Comunicação

Sônia Bridi: “a leitura é o melhor caminho para se preparar para a carreira jornalística”

Em evento da Universidade Veiga de Almeida, jornalista compartilhou detalhes sobre a sua trajetória profissional e deu dicas valiosas aos alunos

Nesta terça-feira (10), o curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida (UVA) promoveu uma palestra com a participação da jornalista Sônia Bridi, conhecida por suas reportagens sobre o meio-ambiente, especialmente no “Fantástico”, da Rede Globo. Sônia detalhou o começo de sua trajetória no jornalismo, como é trabalhar pautas voltadas para a área ambiental, e os principais desafios exigidos pela profissão.

A jornalista, que foi correspondente da Globo mundo afora (Londres, Nova Iorque, Pequim e Paris), retornou ao Brasil em 2009, focando em garantir mais visibilidade para pautas relacionadas ao meio-ambiente. Dentre as principais matérias que produziu, estão as relacionadas às mudanças climáticas em 2010 e a cobertura do Rio+20, em 2021. Para Sônia, a maneira como esse tema é tratado dentro do jornalismo ainda é ineficaz, uma vez que problemas ambientais são crônicos no país, e a não divulgação aliena a população.

“A temática ainda é pouco falada. Já gritei sozinha na redação para poder prosseguir com pautas. Se não é um escândalo político ou algum tipo de violência, não é considerado notícia. O jornalismo precisa se debruçar sobre essas questões. Se a gente não resolver nossos problemas estruturais, não vamos caminhar para lugar nenhum”, explica.

Durante a palestra, Sônia Bridi (à direita) falou da importância de se falar de pautas relacionadas ao meio ambiente
(Foto: Divulgação/TV Globo)

Para a repórter, a produção do “Fantástico” foi fundamental no apoio a pautas ambientais. De acordo com ela, a Globo foi a primeira emissora no mundo a dar espaço para o assunto, quando fizeram a matéria sobre mudanças climáticas, em 2010. “Na época, ninguém tinha coragem de falar sobre isso. A própria BBC, que é um canal de notícias super tradicional, só começou a falar sobre meio ambiente de maneira mais séria em 2019”, acrescenta.

As dificuldades de se trabalhar com jornalismo ambiental também foram abordadas durante a conversa. Sônia relata que existe bastante desprezo com profissionais de imprensa que fazem coberturas sobre crimes ambientais e ela revela ter sofrido ameaças enquanto exercia a profissão.

“Muitos criminosos possuem uma certa benevolência do governo, como alguns garimpeiros sendo recebidos pelo presidente da República em seu gabinete. Há um empoderamento do crime. O mais difícil nas coberturas é que, em certos lugares, a gente só consegue entrar com pessoas armadas, seja com a Polícia Federal ou o Ibama. Quando vou sozinha, sou ameaçada frequentemente”, desabafa.

Para Sônia Bridi, cobrir pautas ambientais necessita esforço e dedicação, principalmente para chegar em determinados lugares
(Foto: Reprodução/Instagram)

Outro desafio relatado é o negacionismo existente em relação ao clima e aos problemas que ele ocasiona. Questionada sobre como enfrentar a propagação de fake news na editoria, Bridi foi categórica: “não podemos dar espaço para gente que propaga receita de chá milagroso que vai trazer a cura do câncer. Para combatermos a desinformação, precisamos trazer estudiosos e profissionais gabaritados para falar sobre o tema. Hoje em dia muitos se auto intitulam especialistas, e não podemos dar espaço para essas pessoas”.

No final do bate-papo, a profissional aproveitou para passar conselhos aos estudantes de Comunicação sobre como se preparar para o mercado de trabalho, e como ela analisa o futuro do jornalismo daqui pra frente.

“A melhor maneira é ler tudo o que vem na sua frente, em todos os momentos. Precisamos de mais literatura, pois basicamente lemos a realidade em forma de ficção, o que ajuda a ampliar os horizontes e melhorar a escrita. Graças à revolução da comunicação, temos uma grande variedade de informações, possibilitando um jornalismo de abrangência. A imprensa tradicional está mais encolhida, porém temos diversas outras oportunidades. Hoje, as relações de trabalho no jornalismo passam por diversas transformações”, finaliza.

Foto de capa: Pexels

Maria Eduarda Duarte (7° período), com revisão de Leonardo Minardi (7° período)

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