Eleições 2018: como as Fake News podem impactar a decisão do eleitor

Os políticos, durante a corrida eleitoral, sempre usaram artifícios – sendo eles lícitos ou não – para alavancar suas campanhas ou prejudicar seus adversários. O uso de boatos para manchar a imagem dos demais candidatos não é algo novo no meio, mas com a força que as redes sociais e os aplicativos de mensagens têm ganhado, está cada vez mais difícil controlar a disseminação de notícias falsas e o uso de bots pelos candidatos para levantar hashtags, por exemplo.

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As fake news (notícias falsas) têm circulado com facilidade pela internet Foto: Shutterstock

Esse fenômeno das fake news ganhou destaque durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 2016. Além dos eleitores de uns candidatos espalharem notícias falsas sobre os demais, eles também acusavam a mídia tradicional de usar desse mesmo artifício, deslegitimando o trabalho do jornalista e atraindo a população, cada vez mais, para meios de comunicação controlados por seus apoiadores.

Devido a esse boom, o Facebook criou uma nova política contra notícias falsas, muito mais rígida. Após a denúncia, é feita uma investigação por parte da equipe da rede social. Se de fato a notícia for falsa, ela é apagada e seu autor banido por período que pode durar de trinta dias a permanentemente, dependendo da quantidade de notícias falsas compartilhadas pelo perfil ou página.

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As redes sociais são o principal meio de propagação de notícias falsas Foto: Shutterstock

A medida causou revolta entre alguns políticos e grupos que são frequentemente acusados de criar e propagar notícias falsas. Isso gerou grupos de compartilhamento em massa dessas notícias no aplicativo de mensagens WhatsApp, onde a denúncia é dificultada pela criptografia, e até a criação de redes sociais exclusivas para eleitores de um candidato específico.

A Agência UVA entrevistou Débora Pio, Mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para tirar algumas dúvidas sobre o que são as fake news e como devemos combatê-las.

Agência UVA – Você acredita que o uso de fake news e bots pode influenciar o resultado dessas eleições?

Débora: Sim, essas decididamente foram as eleições das fake news, mas elas não são o elemento único da disputa política. As redes sociais, em geral, foram a grande estrela dessas eleições e isso passou longe do monitoramento dos especialistas. Vários candidatos YouTubers foram eleitos com grande número de votos, mesmo sem tempo de TV ou sem muito dinheiro. Acredito que isso ninguém imaginava.

Agência UVA – Como combater o compartilhamento de notícias falsas e perfis fake?

Débora: Não há como combater, quando não há um entendimento sobre o fenômeno. Hoje, como não existem mecanismos de rastreamento, fica muito difícil saber de onde elas surgem e como se espalham. O que já existe, para tentar frear o avanço disso, são as agências de checagem, como a Agência Lupa e Aos Fatos e até mesmo algumas editorias dentro do jornalismo tradicional. No entanto, as fábricas de fake news funcionam a todo o vapor e provavelmente não vão parar tão cedo. Outra maneira de barrar isso seria educar as pessoas para os usos da internet e sobre o perigo das notícias falsas. Isso exigiria um esforço não só governamental, mas também da população.

Agência UVA – Como posso distinguir uma notícia falsa de uma real?

Débora: Conferindo com as agências de checagem talvez seja o caminho mais seguro para saber a veracidade da notícia. Vale também, caso você desconfie, fazer uma busca na internet e procurar em fontes seguras se aquela notícia é falsa ou verdadeira.

Agência UVA – No WhatsApp, por exemplo, existe certa dificuldade em denunciar esse tipo de notícia e quem as compartilha, como deve ser feita a denúncia nesse caso?

Débora: O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nessas eleições prometeu ser implacável contra as fake news, mas os seus mecanismos de controle se mostraram ineficientes. Hoje, não existe um mecanismo onde você pode denunciar apenas fake news por serem notícias falsas, mas dá para denunciar crimes de ódio. A plataforma SaferNet cumpre esse trabalho. A Delegacia de Crimes Cibernéticos também recebe denúncias desse tipo de mensagem na internet.


Thais Fernandes – 7° período

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