Eleições 2018: jovens falam de como vão votar em sua primeira eleição

Um dos momentos mais aguardados por parte da nação está próximo. O dia da escolha, as Eleições 2018. O fato de ter seu direito de cidadão negado durante o período da Ditadura, fez com que muitos denominassem esse instante como a festa da democracia. Isso, para aqueles que já passaram dos 45 anos e que tiveram cerceados o voto durante o regime militar. Mas o que será que os filhos dessa geração pensam sobre isso? Como os jovens entre 16 e 21 anos estão se comportando frente ao atual cenário da democracia brasileira?

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Jovens de 16 e 17 anos representam 0,95% do eleitorado Foto: Unsplash

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luis Fux tornou público no mês de agosto que o Brasil tem aproximadamente 147.302.357 cidadãos aptos a votar nas eleições desse ano. O TSE obteve essas informações do Cadastro Eleitoral, o banco de dados oficial sobre o eleitorado brasileiro, que referem-se a contagem feita até o final do mês de julho, baseado no encerramento do cadastro em nove de maio.

Dentro desse número, em torno de 1.400.617 jovens com idade entre 16 e 17 anos irão votar pela primeira vez. O relatório mostra que essa parcela do eleitorado brasileiro caiu em relação a 2014, últimas eleições presidenciais. Dados do último pleito revelam diminuição de 14,53% no percentual de jovens votantes. Como esse perfil de eleitor encara as eleições ou como ele foi instruído a respeito dela, talvez possa dizer um pouco – ou muito – sobre esse momento.

Em sua primeira eleição, o estudante do segundo ano do Ensino Médio, João Victor Netto, de 18 anos, conta que muitos de seus amigos não sabem em quem votar. “Na verdade, não querem. Votam porque são obrigados e dizem que darão um voto da zoeira”. Dentro das escolas, as abordagens do tema são diversas. No colégio de João, uma instituição estadual na Baixada Fluminense, a professora de História é a única que aborda a questão. “Em momento algum ela fala nomes de candidatos, logo, não nos influencia, mas sempre pede para que a gente procure conhecer os candidatos. De maneira que estejamos dando votos conscientes”.

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A indecisão na escolha de candidatos entre os jovens tem sido comum nessas eleições Foto: Unsplash

Contudo, não são todos os profissionais que agem com essa coerência. Outro estudante de Ensino Médio que votará pela primeira vez é Juan Domingos, de 17 anos. Ele enxerga que na sua escola os professores tentam difundir conceitos relacionados apenas à corrente ideológica defendida por eles. “Ouço apenas críticas ao povo de direita. Tenho professores extremamente esquerdistas e vitimistas, que defendem bandido”, diz Juan.

Essa fala do estudante sinaliza um perigo observado pela professora Renata Castro, o da interpretação. “A escola não tem que interferir. Quando dá liberdade para seus profissionais “alertarem” aos alunos sobre a questão política, pode ocorrer uma má interpretação e uma incoerência, pois cada um tem um jeito de interpretar e tal comportamento pode levar a confusão na mente dos estudantes”.

O Escola Sem Partido é uma tema que divide opiniões no meio dos educadores. O pedagogo Adriano Queiroz, afirma que uma escola sem posicionamento representa um recuo na educação. “Sou totalmente contra o Escola Sem Partido. Trata-se de um grande retrocesso para aqueles que compreendem que o currículo de nossas escolas não estão restritos às questões de conteúdo e, consequentemente, transpassa por assuntos relacionados à cidadania, indo de acordo com os Temas Transversais, publicados pelo MEC em 1997.”

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O Escola Sem Partido é um projeto que tem gerado polêmica na sociedade Foto: Unsplash

Adriano crê que a educação política deve ser bem difundida dentro dos colégios, mostrando aos alunos que a manutenção da democracia estará diretamente relacionada ao posicionamento deles, frente às constantes mudanças da sociedade. “Compreendendo o papel democrático que deve ser exercido pela escola, acredito que o ato político é marca registrada nas instituições de ensino que preconizam o que trata o Artigo 14 da Lei Nº 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional”.

Para quem vai o voto dos jovens?

O momento é de incertezas. O jovem eleitor é um dos principais espectadores de toda a transformação do cenário político nacional. Em meio a tantos escândalos de corrupção, eles ficam divididos na hora de se posicionar e escolher um candidato que represente o que o Brasil precisa. “Infelizmente o quadro político do Brasil ficou totalmente abalado pela corrupção. Não há como e em quem acreditar”, aponta a professora Renata.

Para o aluno Juan é preciso diálogo, mas também é necessário um pulso mais firme por parte do futuro presidente. “Minha escola foi assaltada na quinta-feira (4). Levaram até a máquina de Rio Card, então fica difícil a gente não aderir um tom mais ofensivo”. Já o estudante João Victor acredita que o líder ideal será aquele que garanta os direitos básicos do cidadão, como segurança, educação e saúde de qualidade, com bons profissionais recebendo salários decentes. “Fora o fato de ser uma pessoa honesta e digna, porque nós já estamos cansados de tanta gente corrupta nos liderando. Alguém que governe para todos os tipos de pessoas, com igualdade de direitos”.

Renata vê nos jovens um misto de euforia e medo, por ser a primeira eleição e saberem que suas decisões contribuirão diretamente para que a história continue sendo escrita. “Uma metade vibra por depositarem sua confiança em um único candidato, achando ser o salvador da humanidade e outra com medo do que pode ocorrer, de perder a liberdade de expressão e seus direitos. Acredito que esse seja o maior sentimento”. Ela finaliza chamando a responsabilidade para o eleitor: “Se cada um fizer sua parte podemos, aos poucos, diminuir a corrupção. Não podemos depositar somente nos candidatos algo que cabe a nós também colaborar”.


Débora Esteves – 8º período

 

 

 

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