Eleições 2018: como as Fake News influenciam episódios de violência

Os recentes episódios de violência, aliados ao fenômeno das fake news, marcaram as Eleições de 2018. A Folha de São Paulo divulgou recentemente um esquema de envio de notícias falsas em massa, enquanto surgiam cada vez mais casos de agressões por motivações políticas em todo o Brasil. A pergunta do momento passou a ser a seguinte: Como as pressões das redes sociais podem influenciar as Eleições?

Em primeiro lugar, é preciso entender as possibilidades que a internet oferece. Os dispositivos móveis surgem como fonte de informação tão relevante quanto o rádio e a TV. A principal oportunidade aberta pela web foi a liberdade com a qual todos podem transmitir informação. Foi só questão de tempo até aparecerem portais que divulgam notícias falsas ou distorcidas.

A professora e pesquisadora de Comunicação Social, Diana Damasceno aborda a questão do compartilhamento de notícias falsas em suas aulas. Para ela, a população brasileira ainda não possui condições de distinguir o que é importante na enxurrada de informações que são compartilhadas todos os dias.

Diana salienta que algumas pessoas compartilham as notícias na tentativa de satisfazer o próprio ego virtual: “Elas acham que ao compartilhar estão tendo mais visibilidade, mas o conteúdo que realmente interessa é mínimo”. Entretanto, as pessoas são apenas parte do processo que hoje é estruturado.

Renan Barbosa, sociólogo e mestrando em Ciências Políticas, faz questão de ressaltar a forma como as informações falsas são disseminadas. Ele entende que o processo de difusão dessas mensagens passa por pessoas com conhecimento técnico de informática. Tais profissionais, que dominam códigos de programação, conseguem criar robôs que disparam mensagens automaticamente, os bots.

“Para uma difusão em nível nacional, tem-se descoberto cada vez mais o uso de robôs nas redes sociais, para inflar determinados candidatos ou temas”, afirma Renan. A mecânica é simples: os bots fazem publicações de forma massiva sobre determinado assunto, que vai parar nos temas mais comentados do Brasil e logo vira pauta de conversas e matérias de pequenos jornais, trazendo assuntos falsos ou distorcidos à tona.

Renan pondera sobre o processo: “As fake news são sempre sobre fatos nunca existentes, que visam depreciar uma pessoa. Consequentemente e subjetivamente, esse tipo de notícia tem como finalidade dividir a sociedade”. Tal efeito pode ser observado no atual momento, com o aumento de atos violentos, tendo divergências políticas como motivação.

A estudante de Engenharia Ambiental Fernanda Oliveira, de 21 anos, acredita que as notícias falsas mudaram o curso da eleição e impulsionam a tensão existente no cenário atual. “Quando as pessoas acreditam que você apoia um candidato que criou o Kit Gay ou da exposição do sexo precoce para crianças, elas podem achar que você é uma pessoa má, só que na verdade, é tudo mentira”. Ela ainda cita a falta de um filtro na internet, o que torna fácil encontrar mentiras mascaradas como verdades.

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Fernanda acredita que faltam formas de separar a verdade da mentira na web Foto: Arquivo Pessoal / Fernanda Oliveira

Basta ter uma conta no aplicativo WhatsApp (um grupo de conversas) e logo começam a chegar as mensagens sem fontes verificadas ou mentirosas. O professor de Geografia Anderson Lima, 35, é um exemplo. Ele já recebeu mensagens que favoreciam e caluniavam o candidato dele para presidente. Apesar de se informar principalmente por meio da internet, Anderson faz questão de utilizar portais oficiais como fontes primárias.

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Anderson Lima: “O aspecto mais negativo da internet é a propagação de notícias falsas” Foto: Arquivo Pessoal / Anderson Lima

“É ruim, porque muitas pessoas ainda não aprenderam a lidar com toda a informação que recebem”, diz Anderson. Como apontou o sociólogo Renan, a propagação de notícias falsas visa dividir ainda mais a sociedade e dessa polarização, surge o problema: diversos casos de violência em função de divergência política eclodiram nas últimas semanas.

Anderson é categórico: “Eu acho que beira a barbárie. A eleição acaba se tornando uma disputa parecida com o futebol, entra o fanatismo e isso se torna um aspecto negativo”, diz o professor, lembrando que já foram produzidas notícias falsas sobre os próprios atos de agressão, como o caso da jovem do Rio Grande do Sul, que se automutilou e acusou militantes de agressão com motivação política.

As Eleições de 2018 foram marcadas pelas fake news, pelos bots e pelos ciborgues, humanos que criam múltiplas contas para atividade nas redes sociais. Cabe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), junto aos órgãos internacionais de monitoramento de empresas, criar mecanismos que impeçam o uso de tais ferramentas para influenciar o voto, o principal direito da democracia.

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Brasília – Manifestantes pró (à direita) e contra (à esquerda) o impeachment de Dilma Rousseff ocupam a Esplanada dos Ministérios durante o processo de votação na Câmara dos Deputados  Foto: Juca Varella / Agência Brasil


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