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70 anos do fim da 2ª Guerra Mundial

Milhões de pessoas foram às ruas ao redor do mundo comemorar as sete décadas do fim da II Guerra Mundial e lembrar os mártires que deram suas vidas pela liberdade. Homenagens foram prestadas e festividades marcaram os dias 8 e 9 de maio em diferentes países.

Na Alemanha, a data foi celebrada como uma libertação para nação e o mundo. A cerimônia ocorreu no Palácio Reichstag, sede da câmara baixa do Parlamento, em Berlim, capital do país, e contou com a presença da chanceler Angela Merkel, o presidente Joachim Gauck e líderes parlamentares.

Em Moscou, Rússia, milhares de soldados marcharam pela Praça Vermelha no dia 9 de maio. Principais líderes ocidentais recusaram o convite de Vladimir Putin para participar do Dia da Vitória, mas o presidente contou com a presença de representantes de 30 países, incluindo China, Índia, Cuba e Brasil, representado pelo Ministro da Defesa, Jaques Wagner.

Os conflitos que geraram a guerra iniciaram-se no momento que um dos últimos países da história a se unificar, a Alemanha, saiu destroçada da I Guerra Mundial. Com o Tratado de Versalhes – acordo de paz assinado pelas potências europeias –, de 1919, os germânicos perderam boa parte de seu território e tiveram que pagar, em 1921, um valor de 22 milhões de dólares.

Nesta situação, a população sentia-se humilhada e chocada. O trato, criado pela extinta Liga das Nações, culpava unicamente a Alemanha pelos horrores do conflito. A pátria estava com o orgulho ferido, alto índice de desemprego e completamente desestabilizada.

A partir desse cenário caótico e de profunda crise, o nacionalismo ultraconservador ganhava força através de partidos de extrema direita recém-fundados. Nas eleições parlamentares de 1932, o Partido Nazista, cujo principal líder era o ex cabo Adolf Hitler, assumiu a maioria do parlamento com 38% dos votos.

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Portão de Brandemburgo – Berlim

Usufruindo de um enorme prestígio parlamentar, os membros nazistas passaram a pressionar o presidente Hindenburg para nomear o líder do partido chanceler, chefe do governo. O fato se cumpriu com bastante rapidez e, em 1933, Adolf Hitler chegava ao poder. Em agosto do ano seguinte, Hindenburg morre e Hitler, que já governava com extremo autoritarismo, assume a presidência com o título de Fuhrer, que significa guia, condutor.

Através de uma intensa campanha nazista, racista, xenofóbica, machista, antissemita (caracterizado como ódio aos judeus) e sedutora conduzida por Joseph Goebbles, o governo hitlerista atinge seu auge no país, coloca fim na República de Weimar, no Tratado de Versalhes e dá início à organização do Terceiro Reich.

Entre os perseguidos, os judeus não correspondiam a 1% da população alemã no início dos anos de 1930, mas tinham grande prestígio financeiro no país que buscava se reerguer. Os bancos privados europeus, que possuíam os títulos das indenizações que a Alemanha pagara pela I Guerra Mundial, pertenciam a pessoas de ascendência judia. Aliado ao forte sentimento nacionalista baseado em todo tipo de preconceito, o antissemitismo, algo muito antigo na Europa, ganhava força novamente graças aos nazistas.

Em 1° de setembro de 1939, a Alemanha Nazista invade a Polônia e dá início a Segunda Guerra Mundial. Os judeus foram os maiores alvos de Hitler durante o Holocausto, ficando na frente das repressões aos comunistas, anarquistas, negros, homossexuais, ciganos, Testemunhas de Jeová, deficientes físicos e mentais, pobres e criminosos de pequenos delitos. Todos eram encarcerados e exterminados em campos de concentrações espalhados por diversos países europeus dominados pelos alemães.

O pior deles era o de Auschwitz, na Polônia, no qual segundo o primeiro comandante do campo de concentração, Rudolf Hoss, cerca de 3 milhões de pessoas haviam morrido ali, sendo 90% judeus. A maioria exterminada com requintes de extrema crueldade. Todos os prisioneiros tinham um número de registro tatuado no braço.

Em 27 de janeiro de 1945, os soviéticos tomaram a Polônia, libertando milhões de judeus de anos de intenso sofrimento perpetrado pelos nazistas. As ruínas do campo de concentração de Auschwitz foram declaradas, em 2002, como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, transformando os horrores do lugar em algo jamais esquecido e nunca repetido.

Entre os aliados da URSS, estava o Brasil. Após a derrota do Levante Comunista de 1935 e a grande influência de movimentos integralistas, o então presidente Getúlio Vargas estabelece um golpe fascista no país, dois anos depois. Assim se inicia a ditadura do Estado Novo (1937-1945). Com os conflitos na Europa em ascensão, a neutralidade do governo e o crescente autoritarismo getulista, a sociedade progressista lança uma ampla campanha pela entrada brasileira na II Guerra Mundial, contemplando os anseios das camadas populares.

Graças a pressão americana pelo ingresso do Brasil no conflito, em 1942 – os USA obrigaram o governo a ceder territórios no nordeste para instalação de bases militares estadunidenses –, e o clamor do nosso povo a FEB (Força Expedicionária Brasileira) foi criada e partiu para Nápoles, na Itália, em 2 de julho de 1944.

Comandados pelo general Mascarenhas de Morais, os pracinhas, como eram conhecidos, tinham um contingente de 25.334 brasileiros, muitos voluntários, dos quais 450 tombaram em combate. Aproximadamente 2 mil morreram por ferimentos e 12 mil tiveram algum tipo de mutilação e incapacidade física adquirida em batalhas heroicas.

No dia 21 de fevereiro de 1945, a FEB realizou seu maior feito, a tomada do Monte Castelo, na Itália. A batalha durou três meses e contou com o auxílio do exército americano, que ao lado de outros aliados havia tomado a Normandia, na França, em agosto de 1944.  Os brasileiros aprisionaram mais de 20 mil soldados fascistas e escreveram seus nomes na história.

Já numa terça-feira, 8 maio de 1945, as tropas Aliadas ocupavam Berlim, então coração do império nazifascista hitlerista. O objetivo era forçar a Alemanha a assinar sua completa rendição e proclamar o fim da Segunda Guerra Mundial. Após o conflito, o mundo se dividiu em dois blocos: capitalista e socialista. Pelo efeito pós-guerra, o socialismo avançou em alguns territórios capitalistas. Porém, entre o fim dos anos 40 e início dos anos 50, as diferenças entre os grupos deram abertura à chamada Guerra Fria.

Por: Érick Douglas e Tadeu Thurler

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

2 comentários em “70 anos do fim da 2ª Guerra Mundial

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