Cinema

“Protocolo de Auschwitz” conta a história real de dois judeus que fugiram do campo de concentração

Sob direção de Peter Bebjak, o longa disputou uma indicação ao Oscar e já está disponível em plataformas online.

Fugindo de um modelo genérico de filmes que retratam fatos históricos sob a ótica estereotipada do heroísmo hollywoodiano, “Protocolo de Auschwitz” foi o representante da Eslováquia na disputa por uma indicação ao Oscar 2021 de Melhor Filme Internacional. Assim como o representante brasileiro Babenco – alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou, o filme eslovaco ficou de fora da lista de pré-indicados na categoria.

Sob direção de Peter Bebjak, “Protocolo de Auschwitz” conta a história real de Freddy (Noël Czuczor) e Walter (Peter Ondrejiička), dois jovens judeus eslovacos que conseguiram fugir do campo de concentração de Auschwitz- Birkenau em 1944, carregando consigo um relatório detalhado a respeito do genocídio sistemático no campo.

Mas, quando finalmente eles conseguem atravessar a fronteira e encontrar a Cruz Vermelha, são desacreditados. Seus relatos parecem duros demais para as Instituições configurarem como verdade todas aquelas atrocidades que estariam sendo cometidas.

Foto: Divulgação

O desenrolar inicial é bem dinâmico e não explica muito bem o que está acontecendo, porém, de certa maneira, isso funciona como uma forma de transmitir o medo e a incerteza dos fugitivos, e dos demais colegas internos que os ajudaram a escapar. Por outro lado, a crueldade dos nazistas é mostrada de maneira explícita.

Os soldados do regime projetam, com um elevado grau de psicopatia, suas frustrações naqueles que são vistos como seu inimigo, como causadores de todas as suas dores. Não há misericórdia, apenas ódio. A brutalidade dessas imagens e as atuações intensas, tornam quase que tangível o medo dos prisioneiros, causando empatia no telespectador e tornando a experiência ainda mais imersiva.

É interessante observar quando, em determinado momento, a trama se divide em duas linhas narrativas paralelas: uma focada na fuga e a outra nos acontecimentos dentro de Auschwitz. 

Durante a fuga, o trabalho de movimentação de câmera feito por Bebjak, faz com que a filmagem se coloque, muita das vezes, sob a perspectiva do olhar em primeira pessoa e siga os personagens que se movimentam o tempo todo, semelhante ao que foi realizado no filme 1917 do diretor Sam Mendes. Esse é mais dos recursos de imersão utilizados no filme.

Destaque também para a fotografia utilizada nas cenas dos fugitivos, que opta por cores frias e, junto a uma trilha sonora com sons dark, traduzem o sentimento de angústia dos fugitivos que lutam por sobrevivência. Há pouco diálogo entre os dois, o roteiro segue o que muitos argumentam como o ponto chave do cinema do diretor Brian De Palma: o menosprezo pelo diálogo e a devoção pela imagem. A execução não chega a ser nada extraordinária, mas funciona.

Enquanto isso, em Auschwitz, o roteiro opta por planos mais abertos e a fotografia se apropria de cores quentes. Nuances que mostram o sofrimento coletivo e criam o entendimento de que ali se tem a representação do que seria o inferno. As cenas se tornam ainda mais fortes e impactantes do que as do começo do filme.

Foto: Divulgação

No meio disso, percebe-se também uma certa resistência dos prisioneiros, mas ela é brevemente contida com a força bruta e desumana, explicitando que os dois fugitivos foram casos isolados, e que o destino de todos os outros que ficaram é se tornar mais vítima.

Protocolo Auschwitz consegue equilibrar bem a relação entre o apreço pela estética e a dramatização através da imagem. O arco dos personagens é bem desenvolvido, ainda que possa parecer simplista demais, o clímax emocional no desfecho da obra justifica isso.

O ponto alto é justamente esse ato final, seguido pela mensagem passada nos créditos que expressa uma relação direta entre o período do regime nazista e os tempos de obscurantismo que vivemos atualmente – mostrando, inclusive, um discurso de Bolsonaro. Em síntese, é eficiente no que se propõe, especialmente em impactar a psique humana.

O filme já está disponível nas principais plataformas digitais para aluguel e compra, nas versões dublada ou com legenda. Por enquanto, devido a pandemia, ainda não existem sessões nos cinemas brasileiros.

Lucas Pires – 7º período

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