Tecnologia

Rússia abre processo contra Meta após Facebook permitir comentários violentos contra russos

Comitê de Investigação do país pretende assegurar que empresa de Mark Zuckerberg sofra restrições em todo o território russo

Na última sexta-feira (11), a Rússia anunciou que tomaria medidas legais contra a Meta, empresa que controla o Facebook, após a rede social flexibilizar suas políticas internas, permitindo que mensagens violentas contra o povo russo fossem publicadas. A primeira providência adotada contra a companhia de Mark Zuckerberg foi a abertura de um processo criminal.

Além disso, a procuradoria-geral russa enviou um pedido ao Roskomnadzor, agência estatal que supervisiona o setor de comunicação do país, para que o Instagram, outro aplicativo da empresa, também fosse barrado. No documento ainda consta uma solicitação para que a Meta seja considerada uma “organização extremista”. 

Em resposta a ação russa, o presidente de assuntos globais da Meta, Nick Clegg, usou sua conta no twitter para declarar que as recentes mudanças nas políticas são temporárias e foram tomadas devido a uma situação sem precedentes. Segundo ele, a empresa não irá tolerar “russofobia ou qualquer tipo de discriminação, assédio ou violência contra russos” na plataforma. 

“Se aplicássemos nossas políticas de conteúdo padrão sem nenhum ajuste, agora estaríamos removendo conteúdo de ucranianos comuns expressando sua resistência e fúria contra as forças militares invasoras, o que seria justamente visto como inaceitável”, acrescentou. 

Em seu twitter, presidente de assuntos globais da Meta, Nick Clegg, afirma que as políticas da empresa estão focadas em proteger o direito das pessoas em reagir a uma invasão militar em seu país

Essa mudança repentina de posicionamento dividiu opiniões e plantou uma dúvida sobre o critério utilizado pela empresa para tomar tal decisão. De acordo com a professora e mestre em comunicação, Cecília Seabra, não é de hoje que a imagem do Facebook vem sendo arranhada no que diz respeito aos discursos de ódio. 

“Não é novidade a contribuição ou a omissão do Facebook em relação a impactos bastante significativos que acontecem dentro da rede.  A todo tempo surgem evidências de como a Meta não só sabe o que acontece ali, como também faz vista grossa”, aponta.

Desde segunda-feira (14), não é mais possível acessar o Instagram em território russo. O bloqueio da rede social entra para o rol de medidas tomadas pelo presidente Vladimir Putin contra a gigante Meta. Adam Mosseri, diretor do Instagram, postou um vídeo no seu perfil na rede social criticando a atitude russa. 

Essa decisão isola 80 milhões de pessoas na Rússia, já que cerca de 80% dos russos seguem uma conta do Instagram fora de seus país. Isso está errado”, declarou.

Adam relata que o Instagram criou inúmeros artifícios para ajudar no conflito entre a Ucrânia e a Rússia

Criar políticas internas é um passo importante na busca por um ambiente saudável na Internet. Para a doutora em comunicação e pesquisadora de tecnologia, Adriane Figueirola, dependendo de quem publicar, uma postagem pode causar sérios danos à sociedade.

“Redes sociais são mídias e não apenas plataformas de armazenamento de conteúdo. Mensagens compartilhadas sem apuração, em grupos de famílias ou por pessoas de referência, tendem a se espalhar e causar ódio e polarização”, explica.

Em entrevista à agência Reuters, o Comitê de Investigação da Rússia disse que o processo criminal é consequência dos “pedidos ilegais de assassinato e violência contra cidadãos da Federação Russa por funcionários da empresa americana Meta, proprietária das redes sociais Facebook e Instagram”. 

O Comitê de Investigação da Rússia se reporta diretamente ao presidente Vladimir Putin, principal alvo dos ataques. (Foto: Reprodução/Pixabay)

Vale ressaltar que tudo isso começou depois que Reuters afirmou ter tido acesso a e-mails internos da Meta, nos quais era anunciado uma alteração em suas políticas de discurso de ódio, autorizando temporariamente que usuários ucranianos publiquem mensagens de ódio contra o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ou o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko. 

Além do Instagram, o Facebook e o Twitter também foram bloqueados pelo governo russo desde o início de março. 

Anne Rocha (5º período), com revisão de Leonardo Minardi (7º período)

Foto de capa – Meta/Divulgação

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3 comentários em “Rússia abre processo contra Meta após Facebook permitir comentários violentos contra russos

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