Thiago Justino fala sobre o protagonismo negro em ‘Comboio de Sal e Açúcar’

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O ator Thiago Justino, que interpreta o personagem Salomão no filme “Comboio de Sal e Açúcar”, conta como foi sua experiência no longa, a importância de participar de uma produção internacional e como ela o ajudou na carreia. Além disso, destaca a questão do ator negro no Brasil e da narrativa do longa com protagonistas negros: “Me abriu as portas para um protagonismo que seria muito raro acontecer no Brasil”.

AgênciaUVA: Como foi essa a experiência em “Comboio de Sal e Açúcar”?

Thiago Justino: Foi incrível. Voltar às minhas raízes através do meu trabalho, da minha carreira foi um marco em minha vida pessoal e profissional. Hoje eu olho para o Brasil com um olhar africano. Consigo mais tranquilamente identificar as construções ideológicas que perpetuam a desigualdade social e o racismo estrutural do Brasil.

O que representou contracenar e participar dessa produção internacional?

Foi um divisor de águas em minha carreira. Chegar bem perto do Oscar me enche de orgulho. Agora estou pronto para voar mais alto no Brasil e no mundo. É um filme que marcou minha vida e me abriu as portas para um protagonismo que seria muito raro acontecer aqui no Brasil.

Você tem experiência em Portugal; no que isso ajudou?

Viver em Portugal faz com que eu consiga consolidar uma carreira internacional que para um ator negro é um dado inédito na história do Brasil. Trabalhei em outros países em função da oportunidade que esta experiência internacional está me proporcionando. Está sendo uma experiência multicultural que não tem igual. Hoje a viver em Portugal sinto-me um cidadão do mundo.

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Como foi para você fazer o papel do Salomão?

Acredito que até então o Salomão foi o maior personagem da minha carreira. Cheguei até escrever um diário sobre ele. Era uma verdadeira mistura de ficção e realidade. Fui buscar nele um lado obscuro e violento que eu não reconhecia em mim.

Qual a mensagem que o filme passa para você? E a importância dele?

Para o Brasil, principalmente, a importância do “Comboio” é apresentar uma outra narrativa com protagonistas negros. Esse choque estético ao apresentar uma África moderna pode representar um grande avanço ao movimento de inclusão e diversidade que o Brasil passa nesse momento.


Leticia Heffer – 6º período

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