Eleições 2018: protestos contra e a favor de Bolsonaro marcam o fim de semana

Neste sábado (29), o movimento de mulheres contra Jair Bolsonaro saiu das redes e tomou as ruas de diversas capitais brasileiras e em cidades do exterior. No Rio de Janeiro, a manifestação ocorreu na Cinelândia, Centro da cidade. Ainda não há estimativa oficial, mas o evento reuniu milhares de pessoas.

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Mulheres protestam contra declarações polêmicas do candidato, acusado de machismo Foto: Maria Carolina Martuchelli/AgênciaUVA

Segundo a estudante Yasmin Mourão, de 21 anos, a passeata serviu para que diversos grupos tivessem sua indignação ouvida. “As mulheres, negros e LGBTs têm que se unir e mostrar que têm força”, disse. O político é acusado de machismo, racismo e homofobia, devido às declarações polêmicas que deu para a imprensa.

A mobilização ocorreu de forma espontânea, principalmente através das redes sociais em grupos como “Mulheres Contra Bolsonaro”. Apesar de ter sofrido represálias online, o protesto seguiu pacífico e sem confrontos. A partir das 18h, as manifestantes seguiram em caminhada até a Praça XV, passando pela Assembléia Legislativa do Rio (Alerj). O ato se encerrou aproximadamente às 21 horas.

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Movimento em apoio ao candidato à presidência reuniu eleitores na Praia de Copacabana Foto: Proner Farpa / Folhapress

Em oposição a esse movimento, eleitores de Bolsonaro também foram às ruas para demonstrar apoio ao político. Na cidade do Rio, o grupo se concentrou no fim da manhã em Copacabana e tomou uma das faixas da Avenida Atlântica, na altura do Posto 5. Os manifestantes se vestiam de verde e amarelo e cantaram o hino nacional. O Centro de Operações Rio informou que às 18h50 as pistas foram liberadas. Veja aqui o vídeo da AFP sobre esse protesto.

O engenheiro Jorge Moura, de 59 anos, é um dos apoiadores do candidato do PSL. Ele acredita que os governos de esquerda aumentaram a violência e a insegurança no país. Apesar do perfil conservador, considera que ambos os lados devem se expressar livremente. “As manifestações são importantes para defender publicamente as suas posições e também é uma forma de mostrar força”, declarou.


Maria Carolina Martuchelli – 6º período

Eleições 2018: movimento feminino agita com manifestação contra Bolsonaro

Jair Bolsonaro (PSL) é um dos nomes mais citados durante o período eleitoral, seguindo na liderança das pesquisas. De acordo com o IBOPE, o candidato possui atualmente cerca de 27% das intenções de voto. No entanto, a vitória ainda não está garantida: a rejeição dele é alta, principalmente entre as mulheres. A pesquisa revela que 43% das eleitoras não votariam nele de jeito nenhum.

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Mulheres são principal grupo de rejeição a Bolsonaro Foto: Visual Hunt

Com toda a aversão ao político, surgiram nas redes manifestações que chamaram a atenção. A hashtag EleNão, criada por mulheres, já conta com mais de 205 mil menções na rede social Instagram, sendo utilizada por famosos brasileiros e estrangeiros. Atrizes como Alinne Moraes e Paolla Oliveira se manifestaram publicamente. Até a cantora inglesa Dua Lipa, famosa pelo hit “New Rules”, se juntou ao movimento.

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Hashtag contra Bolsonaro já repercute internacionalmente Foto: Reprodução / Twitter

No entanto, grande parte da movimentação vem de mulheres comuns. O grupo “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, por exemplo, já conta com mais de 3 milhões de participantes e, por isso, tem sofrido diversos ataques de hackers. Administradoras do grupo tiveram dados pessoais vazados e sofreram ameaças de grupos conservadores.

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Apesar da represália, grupo contra Bolsonaro segue crescendo Foto: Reprodução / Facebook

Para a estudante Juliana Wanderley, de 20 anos, o que gera tanta indignação feminina é a postura do ex-militar. “É um candidato que personaliza qualquer tipo de regresso social, econômico e político para a nossa democracia”, resume. Segundo ela, o movimento, ainda que virtual, tem reflexos diretos na população. “Isso gera debates, estimula o senso crítico, a pesquisa e o estudo acerca de planos de governo”.

Segundo o Datafolha, 61% do eleitorado de Bolsonaro é masculino. Embora estatisticamente sejam minoria, as defensoras do candidato do PSL estão otimistas. A técnica de enfermagem Marcela Moura, de 35 anos, o apoia pelos valores familiares. “Ele é um homem centrado no que fala, pode não entender de economia, mas é um homem de família”, declara. Para Marcela, não há motivo para temer a oposição. “Para mim é mais um movimento de baderneiros que, na hora de votar, votam nulo ou em branco”.

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Apoiadores estão otimistas para as eleições, que ocorrem dia 7 de outubro Foto: Visual Hunt

No entanto, já estão sendo planejadas manifestações femininas em diversas capitais brasileiras para este sábado (29), o que pode mudar o cenário eleitoral segundo a cientista política Camila Rocha, doutoranda na USP. “Pode influenciar, tendo em vista o impacto que os protestos de massa dos últimos anos tiveram nas instituições políticas e que ainda existem muitas pessoas que estão indecisas e vão escolher seu candidato na última hora”, explica.

Manifestações a favor do candidato também estão programadas para este sábado. O encontro dos eleitores de Bolsonaro está marcado para o fim da manhã, na orla da Praia de Copacabana, altura do Posto 6.


Maria Carolina Martuchelli – 6º período

Panfletários políticos: como é o corpo a corpo de quem ajuda os partidos

A palavra panfletário, em época de eleição, faz o público pensar de imediato nos folhetos coloridos que são distribuídos pelas ruas da cidade. Na correria do dia a dia, muitos passam direto e não aceitam das mãos dos outros esses panfletos partidários. A população, no entanto, não imagina quem são essas pessoas que estão na rua oferecendo informações sobre os candidatos.

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Público alvo dos panfletários em um dia de semana Foto: FreeImages

Esses trabalhadores são, em sua maioria, assalariados e obedecem a ordens superiores sobre como se portar e onde ficar para melhor atingir seu público-alvo. Katelyn, de 24 anos, que assim como a maioria dos entrevistados não quis dar o seu sobrenome, está trabalhando para o partido Democratas (DEM). “Todo dia a gente está em um lugar diferente e vê onde a aceitação é melhor”. A partir disso, a coordenadora dela é quem escolhe o próximo local de trabalho.

O perigo dessa abordagem é quando o contratado para o cargo não tem ciência dos ideais de quem estampa seu panfleto. Greice, de 22 anos, funcionária do Partido Humanista da Solidariedade (PHS), não soube informar as propostas dos candidatos aos cargos de Deputado Estadual e Federal.

A falta de conhecimento desses indivíduos oferece uma maior preocupação, já que nenhum deles conhece a legislação que faz a manutenção de seus cargos. As normas estabelecidas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) são claras quanto ao que pode ou não acontecer durante os três meses anteriores à eleição. Contudo, os dirigentes partidários insistem em burlar as regras, contratando adolescentes para entregar folhetos e colocando seus contratados em frente a universidades particulares e hospitais, o que é proibido.

Aqueles que são voluntários para as campanhas fazem questão de estar informados sobre os planos dos candidatos. Alexandre, de 44 anos, dirige uma corrente interna do PSOL. “A gente fala as propostas que apresentamos em nossa candidatura. Toda a nossa militância constrói a candidatura voluntariamente”. Entretanto, a maioria dos cidadãos não ouve o que eles têm para falar. A falta de tempo e a correria conduzem o povo a não se atentar ao que esses trabalhadores estão oferecendo.

Os voluntários ainda reforçam a importância de tal ofício, mesmo que não sejam filiados ao partido, como explica Tiago Dornellas, de 29 anos, que trabalha para o Partido Novo. “Como cidadão brasileiro, carioca, tenho que usar minha influência e força de trabalho para trazer o resgate à política, que muitas pessoas abandonaram, o que trouxe o estado em que estamos”.

Há ainda os que sofrem com as represálias em bairros dominados por milícias e não podem sequer ir a certos lugares da cidade. Um panfletário do PSOL, que não quis ser identificado, acredita que o motivo é porque seus ideais vão contra os da maioria. Além de ser um trabalho árduo, mal visto pela sociedade, no qual alguns ainda correm perigo nas ruas, os papéis que são oferecidos têm um destino fatídico antes mesmo de terem suas informações lidas: o lixo. Apesar dessas dificuldades, eles encontram forças para continuar e gerar emprego para pessoas de todas as idades.


Luiza Accioly Lins – 8º período

Eleições 2018: Haddad é anunciado como substituto de Lula

Populares e especialistas comentam a confirmação do presidenciável petista nas Eleições 2018

As eleições presidenciais ganharam um novo capítulo nesta terça-feira (11). Fernando Haddad foi confirmado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) como candidato, dez dias após a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que rejeitou a candidatura do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba acusado de lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

Haddad, que seria o vice de Lula caso o ex-presidente pudesse participar das eleições, será o candidato do PT à presidência e terá Manuela D’ávila, do PCdoB (Partido Comunista do Brasil), como candidata a vice-presidente.

Veja o que alguns especialistas e populares disseram a respeito do anúncio:

Guilherme Carvalhido, cientista político e professor de Marketing Político / TV UVA Notícias

Guilherme Carvalhido, cientista político, fala da possibilidade de Haddad ir para o segundo turno, ao lado de Bolsonaro Foto: TV UVA Notícias

“Se houver uma razoável transferência de votos de Lula, Haddad ganha a possibilidade de ir para o segundo turno com Bolsonaro. Veremos como Alckmin, Marina e Ciro irão reagir na propaganda para combater o crescimento do petista” – Guilherme Carvalhido, cientista político e professor de marketing político.

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Foto: Camilla Castilho/Agência UVA

 

“Se o Lula está preso, é porque algo está errado. Acho que ele tem que ser afastado mesmo pra dar vaga para outro candidato. Mas não acho que esse novo candidato vai ser eleito. O povo é cego, fica na mesmice.”– Mariana Lacerda, atendente, na foto ao lado.

 

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Foto: Camilla Castilho/Agência UVA

“Não sou contra nem a favor do Lula, mas a pessoa que o substituir tem que seguir o que ele fez de bom. Não dá para negar que o Bolsa Família, que é mal visto no Sul e no Sudeste, trouxe muitos benefícios para as regiões Norte e Nordeste, onde se concentra a maioria dos eleitores do PT. Mas acho difícil outra pessoa ganhar as eleições depois do atentado contra o Bolsonaro. Se fosse o Lula em si, provavelmente iria ganhar – ele tem muito carisma.” – Eduardo Marques, estudante de Engenharia Civil (ao lado).

 

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Foto: Camilla Castilho/Agência UVA

 

 

“Eu não costumo votar mais, mas se votasse não votaria no Lula. Ele prejudicou muito os aposentados, e se fosse boa pessoa não estava preso. Hoje é muito difícil achar um candidato que queira fazer o bem. Os políticos não querem ajudar, não olham pelo povo”. – Luiz Thoze, aposentado (ao lado).

“Muitas pessoas vão fazer um voto pela proposta política do PT e não apenas um voto útil, então, tendo isso como princípio, o Haddad pode herdar os votos do Lula. Mas também sabemos que muita gente nem o conhece como político. É importante que estejamos atentos a possíveis manipulações na divulgação das pesquisas de intenção de voto” – Elisa Goldman, doutora em História e professora universitária. 

“Apesar de o Lula não poder se eleger, vão prevalecer as vontades do PT e dele próprio. Mesmo que as pessoas transfiram o voto para esse novo candidato, não acho que ele tem chances de ganhar, mas o Lula com certeza teria.” – Jéssica Lourenço, assistente administrativa.


Camilla Castilho – 8º período

Eleições 2018: especialistas analisam impactos do atentado a Bolsonaro

Desdobramentos do crime contra o candidato à Presidência são comentados por professores da UVA

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O presidenciável Jair Bolsonaro foi atacado à faca em Juiz de Fora, gerando intenso debate na imprensa e redes sociais. Foto: Comissão de Direitos Humanos e Minorias para Visualhunt.com

O atentado ao presidenciável Jair Bolsonaro, ocorrido na cidade de Juiz de Fora (MG), na última quinta-feira (6), provocou intensa cobertura midiática e manifestações nas redes sociais, intensificando ainda mais a polarização política nacional. Por conta disso, a Agência UVA pediu a dois professores da Universidade Veiga de Almeida que analisassem as consequências do fato em face do quadro eleitoral: o cientista político Guilherme Carvalhido, professor do curso de Comunicação Social, e o advogado e doutor em Direito Econômico Leonardo Rabelo da Silva Mattos, professor e coordenador do curso de Direito.

Confira abaixo os principais depoimentos dos professores.

Agência UVA: Sobre as causas do atentado, o que poderia justificar um fato como este, levando em conta a radicalização das divergências políticas entre as ideologias de direita e esquerda e o marketing político empreendido pelo candidato Jair Bolsonaro?
Leonardo Rabelo: Não acho que o estilo próprio dele, escolhido como marketing político, seja responsável pelo atentado. Eu me preocupo com a disputa ideológica fomentada pelas redes sociais, na qual ou você é igual a mim ou é meu inimigo. Esse caráter nocivo da proteção que a internet proporciona, onde qualquer pessoa pode falar o que quer, inclusive destilar ódios. Mas, no caso em particular, acredito que seja uma ação do agressor por problemas mentais e não uma ação política.

Agência UVA: O Sr. acredita que o atentado pode ser explorado nas redes sociais e outras mídias para influenciar os eleitores, especialmente os indecisos?
Guilherme Carvalhido: O fato pode ser trabalhado pelos dois lados: pelo lado do Bolsonaro, como vítima de uma situação na qual ele é perseguido e, pelos adversários, sobretudo, caracterizando o atentado como resultado da atitude do próprio candidato, que estimulou esse comportamento na sociedade. De qualquer modo, devemos aguardar para conferir a reação das campanhas políticas.

Agência UVA: Os Senhores acreditam que o atentado causará algum impacto na campanha de Jair Bolsonaro, posto que os médicos indicam uma recuperação de sete a dez dias?
Leonardo Rabelo: Bolsonaro não faz campanha para o primeiro turno mais. Neste aspecto, é positivo para a candidatura dele, pois com a vantagem que tem, praticamente garante a ida para o segundo turno. O brasileiro tem uma tendência de apoiar o mais fraco ou aquele que sofre. Então, muito provavelmente, muitas pessoas vão se compadecer e votar nele por isso. Antes, eu tinha dúvida se ele passaria para o segundo turno, agora acho que já conseguiu.

Guilherme Carvalhido: É impossível saber. O que posso dizer é que Bolsonaro estará mais exposto na mídia e, possivelmente, isso vai ser positivo para a campanha porque sustenta a posição na casa de 20 a 23% dos votos, o que garante a presença no segundo turno.

Agência UVA: O Sr. acredita que os eleitores de Bolsonaro o veem como mais um “salvador da Pátria”, pelo fato dele tentar se diferenciar dos demais políticos por ser ficha-limpa?
Guilherme Carvalhido: Como um “salvador da Pátria”, não. Mas como um candidato que traz consigo o discurso de uma solução violenta, que constrói uma “estrutura de vingança” contra os políticos corruptos e o que ele chama de bandidagem e isso agrada a uma parte da população.

Agência UVA: O Sr. acredita que o atentado pode afetar a imagem do Brasil no exterior?
Leonardo Rabelo: Afeta. Qualquer atentado político afeta a imagem de qualquer país. Mais ainda, por se tratar de um atentado a um candidato à Presidência da República. Mas acho que, no exterior, as coisas vão se misturar e apenas reforçar o estereótipo de violência no Brasil. Pois, se no Brasil, até um candidato à presidência não está seguro, talvez esse não seja um país para se visitar.


Aluno: Francisco V. Santos – 7º período