Esporte

Futebol brasileiro: crimes crescem dentro e fora do campo

Especialistas e populares comentam as recentes agressões físicas e verbais no futebol brasileiro

A última semana de abril contribuiu para uma marca negativa dentro do futebol brasileiro. Um caso de racismo nas arquibancadas da Neo Quimíca Arena, na partida entre Corinthians e Boca Juniors, em São Paulo, se juntou a outros dois casos graves ocorridos nos últimos meses. O fato reacendeu o debate sobre segurança, ética e cumprimento de leis no esporte e na sociedade como um todo.

Desta vez, Leonardo Ponzo, torcedor do Boca Juniors, foi preso em flagrante proferindo ofensas e realizando gestos racistas em direção à torcida do Corinthians, em uma partida válida pela terceira rodada da Copa Conmebol Libertadores da América.

O caso de racismo chamou a atenção nas redes sociais, indignando os amantes do esporte. Foi o caso de Mateus da Silva Coelho (21), torcedor do time paulista, que viu na situação um reflexo de como o assunto é tratado na sociedade.

“Lutamos e esperamos que o racismo seja combatido de forma mais dura para que não fique apenas na consciência de quem sofreu, mas também um peso na vida de quem o cometeu”, ressalta o torcedor paulistano.

Em outubro de 2021, o árbitro de futebol Rodrigo Crivellaro foi brutalmente agredido pelo jogador William Ribeiro, no momento sem clube. Em abril deste ano, a assistente de arbitragem Marcielly Netto levou uma cabeçada pelo, até então, técnico Rafael Soriano, do Ferroviária, no intervalo de uma partida válida pelo campeonato capixaba.

Nos três casos, mesmo com evidência clara dos crimes, os acusados respondem em liberdade. Para o advogado Renan Gandolfi, especialista em Direito e Processo Penal e Direito Esportivo, os exemplos citados, exceto a agressão cometida pelo jogador William Correia que se enquadra no crime de “lesão corporal grave” (art. 129 do Código Penal), são categorizados como crimes mais leves, o que pode ocasionar na falta de justiça.

“A agressão contra a assistente foi uma lesão corporal leve, e por isso, depende de uma representação da vítima para dar andamento à ação penal, e mesmo que isso ocorra, a pena para este crime é insignificante”, acrescenta o advogado.

Sobre o caso de racismo envolvendo o torcedor argentino, Renan salienta que, de todos os citados, é o que gera mais inconformismo, uma vez que o delito é passível de pena (um a três anos de prisão) com possibilidade de fiança (o que ocorreu), e o acusado ainda pode responder pelo crime em liberdade.

O jogador William do Corinthians utilizou suas redes sociais para ironizar o desfecho do caso de racismo. (Reprodução Instagram )

O advogado cita ainda que casos como esse podem gerar uma falsa ideia de que o Direito Penal é uma força maior e única, que deve sempre arcar ou resolver todas as questões da sociedade.

“Não é função do Direito Penal intervir em todo o tipo de conflito. Casos como os citados devem continuar abarcados pela justiça desportiva que detêm tutela para punir, inclusive com penas mais severas”, acrescenta o advogado.

Para o advogado, mais do que cobrar do “corpo penal” por soluções e mais rigidez nas punições, é preciso que as entidades desportivas evoluam na resolução dos conflitos referentes à sua alçada. Para muitos, fica no ar a dúvida; quantos crimes mais serão cometidos para que de fato hajam tais mudanças?

Juan Julian (2° período), com revisão de Leonardo Minardi (7º período)

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Foto de Capa: Pexel

Agradecimentos : Lei em campo

3 comentários em “Futebol brasileiro: crimes crescem dentro e fora do campo

  1. Somos hj uma sociedade em crise. Com valores e princípios morais e éticos em xeque.
    O que acaba por refletir em todos os lugares, inclusive no futebol. Além dos poderes constituídos terem que exercer suas ações com maior rigidez, a educação e o respeito ensinados desde casa devem ser prioridade.

  2. Cláudio Márcio Coutinho da Silva

    Tem bastante tempo que não leio uma matéria tão expressiva e inteligente. Parabéns aos envolvidos. Muito informativo e relevante essa reportagem.

  3. Pingback: Pela primeira vez em 32 anos, um jogador de futebol do Reino Unido se assume gay | Agência UVA

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