Exposição ‘Arruda Victor’ fica no MAM até 17 de junho

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A exposição “Arruda Victor”, de Vitor Arruda, ficará até 17 de junho no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio. A mostra é uma retrospectiva dos 50 anos de trajetória do artista e tem a curadoria de Adolfo Montejo Navas.

Fazer a retrospectiva de sua carreira era um sonho que Vitor Arruda esperava realizar há muito tempo. Em sua jornada artística, todas as obras são frutos de uma reflexão profunda sobre a vida, e também da relação com o suicídio. Ele conta que houve momentos em que pensou nessa possibilidade. No entanto, mudou de ideia através da criação de novos quadros. Transformou sua dor em arte.

A exposição mostra o posicionamento social e político forte e contundente até mesmo no período da Ditadura Militar. O trabalho resume as suas questões pessoais e a compreensão do mundo que transfere para suas obras. Em um dos quadro que mais gosta, a crítica e reivindicação por salários mais justos. Victor trata ainda de questões como homofobia, sexualidade, poder do dinheiro e racismo. “Quem são essas pessoas que se dizem os donos do poder?”, questiona.

Em cartaz no Museu de Arte Moderna de terça à sexta, das 12h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 18h. Somente para maiores de 18 anos.


Daniela Oliveira – 5º período. Colaboraram: Matheus Marques – 5º período; Caroline Bello – 5º período; Dorval de Lima 6 º período

 

 

 

Ouvem sem prestar atenção… Artistas de rua se tornam paisagem no cotidiano dos cariocas

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A correria do dia a dia faz com que muitas vezes situações simples do cotidiano se tornem apenas automáticas. O ser social passa apenas a viver um dia após o outro deixando de notar as diferenças estruturais da sociedade, sejam elas sociais ou até mesmo materiais. Tudo se torna rotineiro e a beleza, em certos aspectos da vida, vai desaparecendo aos poucos.

A rua, por ser um dos principais locais de expressão social, pode ser comparada ao palco de teatro. A qualquer momento um novo espetáculo pode estar prestes a começar, já que ela é o lar de muitos artistas de rua. Em sua maioria, eles ganham a sua vida com apresentações rápidas, que, muitas vezes, passam despercebidas aos olhos apressados dos expectadores.

A cada ano o número de artistas de rua presentes nesse imenso palco diminui consideravelmente. Hoje, segundo a Escola Nacional de Circo/Funart, mais de 90% dos artistas presentes nas ruas são estrangeiros que acabam vagando como nômades de cidade em cidade para conseguir uma renda mensal. Eles não se fixam em estados, então visam alguns pontos de grande movimentação diária, em especial as cidades do Sudeste. Dentre elas, São Paulo é o principal foco.

Um caso que se enquadra nessa estatística é o de Alejandro Rodriguez, Peruano de 31 anos que durante toda sua vida foi artista de circo em diversas casas de espetáculos no Peru. Cansado de sua vida, ele decidiu vir para o Brasil e tentar a sorte como artista de rua, já que muitos de seus amigos conseguiram se profissionalizar através da arte, aqui ele é malabares e trabalha explorando recursos como fogo, gasolina misturado com malabarismo. “Eu vim de um local muito pobre, chegar aqui e encontrar ruas asfaltadas, carros de todos os tipos e um transporte público que leve você a todos os lados da cidade é algo muito incrível a meu ver”.

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Alejandro Rodriguez praticando malabarismo com fogo; Foto: Projeto Artistas de Rua

Mas não são apenas as diferenças estruturais nas duas cidades que chamam atenção. A diferença cultural muitas vezes pode ser alvo de preconceitos por parte da sociedade brasileira. São diversos os casos de xingamentos e até mesmo de agressão contra esses artistas. Fora que, na maioria das vezes eles acabam entrando de maneira clandestina no país e muitos não conseguem permanecer por muito tempo. “Eu cheguei ao Brasil por uma longa jornada em um Fusca, eu vim do Acre, trabalhei em diversas cidades no caminho até chegar ao Rio, local em que estou há dois anos, mesmo com todos os problemas eu amo essa cidade”.

Problemas esses que são retratados pelo artista de rua de grafite Raphael, 32 anos, natural do Rio de janeiro que pinta muros pela Tijuca, Grajaú e o Bairro do Rio Comprido. Com a sua arte voltada para as críticas sociais, Raphael pinta diversos flamingos rosa que representam a situação crítica de nossa cidade. Ele conta que além de não receberem o devido reconhecimento como “artistas” por trabalharem na rua, muitas vezes não possuem o apoio adequado das Fundações Artísticas do Rio de Janeiro.

Para evitar que tal situação aconteça é necessário um incentivo maior as artes tanto nas escolas quanto nos programas sociais. Um maior incentivo faria com que esses artistas não passassem tão despercebidos na sociedade de hoje, recebendo assim seu devido valor. “É muito comum você cobrar pela sua arte um determinado valor e na hora em que os clientes descobrem que você trabalha na rua, eles pensam que podem desdenhar do seu trabalho, e muitas vezes não aceitam pagar, no final nos sentimos desvalorizados”.

A razão dos clientes reclamarem do preço está atrelada ao fato de que, por estar na rua, não consideram o trabalho como arte. Evângelo Gasos, formado em Artes Visuais e professor da disciplina de Comunicação, Arte e Cultura na Universidade Veiga de Almeida acredita que a arte está o tempo inteiro buscando novas formatações, sem limites pré-estabelecidos. “Não poder definir exatamente o que é a arte faz parte do que é a essência da arte”. O objetivo é transformar quem ouve ou vê aquele trabalho, colocar o espectador para pensar.

Evângelo ainda ressalta que devemos sair da definição quadrada de artistas de rua. Não se trata apenas de apresentações circenses ou musicais. “Pode ser também um performer que trabalha dentro de espaços artísticos que pensa uma ação específica para rua”. Além de outros aspectos que entram neste escopo, como as esculturas.

A rua serve como exposição do talento desses artistas. É lá que eles podem mostrar seu trabalho e conseguirem visibilidade para o que tem para falar. Através dessas apresentações eles podem ser contratados para outros espaços e é perfeitamente comum e normal aceitarem doações para manter as performances.

 Todos já devem ter ouvido o debate que está muito presente no cotidiano, sobretudo dos cidadãos cariocas e paulistanos. A linha que divide a pichação do grafite é tênue e as duas práticas não devem ser confundidas.

Esse assunto já está dando o que falar, principalmente em São Paulo, graças ao prefeito Dória e sua política de limpeza dos grafites da cidade. E para Evângelo Gasos, não necessariamente indica que um deles não é válido. Apesar de estar num âmbito mais criminal, a pichação ainda é uma contestação contra uma situação de problemas sociais.

Isso significa que as pessoas da cidade precisam expor suas ideias. Elas necessitam de um espaço de fala, onde quer que encontrem, seja por desenhos ou siglas. “É uma expressão humana que busca um diálogo, nem sempre positivo e passivo, com o mundo que ele vive”, fortalecendo a democracia.

 Aqueles que querem se apresentar nas ruas geralmente não tem conhecimento dos métodos a serem adotados. Além de não saberem que estão protegidos por uma lei para não terem suas apresentações negadas pela prefeitura.

Se trata da Lei Municipal do Artista de Rua número 5.429 de 5 de junho de 2012, na qual os performers devem somente comunicar às autoridades sobre a apresentação. Ela estabelece também, que os agentes públicos não podem interromper os artistas. E aquele que quiser vender sua arte, está liberado.

Evângelo Gasos reafirma a importância de uma regulamentação, principalmente pela necessidade de democratização de discursos na arte. “A cidade que não possui artistas na rua é uma cidade fechada, que não está propensa a dialogar”.

A estudante de enfermagem, Sabrina Azevedo, de 24 anos, entrou para o mundo da disputa de recitação de trabalhos originais quando nada mais encaixava com ela. “Tudo que eu sentia dor, eu transformava em poesia”, e isso se transpareceu em seus trabalhos, levando-a a ganhar o SLAM RJ. No final deste ano, a menina vai defender seu estado na competição nacional.

Sabrina faz parte de dois coletivos, o ‘NósdaRUA’ e o Poetas Favelados. Eles têm como prática os ataques poéticos em transportes públicos e escolas, onde eles utilizam seus slams para conscientizar a população sobre os problemas sociais sofridos por eles. “A gente chega no metrô, grita e tenta passar nossa mensagem”.

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​Confira a íntegra da reportagem multimídia “Artistas de Rua“.


Reportagem de ​Alana Luiza, Izadora Peres, Raissa Gomes e Luiza Accioly para a disciplina Jornalismo Digital

Ainda dá tempo de visitar a exposição ‘Ex Africa’ no CCBB do Rio

Em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio até a próxima segunda-feira, dia 26 de março, a exposição “Ex Africa” é a maior mostra de arte africana contemporânea já reunida no país. A partir da transformação de materiais, artistas como Ibrahim Mahama exploram temas como globalização, migração, comodidade e intercâmbio econômico em suas obras. O intuito é ampliar o debate da herança africana na formação da identidade brasileira.

A mostra conta com diversas salas com fotografias, esculturas, pinturas, vídeos, performances, obras interativas e ainda um espaço dedicado ao afrobeat, música popular da cidade de Lagos, na Nigéria. Ao todo, são 80 obras de 18 artistas africanos e dois brasileiros.

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A realidade de um passado explorado é transmitido por meio das fotografias que captam a vida dos nativos e do continente, trazendo uma visão de resistência e força. “Mostra que temos herança africana na nossa identidade e que somos privilegiados por isso”, diz a estudante de Letras Juliana Costa Boas, 19 anos. Edivan Anjo, 23 anos, concorda. Ele conta que se emocionou e ficou feliz ao ser apresentado a uma África que vai além de doenças e seca. Diz ainda que gostaria de ver a representação de alguns outros países africanos.

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O CCBB também está com outros projetos que dialogam com a exposição, como a peça de teatro “Preto”, a mostra de cinema “John Akomfrah – Espectros da diáspora” e uma edição especial do projeto musical “Madrugada no Centro”. Tudo para proporcionar ao visitante a reflexão de uma sociedade mais igualitária e que promova o respeito à diversidade.

O CCBB do Rio fica na Rua Primeiro de Março 66, Centro, e o horário de funcionamento é de 9h às 21h, de quarta a segunda. A entrada da exposição “Ex Africa” é franca e a classificação é livre.


Leticia Heffer – 6 periodo

União pela arte

O consulado argentino do Rio de Janeiro abriu as portas de sua galeria para a 17ª edição da mostra itinerante “A Arte do Rio”. Sob a idealização e curadoria de Celina Azeredo, a exposição, que começou na última sexta-feira, 5, e se estende até o dia 25, coloca em visitação quadros com bordados, pinturas e fotografias de oito artistas brasileiros que pretendem atrair olhares para a produção artística local através de excepcionais obras de arte.

Quem estiver planejando fazer uma visita, poderá apreciar os trabalhos artísticos de Benjamin Rothstein, Dirce Fett, Gilda Goulart, José Maria Dias da Cruz, Marco Cavalcanti, Sérgio Ferreira, Solange Palatnik e Yolanda Freyre, em um projeto que acontece desde 2000 e busca explorar os aspectos visuais do Brasil, da cidade do Rio de Janeiro, e de muitos outros cotidianos. Mas, desta vez, contando com um novo ingrediente, o evento tem como objetivo ampliar fronteiras, e visa fazer uma aproximação entre a arte do Brasil e os argentinos.

Quem vier da Argentina poderá se agraciar com algumas das telas de Solange, que retratam dançarinos de tango de uma forma exuberante. As belíssimas imagens de Benjamin são também uma grande atração, pois elas se revelam extremamente ricas em detalhes e colocam em jogo o isolamento da figura humana em meio ao contexto da pintura, gerando um efeito que produz contrastes visuais e estruturam a mensagem que a obra deseja passar. A suavidade de Rothstein é algo para se admirar. Apesar de não misturar muitas cores, ele possui leveza nos traços, o que atrai o amante da arte.

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[foto: Leonardo Marques/Agência UVA]

Segundo a curadora, a ideia é extrair a percepção dos hermanos com relação aos movimentos artísticos que consolidam a diversidade da produção visual dos expositores brasileiro. São colocados à mostra diferentes quadros, denotando as variadas personalidades dos artistas e trazendo à tona a genialidade de cada um deles, que fotografam, pintam e costuram, em superfícies planas, as singularidades de suas percepções com relação a um determinado momento ou dia a dia.

Dentre todos os expositores, Dirce Fett se destaca por se aprofundar de forma emblemática nas belezas que representam a bandeira verde e amarela. Enfatizando a flora e a fauna, ela mostra ao público, através de cores fortes e vibrantes, a exuberância da Mata Atlântica, que abraça o Rio de Janeiro e os monumentos que dele fazem parte. A partir da construção dessas paisagens são traduzidas as razões pelas quais o Rio é considerado uma cidade maravilhosa.

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[foto: Leonardo Marques/Agência UVA]

Quem ama o Brasil se apaixona por Fett. Karina Jimeno, que vive na Argentina e está hospedada no Rio, esbanjou alegria ao ver os quadros da artista. “Eu moro na Argentina e tenho essa coisa do Brasil no coração. Só tenho a dizer que amei os quadros dela. São todos bem coloridos, e eu gosto muito disso.” Ela falou ainda sobre a pouca divulgação da exposição. “Na realidade, eu não sabia que tinha esse espaço cultural. Uma amiga que comentou comigo. Acho que por aqui poderia haver maior divulgação dessas coisas.”

O evento como um todo é muito bem organizado. O local onde ele está ocorrendo conta com um excelente espaço, para receber uma quantidade considerável de visitantes. Devido a isso, Márcia Alves, de 32 anos, apaixonada por obras de arte, gostou muito da galeria. Ela conta que veio prestigiar a colega e expositora Yolanda Freyre. “Vim prestigiá-la e gostei muito, achei tudo interessante. Tudo chama bastante a nossa atenção.”


Leonardo Marques – 8º período

Lugares do delírio

No Museu de Arte do Rio (MAR), sob a gestão do Instituto Odeon, está em cartaz, até o dia 10 de setembro a exposição Lugares do delírio. Idealizada por Paulo Herkenhoff e com curadoria de Tania Rivera, a mostra apresenta cerca de 150 trabalhos – entre instalações, mapas, performances, pinturas e objetos – de diversos artistas, como Cildo Meireles, Laura Lima, Anna Maria Maiolino, Arthur Bispo do Rosário, Fernand Deligny, Lygia Clark, Raphael Domingues, Gustavo Speridião, Fernando Diniz, Cláudio Paiva, Geraldo Lúcio Aragão e outros. Trata-se de uma reflexão política e ética sobre loucura e arte.

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Exposição “Lugares de Delírio” [foto: Canal Arte].

Ao longo da exposição começamos a ter contato com um acervo de fotos e vídeos, e também desenhos e pinturas que impactam o espectador, a presença tanto de artistas que nunca tiveram contato com experiências psicóticas como o artista Arthur Bispo do Rosário, que viveu mais de 50 anos internado em clínica psiquiátrica e até artistas que ficaram internados denotam a realidade através da arte que a loucura não é impedimento nem um divisor que inferioriza a visão do artista, pelo contrário apenas constitui um novo olhar sobre o próprio universo do artista.

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Exposição “Lugares de Delírio” [foto: Canal Arte].

A exposição se insere num eixo de programação do MAR que se chama arte e sociedade e aposta na possibilidade da arte nos ajudar a pensar problemas sociais, expõe Tania Rivera psicanalista e curadora da exposição na coletiva lugares de Delírio no MAR. A ideia é trazer a loucura que é uma questão tabu na sociedade para que a arte seja um modo de repensar essa visão social. E através disso poder ver de forma mais sincera a e intimista esse universo, podendo assim trazer questionamentos e soluções de inclusão na sociedade.

A palavra “delírio” denota na verdade a força criadora de re-estabelecimento e reposicionamento da razão e o século XXI tem nos impedido a rever o “bom senso” e o “senso comum”,  não se pode fazer uma reflexão acerca do recobramento da razão sem antes entender até onde se define ou não o que é de fato a loucura. A partir dessas indagações, Lugares do delírio foi idealizada há mais de dois anos por seu primeiro diretor cultural, e agora está em exposição no Museu de Arte do Rio.


Caroline Persón – 3º Período

Arte sem fronteiras

Elas transformam em arte o que para muitos é apenas lixo. Com a assessoria do projeto Arte Sem Fronteiras, coordenado pelo professor da Universidade Veiga de Almeida Tirlê Cruz e os alunos Aurélio Fagundes e Bruna Lima, as artesãs criam bolsas, tapetes, lancheiras, canecas, chaveiros e outros objetos utilizando apenas materiais reciclados. A iniciativa tem o objetivo de tornar a atividade do artesanato cada vez mais profissional, mostrando que é possível aliar arte, retorno financeiro e sustentabilidade.

Uma das artesãs parceiras do projeto é Maria Holanda. Ela é a que está há menos tempo participando, mas já colhe os benefícios do trabalho que é realizado. “O projeto é maravilhoso, é uma boa ideia e que surjam outras. Agradeço ao grupo do projeto que muito incentiva a gente, orienta e acho que, sem eles, os orientadores do projeto, seria mais difícil”, ela pondera.

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Projeto “Arte Sem Fronteiras” [arte e foto: Helen Almeida].

Já Elvira Nascimento, que tem como uma de suas especialidades o retalho de malhas para tapetes, jogos de banheiros, entre outros, também exalta o salto de qualidade que as orientações deram em seu trabalho. “Fabricava minhas coisas, mas não tinha como vender. A gente ia fabricando sem saber direito o que fazer. Mas hoje não, hoje a gente tem como expor a mercadoria da gente, o artesanato da gente, a gente tem uma renda. Eu que sou dona de casa, trabalho com isso. Está muito bom, e o apoio que a gente tem, com a orientação vai ficando muito melhor”.

Uma das orientações citadas pelas artesãs é na parte de criação dos produtos vendidos. Auxiliado pela professora de moda da Universidade Veiga de Almeida, Lucília Ramos, o projeto organiza reuniões mensais em que elas têm espaço para opinar e dizer o que pode ser mudado, além de receberem dicas de como melhorar e colocar preços nos produtos a serem vendidos.

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Obras das artesãs do “Arte Sem Fronteiras” [foto: Helen Almeida].

Rosemery Alves, especialista em trabalhos de reciclagem com caixa de leite, complementa a colega. “É um suporte muito bom, pois tem a reunião mensal em que as pessoas ouvem a nossa dificuldade, tentam trazer as soluções. Tem a professora Lucília, que dá todo o apoio para a parte de melhorar o produto. Ela faz reuniões com cada um dos artesãos separados e explica como a gente pode melhorar e isso é muito legal, porque você não encontra isso. É até muito caro de você conseguir uma assessoria assim, e você tem isso no projeto”, ela explica.

O Arte Sem Fronteiras disponibiliza um local no Lar Frei Luiz, na Taquara, em Jacarepaguá, no qual as artesãs podem vender seus produtos. Para elas, este é um dos diferenciais, já que o trabalho no local é muito mais produtivo do que nas feiras. Além disso, por apostar na sustentabilidade, o projeto minimiza os gastos com os artesanatos, como conta a artesã Christiane Felix.

Segundo ela, a reciclagem é importante. “A gente consegue economizar mais ao invés de comprar alguns produtos. Antigamente eu trabalhava com MDF (material de artesanato convencional), e o mesmo trabalho eu posso fazer com uma telha ou uma garrafa. O legal é isso, as pessoas admirando nosso trabalho. O projeto é muito importante, quanto mais pessoas conseguir alcançar, é bom para todo mundo”.

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Peças do projeto “Arte Sem Fronteiras” [foto: Helen Almeida].

Adepta da arte da aplicolagem, que consiste no trabalho de papel de jornal e revistas sobre qualquer superfície, Creuza Reis reforça a colega artesã sobre a importância do trabalho com a reciclagem e o benefício lucrativo que esse tipo de prática produz. “Eu valorizo a reciclagem porque nós gastamos menos com material e estamos ajudando o meio ambiente com isso”.

Creuza ainda destaca a competitividade do meio e as raridades que se encontra no artesanato. “Se eu fosse comprar todo o material de trabalho, eu nem era artesã mais, porque não compensa. É muita competição, muita feira. E eu abracei o Arte Sem Fronteiras, porque é um projeto que bateu com que eu queria, com que eu acreditava, que era isso: a sustentabilidade, o reaproveitamento. Tenho peças únicas, eu faço e não tem como repetir, porque eu aproveito pratos quebrados, bandejas rachadas, material de madeira, que talvez fossem para o lixo”, ela ressalta.

Além de toda sustentabilidade que o projeto envolve, utilizando materiais reciclados e transformando o lixo em artesanato, as artesãs que participam do projeto levam consigo algo que vai além do lucro de suas mercadorias, como diz Rosemery Alves. “Ajuda demais na minha autoestima, é muito importante você ver o seu projeto ser reconhecido. As pessoas veem o lixo como lixo, quando você consegue pegar uma caixa de leite que o cara joga fora ou que iria para o lixo e consegue transformar numa peça que a pessoa fica encantada de ver, isso é o maior presente que eu posso ganhar em relação ao projeto, não tem dinheiro que pague. Quando a gente faz uma peça, você põe muito mais que um simples material, você põe uma parte de você. Isso não tem preço”.


Ive Ribeiro

A geometria de Gaudí em foco

Chegou ao Rio de Janeiro, na última quinta,16, a exposição “Gaudí: Barcelona, 1900”, que apresenta parte do trabalho e trajetória do célebre arquiteto espanhol Antoni Gaudí, uma das figuras mais proeminentes do Movimento Modernista e cujas obras ajudaram a criar a identidade visual e cultural da cidade espanhola. Alocada no Museu de Arte Moderna, na região central da cidade, a mostra reúne maquetes e outras peças desenhadas pelo artista catalão ao longo de quase 40 anos de trabalho.

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Visitante da Exposição “Gaudí: Barcelona, 1900” [foto: Mateus Augusto Rubim].

Gaudí é conhecido pelo estilo próprio e imaginativo, que casa o trabalho de arquiteto com o de artesão. Como representante do movimento modernista, foi precursor do naturalismo na arquitetura, utilizando todo material até o limite de sua resistência. O estudo dos movimentos da natureza foi responsável pela geometria única de seus projetos, que anda lado a lado com a estética. Isso é exposto na mostra através de maquetes, como a Casa Batló e o Parque Güell, dois marcos da arquitetura na cidade de Barcelona do início do século XX.

Um dos destaques da exposição é a réplica da Sagrada Família, um templo católico de inspiração gótica em que Gaudí trabalhou em 1883, assumindo o lugar do arquiteto original, Francisco del Villar. Gaudí alterou a concepção inicial da basílica, incorporando o próprio estilo naturalista e dando luz a uma das edificações mais impressionantes da Europa. Estão presentes maquetes de diferentes seções do projeto, sendo possível perceber a riqueza de detalhes até mesmo nas réplicas.

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Para o estudante de Museologia da UNIRIO, Mateus Augusto Rubim, a exibição de projetos de outros artistas poderia ter ganhado uma sinalização específica. “A primeira sala retrata um estilo em que outros artistas estavam inseridos, e a exposição mostra muito bem isso. Faltou sinalização”, comenta o jovem, que também é fotógrafo. “Gaudí marca muito essa parte da arte que liga o moderno com o contemporâneo”. A sala em questão apresenta trabalhos de diversos artistas – pintores, escultores, artesãos – contemporâneos a Gaudí, mas que seguem a linha do Modernismo catalão.

Em conclusão, “Gaudí: Barcelona, 1900” traça o auge do artista espanhol mostrando, em detalhes, técnicas e estudos realizados, além de destacar o legado da arte modernista proposta por Gaudí na virada do século XX e que está eternizado pelas ruas da fascinante Barcelona. Indispensável para amantes de arte e arquitetura, a exposição é mais um marco no circuito cultural da cidade do Rio de Janeiro, ficando em cartaz até o dia 30 de abril.


Beatriz Brito – 5º Período

#soudessas

Como todos sabem, no dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Dia que não deveria ser esquecido ou questionado. Pensando nisso, a Casa Ipanema criou o evento  “#soudessas”, com fotos tiradas por mulheres durante o Carnaval para ressaltar a essência e a naturalidade feminina, além de produções artesanais. Tudo feito exclusivamente por elas, as mulheres artistas.

O objetivo do projeto, iniciado no ano passado, é falar sobre o empoderamento feminino e do ciclo de empreendimento das mulheres. Elas são inovadoras. Seja no visual ou no trabalho, sempre buscam novas formas de melhorar e promover segurança, não apenas para elas, mas também para os que estão ao seu redor.

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Evento “#soudessas” [foto: Luana Ucha/Agência UVA].

O evento busca, também, transmitir a ideia de que a mulher tem que ser quem ela quiser ser e fazer o que deseja, sem seguir padrões, estereótipos, convenções sociais e quaisquer outros tipos de obrigações. A partir do desenvolvimento de seus próprios projetos, algumas artistas mostraram suas obras e falaram sobre seus objetivos.

A poeta, atriz e produtora cultural Ara Nogueira é um exemplo dessa força feminina. O trabalho “Xereca Satânika” é ousado e de forte apelo social. Expõe fotos em ímã e fala sobre a “marginalização do clitóris”, que é basicamente um protesto contra a censura da natureza sexual feminina. Entre cliques eróticos, Ara escreve poemas libertários e explora os pensamentos das mulheres. A obra é um perfeito trabalho que relaciona a libido feminina com o seu próprio querer e controle corporal. Um show de intensas sensações.

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Ara Nogueira [foto: Luana Ucha/Agência UVA].

Ao lado, Joana Uchôa apresenta pinturas diversas que falam desde o amor e amizade, até a simples demonstração de algo que a chamou a atenção em uma balada com a amiga. Com o trabalho “Azulejos”, pessoas dando as mãos, abraçadas ou juntas são pintadas, mas sempre sem rosto, criando, assim, uma identificação com o espectador.

Além disso, a artista formada em Belas Artes criou o “Quadrões”, que são desenhos em telas que reproduzem o que ela encontrou ou ouviu de diferente na rua e que, em alguns casos, traz pensamentos inusitados. Um dos quadros pintados questiona se um tubarão baleia é um “balão” ou um “tubareia”. O questionamento fica para o público.

A exposição de fotos, que é o grande marco do evento, está no terceiro andar da Casa, dando a chance de experimentar a incrível cerveja da Angels & Devils. Feita artesanalmente em Nova Friburgo, a cerveja possui duas versões: a mais clara e a mais escura. A primeira tem um sabor mais doce, perfeita para aproveitar a festa ao som das músicas da cantora Illy Gouveia, que teve como inspiração, grandes cantores como Maria Bethânia, Elis Regina e Caetano Veloso.

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Illy Gouveia [foto: Luana Ucha/Agência UVA]

Já a segunda é intensa, com um sabor mais amargo, sendo perfeita para a exposição de fotos na escada que mostram as mulheres na sua forma mais natural, sem censura. Em passos de dança, abraços e poses, o natural floresce e prepara o coração do espectador para o clima carnavalesco do evento. Ele retrata a liberdade da mulher de usar, ser e vestir o que quiser. Por meio de glitter e seios descobertos, o ativismo do movimento feminista mostra sua importância e encoraja outras mulheres para pensarem em si mesmas.

Por fim, se a necessidade é de mudar o visual, o segundo andar oferece diversas marcas de roupas para essa vontade. Diante dos lixos que são jogados fora, novas formas de reutilização são inseridas no mercado. Pensando nisso, Fernanda Nicolini, fashion designer e dona da Odyssee, juntou o que não seria útil com o agradável.

A partir de peças eletrônicas, um colar ou brinco pode ser criado, apresentando a estratégia de um projeto de descarte eletrônico limpo e sustentável. Além de preservar o meio ambiente, uma nova forma de pensar sobre o mundo pode ser depositada nos braços ou pescoços de quem deseja algo excêntrico. A marca possui parceria com o Oi Futuro, tendo data para exposição da nova coleção em abril, possivelmente.

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Evento “#soudessas” [foto: Luana Ucha/Agência UVA]

Ao lado da grande da tecnologia, a areia movimenta o chão de Ipanema. Com uma linda coleção de biquínis e maiôs coloridos, a Aro, criada pela Isadora e pela Daniele, enfeitou a Casa Ipanema com uma moda divertida e chamativa. Os biquínis de dupla face acompanham a versatilidade da mulher brasileira, sempre estando pronta para mudar. Há maiôs lisos e com desenhos, variando de gosto, mas mantendo o conforto como prioridade.

A internacionalização do dia 8 de março é importante, pois lembra que as diferenças, mesmo que pequenas, fazem do mundo um lugar melhor e diversificado. Além de programas e eventos para comemorar a força e a vida das mulheres, é necessário manter o respeito pelas fundadoras da sociedade, afinal, nascemos de heroínas. A exposição continuará até o dia 12 de março na Casa Ipanema, Rua Garcia d’Ávila, 77.

Contatos das artistas:

ARA NOGUEIRA

Facebook: Ara Nogueira

Tumblr: aranogueira.tumblr.com

JOANA UCHÔA

Facebook: Arte Joana Uchoa

Instagram: joanamuchoa

Tumblr: joanauchoa.tumblr.com

ALICE FERRARO

Cel.: +5521968111591

Instagram: @alizcze

Site: www.aliceferraro.store

LOJA ARO

Instagram: @aroswimwear

ODYSSEE

Cel.: +5521988276842

Facebook: odysseebr

Instagram: @odyssee_br

E-mail: contatoodyssee@gmail.com


Luana Vitória Ucha – 3º Período

A mulher na História do Brasil

Casamento - estratégia política

Quadro representando a união entre as famílias reais portuguesa e austríaca.

O Museu de Arte do Rio apresenta até 26 de junho a exposição “Leopoldina, a Princesa da Independência”, que retrata a vida de uma das figuras mais marcantes da História do Brasil: Maria Leopoldina, Arquiduquesa de Áustria e esposa de D. Pedro I – com quem teve sete filhos -, e que desempenhou um papel essencial no processo de libertação da então colônia portuguesa nas Américas.

A exposição trata dos acontecimentos mais importantes da trajetória da imperatriz, desde o nascimento, em Viena, passando pelo momento em que Leopoldina, aos dez anos, viu a mãe, Maria Teresa da Sicília falecer, aos 34 anos, em 13 de abril de 1807, até chegar à morte da arquiduquesa no Rio de Janeiro.

Entre os quadros, cartas, documentos, e mobílias que compõem a mostra, há um item que se destaca: a tela que retrata o casamento de D. Pedro I e Maria Leopoldina. A obra relembra o público o fato de que durante aquela época, os casamentos reais funcionavam como aliança e apoio político entre famílias. E no caso deles, o matrimônio fortalecia relações entre a Áustria e Portugal.

A união se deu porque Leopoldina, sabendo que exerceria apenas o papel de arquiduquesa na Áustria, decidiu se casar com dom Pedro, mas ela tinha consciência dos desdobramentos da ação e exerceu com boa vontade o papel de esposa e mãe. Entretanto, a Imperatriz não exerceu apenas essa função.

A arquiduquesa acompanhou diversos acontecimentos, como o sistema de comércio escravocrata liderado pela Inglaterra, os debates sobre a legalidade e a tolerância à comunidade judaica e a formação da Santa Aliança, estabelecida entre os Impérios Russo e Austríaco e o Reino da Prússia.

Na exposição, o público percebe por que Maria Leopoldina é uma figura tão icônica até os dias de hoje. Após a ida de Dom Pedro I para São Paulo em agosto de 1822, para pacificar a política, a Imperatriz foi nomeada pelo marido à Chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente, para governar o país durante a ausência do consorte.

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D. Pedro I e Maria Leopoldina.

Além disso, não foram só os esforços do imperador que culminaram no grito da independência, mas também, os atos de Leopoldina, pois, após saber que os portugueses estavam preparando uma ação contra o Brasil, a imperatriz se reuniu com o Conselho de Estado, assinando um decreto da independência, declarando o Brasil separado de Portugal. E assim, sacramentando a proclamação da independência em setembro.

Em meio aos esforços da imperatriz para fazer o melhor para todos, acabou não sendo o suficiente para se livrar de uma morte tão antológica quanto sua trajetória. A princesa Leopoldina morreu de causas ainda não apuradas, tendo em vista, comentários de que a morte foi causada por “febre”. A notícia se espalhou por todos os lugares, seguido de choro e tristeza pelo falecimento.

A exposição destaca a importância da princesa para o Brasil, pois, além de ter sido esposa de dom Pedro I, era conhecedora de técnicas científicas e cultura, contribuindo para o desenvolvimento artístico e tecnológico do país. A partir disso, podemos destacá-la como um grande símbolo feminino, afinal, àquela época, a mulher não possuía liberdade de aprender e exercer o que quisesse, apenas fazia o que era mandado e considerado certo para elas.

No dia 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher, dia que não deveria ser esquecido ou questionado. Leopoldina mostrou-se forte durante muitos anos, principalmente diante do fato de morar no Palácio de São Cristóvão com a amante de dom Pedro I, Domitila de Castro, o que, obviamente, não a agradava. Diante dos problemas no relacionamento e do isolamento que sofria desde muito nova, continuava impondo-se e mudando a política do país e influenciando os costumes da sociedade.


Lucas Monteira– 3º Período

Capa em cores

Não é de hoje que a fotografia é uma das mais belas ferramentas que possibilitam a apreciação das belezas do mundo. Seja em uma foto ou álbum para recordação de paisagens, família e amigos, a fotografia está sempre presente nas sociedades. E no fotojornalismo, isso não é diferente, pelo contrário, é retratado a história e tudo o que aconteceu durante a época. Independente do gênero, como é no entretenimento, esporte, política, entre outros. E, agora, a população carioca tem a possibilidade de pelo menos conhecer ou recordar um profissional, que durante anos, fez história com fotografia de guerra. Ninguém menos que o húngaro Robert Capa (1913-1954), grande fotógrafo que capturou imagens da Guerra Civil Espanhola, II Guerra Mundial e, por último, a Guerra da Indochina.

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Ala da mostra exibe imagens capturadas por Capa em uma de suas viagens à Noruega [foto: Lucas Monteiro /Agência UVA].

Entretanto, não eram só as guerras que chamavam a atenção, e sim, o tipo de fotografia. Capa costumava fotografar para provocar ação, imagens tremidas, sem foco. E isso fez com que fossem definidos dois procedimentos: o primeiro de que a foto não é boa quando feita de perto; e outro que a fotografia de guerra possa ficar, sem ser percebido, fora de foco. Foram 4.500 negativos feitos por Capa, que, logo depois, viraram referência para o mundo da fotografia. Fotos icônicas de guerra, com o olhar preciso do húngaro. Porém, as fotografias de Robert não entraram para a história da humanidade como um todo, mas também de artistas bastante conhecidos até hoje. Como por exemplo, a fotografia de Pablo Picasso brincando com o filho no mar.

Além do artista espanhol, há fotografias de outras grandes personalidades da arte, tais quais o ator Humphrey Bogart, o escritor Hemingway, e os cineastas Ingmar Bergman e Roberto Rossellini, mostrando a versatilidade de Capa, cuja carreira perpassou as guerras, praias e resorts, e chegando até as fotografias de moda em Paris e Roma. Ademais, o acervo revela uma faceta desconhecida de Capa: as fotos coloridas. Nunca antes havia acontecido de Capa fotografar com filme colorido. E mesmo com belas fotografias em preto e branco, o trabalho ficou único. Trazendo mais beleza e peculiaridade ao acervo.

E, por fim, devido à obra do destino, o fim de Capa foi tão singular quanto a trajetória do fotógrafo, que morreu ao voltar à base de seu trabalho: os campos de batalha. Durante a Primeira Guerra da Indochina, em 1954, Robert estava seguindo os soldados, quando acidentalmente pisou em uma mina terrestre, ocasionando o falecimento, tornando a carreira deste nome ainda mais intrigante. Em meio ao acervo cheio de preciosidades do grande trabalho de Robert Capa, há também a única gravação de voz do fotógrafo, feita em uma entrevista na rádio The Rare, em 1947. Isso e muito mais, está disponível ao público na exposição “Capa em Cores”, no Oi Futuro Flamengo. A exposição está aberta gratuitamente até o dia 9 de abril.


Lucas Monteiro-  3º PERÍODO