Crítica: ‘Comboio de sal e açúcar’

18582618_479574599044360_1800759213911402372_nEm meio à guerra civil em Moçambique em 1988, militares escoltam um trem de carga lotado de mercadorias e pessoas. O comboio tem como seu destino Malawi. Alguns desses passageiros estão em busca de uma vida melhor, outros por conta da escassez que eleva o valor de itens básicos, se submetem a certas situações para trocar sal por açúcar, o que explica o título do filme.

Adaptado, escrito e dirigido por Licínio Azevedo, estreou dia 7 junho no Brasil, depois de já ter passado por diversos lugares como Moçambique, em junho de 2017, e Portugal, em setembro do mesmo ano. Conta com nacionalidades de Portugal, França, Brasil, África do Sul e Moçambique. A narrativa portuguesa aborda temas necessários como colonialismo, misticismo, abusos militares, religião e relação com antepassados.

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O longa conta com o comandante conhecido como Sete Maneiras (António Nipita), que está à frente da operação. Tenente conhecido e respeitado, explica e dá instruções para as pessoas que vão embarcar nessa jornada com eles e seus soldados, de como reagir a emboscadas, terras devastadas, possíveis obstáculos e ataques surpresos.

As suas histórias misturam-se à medida que o comboio prossegue o seu caminho lento e a guerra decorre pelo país. Uma dessas pessoas é a jovem Rosa (Melanie de Vales Rafael), enfermeira recém-formada, mudando de local de trabalho, que durante o filme se envolve com Taiar (Matamba Joaquim), um dos militares responsáveis pela proteção dos trens durante a jornada.

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Além do romance, a trama envolve cenas de violência e também de esperança, como a de uma mulher dando à luz a uma criança durante uma troca de tiros. Apesar dessas cenas, o filme constrói uma tensão também entre os soldados e os passageiros e é aí que o verdadeiro drama ocorre. A missão inicial deles seria de proteger esses passageiros o que na verdade em muitas situações não ocorre.

Muitos dos passageiros mostram mais medo estando perto de um dos soldados, como por exemplo Salomão, interpretado pelo brasileiro Thiago Justino, do que durante uma troca de tiros no meio da viagem. Nunca se sabe quando vai acontecer e qual será o próximo ato de violência e de quem vai vir.

Uma narrativa tão bem seguida que o tempo voa no filme. Desintoxica das americanices e merecedor dos prêmios de  Melhor Filme – Joburg Film Festival 2016, Melhor Filme e Melhor Imagem – Festival Internacional de Carthage 2017, Melhor Diretor- 26 PAFF- The African Film and Arts Festival 2018.

De acordo com ‘Livres Filmes’, no Rio de Janeiro o longa de 93 min, estará disponível na Estação Net Rio, Espaço Itaú de Cinema e UCI New York City.


Leticia Heffer – 6º período

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