Festival Mulheres do Mundo traz diversidade e debate ao Rio de Janeiro

Três dias. Mais de dez oficinas por dia. Rodas de conversa. Exposições. Troca de experiências. Feiras. Visitas mediadas. Shows. Intervenções. Instalações. Fóruns de vivências. Performances e muito mais. O fim de semana na Praça Mauá foi assim.

Tudo isso para celebrar as conquistas históricas das mulheres na luta pela equidade de gênero, construindo um lugar de respeito, compartilhamento e alegria, em um momento no qual é necessário unir forças e reconhecer a potência e o papel estratégico das mulheres para mudar o mundo.

Dos dias 16 a 18 de novembro, o WOW – Festival Mulheres do Mundo – marcou presença no Rio de Janeiro. Idealizado em 2010 pela britânica Jude Kelly, o evento já percorreu países da Europa, Ásia e África, chegando agora pela primeira vez na América Latina. O evento celebra e protagoniza a luta das mulheres ao redor do mundo.

 

Distribuído entre a Praça Mauá, o Museu do Amanhã, o Museu de Arte do Rio (MAR) e o Armazém 1 do Pier Mauá, o festival foi totalmente gratuito e dividido em seções como “Mulheres em Diálogos”, “Mulheres das Artes e Culturas” e “Mulheres Empreendedoras”.

Além disso, durante os três dias, grandes nomes estiveram presentes, como Conceição Evaristo, Djamila Ribeiro, Ana Paula Xongani, Sonia Fleury, Tia Surica, Heloisa Buarque de Hollanda e cantoras como Valesca Popozuda, Elza Soares, Karol Conka, Tiê, Flora Matos, Dona Onete, Luedji Luna e muito mais.

O Festival foi pensado, desde sua origem, como uma plataforma global para agregar e conectar mulheres de todo o mundo. Foi notado que, ao longo da história da humanidade, houve uma falta de reconhecimento das conquistas e contribuições de meninas e mulheres em diversos processos, não existindo, portanto, o devido registro sobre a atuação delas.

“É um movimento em relação ao poder, um movimento em termo da transformação do imaginário da mulher ao longo da história e esse é um dos propósitos deste festival”, diz Nina Best, uma das coordenadoras do evento.

Sabendo disso, as organizadoras do Festival entenderam que existe uma necessidade urgente de enfrentar todas as injustiças e desigualdades que impedem a garantia de direitos iguais entre os gêneros, reconhecendo-se, com isso, as devidas interseções que precisam ser feitas para efetivar a potência e o protagonismo das mulheres no seu direito à vida e à liberdade.

“Estávamos precisando desses abraços, desses encontros, ter a nossa voz ouvida e dar voz às que não são ouvidas…. Pra gente construir conexões mais fortes com as mulheres que estão em outras partes do Brasil também, as indígenas, as negras, as nortistas, as nordestinas’’, enfatiza Nina.

Na edição carioca, o Festival fez uma parceria com a Instituição da Sociedade Civil Redes da Maré, que tem como um de seus projetos de atuação a Casa das Mulheres da Maré.

A Diretora da Rede da Maré e Curadora do Festival fala um pouco da sua história e sua relação com o evento.

A fundadora do WOW, Jude Kelly, também conta a importância de dar voz para as favelas e para as mulheres das periferias e o que elas passam durante a vida, mais do que isso, apoiar causas, ONGs e jovens empreendedoras, não só nesse ambiente, como em todos, reconhecendo suas trajetórias, contextos e vivências.

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Jude Kelly, fundadora do WOW, em coletiva no MAR, no dia 16 Foto: Leticia Heffer / Agência UVA

Além dela, a funkeira Valesca Popozuda explica o quão complicado está o nosso país e o quanto as mulheres estão sendo massacradas, além da importância deste evento para todas.

“É bom que a gente possa trazer a nossa voz, trocar experiências uma com as outras. Lutar pela igualdade que todas nós merecemos. O evento contribui para isso. É uma união, onde a gente busca por muito disso, pelo feminismo e pela sororidade mesmo. Mostrar para essas mulheres o quanto elas são guerreiras, o quanto elas podem, o valor que elas têm que ter com elas mesmas.” 

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Valesca Popozuda, dia 16, no MAR Foto: Leticia Heffer / Agência UVA

Ainda no mesmo dia, a funkeira participou, junto com Adriana Facina e Tati Quebra-Barraco, da troca de experiências no MAR com o tema “Funk you: O lugar da mulher é onde ela quiser”. Ao longo dos três dias de Festival, foram debatidas pautas como cidades seguras para as mulheres, o direito de ir e vir, a questão do assédio nas ruas, a relação da economia do cuidado, escolas feministas, maternidade, mulheres rurais e reconhecimento, trabalho escravo, mulheres empreendedoras, novas perspectivas e também assuntos considerados tabus, como o prazer da mulher e os diferentes tipos de famílias.

O primeiro dia de evento teve cortejo, oficinas, shows e festa

Além do cortejo do bloco Ilú Obá de Min, o palco na Praça Mauá teve a presença de Letrux, da DJ e produtora musical Badsista e de Elza Soares.

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O evento deu também bastante ênfase na luta de mulheres negras e pretas e nesse contexto, falou-se da importância das novas tecnologias, como a internet, para dar voz a essas mulheres que não tem tanta representatividade.

A revolução já está acontecendo e ela é digital: o impacto social das blogueiras e influenciadoras digitais

Fórum de vivência no auditório do MAR recebeu, no dia 16, Ana Paula Xongani, Maíra Azevedo, Angélica Ferrarez e Carla Fernandes.

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Fórum de Vivências no Auditório do MAR em 16 de novembro Foto: Leticia Heffer / Agência UVA

 A tecnologia digital transformou a forma de produção, circulação e consumo de ideias, produtos culturais, cidadania e participação política. A juventude, nesse sentido, vem tendo um papel central na utilização dela. De fato, os espaços criados a partir de novas formas de comunicação são cada vez mais ocupados pela juventude.

Nesse contexto, durante a conversa mediada por Angélica Ferrarez, também palestrante, se desenvolveu de forma harmoniosa, debatendo o espaço da mulher na comunicação, principalmente no audiovisual, o espaço da mulher no samba, a violência contra a mulher negra, a discussão sobre a moda, a representatividade e a autoestima da mulher negra. A inclusão de minorias e o espaço da mulher no humor também foram tema. A própria Angélica começou o fórum desenvolvendo a questão da mulher, principalmente negra, não ter lugar no audiovisual.

“Temos o tempo todo o racismo falando: o seu lugar não é aqui.”

Além disso, como mulher, negra e fazendo parte do ambiente do samba, afirma que não só nele, como também na maioria dos lugares, o machismo está sempre presente. Logo depois mostrou o teaser do seu projeto “Rodadas”, com quatro universitárias negras apresentando e se lançando no audiovisual.

Já Carla Fernandes falou um pouco da sua trajetória como jornalista e radialista, do motivo de ter se desiludido com a profissão e por que começou a fazer um audioblog sobre histórias não comuns de negros em Portugal.

Ela mostra Lisboa a partir de depoimentos de afrodescendentes através do “Afrolis”, além de relatos da violência contra a mulher negra e também dela em outros países, a maioria, casos que não passam no mainstream. A YouTuber Ana Paula Xongani, filha de pais ativistas, expõe a relação da moda, da autoestima da mulher negra e da política.

“Discutir moda é a minha janela para discutir a sociedade”. Ana Paula também acha importante citar e encontrar a pluralidade das mulheres negras e do fato do diálogo, na internet principalmente, abrir portas para revoluções. “Vi que na internet tinha mais espaço para começar um estilo de revolução”.

Para ela, contudo, existir em si já é um ato revolucionário.

“Existir não está para além de resistir. Estar em um evento, numa mesa com quatro mulheres negras, também é revolução”.

Ela complementa citando a importância de novas vozes e novos influenciadores negros estarem na internet. Assim como ela e a palestrante Maíra Azevedo, 23 influenciadores negros estão participando de um coletivo chamando “Influência Negra”.

Por último, Maíra, mais conhecida como ‘Tia Má’ na internet, utiliza do seu humor para falar de pautas importantes, de minorias na sociedade e diz que, sendo mulher, negra, gorda, nordestina e do candomblé, tem que ter muita força todos os dias.

“Para muitos, corpos como o meu servem apenas para entreter. Eu tenho sede de falar. Por isso eu acho a internet um espaço de democratização”.


Leticia Heffer – 7º período 

 

“Verão” é narrativa russa cativante sobre o ícone do rock Viktor Tsoi

O longa difere da imagem que muitos têm de um filme alternativo russo – chato. “Verão”, apesar de ficção, surpreende com um enredo baseado em fatos e quebra de expectativas, tanto narrativas como fotográficas. Além de trabalhar de forma criativa com trilha sonora e ruídos, conta com críticas ao governo da época e um triângulo amoroso.

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Banda Kino Foto: Divulgação

O filme se passa em Leningrado, no início dos anos 80, quando o rock underground fervia antes da abertura promovida pela Perestroika, política introduzida na União Soviética. Diferente do rock ocidental, o contexto russo era marcado pelo contrabando de discos (LP’S) de grandes nomes da música.

Levando em conta esse cenário, o jovem Viktor Tsoi (Teo Yoo) com o apoio de Mike (Roma Zver) e Natasha (Irina Starshenbaum), personagens principais da trama, transformaram os rumos da música na antiga União Soviética.

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O diretor Kirill Serebrennikov Foto: Divulgação

Dirigido por Kirill Cerebrostenia, o filme começou a rodar no verão de 2017, porém as filmagens foram interrompidas em agosto do mesmo ano. Isso porque o diretor foi preso e acusado de apropriação indébita de fundos orçamentários e terminou de montá-lo em prisão domiciliar.

Apesar da polêmica fora das telas, dentro delas ele utiliza uma linguagem quase sarcástica para criticar o governo da época. Diferentemente dos jovens no filme, que parecem não ser afetados com a política e estão mais preocupados com as discussões das letras, os melhores instrumentos e estúdios de gravação.

De maneira ousada e quase despercebida, a narrativa não possui conflitos e nos leva de forma cativante e leve até o seu fim. Os músicos no filme são apresentados longe das imagens esteticamente associadas ao rock ocidental de “sexo, drogas e rock’n’roll”.

A trama caminha sem ter um lugar específico para chegar, apenas mostrar um pouco da história de vida desses rockeiros na época. De forma simplista e sem muitos dramas, fica quase que evidente uma sobreposição de emoções sobre os fatos.

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Viktor, Natasha e Mike em um momento de “tensão” Foto: Divulgação

Exemplo disso, é a forma como o triângulo amoroso é tratado. São três pessoas nitidamente diferentes. Discordam quase que totalmente quanto aos seus gostos musicais, porém têm uma relação um tanto passiva entre eles.

Natasha, esposa de Mike (espécie de mentor de Viktor), aceita tranquilamente a omissão do marido na criação do filho e Mike permite que a esposa dê um beijo em Viktor, até facilitando o encontro entre os dois. Mesmo quando mentor e pupilo discordam, acatam a vontade alheia sem muitas discussões.

Porém, o filme é muito mais que um triângulo amoroso, é uma história de harmonia, conciliações e sobreposições. Rodado em preto e branco, o diretor decide em diversos momentos dividir a tela em três inserindo além da cena, letras de músicas e inserts coloridos trabalhando com aspectos de videoclipe. Se aproveitando desse aspecto, sintetiza isso e sua crítica nas cenas musicais. Caso da cena no trem, em que os jovens cantam “Phyco Killer” – Talking Heads – de forma vibrante, bem filmada e usando recursos que remetem à estética do rock.

A quebra de expectativa, porém, vem sempre após uma cena musical como essa que, ao começarem interativas e animadas, um personagem aparece com uma placa escrito “isso não aconteceu”. Buscando de certa forma um ruído, uma contraposição de cenas, que facilmente será notado pelos espectadores.

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Personagem levantando a placa “Isso Não Aconteceu” em uma das cenas Foto: Divulgação

Além disso, o diretor usa a câmera para focar em coisas que parecem banais, mas com o propósito de dar um tom contemplativo ao filme. A trilha sonora também colabora para uma experiência diferente do que se espera para o filme russo. Com sensibilidade, pontuando pequenos prazeres do dia a dia, de forma simples e divertida, “Verão” traz, sem pudor, a história do artista Viktor Tsoi.

O filme esteve no Festival do Rio do dia 3 ao dia 10 de novembro. Concorre ao Festival de Cannes de 2018 e ao Festival de Hamburgo de 2018 e estreou no Brasil dia 15 de novembro.


Leticia Heffer – 7° período

Busca por visibilidade: como as mulheres estão lutando por um espaço na música

Ao longo dos últimos anos, muito se falou de feminismo, de igualdade de gênero, da luta por direitos e por salários iguais. Não é de hoje que as mulheres lutam para ter cada vez mais espaço em ambientes que antes eram inimagináveis para elas. Na música não foi diferente. Nessa busca incessante, as mulheres ainda sofrem com estereótipos e preconceitos: do pop ao rock, do sertanejo ao funk, eles ainda estão lá.

 

Prova disso é a guitarrista da banda Five Minutes of Rain, Stéphanie Vetromille, de 19 anos, que conta que os homens muitas vezes ainda têm pensamentos machistas e a veem como um “sex symbol”.

“Uma mulher tocando guitarra para eles é incomum. Muitos deixam de se ligar no meu trabalho, no meu profissionalismo para simplesmente suprir egos e fragilidades no meio. É nítido que o meio underground da música ainda persiste machista, principalmente nas vertentes do metal e afins’’, afirma.

Apesar de ter começado a tocar profissionalmente aos 17, seu contato com a música vem desde os 10 anos, quando a avó lhe deu como presente de aniversário seu primeiro violão. Inspirada em artistas como Slash, do Guns N’ Roses, ela fala do quanto hoje incentiva crianças e mulheres que a veem no palco e sabem que o sonho delas é possível. “Eu creio que nós mulheres estamos tomando o nosso digno espaço e superando muitas expectativas por merecimento”.

Além de inspirações singulares como a de Stéphanie, atualmente existem diversos projetos voltados para aumentar a visibilidade da mulher na música. Um deles é o projeto do Spotify ‘Escuta as Minas’, que tem como objetivo aumentar o número de mulheres na música e fazer com que elas sejam mais ouvidas. Ele conta com a participação de grandes nomes da música, como Elza Soares, Karol Conká, Mart’nália, Maiara e Maraísa, Mulamba, Cássia Eller na voz de Lan Lanh, Maysa na voz de Tiê e Chiquinha Gonzaga na voz de As Bahias e a Cozinha Mineira.

Nesse contexto, uma das criadoras do projeto ‘Oficina das Minas’, a DJ Bia Marques, de 24 anos, reforça a atenção para as mulheres que trabalham no universo da noite. Bia explica que, por este ser um ambiente majoritariamente masculino, ainda existe preconceito com as mulheres na área, o que faz com que o trabalho não seja valorizado da forma que deveria ser em várias questões, inclusive referente ao cachê.

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A DJ Bia Marques Foto: I Hate Flash

“Depois de 3 anos nessa carreira, ainda sou botada para tocar em horários não tão privilegiados e recebo muito menos que diversos homens”, conta Bia.

Justamente por isso, ela e mais três amigas criaram o projeto ‘Oficina das Minas’, um coletivo criado para proporcionar, de forma acessível, conteúdo e oficinas de discotecagem para mulheres que queiram conhecer, se inserir no mercado de trabalho e até mesmo se especializar. Assim como Stéphanie e Bia, a música está muito presente na vida de Cynthia Thai, 32 anos, baterista da banda de death metal Schatha, formada somente por meninas. Da mesma forma, ela também já sofreu preconceito.

“O mundo da música ainda é bem machista. Vai desde o professor de bateria, baixo, guitarra, etc ao cara que está vendendo os instrumentos nas lojas, do produtor de shows, aos caras da banda que teriam que “aceitar” ter uma mulher na banda… E por aí vai! Mas temos que usar isso como gás para estudarmos mais e melhoramos cada vez mais”, diz Cynthia.

Para ela, assim como para diversas mulheres, a arte e a música consistem em um ato político.

“Arte e política andam juntas e de mãos dadas e não tem o que discutir. Qualquer artista em qualquer nicho, seja DJ, cantora, músico, tem uma voz e essa voz é ouvida por milhares de pessoas. Você saber o que falar e como se posicionar diante disso, eu já considero que seja um ato político. Hoje em dia, ser artista pra mim é resistir, o que já nos torna um ato político por si só”, diz Bia Marques.

Pensando nisso, as meninas da banda curitibana ‘Mulamba’ falaram um pouco de como foi participar do projeto ‘Escuta as Minas’ do Spotify.

Meninas da banda ‘Mulamba’ Foto: Divulgação

Confira a entrevista realizada com a Fer Koppe, violoncelista do sexteto:

AgênciaUVA: Como foi para vocês participar do projeto ‘Escuta as Minas’?

Fer: Foi legal. Uma experiência nova tanto de set como de troca com artistas tão especiais.

AgênciaUVA: Como foi estar do lado de grandes nomes da música?

Fer: Foi corrido, aquele esquema de correr contra o tempo nos sets de filmagem. Mas nos poucos minutos que gravamos juntas, deu tempo para cantar, sorrir e se emocionar com a voz da Elza Soares ecoando por todos os cantos daquela sala e, também, sentir um pouco mais desse mundo onde vozes ativas reunidas criam uma potência incrível.

AgênciaUVA: O que vocês acham do espaço da mulher na música?

Fer: Ainda pouco habitado, tímido, mas em constante ascensão. Cada dia que passa conhecemos mais trampos de mulheres fodas e estamos vindo com tudo, com vontade, com muito trabalho, com muita seriedade e com muito amor pra ocupar nossos espaços.

AgênciaUVA: Está mais fácil conseguir apoio?

Fer: Depende. Eu acho que a vida nos encaminha pra muitas formas de apoio. Somos quem somos e estamos construindo uma história apenas porque sempre caminhamos com o apoio de muitas pessoas que se doam, assim como nós, pra ver as coisas andarem e acontecerem.

AgênciaUVA: Para vocês, hoje, no momento atual em que vivemos, qual a relação da arte com a política?

Fer: Quanto mais absurdos vemos acontecer na política, mais vontade temos de falar, expressar, soltar, criar, chorar, gritar e mostrar que nada se evolui com mentiras, armações, armas e intolerâncias. A arte tem o poder de transformar pessoas, histórias e situações e vamos continuar resistentes falando de amor mas também falando sobre realidades que não são tão lindas assim.

AgênciaUVA: O que desejam para o futuro em relação ao espaço das mulheres na música?

Fer: Que haja mais respeito. Respeito real mesmo, olho no olho, reconhecimento e mais entendimentos em relação ao “estamos no mesmo barco, vamos nos ajudar e nos potencializar”.


Leticia Heffer – 7º período

Caixa Cultural traz em “Correio da Manhã” a década que mudou o mundo

Em cartaz até o dia 23 de dezembro, a exposição “Correio da Manhã: Uma revolução de imagens nos anos 1960” traz 88 fotografias, conservadas pelo Arquivo Nacional, que registram alguns dos principais acontecimentos da vida pública no Brasil na década de 60.

A mostra traz grandes nomes do fotojornalismo e faz uma homenagem em especial àqueles que trabalharam no jornal carioca. A exposição que se encontra na Galeria 4, é dividida em cinco módulos: A política em pauta, Pelas ruas do Rio, Arte e resistência, o Correio na Copa e A moda e as políticas do corpo.

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Ao longo de sua extensão são encontradas obras de momentos marcantes, como protestos de estudantes, passeatas, manifestações artísticas contra a censura, encontros entre famosos internacionais com o público, blocos de carnaval de rua, artistas nacionais em shows épicos, costumes, moda, sensualidade feminina e até as jogadas do “Rei” Pelé.

Além disso, no dia 29 de novembro, às 17 horas, haverá uma mesa redonda e o lançamento do catálogo da exposição. Na lista de convidados estão Erno Schneider, Ruy Castro, Pery Cotta e Fuad Atala. A mesa vai acontecer no Espaço Cinema 2 e as inscrições serão feitas por distribuição de senhas uma hora antes do início do evento.

Sobre o Jornal Carioca “Correio da Manhã”

Um dos mais relevantes veículos brasileiros da grande imprensa do século XX, o Correio, em sua longa história (1901-1974), teve em sua redação nomes como Carlos Drummond de Andrade, Carlos Lacerda, Graciliano Ramos, Moniz Viana, Nelson Rodrigues, Jânio de Freitas, Ruy Castro e muitos outros.

O Correio se evidenciou também por conta da atenção às fotografias. O jornal instaurou uma importante inovação ao utilizar recursos gráficos como recorte e a superposição, de modo a dar destaque às imagens, apenas dez anos depois do aparecimento do seu primeiro número.

A exposição está em cartaz na Caixa Cultural do Rio de Janeiro, na Avenida Almirante Barroso, número 25, Centro, de terça à domingo, das 10h às 21h.


Leticia Heffer – 7º período

‘Mare Nostrum’ é fábula moderna

O filme brasileiro de Ricardo Elias, traz, de forma lúdica, problemas da vida real em uma espécie de fábula, com muita sensibilidade e certa lentidão. Mostrando que, para alcançar alguns desejos, é preciso ceder outros.

Com uma breve conclusão moralizadora, Mare Nostrum, além de apresentar uma história de reaproximação entre pai (Silvio Guindane) e filha (Lívia Santos), filho (Silvio Guindane) e pai (Ailton Graça), propõe uma proximidade do espectador com a infância.

 

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Silvio Guindane é Roberto Foto: Divulgação

Silvio interpreta o jornalista Roberto, que acabou de chegar ao Brasil após uma longa temporada na Espanha. Ao chegar em São Paulo, já tem vários problemas para resolver, como se estabelecer financeiramente e recuperar o tempo perdido para se aproximar de sua filha.

Já Ricardo Oshiro interpreta Mitsuo, que acaba de voltar para o Brasil a fim de recorrer à família após perder tudo em um tsunami no Japão. As vidas dos dois se cruzam por conta de um terreno negociado por seus pais no passado.

 

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Cena do longa-metragem de Ricardo Elias Foto: Divulgação

Sem dinheiro, os dois veem no terreno uma possibilidade de se acertarem financeiramente e mudarem de vida. No entanto, eventos fazem com que eles acreditem que o terreno é mágico.

Ao longo da trama o público vai descobrindo junto com Roberto um pouco mais sobre seu pai, João, interpretado por Ailton Graça. Em uma espécie de saudosismo, o filho vai se reconectando com o falecido João e a distância afetiva dá lugar a uma nostalgia e aprendizado da própria história.

O longa, apesar de contar com grandes atores, não soube aproveitá-los. O roteiro do filme traz de forma gradativa um enredo em que o espectador fica ansioso, na espera de um ápice, que não acontece. Além disso, conta com um recurso pouco sofisticado narrativamente.

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Silvio Guindane e Lívia Santos vivem pai e filha no longa Foto: Divulgação

Apesar disso, possui uma fotografia bem trabalhada, um protagonismo negro e outro asiático, que vem de maneira orgânica e harmônica. Não sendo apresentados logo de cara, o público vai desvendando ao longo da trama cada pedaço da história de vida desses personagens.

Mostrando que, muitas vezes, a conexão com o passado se faz necessária em diversos momentos da vida, Mare Nostrum traz com leveza assuntos da fase adulta em que as pessoas não estão preparadas para enfrentar, mas tem que, por primordialidade, dar o famoso ‘jeitinho’ para se virar de maneira criativa e esperançosa.

Classificação indicativa: Livre.

 


Leticia Heffer – 7° período

CCBB comemora Dia Nacional do Surdo

26 de setembro. Dia Nacional do Surdo. Essa é uma data importante para refletir sobre aqueles que constantemente lutam por igualdade e principalmente inclusão na nossa sociedade. Em comemoração ao dia da pessoa com deficiência física, o Programa CCBB Educativo de setembro organizou uma programação especial.

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Ator e educador Augusto Machado na atividade Lugar de Criação, no dia 23 Foto: Leticia Heffer / AgênciaUVA

No programa, que vai do dia 21 até dia 30 deste mês, o público poderá conhecer mais sobre a cultura surda em atividades desenvolvidas pelos educadores do museu, como o aprendizado de Libras por meio de histórias contadas para crianças e adultos. Além disso, o programa conta com visitas feitas em Libras para pessoas com deficiência visual e autistas.

O CCBB já conta com atividades como audiodescrições das exposições e visitas mediadas em Libras, porém, agora em setembro, elas serão intensificadas por ser o mês do Orgulho Surdo e a Semana de Luta da Pessoa com Deficiência. É uma forma de celebrar as lutas e conquistas das pessoas com deficiência.

A partir do dia 24 ao dia 28, o público poderá trocar conhecimentos sobre a cultura e seu idioma com uma série de dinâmicas, não só feitas pelos educadores, como também, com a colaboração do educador e ator surdo Augusto Machado.

Ele também participou da atividade Lugar de Criação, onde crianças e adultos puderam participar da atividade e aprender de forma bem didática um pouco mais sobre o universo da Língua Brasileira de Sinais.

Para a estudante de pedagogia, que quer se formar em adepta de Libras, Sarah Coelho, de 22 anos, o evento foi essencial para ajudá-la a adquirir mais conhecimento. Sarah atua no meio, ela trabalha em campo na Escola Municipal Benjamin Franlin e diz o quão importante é o evento para a sociedade. “Achei muito interessante, muito bom! A gente que quer trabalhar com isso, ver o surdo presente na sociedade, é muito bom! Fiquei muito emocionada!”.

Segue abaixo a programação do evento:

24, 26, 27 E 28 DE SETEMBRO | SÁBADO A QUARTA-FEIRA | 15H ÀS 17H | LOCAL: TÉRREO

Dia Nacional do Surdo – De mão em mão 

O CCBB educativo propõe de uma forma lúdica uma troca de conhecimentos sobre a cultura surda e seu idioma, com uma série de dinâmicas desenhadas pela equipe do Educativo em colaboração com o educador e ator surdo Augusto Machado.

Visitas Mediadas especiais para públicos com deficiências

Na ocasião do Dia da Luta da Pessoa com Deficiência e o Dia Nacional do Surdo, o Programa CCBB Educativo promove Visitas Mediadas adicionais para pessoas surdas, pessoas com deficiência visual e com autismo.

Visitas Mediadas em Libras – 27 DE SETEMBRO | QUINTA-FEIRA | 17H

Visita Mediada para público com deficiência visual – 28 DE SETEMBRO | SEXTA-FEIRA | 17H/  30 DE SETEMBRO | DOMINGO | 11H

Visita Mediada para público autista – QUARTA A SEGUNDA | 10h ÀS 20H

Espaço de Convivência

O Espaço de Convivência convida ao encontro, à pausa e ao diálogo. É um lugar onde todos os públicos são acolhidos em suas diferenças e singularidades, afirmando o compromisso do Programa CCBB Educativo – Arte & Educação com a acessibilidade, a diversidade e a inclusão. O espaço conta com vídeos em libras e audiodescrição sobre destaques das exposições em cartaz.

Para mais informações visite o site do CCBB.


Leticia Heffer- 7º período

Hashtag que repercutiu no Twitter incentiva estudantes a debater assédio escolar

Após a repercussão das denúncias de assédio recentemente divulgadas no Twitter por alunas de uma rede de ensino particular, meninas e professoras de outras escolas tomaram coragem para falar dos casos nas instituições que frequentam. A hashtag #AssédioÉHábitoNoPensi, que ficou em primeiro lugar dos assuntos mais falados da rede social em 17 de agosto desse ano, levantou o debate sobre a questão entre estudantes dos Ensinos Fundamental e Médio.

Além do Pensi, outros colégios foram citados como Elite, Miguel Couto, De A a Z e MV1. Houve protestos dentro das escolas na semana seguinte aos relatos na internet e foram convocados atos nas ruas, em que as reivindicações foram feitas por meio de cartazes, poemas e músicas. Alunas também reclamaram de casos na rede pública como Pedro II e algumas escolas municipais, além de uma empresa de formatura.

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Alunas de diferentes escolas se uniram em um ato contra o assédio escolar no dia 30 de agosto Foto: Leticia Heffer / Agência UVA

De 2014 a 2017, quando trabalhou na Unidade Bangu do Colégio e Curso Miguel Couto, a professora de Sociologia, Gisele Rose da Silva, de 39 anos, presenciou e sofreu assédio sexual dentro da instituição. “Nesses quatro anos, um professor de química, que assediou meninas passando a mão na bunda e nos seios, fez exatamente a mesma coisa comigo”, contou Gisele em entrevista à Agência UVA. Ela afirma que essa era uma prática recorrente de alguns professores e inspetores e que apesar do conhecimento geral e das denúncias feitas à coordenação e à direção da escola, nada foi feito a respeito.

O silêncio não é uma opção

Depois da subida da hashtag, diversas alunas entraram em contato com ela para desabafar sobre os casos que sofreram. As reclamações são constantes e repetitivas. Ela conta ainda que o tema “assédio” não era um assunto muito discutido em sala de aula. “A apostila do colégio abordava o assunto, mas era somente uma aula sobre a temática”, revela.

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A estudante Dayana Andrade foi a um dos atos convocados. Ela é aluna do segundo ano do Colégio Superior Foto: Leticia Heffer / Agência UVA

Maria (nome fictício usado para manter o anonimato da vítima) foi aluna da professora Gisele. Ela relata já ter passado por situações constrangedoras com outro professor da rede. “Ele sempre chamava meninas quando queria dar algum exemplo, principalmente as mais baixinhas como eu. Por ele ser alto, ria e fazia piadas de conotação sexual como por exemplo: ‘Já pensou se isso acontecesse aqui? Ia te quebrar’. Se não fizesse aquilo com a intenção de constranger as alunas, teria chamado os meninos também, não é?”, desabafa. Na época, apesar de levar na brincadeira, já era algo que a incomodava. Hoje, tendo mais conhecimento sobre o assunto, vê a situação como algo problemático.

Na mesma escola, Amanda Arigony, de 20 anos, vivenciou em seus anos de estudante situações de assédio moral e sexual em mais de uma ocasião. Amigas dela passaram pelo mesmo e as reclamações eram constantes, tanto no Ensino Médio, como no Fundamental. Os agressores geralmente eram os professores de Química, Física e o próprio coordenador da unidade. Segundo ela, na época, as denúncias eram respondidas apenas com pedidos de desculpas. No dia seguinte, os acusados seguiam em seus cargos normalmente, devido à alegação de que não poderiam ser demitidos por serem sócios do colégio. “Não houve nenhum apoio da instituição. Não havia debates sobre o assunto na escola e a mesma sempre tentava ocultar os casos”, conta Amanda.

Depois do boom da hashtag no Twitter, por conta da pressão não só das denúncias, mas dos protestos dentro da escola, a instituição decidiu desligar os responsáveis. “O Miguel Couto demitiu muitos professores. A unidade de Nova Iguaçu, por exemplo, está praticamente montando uma nova equipe”, conta a professora Gisele. Educadores do Pensi afirmam que alguns colegas de trabalho também já foram afastados da empresa. A Agência UVA entrou em contato com a rede de ensino Pensi pelo “Fale Conosco”, a fim de obter uma resposta da assessoria, mas não obteve retorno.

A Agência UVA falou também com o Colégio Miguel Couto, que emitiu a seguinte nota:

“O Colégio Miguel Couto repudia qualquer tipo de assédio e discriminação e comunica que, em todas as unidades, responsáveis e alunos estão sendo recebidos para exporem seus relatos a fim de que se possam verificar as ocorrências e tomar eventuais providências.”

No dia 30 de Agosto, alunas, ex-alunas e professoras de instituições privadas e públicas de Ensino Fundamental e Médio fizeram atos contra o assédio moral e sexual na Praça Saens Peña, Tijuca e na Cinelândia, Centro do Rio

A grande quantidade de denúncias na internet fez as meninas resolverem sair do virtual e irem às ruas falar sobre assédio. Mulheres adultas, como mães e professoras, se juntaram às alunas e decidiram também compartilhar suas experiências. No ato, as jovens gritaram dizeres como “Não acabou. Tem que acabar. Eu quero o fim do assédio escolar” e “Segura seu machista. A América Latina vai ser toda feminista”.

Uma das representantes da Associação dos Estudantes Secundaristas do Estado do Rio de Janeiro (AERJ) estava presente na manifestação e garantiu que o órgão entende que o assunto deve ser constantemente debatido não só nas escolas, mas também nas faculdades e nas ruas. Em nota no site oficial, a associação reafirmou a importância da união em torno dessa pauta e que é preciso mobilizar estudantes e pais na luta para que toda a sociedade seja um ambiente acolhedor para mulheres. Leia a nota completa.

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A Praça Saens Peña, na Tijuca, recebeu dezenas de jovens para a manifestação contra o assédio Foto: Leticia Heffer / Agência UVA

Desabafar ao microfone foi algo constante durante a manifestação realizada no fim do mês de agosto. Carol (nome fictício) estudou a maior parte da vida na rede municipal, onde sofreu abusos. Quando tentou denunciar um de seus abusadores para a direção da escola, teve a seguinte resposta: “Tem sorte que temos professores. Não podemos demitir quem já está aqui”, conta. 

No caso de Ana (nome fictício), a agressão não aconteceu dentro do ambiente escolar, nem partiu de um funcionário da mesma, mas de um empregado da empresa responsável pela formatura da turma dela. A instituição é conhecida por conceder bebida alcoólica para menores de idade em churrascos e festas que promove. Em uma delas, Ana ficou desacordada pelo excesso de bebida e foi estuprada. A denúncia já deu origem a um processo, no qual ela pede ajuda, caso alguém tenha passado por algo semelhante envolvendo a mesma empresa. Quando falava sobre o tema durante o ato público, ela se emocionou.

Leia mais: Saiba como identificar o assédio sexual no ambiente de trabalho e o que fazer

Ainda desconhecida na sociedade, a reparação jurídica de casos de assédio ocorridos dentro do ambiente escolar é possível

Confira a entrevista realizada com o advogado trabalhista Mauro Moreira de Sousa

Agência UVA – O caso de assédio no ambiente escolar funciona como no ambiente de trabalho? Em relação à empresa e ao cliente contratando os serviços?

Mauro: Sim, de certa forma. No ambiente de trabalho geralmente há um superior hierárquico que está associando isso à promoção ou à manutenção do emprego. Na escola também, mas podendo estar ligado a boas notas e melhor rendimento da criança ou do adolescente. Geralmente, ocorre com jovens de 12 à 17 anos. Em relação ao serviço, se eu o contrato e sofro o assédio sexual, se for um funcionário de empresa terceirizada, ele é afastado de imediato por justa causa. No caso de um adulto com uma criança é crime. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é muito claro quanto a isso.

Agência UVA – Como se aplicam as leis nessa situação? Tanto a vítima sendo menor de idade quanto maior?

Mauro: Quando é menor de idade é muito mais grave, porque tanto a Constituição como o ECA são extremamente duros com isso. Dependendo do tipo de assédio, ele é considerado como estupro, que é você tocar, agarrar, tentar algo de maneira que não precisa da conjunção carnal, necessariamente. Sendo menor de idade, o caso é tratado pelo Código Penal, com base no ECA. Já com a criança, é estupro de vulnerável.

Agência UVA – Se os pais ou a própria vítima decidirem denunciar algum dos tipos de assédio, moral e/ou sexual, quais são as medidas para provar o ocorrido?

Mauro: Primeiro, informar à direção ou à coordenação, em seguida fazer um Boletim de Ocorrência, na Polícia, para que possa ser aberto um inquérito e ser apurado. Às vezes, isso é um crime subjetivo, que não tem cunho material, ou seja, não tem qualquer prova, mas geralmente o assédio é algo contínuo, não é uma vez só. A pessoa tem a opção de gravar a situação, além do que, em determinadas escolas, existem câmeras que também podem mostrar. Não se pode deixar que a direção, a coordenação, os pais e a Delegacia de Polícia não estejam cientes disso, porque só denunciando é que se pode fazer algo.

Agência UVA – Se as denúncias não forem levadas em consideração pela instituição, de que maneira a vítima (ou a família, em caso de menores de idade) pode prosseguir legalmente?

Mauro: O Estatuto da Criança e do Adolescente vem em primeiro lugar quando menor, podendo ser acionado e instaurado um inquérito, que tem uma brevidade, uma celeridade muito maior. A denúncia, normalmente, nesses casos é fartamente investigada. Caso a escola não tome nenhuma providência, será chamada e investigada para saber o porquê de a instituição não proteger o aluno, já que é o dever da mesma. Isso também vai punir os coordenadores, diretores ou superiores da escola por não terem feito nada. A omissão também é crime. É possível ir em uma delegacia especializada da criança e do adolescente, onde um profissional de segurança pública, que tem total conhecimento sobre esses casos, saberá o que fazer. A partir disso, contratar um advogado e seguir o processo normal, pedindo dano moral, material e o que mais for necessário.

Para mais informações é possível pedir ajuda nos seguintes canais:


Andressa Gabrielle – 8º Período e Leticia Heffer – 7º Período

Thiago Justino fala sobre o protagonismo negro em ‘Comboio de Sal e Açúcar’

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O ator Thiago Justino, que interpreta o personagem Salomão no filme “Comboio de Sal e Açúcar”, conta como foi sua experiência no longa, a importância de participar de uma produção internacional e como ela o ajudou na carreia. Além disso, destaca a questão do ator negro no Brasil e da narrativa do longa com protagonistas negros: “Me abriu as portas para um protagonismo que seria muito raro acontecer no Brasil”.

AgênciaUVA: Como foi essa a experiência em “Comboio de Sal e Açúcar”?

Thiago Justino: Foi incrível. Voltar às minhas raízes através do meu trabalho, da minha carreira foi um marco em minha vida pessoal e profissional. Hoje eu olho para o Brasil com um olhar africano. Consigo mais tranquilamente identificar as construções ideológicas que perpetuam a desigualdade social e o racismo estrutural do Brasil.

O que representou contracenar e participar dessa produção internacional?

Foi um divisor de águas em minha carreira. Chegar bem perto do Oscar me enche de orgulho. Agora estou pronto para voar mais alto no Brasil e no mundo. É um filme que marcou minha vida e me abriu as portas para um protagonismo que seria muito raro acontecer aqui no Brasil.

Você tem experiência em Portugal; no que isso ajudou?

Viver em Portugal faz com que eu consiga consolidar uma carreira internacional que para um ator negro é um dado inédito na história do Brasil. Trabalhei em outros países em função da oportunidade que esta experiência internacional está me proporcionando. Está sendo uma experiência multicultural que não tem igual. Hoje a viver em Portugal sinto-me um cidadão do mundo.

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Como foi para você fazer o papel do Salomão?

Acredito que até então o Salomão foi o maior personagem da minha carreira. Cheguei até escrever um diário sobre ele. Era uma verdadeira mistura de ficção e realidade. Fui buscar nele um lado obscuro e violento que eu não reconhecia em mim.

Qual a mensagem que o filme passa para você? E a importância dele?

Para o Brasil, principalmente, a importância do “Comboio” é apresentar uma outra narrativa com protagonistas negros. Esse choque estético ao apresentar uma África moderna pode representar um grande avanço ao movimento de inclusão e diversidade que o Brasil passa nesse momento.


Leticia Heffer – 6º período

Crítica: ‘Comboio de sal e açúcar’

18582618_479574599044360_1800759213911402372_nEm meio à guerra civil em Moçambique em 1988, militares escoltam um trem de carga lotado de mercadorias e pessoas. O comboio tem como seu destino Malawi. Alguns desses passageiros estão em busca de uma vida melhor, outros por conta da escassez que eleva o valor de itens básicos, se submetem a certas situações para trocar sal por açúcar, o que explica o título do filme.

Adaptado, escrito e dirigido por Licínio Azevedo, estreou dia 7 junho no Brasil, depois de já ter passado por diversos lugares como Moçambique, em junho de 2017, e Portugal, em setembro do mesmo ano. Conta com nacionalidades de Portugal, França, Brasil, África do Sul e Moçambique. A narrativa portuguesa aborda temas necessários como colonialismo, misticismo, abusos militares, religião e relação com antepassados.

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O longa conta com o comandante conhecido como Sete Maneiras (António Nipita), que está à frente da operação. Tenente conhecido e respeitado, explica e dá instruções para as pessoas que vão embarcar nessa jornada com eles e seus soldados, de como reagir a emboscadas, terras devastadas, possíveis obstáculos e ataques surpresos.

As suas histórias misturam-se à medida que o comboio prossegue o seu caminho lento e a guerra decorre pelo país. Uma dessas pessoas é a jovem Rosa (Melanie de Vales Rafael), enfermeira recém-formada, mudando de local de trabalho, que durante o filme se envolve com Taiar (Matamba Joaquim), um dos militares responsáveis pela proteção dos trens durante a jornada.

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Além do romance, a trama envolve cenas de violência e também de esperança, como a de uma mulher dando à luz a uma criança durante uma troca de tiros. Apesar dessas cenas, o filme constrói uma tensão também entre os soldados e os passageiros e é aí que o verdadeiro drama ocorre. A missão inicial deles seria de proteger esses passageiros o que na verdade em muitas situações não ocorre.

Muitos dos passageiros mostram mais medo estando perto de um dos soldados, como por exemplo Salomão, interpretado pelo brasileiro Thiago Justino, do que durante uma troca de tiros no meio da viagem. Nunca se sabe quando vai acontecer e qual será o próximo ato de violência e de quem vai vir.

Uma narrativa tão bem seguida que o tempo voa no filme. Desintoxica das americanices e merecedor dos prêmios de  Melhor Filme – Joburg Film Festival 2016, Melhor Filme e Melhor Imagem – Festival Internacional de Carthage 2017, Melhor Diretor- 26 PAFF- The African Film and Arts Festival 2018.

De acordo com ‘Livres Filmes’, no Rio de Janeiro o longa de 93 min, estará disponível na Estação Net Rio, Espaço Itaú de Cinema e UCI New York City.


Leticia Heffer – 6º período

Maquiagem de parto faz sucesso entre mamães na hora de dar à luz

A chegada do bebê costuma ser um dos momentos mais importantes na vida de uma mãe. E se em várias datas especiais como aniversários, casamentos e formaturas, as mulheres utilizam da maquiagem para se produzirem e se sentirem ainda mais bonitas, por que não utilizá-la na hora de dar à luz? Uma tendência que está surgindo é a maquiagem de parto. Trata-se do uso de cosméticos normais, de preferência da própria mamãe, para se registrar em uma fotografia a ocasião tão singular.

“Para muitos, o parto em si já é bonito na esfera biológica e científica. Agora, ele passa a ser bonito de outras formas”, é o que conta a maquiadora Fernanda Tavares. Para ela, quando há a possibilidade de se ter um fotógrafo dentro do centro cirúrgico para registrar a hora do nascimento da criança, as mães também deveriam poder manipular esteticamente o que é visto e levantar assim também a autoestima.

A maquiadora Fernanda Tavares prepara Alice com cuidado, antes da hora de dar à luz. Foto: Divulgação

A maquiadora Fernanda Tavares prepara a mamãe Alice Costa para o parto. Foto: Marcelo Rodrigues / Dfato Produções / Divulgação

A maquiagem depende do gosto de cada mamãe. Algumas mulheres preferem fazer a própria pintura; outras contratam profissionais. Além disso, o tipo pode ser desde a maquilagem simples do dia a dia, mais natural, até com cílios postiços e bastante sombra. A escolha depende também do tipo de parto. Muitas maquiadoras afirmam ter clientes que acham a cesárea melhor por conta da programação. Podendo agendar o parto com data e hora, a futura mãe também pode agendar a maquiagem para fazer no estúdio, algumas horas antes da cirurgia, ou no hospital.

A maquiadora Kamila Queiroz, do Rio Grande do Norte, afirma que o número de mães querendo esse tipo de serviço aumentou pelo fato dos pais quererem fotografar o nascimento dos filhos. Porém, alerta que nem todos estão acostumados e muitos criticam. “A partir do momento que você resolve fazer o que gosta, isso incomoda o próximo, as pessoas passam a criticar. Ninguém se coloca mais no lugar de ninguém. Todos querem tomar conta da vida alheia, por isso muitas dessas mamães são criticadas”.

Apesar disso, a fotógrafa Alice Costa, 32 anos, contratou a maquiadora Fernanda para fazer a aplicação dos produtos no quarto do hospital no nascimento do seu segundo filho, em 2017. Ela conta que sempre gostou de usar maquiagem e já tinha vontade de utilizar esse tipo de serviço. No primeiro parto, em 2013, ela também já tinha se maquiado. Se preparou para receber os filhos de forma que aquele instante do encontro fosse eternizado. “Foi para mim um momento ímpar. A sensação que estava linda e plena para receber meu grande amor, que chegaria em pouco tempo! Valeu muito a pena, pois me rendeu fotos lindas de um momento que eu jamais terei de volta.”

O primeiro encontro entre mãe e filho. Foto: Divulgação

O primeiro encontro entre mãe e filho. Foto: Marcelo Rodrigues / Dfato Produções / Divulgação


Letícia Heffer – 6º período