Sociedade

Pastor Henrique: “Diante da naturalização do caos, quero resgatar o sentido mais potente do amor”

Teólogo foi entrevistado com exclusividade pela repórter Indaya Morais durante o Salão Carioca do Livro (LER)

Fundador da Igreja Batista do Caminho, no Rio, o Pastor Henrique Vieira esteve na segunda-feira (9) no Salão Carioca do Livro (LER), na mesa “Dizem que o amor é amarelo”, no qual debateu sobre amor e coletividade como forma de revolução.

Para ele, que além de pastor é professor, poeta, palhaço, ator e ativista, “a perda de empatia e sensibilidade diante da vida e do outro precisa ser repensada coletivamente”. Formado em Teologia, Ciências Sociais e História, Henrique Vieira ficou mais conhecido nacionalmente a partir de sua participação no álbum “AmarElo”, do rapper Emicida. Mais recentemente, viveu, como ator, um frei militante no filme “Marighella”, de Wagner Moura.

Confira na íntegra a entrevista exclusiva realizada para a Agência UVA.

Agência UVA: Qual é a importância de ocupar um espaço como este aqui (Salão Carioca do Livro), para falar sobre amor e coletividade?
Pastor Henrique Vieira: Esse espaço é importantíssimo pela proposta que tem. Falar sobre o amor como uma expressão política, ética, relacional e concreta é necessário. Eu tenho defendido essa tese de que o amor não é um sentimento qualquer, é uma decisão, uma atitude, um comportamento, uma ciência e um caminho para a humanidade se reconciliar consigo.

AUVA: Tivemos ao longo do dia aqui no Ler, uma série de mesas que reforçavam a importância da representatividade. Qual a importância deste tema para jovens e adolescentes, para jovens leitores?
Pr. HV: É fundamental. Em uma sociedade racista e patriarcal, representatividade é justiça e reparação. É dar espaço, vez e voz a muitas vozes que são massacradas por essa padronização, que é muito violenta e pouco representativa do que é o Brasil. Então, representatividade importa e é fundamental na literatura, na leitura e para a juventude.

AUVA: E qual é a importância do amor na conjectura atual?
Pr. HV: O amor é o caminho e a salvação. É chorar a dor do mundo e se alegrar com suas alegrias também. Se não for pelo viés do amor prático, concreto, político e relacional, não tem solução.

Pastor Henrique Vieira no espaço ‘Voz & Vez’ no Salão Carioca do Livro’. Ele é o segundo, da direita para a esquerda.
Foto: Indaya Morais/Agência UVA

AUVA: Para você, qual é a solução para um futuro melhor da humanidade?
Pr. HV: Diante da naturalização do caos, da petrificação dos afetos e da indiferença, quero resgatar o sentido mais potente do amor. Não estou falando do amor romântico e sentimental, mas do amor como potência, como reverência diante da vida. Estou falando desse amor da empatia, compaixão, solidariedade, da abertura de si em direção ao outro. Não é o amor quietinho e disciplinado, que fica em silêncio diante das opressões e da injustiça. Não é esse amor capturado pela lógica individualista, mas o amor que nos abre, incomoda, emociona, impulsiona, que nos torna inquietos diante de tudo aquilo que massacra a vida.

“Então, em tempos de naturalização do caos, amar é uma atitude alternativa e desobediente. O ódio é careta, coragem mesmo é retomar uma agenda de amor radical pela humanidade”, diz Henrique Vieira.

AUVA: E de que forma podemos fazer isso acontecer?
Pr. HV: Acredito em processos coletivos e comunitários. E isso pode ser visto quando fazemos projetos conjuntos para incidir sobre a realidade da rua, do bairro ou da sala de aula. Quando eu me organizo coletivamente me sinto mais potente, e acredito que uma das soluções para o futuro é a construção dessas comunidades coletivas nas redes e nas ruas. Ver a juventude retomando seu potencial de criação e de rebeldia, que desorganizam a lógica, propõem saídas e alternativas de novas realidades.

Ouça a participação de Henrique Viera na música de Emicida. Fonte: Reprodução/YouTube

Foto de capa: Divulgação/@annelizetozetto

Indaya Morais (8º período), com revisão de Leonardo Minardi (7º período)

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3 comentários em “Pastor Henrique: “Diante da naturalização do caos, quero resgatar o sentido mais potente do amor”

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