em denunciar esse tipo de notícia e quem as compartilha, como deve ser feita a denúncia nesse caso?

Débora: O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nessas eleições prometeu ser implacável contra as fake news, mas os seus mecanismos de controle se mostraram ineficientes. Hoje, não existe um mecanismo onde você pode denunciar apenas fake news por serem notícias falsas, mas dá para denunciar crimes de ódio. A plataforma SaferNet cumpre esse trabalho. A Delegacia de Crimes Cibernéticos também recebe denúncias desse tipo de mensagem na internet.


Thais Fernandes – 7° período

Eleições 2018: nordestinos são atacados após resultado do primeiro turno

Com o resultado do segundo turno definido entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), internautas iniciaram ataques à região do Nordeste, onde o Partido dos Trabalhadores obteve seu melhor resultado. As ofensas vão desde xingamentos à pedidos para que a região fosse separada do Brasil.

Isso vem acontecendo desde a última Eleição Presidencial, em 2014, quando Dilma Rousseff (PT) foi eleita enquanto concorria com Aécio Neves (PMDB) no segundo turno. Na noite após as eleições, “Nordeste” já era um dos assuntos mais comentados no Twitter. O cenário é divido por pessoas que ofendem os nordestinos e pelos que os defendem. O que muitos não sabem é que essa não é uma situação nova . É um crime que já levou pessoas condenadas.

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Eleitor faz publicação pregando ódio contra nordestinos Foto: Thaiane Barcelos / AgênciaUVA

O caso foi da então estudante, Mayara Petruso. A jovem foi condenada a um ano, cinco meses e quinze dias de reclusão pela Justiça de São Paulo, por ter postado mensagens preconceituosas e incitado à violência contra nordestinos. O caso aconteceu em 2010 e a denúncia foi feita pelo Ministério Público, com base no Artigo 20, § 2º, da Lei Nº 7.716/89, que trata do crime de discriminação ou preconceito de procedência nacional.

“É muito triste morar no Centro-Sul e ver esse preconceito com os meus familiares, que moram no Nordeste”, conta a professora de Geografia, Priscila Baldner, de 29 anos.

Com família de origem pernambucana, Priscila diz que está sempre lutando para mostrar a força do povo nordestino e fazer com que todos entendam que nenhuma região do país é superior a outra. Carioca, ela reconhece a forte influência do Nordeste no Estado em que vive e defende a origem de seus familiares, assim como o direito de todos os brasileiros ao respeito.

O professor e mestre em História, Marcelo Chavez Lameirão, de 34 anos, explica que esse tipo de preconceito é uma questão histórica, que se dá desde o fim do Império e início da Primeira República, já que na capital viviam mestiços. A população da época acreditava que os mesmos tendiam à vagabundagem, ao alcoolismo, ao retardo de capacidade cognitiva e à loucura.

Um exemplo citado pelo historiador foi o Êxodo Rural, que aconteceu do Nordeste para as regiões Sudeste e Centro-Oeste, que concentravam quase todo investimento do país na época. Historicamente, esse povo passou a ser visto como um problema, pois ocupavam lugar na sociedade e conseguiam empregos. Lameirão compara o preconceito contra os mestiços ao que os europeus têm com os imigrantes.

“Um dos motivos de tamanha adoração pelo Partido dos Trabalhadores são os investimentos feitos na região durante o governo Lula”, afirma Lameirão. Ele acrescenta que o petista foi o primeiro governante a olhar para a região e que essa é a explicação para os resultados eleitorais.


Thaiane Barcelos – 6º período

Eleições 2018: Bolsonaro abre vantagem na disputa pelo segundo turno

O DataFolha divulgou ontem (10) a primeira pesquisa de intenções de voto do segundo turno. O resultado mostra o candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) à frente do concorrente Fernando Haddad (PT), com 58% e 42%, respectivamente. De acordo com o levantamento, a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Votos brancos e nulos representam 8% e 6% não souberam responder.

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Resultado foi divulgado na noite de quarta-feira (10) Arte: Pablo Guaicurus / AgênciaUVA

Outra simulação do DataFolha perguntou aos entrevistados que votaram em outros candidatos no primeiro turno, em quem votariam agora. Entre os eleitores de Marina Silva, Geraldo Alckmin e Ciro Gomes, a maioria disseram que seriam indiferentes. Dentre os que migrariam a escolha junto ao candidato escolhido no último domingo (7), Haddad leva vantagem nos três casos.

O Instituto perguntou ainda quando o eleitor decide o voto. A maioria, 63%, disse que escolhe com um mês de antecedência. Já 12% disseram escolher o candidato somente no dia da eleição. A pesquisa foi encomendada pelo jornal Folha de São Paulo e pela Rede Globo. O nível de confiança é de 95%. Para o cientista político Marcio Sales Saraiva, o resultado mostra algo parecido com os números do primeiro turno, quando Bolsonaro teve 17 pontos percentuais sobre Haddad. Ele acredita que a maior variação vai ocorrer quando a campanha eleitoral recomeçar.

O especialista analisou os movimentos que podem ser feitos nessa nova corrida. “Se o Haddad tiver habilidade política, ele poderá virar o jogo. Basta lembrar que a Dilma, em 2014, também chegou a estar perdendo para o Aécio Neves”. Enquanto se recupera do atentado, Jair Bolsorano tem restringido a campanha às redes sociais, estratégia que Marcio considera perigosa. “O segundo turno é um confronto de propostas. Se Bolsonaro mantiver a postura de falar somente para os seus, pode perder votos dos eleitores que não fazem parte de sua base”.

Ele continua e afirma que para evitar dano eleitoral, o presidenciável do PSL deve começar a debater ideias e ter uma postura mais ao centro, visto que agora a disputa está entre os eleitores que não votaram em nenhum dos dois candidatos. Já sobre Haddad, Marcio acredita que é preciso consolidar a força do candidato no Nordeste e buscar redutos eleitorais no Norte e no Centro-Oeste.

Por fim, salienta que o perfil do eleitor mudou e que não haverá uma transferência direta dos eleitores de Ciro, Marina e Alckmin, como em outras eleições: “Em tempos de redes sociais, o líder partidário não decide mais para onde vão os votos. Ele influencia, mas não determina”. A campanha oficial do segundo turno começa nesta sexta-feira (12).


Pablo Guaicurus – 8º período

Eleições 2018: especialistas analisam resultados do primeiro turno

O resultado das urnas no primeiro turno das Eleições 2018 arrebatou os votantes que acreditavam em um país dividido em partes iguais. Com 46,03% a seu favor, Jair Bolsonaro quase alcança o cargo mais alto da República sem precisar levar para o segundo turno. Seu rival, Fernando Haddad chegou a 29,28%, muito distante dos seus 4% iniciais nas pesquisas de intenção de voto.

Já no governo do Rio de Janeiro, o ex-juiz Wilson Witzel arrecadou 41,28% da cédula eleitoral, enquanto Eduardo Paes totalizou 19,56%. Veja a seguir o que o cientista político Guilherme Carvalhido e o Doutor em Direito Econômico Leonardo Rabelo têm a dizer sobre esse cenário.


Produção
Leticia Heffer – 7º período
Luíza Accioly Lins – 8º período
Natália Pires – 7º período

Edição
David Barbosa – 8º período

Eleições 2018: segundo turno entre Bolsonaro e Haddad reflete polarização do país

Apesar do crescimento do candidato Jair Bolsonaro (PSL) nos últimos dias, que levou muitos a acreditarem em uma vitória já no primeiro turno, o militar irá enfrentar Fernando Haddad (PT) no segundo turno, que esse ano ocorrerá no dia 28 de outubro. Com 98% das urnas apuradas, Bolsonaro teve 46,3% dos votos, enquanto o petista conquistou 28,9%. O terceiro colocado Ciro Gomes (PDT) garantiu apenas 12,5%.

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Resultado das eleições presidenciais com 98% das urnas apuradas Foto: Reprodução / TSE via Reuters

Assim, confirmam-se os resultados das pesquisas eleitorais, que já mostravam a divisão do país. Para a recepcionista Letícia Barroso, de 30 anos, essa polarização é prejudicial. “O pessoal está meio perdido, votando em um para evitar que o outro ganhe. Nas redes sociais é como se tivesse uma guerra, um brigando com outro por causa de política, sendo que às vezes é tudo mentira. No Bolsonaro, não voto. Não tenho esperança de melhora se ele ganhar”, disse.

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15ª Seção Eleitoral, no Centro de Convenções Sulamérica Foto: Francisco V. Santos / AgênciaUVA

Já a eleitora Isabel Cristina Almeida, de 53 anos, vê a situação política como sinal de uma disputa ainda maior.  “Eu vejo a polarização como uma guerra entre o bem e o mal, onde a esquerda está trabalhando a mente das crianças e da população para o desvio moral, por isso, a massa que zela pela decência e pela moral está com o Bolsonaro. Ele vai trazer ordem e progresso”, afirma.

Apesar do previsível resultado presidencial, a surpresa veio da escolha para o cargo de governador do Rio de Janeiro. O candidato Wilson Witzel (PSC) irá enfrentar o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, no segundo turno. Contrariando as pesquisas, Witzel cresceu nos últimos dias de campanha e ultrapassou Tarcísio Motta (PSOL) e Romário Faria (Podemos).

Para os eleitores do Rio e de outros estados do país, o dia não foi fácil. Houve reclamações de desorganização devido a mudanças em seções eleitorais. Além disso, a dificuldade com a biometria causou atrasos. Em muitos lugares, as filas foram enormes e duraram até depois das 17h, por isso, foram distribuídas senhas. Todos que chegaram até esse horário tiveram garantido o direito ao voto.

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A falta de organização gerou enormes filas nos locais de votação Foto: Francisco V. Santos / Agência UVA


Maria Carolina Martuchelli – 6º período e Francisco V. Santos – 7º período

 

Eleições 2018: jovens falam de como vão votar em sua primeira eleição

Um dos momentos mais aguardados por parte da nação está próximo. O dia da escolha, as Eleições 2018. O fato de ter seu direito de cidadão negado durante o período da Ditadura, fez com que muitos denominassem esse instante como a festa da democracia. Isso, para aqueles que já passaram dos 45 anos e que tiveram cerceados o voto durante o regime militar. Mas o que será que os filhos dessa geração pensam sobre isso? Como os jovens entre 16 e 21 anos estão se comportando frente ao atual cenário da democracia brasileira?

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Jovens de 16 e 17 anos representam 0,95% do eleitorado Foto: Unsplash

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luis Fux tornou público no mês de agosto que o Brasil tem aproximadamente 147.302.357 cidadãos aptos a votar nas eleições desse ano. O TSE obteve essas informações do Cadastro Eleitoral, o banco de dados oficial sobre o eleitorado brasileiro, que referem-se a contagem feita até o final do mês de julho, baseado no encerramento do cadastro em nove de maio.

Dentro desse número, em torno de 1.400.617 jovens com idade entre 16 e 17 anos irão votar pela primeira vez. O relatório mostra que essa parcela do eleitorado brasileiro caiu em relação a 2014, últimas eleições presidenciais. Dados do último pleito revelam diminuição de 14,53% no percentual de jovens votantes. Como esse perfil de eleitor encara as eleições ou como ele foi instruído a respeito dela, talvez possa dizer um pouco – ou muito – sobre esse momento.

Em sua primeira eleição, o estudante do segundo ano do Ensino Médio, João Victor Netto, de 18 anos, conta que muitos de seus amigos não sabem em quem votar. “Na verdade, não querem. Votam porque são obrigados e dizem que darão um voto da zoeira”. Dentro das escolas, as abordagens do tema são diversas. No colégio de João, uma instituição estadual na Baixada Fluminense, a professora de História é a única que aborda a questão. “Em momento algum ela fala nomes de candidatos, logo, não nos influencia, mas sempre pede para que a gente procure conhecer os candidatos. De maneira que estejamos dando votos conscientes”.

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A indecisão na escolha de candidatos entre os jovens tem sido comum nessas eleições Foto: Unsplash

Contudo, não são todos os profissionais que agem com essa coerência. Outro estudante de Ensino Médio que votará pela primeira vez é Juan Domingos, de 17 anos. Ele enxerga que na sua escola os professores tentam difundir conceitos relacionados apenas à corrente ideológica defendida por eles. “Ouço apenas críticas ao povo de direita. Tenho professores extremamente esquerdistas e vitimistas, que defendem bandido”, diz Juan.

Essa fala do estudante sinaliza um perigo observado pela professora Renata Castro, o da interpretação. “A escola não tem que interferir. Quando dá liberdade para seus profissionais “alertarem” aos alunos sobre a questão política, pode ocorrer uma má interpretação e uma incoerência, pois cada um tem um jeito de interpretar e tal comportamento pode levar a confusão na mente dos estudantes”.

O Escola Sem Partido é uma tema que divide opiniões no meio dos educadores. O pedagogo Adriano Queiroz, afirma que uma escola sem posicionamento representa um recuo na educação. “Sou totalmente contra o Escola Sem Partido. Trata-se de um grande retrocesso para aqueles que compreendem que o currículo de nossas escolas não estão restritos às questões de conteúdo e, consequentemente, transpassa por assuntos relacionados à cidadania, indo de acordo com os Temas Transversais, publicados pelo MEC em 1997.”

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O Escola Sem Partido é um projeto que tem gerado polêmica na sociedade Foto: Unsplash

Adriano crê que a educação política deve ser bem difundida dentro dos colégios, mostrando aos alunos que a manutenção da democracia estará diretamente relacionada ao posicionamento deles, frente às constantes mudanças da sociedade. “Compreendendo o papel democrático que deve ser exercido pela escola, acredito que o ato político é marca registrada nas instituições de ensino que preconizam o que trata o Artigo 14 da Lei Nº 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional”.

Para quem vai o voto dos jovens?

O momento é de incertezas. O jovem eleitor é um dos principais espectadores de toda a transformação do cenário político nacional. Em meio a tantos escândalos de corrupção, eles ficam divididos na hora de se posicionar e escolher um candidato que represente o que o Brasil precisa. “Infelizmente o quadro político do Brasil ficou totalmente abalado pela corrupção. Não há como e em quem acreditar”, aponta a professora Renata.

Para o aluno Juan é preciso diálogo, mas também é necessário um pulso mais firme por parte do futuro presidente. “Minha escola foi assaltada na quinta-feira (4). Levaram até a máquina de Rio Card, então fica difícil a gente não aderir um tom mais ofensivo”. Já o estudante João Victor acredita que o líder ideal será aquele que garanta os direitos básicos do cidadão, como segurança, educação e saúde de qualidade, com bons profissionais recebendo salários decentes. “Fora o fato de ser uma pessoa honesta e digna, porque nós já estamos cansados de tanta gente corrupta nos liderando. Alguém que governe para todos os tipos de pessoas, com igualdade de direitos”.

Renata vê nos jovens um misto de euforia e medo, por ser a primeira eleição e saberem que suas decisões contribuirão diretamente para que a história continue sendo escrita. “Uma metade vibra por depositarem sua confiança em um único candidato, achando ser o salvador da humanidade e outra com medo do que pode ocorrer, de perder a liberdade de expressão e seus direitos. Acredito que esse seja o maior sentimento”. Ela finaliza chamando a responsabilidade para o eleitor: “Se cada um fizer sua parte podemos, aos poucos, diminuir a corrupção. Não podemos depositar somente nos candidatos algo que cabe a nós também colaborar”.


Débora Esteves – 8º período

 

 

 

Eleições 2018: 6% dos eleitores ainda estão indecisos

O Ibope divulgou na última quarta-feira (3) o número de eleitores indecisos para as eleições presidenciais de 2018. O resultado da mais recente pesquisa de intenção de voto indica que 6% da população ainda não sabe em quem vai votar. Foram ouvidos 3.010 eleitores na segunda-feira (1) e na terça-feira (2). O nível de confiança utilizado é de 95%. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados na amostra.

Mesmo após ter pesquisado as propostas dos candidatos, o estudante de Letras Marlon Gouveia, de 30 anos, ainda não conseguiu decidir para quem irá seu voto. Ele não se sente representado por ninguém. “Eles não têm um plano de governo que é totalmente claro a um tipo de classe social específico. Normalmente, abordam umas e excluem as outras. Não é abrangente e eu me sinto excluído nessa hora”.

A estudante de Jornalismo Fernanda Oliveira, de 21 anos, também não definiu em quem irá votar. Segundo a jovem, as redes sociais influenciam muito na sua indecisão. “As pessoas que já decidiram o voto delas querem fazer com que as outras pensem do mesmo jeito. Então, isso acaba sendo difícil para quem está indeciso, porque você escolhe um candidato e começam a te julgar e criticar”. Segundo ela, esse comportamento dos internautas contribui para que fique confusa e não consiga decidir o seu voto.

Segundo o cientista político Márcio Sales Saraiva, mestre em políticas públicas pela UERJ, ainda há chances do número desses eleitores indecisos diminuir e impactar o resultado das eleições presidenciais, porque muitos decidem o voto três dias antes de irem às urnas. “Aí é que o eleitor conversa com os amigos e os familiares, confere as pesquisas, vê o último debate e toma a decisão final”. Ele explica que esse é o tempo da escolha política, pois antes só havia tendências e probabilidades.


Letícia Montilla – 6° período 

Eleições 2018: aplicativos ajudam eleitor a monitorar e escolher possíveis candidatos

Cada vez mais a internet está presente no dia a dia. Nesse ano de eleições para presidente, governador, senadores e deputado federal e estadual, vários aplicativos estão disponíveis para ajudar o eleitor brasileiro a votar. De um modo geral, todos prometem facilitar a busca do cidadão pelo candidato ideal. De acordo com a forma que foram concebidos, podem ser inseridos em dois grupos: os que fiscalizam a atuação dos parlamentares em exercício e os que trabalham a afinidade programática entre candidatos e eleitores.

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O processo eleitoral na palma da mão, por intermédio das novas tecnologias de comunicação Foto: Francisco Valdemir dos Santos / AgênciaUVA

O Match Eleitoral, lançado pela Folha de S. Paulo e pelo Instituto DataFolha, ajuda os eleitores de São Paulo a escolher os candidatos a deputado federal e senadores e os de Minas Gerais e Rio de Janeiro, apenas para deputado federal.

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Logomarca da plataforma Foto: Reprodução / Folha de S. Paulo

O objetivo é identificar afinidades entre o que pensam os eleitores e os candidatos, que respondem o mesmo questionário de vinte perguntas. Quando as respostas coincidem, acontece o “match”. A plataforma utiliza temas recorrentes na vida política do país e em cada quesito, oferece as possibilidades de concordância e discordância total ou parcial. Após o lançamento das respostas, o sistema permite conferi-las com as dos candidatos.

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Logomarca do programa Foto: Reprodução / Tem Meu Voto

Outro programa é o #TemMeuVoto, que também baseia-se na busca de afinidades entre eleitor e candidato. Com ele, o usuário é convidado a responder a quatro perguntas e eleger duas prioridades para o país, sobre os seguintes assuntos:

  1. Sobre candidatos que respondem ou não a processos judiciais;
  2. Em relação à eleição de postulante que já teve cargo público;
  3. Sobre a interferência do Estado na economia;
  4. Sobre a interferência do Estado nas liberdades individuais;
  5. Selecionar a principal prioridade para o Brasil entre os temas saúde, segurança, educação, transporte e emprego;
  6. Selecionar a segunda prioridade para o Brasil entre os temas igualdade racial, agricultura, energia, sistema político-eleitoral, combate à corrução, cidadania e democracia.

A partir de uma simulação na plataforma, constata-se que parte dos candidatos  respondeu apenas duas questões. O aplicativo ainda disponibiliza o currículo dos mesmos, acesso às redes sociais e, ao final da consulta, faz uma simulação do voto do eleitor na tecla “TEM MEU VOTO”.

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Logomarca do site Foto: Reprodução / Me Representa

Analogamente, a ONG #MeRepresenta possui uma plataforma na web, de âmbito nacional, na qual o eleitor pode aferir a posição de alguns candidatos a deputado estadual, deputado federal e senador a partir de nove temas pré-estabelecidos. É possível escolher de um a nove tópicos dentre gênero, raça, LGBTs, povos tradicionais e meio ambiente, trabalho, saúde e educação, segurança e direitos humanos, corrupção, drogas e migrantes.

Depois seleciona-se o estado e o cargo para o qual deseja encontrar candidatos. O sistema possui filtros por identidade e partido, que direcionam o eleitor para os afinados com os temas citados, por isso não tem representantes de todos os partidos. Além disso, estabelece um ranking entre os políticos mais comprometidos com essas pautas e prioriza na ordem de exibição as candidaturas que, segundo o site, têm pouca ou nenhuma representação na política: mulheres, pessoas negras, indígenas e LGBTs.

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Logomarca da plataforma Foto: Reprodução / Vote Na Web

O VoteNaWeb é um site de engajamento político, desenvolvido por uma equipe multidisciplinar composta por estudantes de direito, jornalistas, publicitários, programadores e designers, cuja missão é fortalecer a democracia no mundo. Seu mecanismo é o seguinte: após se cadastrar, o cidadão escolhe as propostas de seu interesse e vota. Além disso, pode acompanhar os projetos e os votos dos parlamentares, selecionados por estado. A plataforma também organiza um ranking dos políticos mais atuantes e seus projetos. Dessa forma, oferece a qualquer pessoa a chance de participar da vida política brasileira.

PODER-DO-VOTO

Logomarca do aplicativo Foto: Reprodução / Poder do Voto

O Poder do Voto é um aplicativo que monitora o desempenho de deputados e senadores durante o mandato, possibilitando ao eleitor participar da política, ao receber informações do que está acontecendo no Congresso Nacional. Ele acompanha o andamento de projetos no Parlamento Brasileiro, de modo que possa dar sugestões aos seus representantes via mensagens. Os deputados e senadores também recebem informações coletadas pelo aplicativo, sem que os usuários sejam identificados. Desse modo, ao fim do mandato, o cidadão recebe um panorama do político e poderá avaliar se vale a pena reelegê-lo ou não.

Em reportagem publicada no site Brasil, País Digital no último dia 18, o Poder do Voto informa que mais de 1,5 milhão de pessoas fazem uso de meios eletrônicos para decidir em quem votar nas eleições desse ano. Por um estudo chamado Monitor Democracia 2.0 foram mapeadas 29 iniciativas na web, das quais 14 ajudam o eleitor a escolher o candidato, nove monitoram o desempenho dos políticos e seis são voltadas à educação para cidadania.

Dessa forma, as novas tecnologias da informação se colocam à disposição da sociedade brasileira. Você já pode utilizar esses dispositivos para se orientar e participar da vida política. Comece agora, as eleições estão aí.


Francisco V. Santos – 7º período