Biblioteca-Parque recebe exposição coletiva de 20 artistas

A Biblioteca-Parque Estadual do Rio de Janeiro, localizada no centro da cidade, inaugura a exposição “Sala de Leitura”, nesta sexta-feira (02). Com a curadoria de Osvaldo Carvalho, as diversas obras têm a proposta de levar o público à refletir sobre o ato de ler, por meio da palavra ou da imagem.

A exposição apresenta pinturas, desenhos, esculturas, fotografias, assemblages, colagens, videoartes, gravuras, objetos e instalações. Além disso, a mostra traz ainda atividades culturais para a abertura, como um flash mob em frente à Biblioteca e a performance de Isabela Frade. Oficinas de arte e rodas de conversa também serão oferecidas ao público.

Obra de Isabela Frade. (Foto: reprodução)

Sob a coordenação de Lia do Rio, a exposição “Sala de Leitura” está aberta das 16h às 19h, nesta sexta-feira (02). De segunda à sábado, até o dia 06 de setembro, a mostra ocorre das 11h às 17h. A Biblioteca Parque está na Av. Presidente Vargas 1.261, Centro, Rio de Janeiro.

Obra de Roberto Tavares. (Foto: reprodução)

Veja os artistas presentes na exposição:

Ana Herter, Angela Rolim, Cecilia Cipriano, Claudia Malaguti, Gilda Lima, Grasi Fernasky, Hudson Lima, Isabela Frade, Jo Iocken, João Moura, Júnia Azevedo, Ligia Calheiros, Luiz Badia, Marciah Rommes, Miro PS, Petrillo, Roberto Tavares, Rosi Baetas, Sandra Macedo e Teresa Stengel.

Thatiana Cordeiro – 6º período

Paul Klee-Equilíbrio Instável

Exibição das obras e vida do artista modernista clássico no RJ, SP e BH.

O Ministério da Cidade junto ao Banco do Brasil e a BB Seguros, com apoio da Catena, realizam a exposição Paul Klee – Equilíbrio Instável. Exclusiva ao Brasil, a exibição conta com mais de 100 obras, dentre elas pinturas, gravuras, painéis e fantoches. A atração está presente no CCBB do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte trazendo, novamente, um dos artistas mais importantes da modernidade clássica. Com objetivo de promover acesso amplo e democrático à cultura, tendo com isso a formação social e cultural do público, o Centro Cultural apresenta, entre suas obras, coleções e artes pouco conhecidas e raras, fornecidas pelo Zentrum Paul Klee de Berna, na Suíça.

Paul Klee no Brasil

Klee influenciou diversos brasileiros, principalmente depois da Segunda Guerra Mundial, devido às reproduções em revistas e livros de arte, contendo a única obra do artista em coleções brasileiras a Die Heilige vom innerem Licht (A Santa da luz interior, 1921,122), uma litografia a cores que estão, atualmente, no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP). Além disso, o artista já foi alvo presente em algumas exposições artísticas realizadas no país, como as das Bienais de São Paulo de 1953, 1957 e 1965, e em 1996 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM RJ) e no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), com obras da coleção Noprdrhein-Westfalen, Düsseldorf (Alemanha).

A exposição do acervo do Zetrum Paul Klee traz consigo uma nova leitura sobre as obras e projetos do artista suíço. O nome se dá à maneira que Klee se dedicou às obras durante a década de 1920, muitas vezes as intitulando com a palavra equilíbrio, como por exemplo Schwankendes Gleichgewicht (Equilíbrio instável), Gesuchtes Gleichgewicht (À procura do equilíbrio) e Gleichgewicht-Capriccio (Equilíbrio Capriccio). O nome Instável se dá à forma que o artista tematizava as relações de força de suas composições carregadas de tensão, às quais ele incorpora símbolos de setas como marcações. Além disso, a exposição conta com curiosidades sobre Klee, como sua trajetória de vida e trabalho, assim como técnicas de pintura e músicas preferidas.

Interessado nas obras do artista? Confira, abaixo, alguns quadros e fantoches de Paul Klee:

Fotos: Luana Ucha (Agência Uva)

ONDE? Centro Cultural Banco do Brasil (R. Primeiro de Março, 66 – Centro)

HORA E ATÉ QUANDO: Das 9hrs às 21hrs / atração disponível até 12/08/2019

QUANTO? Entrada franca. Bilhetes podem ser retirados aqui.

Luana Ucha – 7° Período

Após enchente, Museu Casa do Pontal apresenta exposição no Espaço Cultural do BNDES

Exposição “Fronteiras da Arte: Criadores Populares” apresenta esculturas de mais de 27 autores nesta quinta-feira (25)

Com o seu local de origem fechado para o público desde a enchente que colocou em risco cerca de 4 mil peças, a exposição criada pelo Museu Casa do Pontal só foi possível depois de ter sido selecionada em um edital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Com intenção de estimular a recriação de um pensamento comum sobre a produção de arte popular brasileira, serão feitas exibições de esculturas de artistas consagrados, como é o caso de Mestre Vitalino. O Ceramista popular e músico ficou famoso nos anos 60 durante uma viagem ao Rio de Janeiro, quando teve parte de suas peças leiloadas em benefício da construção do Museu de Arte Popular de Caruaru.

Museu Casa do Pontal inaugura no Espaço Cultural BNDES a exposição “Fronteiras da Arte – Criadores Populares” / Foto: Agência Brasil

Os visitantes terão até o Domingo (28) para conhecer as 100 peças que fazem parte o acervo oficial do museu. A exposição terá também viés histórico, contando com autores importantes para a visibilidade da arte popular, como Zé Caboclo, Manoel Eudócio.

O Espaço Cultural BNDES funciona de segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 19h e conta com entrada gratuita. Disponibiliza, ainda, Visitas guiadas: de segunda a sexta-feira, às 12h30; quartas e quintas-feiras às 18h15.

Museu Casa do Pontal inaugura no Espaço Cultural BNDES a exposição “Fronteiras da Arte – Criadores Populares” / Foto: Agência Brasil

Endereço:FRONTEIRAS DA ARTE – CRIADORES POPULARES
Espaço Cultural BNDES
Av. República do Chile 100, Centro
De 25 de abril a 28 de junho


Arielle Curti – 7º período



Entenda como o incêndio na Catedral de Notre Dame é uma perda para a história da arte

A professora de arte contemporânea, Luciene Aragon, comenta sobre a tragédia

Professora de arte contemporânea da Universidade Veiga de Almeida comenta tragédia

Incêndio em um dos maiores símbolos da arquitetura gótica do começo do último século chocou o mundo na última segunda-feira (15). Carregada de história, as obras da catedral de Notre Dame foram iniciadas em 1163 e, mesmo com o tempo, resistiu a diversas intempéries durante os anos, servindo de ponto turístico gratuito para a França atual.

O século doze foi marcado por transformações na Europa e por isso, tinha necessidade de renovação. Para Luciene Aragon, professora da disciplina de arte contemporânea, a França foi o centro da evolução da arte. “Houve a criação de uma nova classe social – os burgueses – e por isso, novas rotas de negociação”, explica. A estrutura gótica se desenvolveu nesta mesma época e era uma das características mais marcantes da Catedral. Diferenciava-se das já estruturadas arquiteturas românicas e traziam leveza para as construções religiosas. “As igrejas românicas eram muito escuras, o gótico traz o desenvolvimento da técnica de vitrais e dos arcos nervurados, criaram abóbodas maiores e paredes com mais aberturas. Criou-se uma maior luminosidade dentro daquele espaço”, comenta.

Notre-Dame tornou-se simbólica pois passou mais de um século sendo construída e, atualmente, com mais de 850 anos, possui cerca de 128 metros de altura e está na parte antiga da cidade de Paris. A professora explica que por ser secular, a Catedral passou por diversos regimes políticos e, portanto, por uma série de revoluções. “A catedral sofreu um ataque durante a revolução francesa e uma área, chamada Galeria de Reis, foi completamente destruída. Nesse momento a população durante o processo de perseguição a realeza atacam esculturas sem entender que elas, na verdade, se referiam aos reis judaicos”. A galeria tinha 28 estátuas e seus fragmentos foram soterrados. Foram reencontrados apenas em 1776 e doados para o Museu Cluny, de arte medieval de Paris.

Cabeças de estátuas destruídas durante a Revolução Francesa, agora em exposição no Museu Cluny. Foto: Luciene Aragon

Luciene revela também que parte das lendas em volta de Notre-Dame são o que a tornam interessante. Histórias como a de Quasimodo – um corcunda que vivia nas torres do sino da igreja, viraram o livro escrito por Victor Hugo, chamado “O Corcunda de Notre Dame”. Este personagem foi retratado baseado no livro pelos estúdio Disney, criando a produção de mesmo nome.

Pessoalmente, a professora tem uma ligação especial com Notre Dame. “Eu estava passando por uma série de questionamentos na minha vida, então eu fiz essa viagem para Paris e foi uma época de muita reflexão para mim. Eu aguardei a oportunidade de passar o Natal dentro da Catedral debaixo de chuva, junto com uma multidão”. Lá haviam pessoas de todos os lugares, falando todas as línguas o que criou um momento de acolhimento e significação.

Luciene Aragon em frente a Catedral em Dezembro de 2013. Foto: Luciene Aragon

“A França tem uma grande importância na mudança da história ocidental e do mundo. Lugares como Notre Dame, que são monumentos artísticos, são também lugares sagrados e pertencem a humanidade”, finalizou Luciene.

LEIA TAMBÉM: Doadores milionários se mobilizam para reconstruir Notre-Dame


Arielle Curti – 7º Período L

Dia do Circo: saiba mais sobre a história e os benefícios da atividade circense

Conheça como se mantém ativa a tão antiga prática circense

Nesta quarta-feira (27) é comemorado o dia do circo. A escolha da data foi em homenagem ao palhaço Piolin, personagem do artista Abelardo Silva. Dia 27 de março era o seu aniversário. Piolin era filho de circenses e cresceu no meio dessas artes, o palhaço ficou conhecido internacionalmente na Semana de Arte Moderna de 1922, se notabilizando como um dos principais expoentes da arte de circo no Brasil e no mundo.

Os circos surgiram em Roma, no Século III a.C., onde aconteciam espetáculos de corridas, lutas entre gladiadores ou desses contra animais e jogos de ginástica. Desde o início, atividades físicas das mais diversas sempre estiveram ligadas à cena circense. Uma conexão que permanece até hoje, mais ativa do que nunca.

Um dos lugares que ajuda a manter viva essa conexão é a escola de atividades circenses Circus Fit. A escola oferece aulas como: lira circense, polesporte, tecido acrobático e acrobacia de solo, disponíveis para adultos e crianças, entre outras. O método de ensino de circo da escola já rendeu dois troféus na Mostra Competitiva de Circo Amador e o de ensino de PoleSport já possui dois bicampeonatos brasileiros.

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Alunos e professores da Circus Fit Foto: Reprodução / Facebook

A bailarina e educadora física, Mariana Mazullo, professora e cofundadora da Circus Fit, conta um pouco de sua trajetória profissional e envolvimento com o circo. “Comecei a fazer aula de tecido e uma professora falou para eu tentar a prova da Escola Nacional de Circo. Logo depois apareceu uma viagem para trabalhar em um circo nos Estados Unidos e fiquei quatro anos. Depois surgiu a oportunidade de trabalhar no Cirque du Soleil e fiquei três meses”.

Mariana conta também que, na sua experiência, aliar prazer com o exercício faz toda a diferença no resultado para a saúde. “Aqui, mesmo sendo só duas horas na semana, a pessoa acaba tendo mais frequência. Acaba tendo benefícios físicos e sociais, criando vínculos. Ganha flexibilidade, força, agilidade, enfim, vários benefícios físicos e sociais também”.


Matheus Marques – 7º Período

Exposição de Jean Basquiat chega ao Rio de Janeiro

Desde o último dia 12 de outubro, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) abre suas portas para receber a exposição de um dos maiores nomes do movimento artístico neoexpressionismo – as obras da coleção Mugrabi de Jean Michel Basquiat – que vão ficar no Rio de Janeiro até o dia 7 de janeiro de 2019. A mostra conta com mais de 80 quadros, desenhos, gravuras e inclusive pratos de porcelana com pinturas famosas, feitos pelo pintor americano de descendência afro-caribenha, que recentemente entrou para o clube dos artistas que tiveram sua obra vendida por mais de cem milhões de dólares.

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A história do pintor neoexpressionista Foto: Kim Oliveira / Agência UVA

A exposição “Jean Michel Basquiat – Obras da Coleção Mugrabi” tem esse nome, porque quem possui as artes é o multimilionário José (Yosef) Mugrabi, um colecionador israelense que conquistou sua fortuna após se mudar para a Colômbia com 16 anos e começar a trabalhar na indústria têxtil, tendo anos mais tarde se tornado um dos principais nomes do setor de importação. Depois de se mudar para Nova York, um amigo e curador chamado Jeffrey Deitch o apresentou para a cena artística da cidade, que estava crescendo muito nos anos 80, a partir daí, começou seu hobby. Hoje ele é dono da maior coleção privada de Andy Warhol – que vai aparecer nessa exposição várias vezes – e da mais importante coleção de obras de Basquiat.

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Quadro “Ovos”, de Basquiat e Andy Warhol Foto: Kim Oliveira / Agência UVA

Localizado no Centro do Rio de Janeiro, o CCBB vai receber pela primeira vez uma retrospectiva do artista negro no país, sendo a maior da América Latina. Desde suas primeiras obras, ainda na década de 70, até seu último ano de vida. No primeiro andar do museu, existe um ambiente adaptado, cheio de luzes, em que artistas brasileiros homenagearam o pintor nova-iorquino em suas obras. A atendente de 22 anos, que foi visitar o local, Maria Martins, opinou sobre: “Com tantos artistas assim criando pinturas em homenagem a ele, já se imagina o quanto o pintor é importante para a arte”. No segundo andar, todas as mais de 80 obras estão em ordem cronológica e contam por meio da arte e pequenos textos espalhados, sua história e evolução no mundo artístico.

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Quadro “Coelho Vermelho” Foto: Kim Oliveira / Agência UVA

Apesar de começar pichando paredes e seu estilo lembrar as ruas de Nova York, ele não é grafiteiro. Porém, sua rapidez na execução, seu traço grande e a frontalidade têm bastante semelhanças. Basquiat gostava também de misturar as imagens com o texto – para ele era tudo igual. Segundo a guia da exposição do CCBB, Mariana Morais, o artista inovou: “Ele começa a pintar de uma forma completamente nova e original, tentando quebrar essa questão do desenho tradicional que todos conheciam há muito tempo, com as mesmas questões de profundidade, perspectiva e fundo das obras.” O pintor também leva esses desenhos “infantis” para sua vida adulta de artista, como é possível ver em algumas obras dele, inclusive com muitos quadros coloridos.

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“Flash em Nápoles” Foto: Kim Oliveira / Agência UVA

Segundo Mariana, Basquiat tinha muito a característica do desenho de comics, ele gostava de HQs e tudo isso era uma peculiaridade dele. “Quando ele pintava, era muito particular, o que fica evidente quando você olha um quadro desse pintor. É possível reparar muitas referências em suas obras, ao mesmo tempo, ele estava ouvindo música, lendo um livro, vendo televisão e pintando seus quadros, por isso eu o acho tão contemporâneo. O que vivemos agora ele já pensava nos anos 80”. Nas artes dele, fica claro a multiplicidade nas imagens, que ele está absorvendo tudo que acontece ao seu redor: o que ouve na música, o que os amigos falam e tudo o que pensa. E, no fim, tudo é passado para a tela.

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Pinturas sobre pratos de porcelana de artistas famosos Foto: Kim Oliveira / Agência UVA

Uma característica que também chama atenção em suas pinturas é esse fascínio pela anatomia humana, o tem explicação: “Depois que Basquiat sofreu um acidente, sua mãe lhe deu um livro sobre os ossos do corpo humano e o pintor ficou fascinado por esse assunto, levando para as suas telas artes que mostram isso”. Outro atributo dele é a questão da representatividade negra, ainda mais no mercado dominado por artistas e apreciadores brancos. O homem negro era protagonista nas obras do norte-americano, que tinha uma preocupação em retratar essa realidade, já que era o único representante negro nesse setor e gostava de exaltar em suas pinturas esportistas e músicos pretos também.

A ordem da exposição começa com algumas imagens fotografadas na época em que ele pintava prédios de Manhattan, depois são mostradas algumas obras da sua primeira fase, quando o artista não tinha seu próprio ateliê e desenhava em seu apartamento, no final são apresentadas ao público algumas artes feitas com Andy Warhol, seu amigo, artista e também conhecido mundialmente. Estima-se que o CCBB gastou mais de cinco milhões de reais para trazer essa exposição ao Brasil e o público do Rio de Janeiro tem agora essa oportunidade de ver o gênio da arte contemporânea. O museu fica aberto de quarta à segunda e as visitas guiadas acontecem ao meio-dia e às 18 horas.

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“Ataque do Coração”, obra de Basquiat e Andy Warhol Foto: Kim Oliveira / Agência UVA


Kim Oliveira – 7º período

Exposição traz resistência ao MAR

Resistir é preciso. Essa é a ideia por trás da exposição “Arte Democracia Utopia: Quem não luta tá morto”, que ocupa o segundo andar do Museu de Arte do Rio (MAR) desde o último dia 15. A mostra faz parte do programa que comemora o aniversário de cinco anos do museu.

Abordando temas como os direitos indígenas, das mulheres, dos negros e da população LGBT, as obras expostas levam a refletir sobre o papel que a sociedade impõe a cada um desses grupos, frequentemente empurrando-os para as margens.

 

No texto que recepciona os visitantes à mostra, o curador Moacir dos Anjos explica o conceito de utopia: “(…) é a projeção de um território e de um momento nos quais desejos e direitos são de algum modo satisfeitos e observados”.

Mas quais desejos e direitos são esses? Em uma sociedade inegavelmente plural, logo se apreende que eles são individuais e variáveis dependendo do ponto de vista, o que significa que o próprio conceito de utopia tem características diferentes para cada um. Para Moacir, “o pensamento utópico é essencialmente político”.

É certo que o momento atual vivido pelo Brasil também é político e o debate sobre os direitos da população brasileira é urgente e imprescindível. Assim, a exposição vem em boa hora, oferecendo ao visitante a oportunidade de pensar e debater sobre temas como o racismo, a homofobia, o machismo, a violência e as questões de gênero.

 

Uma das obras mais interessantes é o conjunto de quadros feitos por Rosana Palazyan, retratado acima. O bordado que imita as páginas de um caderno é o mesmo utilizado para retratar a dor de mães que perderam seus filhos de forma violenta. A própria experiência pessoal da artista foi fundamental para a realização de seus trabalhos: ela perdeu o único irmão para a violência do Rio de Janeiro.

Com propostas interativas e peças magistralmente selecionadas, a negação de direitos fundamentais aos seres humanos é bem representada e traz para o pensamento o absurdo praticado no mundo. O curador da mostra explica que “são muitas as maneiras de fabular outro lugar que possa existir no futuro, embora fazer política e fazer arte sejam duas das mais antigas e constantes”.

A mostra é, então, uma tentativa de juntar esses dois campos e imaginar um futuro em que ambas possam caminhar lado a lado em prol de uma sociedade melhor, mais inclusiva, mais justa e mais habitável. Em suma, exatamente o que o Brasil precisa agora.

Leia mais: Exposição ‘O Rio do Samba’ reúne 800 obras e tem karaokê no MAR

A exposição pode ser vista no Museu de Arte do Rio, localizado na Praça Mauá, até 16 de maio do ano que vem. O horário de funcionamento é de terça a domingo, das 10 às 17 horas e o ingresso custa 20 reais. Além de estudantes e pessoas com deficiência, todos os cariocas e moradores da cidade do Rio tem direito à meia-entrada. A visita é gratuita para alunos da rede pública de Ensino Fundamental e Médio, além de professores também da rede pública, crianças de até 5 anos, idosos a partir de 60 anos, funcionários de outros museus, grupos em situação de vulnerabilidade social em visita educativa, vizinhos do MAR e guias de turismo. Às terças-feiras, a gratuidade é para todos.

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Camilla Castilho – 8° período

 

 

 

 

Exposição ‘O Rio do Samba’ reúne 800 obras e tem karaokê no MAR

Está aberto ao público desde o dia 28 de abril no Museu de Arte do Rio (MAR), a exposição “O Rio do Samba: resistência e reinvenção”. A mostra de longa duração vai ocupar o museu por um ano e terá como espaço principal o terceiro andar da instituição, área dedicada a investigar a história do Rio de Janeiro. Para explorar os aspectos sociais, culturais e políticos do mais brasileiro dos ritmos, os curadores Nei Lopes, Evandro Salles, Clarissa Diniz e Marcelo Campos reuniram cerca de 800 itens.

A história do samba carioca desde o século XIX até os dias de hoje é contada através de quadros de Candido Portinari, Di Cavalcanti, Heitor dos Prazeres, Guignard, Ivan Morais, Pierre Verger e Abdias do Nascimento; fotografias de Marcel Gautherot, Walter Firmo, Evandro Teixeira, Bruno Veiga e Wilton Montenegro; gravuras de Debret e Lasar Segall; parangolés de Hélio Oiticica e uma instalação de Carlos Vergara desenvolvida com restos de fantasias. O prato de porcelana tocado por João da Baiana e joias originais de Carmem Miranda são algumas das raridades também em exibição.

 

Há ainda cinco obras comissionadas pelo MAR criadas especialmente para a mostra. A convite dos curadores, Ernesto Neto e do carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira, foi criada uma instalação interativa que terá lugar de destaque na Sala de Encontro. A passarela que leva o visitante à sala de exposições é tomada por letras de músicas que falam sobre o próprio samba, ambientada por uma peça sonora criada pelo músico Djalma Corrêa, inspirada na batida do coração.

O visitante pode conhecer objetos usados pelos negros na lavoura, como o pão de açúcar – utilizado para carregar o produto e que, por seu formato, deu origem ao nome do famoso ponto turístico da cidade. Também entram em cena as festas rurais e religiosas: ao mesmo tempo que os instrumentos do candomblé se confundem com os do samba, manifestações como jongo e congada são encenadas em festejos como a Folia de Reis. A mostra conta também com figurinos criados por Di Cavalcanti para o balé “Carnaval das Crianças Brasileiras”, de Villa-Lobos.

 

A transformação do samba em espetáculo e o processo de retomada das origens fazem parte do último núcleo. “O Samba Carioca, um patrimônio” retrata a tradição das escolas enquanto voz de uma comunidade que usa o ritmo e seus elementos para representação social, além da grandiosidade dos desfiles, passando pela construção do sambódromo, do avanço do mercado fonográfico e a relação com a produção das composições. Joãosinho Trinta ganha destaque com fotografias de Valtemir do Valle Miranda. Há também a homenagem a Martinho da Vila e ao desfile “Kizomba, festa da raça”.

 

Uma parede da galeria é ocupada por 70 capas de discos raros e fotografias. Os compositores ganham voz e gravam canções, que poderão também ser ouvidas pelo visitante em uma playlist. A mostra fica no MAR até março de 2019, de terça a domingo, das 10h às 17h. Os ingressos custam R$ 20 e R$ 10 (meia). Às terças-feiras a entrada é franca.


Thais Fernandes – 7º período

Últimos dias para ver a polêmica exposição “Queermuseu”

Mostra se encerra neste domingo, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, na Zona Sul do Rio

Polêmica: palavra fundamental para compreender a trajetória da exposição “Queermuseu: cartografias da diferença na arte brasileira”. Inicialmente planejada para ser uma exibição fixa no espaço Santander Cultural, em Porto Alegre, a mostra foi cancelada um mês antes da data prevista, no ano passado. O cancelamento aconteceu devido a protestos que a acusavam de incitar a pedofilia, a zoofilia e a blasfêmia. Grupos religiosos e representantes do Movimento Brasil Livre (MBL) fizeram parte das manifestações e utilizaram as redes sociais para pedir o fim da mostra.

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Após ser vetada no MAR, “Queermuseu” é exibida no Parque Lage, Zona Sul do Rio de Janeiro Foto: Andressa Gabrielle / Agência UVA

Ela seguiria então para o Rio de Janeiro, aportando no Museu de Arte do Rio (MAR). Antes que isso acontecesse, porém, o prefeito e bispo evangélico Marcelo Crivella vetou a exposição, declarando que ela só aconteceria “no fundo do mar”.

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Obra “Cruzando Jesus Cristo com Deus Shiva” do artista Fernando Baril Foto: Camilla Castilho / Agência UVA

O Parque Lage, famoso ponto turístico do Rio e sede da Escola de Artes Visuais (EAV), se dispôs a ceder espaço para a mostra e lançou uma campanha de financiamento coletivo que quebrou recordes. A meta de R$ 690 mil foi ultrapassada: mais de 1.500 pessoas participaram da “vaquinha virtual”, arrecadando mais de R$ 1 milhão. O dinheiro arrecadado possibilitou não só que o público pudesse ver as obras, mas também financiou debates, projetos educativos e até a reforma das Cavalariças, local que abriga a mostra.

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A artista Bia Leite assina a obra “Travesti da Lambada e Deusa das Águas” Foto: Leticia Heffer / Agência UVA

Espalhados pelos três ambientes estão 264 trabalhos de autoria de 85 artistas brasileiros. A lista de nomes é diversa e passa desde Cândido Portinari à Lygia Clark. A questão da identidade de gênero, foco principal da “Queermuseu”, é perpassada por representações religiosas, arte moderna e muita diversidade. Há esculturas, pinturas e colagens, além de vídeos e cartazes. É visível a sensação de protesto que a própria mostra traz e que algumas das obras expõem.

Para o estudante Victor Garrel, de 17 anos, a exposição é importante por expor a cultura queer. “É necessário dar visibilidade a esse tipo de arte, que foge dos padrões artísticos e das normas comportamentais. Eu gostei da sensação de me ver representado em algum lugar”, conta ele. O próprio nome da mostra serve a esse propósito.

O termo queer costumava ser uma forma pejorativa de se referir a pessoas LGBT, foi revisto e passou a ser usado por elas para designar a própria orientação sexual. De certa forma, acabou se tornando protesto. “A exposição se tornou um jogo político, pois houve uma virada epistemológica depois que foi censurada. No início não foi imaginada como resistência, mas sim como uma dissidência dos corpos”, explica Matheus Morani, de 21 anos, estudante de História da Arte e um dos educadores da mostra.

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Escultura do artista Flávio Cerqueira chamada “Amnésia” Foto: Leticia Heffer / Agência UVA

A “Queermuseu” pode ser incômoda para alguns, mas talvez aí se dê parte de seu sucesso. A exposição fica em cartaz até 16 de setembro e pode ser visitada de segunda à sexta, das 12 às 20 horas e nos fins de semana e feriados, das 10 às 17 horas. O Parque Lage fica na Rua Jardim Botânico, número 414, na Zona Sul do Rio.


Andressa Gabrielle, Camilla Castilho e Leticia Heffer – 8º, 8º e 7º Períodos

Moda com propósito: o estilo da juventude em 1960

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 Reproduzido do Pinterest I Love Fashion

A roupa do dia era um conjunto de terninho com botões encapados e saia evasê, ambos de linho. A estampa do tecido eram listras verticais em rosa e branco. Salto de sete centímetros e uma bolsa: duas peças que deviam estar sempre a combinar. A cor? Branco, claro, para harmonizar com o terninho. A roupa costurada pelas próprias mãos foi produzida para ir à escola em que lecionava à turma de Ensino Fundamental. O estilo e o capricho na hora de se vestir eram reconhecidos pelas outras mulheres que moravam no bairro, que, ao vê-la passar rumo ao trabalho, comentavam: “Lá vem a elegante da Luis Sobral”.

A cena descrita acima foi vivida por Lidice Marcia Peçanha, de 68 anos. A roupa usada pela professora era comum às mulheres da época, no fim dos anos 50. Tempo em que a moda se torna revolucionária e passa a representar os desejos, as ideologias e a identidade do jovem. Um período de transformação. As mulheres com roupas comportadas, vestidos e saias rodadas começam a dar lugar às calças cigarette, aos terninhos e às saias e vestidos tubinhos. Uma das décadas mais ricas em cultura e moda, o ano de 1960 foi considerado um tempo de liberdade, principalmente para as mulheres, mas também, um ano de repressão.

Enquanto, por um lado, 1960 compôs um cenário importante para a moda, por outro, foi palco de um período turbulento e de grandes marcos na história recente do Brasil e do mundo. Os acontecimentos dessa década são representados por ‘Maio de 68’, época que emergiram grandes manifestações. O ideário contestador desse período surgiu ao longo dos anos anteriores – inspirado no sucesso de revoluções como a de Cuba, em 1959; e a independência da Argélia, em 1962 – até eclodir em 1968.

1968: o ano que não acabou

Maio de 68 foi semeado por anos cinzentos, mas marcou caminhos. Havia países em desenvolvimento se rebelando contra as grandes potências capitalistas e, ao mesmo tempo, o modelo soviético socialista era fortemente contestado. Na França, surgia uma onda revolucionária dos universitários e sindicalistas. No Brasil, então sob Ditadura Militar desde 1964, o ano também foi marcado por intensas mobilizações sociais e pelo endurecimento do regime. Maio 68 foi um movimento profundo, alimentado pela raiva contra a sociedade conservadora e a modernização dilacerante.

E em meio ao caos, a saída era se rebelar e expressar a ideologia contrária ao que era imposto à sociedade por meio da cultura, da música e da moda. Os anos 60 foram marcados por movimentos musicais que inspiraram a moda em dois sentidos: no comportamental e no comercial. O professor de História da Moda, Flávio Bragança, explica que nesse período a roupa surge como uma questão identitária. “Para se pertencer a um grupo e ao mesmo tempo se diferenciar de outros que não se tenha afinidade”, explica.

Até a década de 50 a moda tinha um padrão homogêneo, uma silhueta única. Nos anos seguintes, formou-se um novo grupo de consumidores, que romperam com essa estética ao decidirem não se parecer com os pais conservadores. Nesse novo cenário, o grande destaque eram os baby boomers – aqueles que nasceram após a Segunda Guerra Mundial. Pela primeira vez o foco era exclusivamente os adolescentes. Uma explosão da juventude em todos os sentidos.

Bragança aponta o crescimento da moda industrial como outro aspecto que incentivou essa fragmentação. Com a massificação da prêt-à-porter (pronto para vestir) as pessoas deixam, cada vez mais, de fazer roupa sob medida, com costureiros. “A indústria da roupa pronta estava totalmente atrelada com a juventude, porque ela precisava do imediato. E também com o comércio, porque incentivava a produção e a venda em larga escala”.  

Essas coleções abriram o caminho para a popularização de um produto de design a preço acessível, para todas as classes sociais. A moda única é deixada de lado e passa a existir um novo estilo, que varia de acordo com o comportamento. Torna-se um meio de expressar a personalidade e o individualismo.

Os movimentos musicais e a influência na moda

A música e a moda chegaram, lado a lado, a um patamar político sem precedentes no Brasil. Era mais do que ritmo e roupa, era um movimento, pois a música não se limitava aos discos e shows. Tudo deveria fazer sentido, das roupas ao corte de cabelo. O estilo era fundamental, transmitia a essência do que era ser jovem.

MPB, Bossa Nova, Jovem Guarda, Música de Protesto e Tropicália: foram os meios como a música popular brasileira se manifestou nos tempos da ditadura no País. Todos esses movimentos musicais foram protagonistas importantes para a construção da história e da memória do Brasil em 1960. Porém os que mais inspiraram a sociedade no quesito estética foram a Jovem Guarda e o Tropicalismo.

O primeiro chegou para balançar as estruturas, e os quadris, ao som do rock and roll e do pop em 65. O grupo composto por Roberto, Erasmo e Wanderléa conquistaram corações com sua estética mod, terninhos, minissaias, lenços, vestidos tubinhos e cabelos sempre bem penteados. Foram trilha sonora de festas e beijos de adolescentes com os hormônios a flor da pele. Também conhecidos como a “turma do iê iê iê”, que tem origem do “yeah yeah yeah” dos Beatles – maior influência externa -, o grupo teve grande apelo midiático, por fazer parte do programa “Jovem Guarda” que foi transmitido durante três anos pela TV Record. “Quando chegou em 68, eles (a jovem guarda) trocaram a estética mod pelo cabelo e barba grande, roupas mais coloridas e outras inspirações do hippie e de Woodstock“, relembra Flávio.

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Ícones da Jovem Guarda, Roberto, Erasmo e Wanderléa formaram padrões de moda nos anos de 1960 (Reprodução do Tumblr Brasilbrasilbrasil)

Já o movimento Tropicália chegou em 68 para mexer com a mente e a forma que os jovens enxergavam o mundo. “Era uma mistura do moderno com o antigo, o urbano com o rural. Eles romperam com todas as fronteiras entre os estilos existentes na época”, aponta Bragança. O repertório musical era um mix de ritmos, com a crítica à sociedade por trás do jogo de palavras e batidas dançantes. Era o “ser diferente” traduzido em moda, que se reafirmou na década de 70.

As roupas usadas pela Tropicália tinham um papel comportamental importante. O cabelo grande, por exemplo, era a maneira de mostrar que eram inconformados com o sistema e tudo que estava acontecendo. Segundo Bragança, a “Tropicália foi uma afronta comportamental”, por romper com os padrões existentes da época. “Rendas do nordeste, chita, brasilidade, bordado manual, aplicação artesanal, batas, maxi saia, kafta, inspiração étnica e muita cor. Tudo com um tom psicodélico da cultura hippie”, explica o especialista. A regra era o “no sense” (sem sentido), as misturas da Tropicália não tinham lógica e não precisavam ser explicadas, pois falavam por si só.

Vale ressaltar que a moda não deve ser tratada como um tema isolado nesse período. “Primeiro temos que lembrar que estamos falando de um movimento que é muito ligado a musica, mas vem das artes plásticas também. Esse era o clima de 1960. Um clima cultural  revolucionário, de transformação”.

“A Tropicália foi uma afronta comportamental” (Flávio Bragança)

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Reproduzido do Tumblr Alquebrada

O melhor da moda anos 60

Passado o período pós-guerra, a Europa revivia uma efervescência cultural e comercial. Após anos de racionamento, inclusive de tecidos, a moda reocupa o seu espaço e os estilistas exploram toda a sua criatividade. A partir da década de 50, o que se viu foi um extravasar, uma revolução na composição de peças.

A especialista em moda Suzana Cohn relembra que no mundo da costura isso se refletia em novas tendências e o abandono do que vinha sendo pregado pelas grandes maisons dos anos 50, como Dior, Galtieur e Balenciaga. A moda passou a ser, então, democrática, unissex e de caráter contestador, político, identitário e filosófico.

Entre as principais inovações e tendências de moda que marcaram os anos 1960 estão o uso de calças pelas mulheres, as minissaias, calças de cintura baixa e a famosa “Boca de sino”, tecidos acetinados com cores vibrantes, estampas em preto e branco, coloridas e floridas, botas brancas e de verniz, bico fino e salto baixo, taileur com mangas ¾, vestidos tubinho, roupas futuristas, tecidos sintéticos, plásticos e metalizados.

Na mesma época o movimento feminista ganhou força e suas integrantes vestiam-se com um estilo hippie.  A moda também foi afetada pela “vibe” do musical e peças artesanais, como tricô e crochê, viraram tendência. “Os estilistas passaram a procurar, cada vez mais, inspirações internas, no Brasil, e não apenas da Europa, como vinha sendo até então”, conta Suzana.

Ainda na vibe dessa viagem pelo tempo sobre a moda, que tal descobrir qual seria o seu estilo se você estivesse em 1960? Responda ao quiz e descubra!

Reportagem de Raissa Gomes para a disciplina de Oficina Multimídia em Jornalismo