Arte

Após anos desaparecidas, obras de pintores renomados são redescobertas e leiloadas na França

Especialista comenta a importância da temática artística através das obras como símbolo de desenvolvimento cultural ao público

No último sábado (26), pinturas desaparecidas como “Filósofo lendo” e “Retrato de Hélène Mercier, Princesa Galitzine, sentada” de Jean-Honoré Fragonard e Henri Matisse, respectivamente, foram resgatadas e vendidas em leilão na França. Ambas constavam como desaparecidas, e com o reencontro foram vendidas por valores expressivos.

A obra do pintor francês Jean-Honoré Fragonard (1732-1806) do século XVIII desaparecida durante 200 anos, retrata a ideia da figura do filósofo mergulhada na leitura. A arte de Henri Matisse (1869-1954) presa ao armário, exprime o conceito do desenho a carvão feita pelo impressionista francês.

A Mestra em Propriedade Intelectual e Inovação, jornalista e artista visual, Luciene Aragon explica que as inúmeras pinturas artísticas em quadros, bem como a de Fragonard e de Matisse, tendem a proporcionar às pessoas experiências diversas ao serem contempladas. Porém, a especialista também afirma que essa experiência pode variar muito em função da percepção de cada um, e serem mais aceitas pelo público leigo.

“Em geral, as pessoas gostam de cenas fáceis de serem reconhecidas, nas quais podem atestar a habilidade técnica de um artista ao representar a realidade, como as pinturas de Fragonard, sendo ele representante do estilo Rococó que se destaca pelas pinturas de gênero (cenas do cotidiano, da vida doméstica, dos ofícios retratados detalhadamente). Enquanto Henri Matisse, teve uma longa carreira artística voltada à História da Arte por ter liderado o grupo dos Fauves (feras ou selvagens) no começo do século XX, grupo este conhecido por realizar obras que desprezavam a forma e as cores da natureza, que não refletiam a realidade e que, por isso, chocavam o público”, comenta Luciene Aragon.

Durante muito tempo perdido, o quadro “Filósofo lendo”, pertencente ao amigo de Fragonard, o miniaturista Pierre Adolphe Hall, apenas foi redescoberto mais tarde pelo especialista Antoine Petit em meio a um inventário do imóvel.

Quadro “Filósofo lendo” do artista francês Jean-Honoré Fragonard (Foto: Divulgação/Youtube)

Em anúncio no leilão, a pintura de Fragonard foi aberta com um preço inicial de 1,2 milhões de euros na cidade de Epernay, e se estendeu ao valor de 6,3 milhões de euros, sendo requerida por um colecionador particular no valor final de 7,68 milhões em função da comissão de compra com índice percentual de 22%.

O especialista Stéphane Pinta foi quem autenticou a obra de Fragonard e, por isso, explica o motivo do valor ter atingido um nível tão elevado em retrato à importância da pintura francesa que se insere entre os anos de 1768 e 1770.

“Fragonard é um dos cinco monstros sagrados da pintura francesa do século 18. Esperávamos um lance importante por este quadro extraordinário, que está em um excelente estado de conservação, tem um tema raro, é composto de maneira inteligente e completamente inédito no mercado”, aponta Stéphane Pinta.

A obra de Henri Matisse na representatividade do desenho a carvão de 1938 no “Retrato de Hélène Mercier, Princesa Galitzine, sentada” foi leiloada no mesmo dia, anunciada pelo Hotel Ivoire.

Enquanto a obra de Fragonard teve seu sucesso promissor sob um lance alto que levou à compra, não menos representativo seria a obra de Matisse na visão do comprador. Embora com uma quantia menor alcançada, chegando ao valor de 263 mil dólares, a obra foi avaliada por 358 mil dólares pela remuneração com a venda comissionada.

Desenho a carvão do artista Henri Matisse (Foto: Barnebys)

Ainda segundo a visão de Luciene Aragon, o fato de uma obra arcaica ter tanta importância quando vai à leilão pode ser uma das formas de mostrar ao público um pouco da diversidade cultural existente no mundo.

“As obras de arte vão à leilão frequentemente por uma questão de Mercado de Arte, compra e venda que acontecem sempre quando uma obra excepcional aparece e atinge um valor muito alto, o que acaba chamando atenção e despertando o interesse da mídia em divulgar o assunto”, argumenta Luciene Aragon.

Contudo, a Mestra em Propriedade Intelectual e Inovação, Luciene Aragon garante que a forma como o assunto é tratado, faz toda diferença. A especialista considera bem importante revelar a história por trás dos objetos que passam pelos leilões, e o motivo pelo qual é considerado tão valioso, pois dessa forma todo o processo pode ser usado como fonte de informação cultural.

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Luiz Guilherme Reis – 1º Período

Sob supervisão de Bárbara Souza – 7º Período

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