Internacional

Morte de dois jovens negros e o julgamento de Derek Chauvin desencadeiam uma nova onda de protestos nos Estados Unidos

Com o clima tenso por conta do julgamento do caso George Floyd, as manifestações se intensificaram com as mortes de Daunte Wright e Adam Toledo

Uma nova onda de protestos tomaram as ruas dos EUA durante o mês de Abril, motivados pelas mortes de dois jovens negros, Daunte Wright e Adam Toledo, ambos vítimas de violência policial. Aliado a esses casos, na mesma semana houve também o julgamento de Derek Chauvin, policial acusado de matar George Floyd em um caso que chocou o mundo.

O jovem negro, Adam Toledo, de apenas 13 anos, foi perseguido junto com outro homem em um beco de madrugada, e após os policiais darem ordem para que o jovem parasse, ele foi baleado. Os policiais alegaram que Adam portava uma arma de fogo, fato que ainda não foi comprovado através dos vídeos, que foram divulgados na quinta-feira (15), apesar do crime ter acontecido no final de Março.

Marcos Nascimento de Abreu, aluno de história, conta sobre como a população negra continua sofrendo os mesmos ataques, e a forma grosseira com que meninos negros são tratados ao serem abordados nas ruas.

Engana-se aqueles que acham que a segregação acabou, ela só está diferente, na forma como o policial te aborda e dos olhares da sociedade. O que aconteceu com esses rapazes é uma grande irresponsabilidade, não dá para continuar aceitando essas atitudes, é necessário que a polícia e a sociedade revisem a sua forma de agir”, comenta Marcos.

Dias após a divulgação dos vídeos da morte de Adam, Daunte Wright, um jovem negro de 20 anos, foi assassinado durante uma abordagem policial. Segundo os policiais envolvidos, Daunte tinha cometido uma infração de trânsito e por isso foi parado. Ao se identificar, os agentes repararam que ele tinha um mandado de prisão em aberto, e tentaram prendê-lo, mas o jovem teria entrado no carro para fugir e já dentro do veículo, foi baleado.

Mas a família diz que esta não é a versão correta. A namorada que estava no local na hora do ocorrido, explica que seu namorado foi atingido antes de entrar no carro. A mãe do jovem ainda comenta que ao ser parado, falou com seu filho em ligação e ouviu os policiais falando para ele sair do carro, e que ao ligar de volta a nora lhe deu a notícia que seu filho tinha sido baleado.

No dia seguinte a policial que matou Daunte afirmou que fez um disparo acidental, e diz ter confundido um taser com uma arma de fogo.

O professor de história da arte Marco Andrade, fala como se sente ao sempre ver e ouvir que mais um negro foi vítima da agressão policial, e dos olhares desconfiados da população quando mais um caso como esses, surge.

É impossível se sentir confortável com mais dois episódios de meninos negros mortos por policiais brancos e ao mesmo tempo você vê pessoas falando que o racismo e não existe, que é tudo “mimimi”. Ainda será necessário muita luta, que toda a sociedade se mobilize e o povo negro precisa continuar com a cabeça erguida, compreendendo que o nosso lugar é onde a gente quiser,” expressa o professor.

Momentos de tensão nos Estados Unidos.

Os Estados Unidos passa por um momento de muita tensão. Logo após a confirmação da morte de Daunte, seus familiares, junto a família de George Floyd, se uniram com manifestantes e foram para as ruas pedir justiça.

As manifestações ocorreram durante a semana em frente ao departamento de polícia em Brooklyn Center. Na segunda-feira (12), centenas de pessoas se reuniram para uma vigília.

Condenação de Derek Chauvin.

Larissa Gabriela Cruz Botelho professora de direito penal da Universidade Veiga de Almeida, explica como os casos que aconteceram nesta semana não irão intervir no caso George Floyd, o porque o julgamento está demorando tanto para terminar.

O caso teve uma grande repercussão do público, mas os jurados ficam incomunicáveis, eles não sabem o que acontece no externo e o Tribunal garante a incomunicabilidade para os leigos, parece claro a culpa do réu, mas no júri discute-se alguns detalhes. Fora que o júri não está vinculado a lei, ele esta vinculado a sua íntima convicção, no seu senso moral e de justiça”, esclareceu a professora.

O julgamento do Derek Chauvin teve continuidade na quinta-feira (15), e seria a primeira vez que o ex-policial iria falar em sua defesa, mas ele preferiu não se pronunciar. Os jurados não estavam presentes, mas foram comunicados sobre a fala do réu e das testemunhas.

Entre as testemunhas estavam policiais que afirmaram que a ação de Chauvin foram contra o treinamento policial, e pessoas que passavam pelo local e descreveram a cena que viram e como se sentiram mal por verem Floyd sendo sufocado. Já a defesa levou testemunhas que pudessem defender que a morte foi causada por uso de drogas e problemas cardíacos.

Nesta terça (20) um júri com 12 pessoas se reuniram mais uma vez para decidir se Derek seria culpado ou não. O juiz do caso Peter Cahill relembrou aos jurados de não levarem a opinião pública e a compaixão em consideração. A decisão das sete mulheres e os cinco homens em unanimidade, é que o policial é considerado culpado pelos três crimes que estava sendo acusado.

Ao sair a condenação, famosos se manifestaram em suas redes sociais, principalmente os jogadores da NBA. Muitas pessoas foram para as ruas, mas dessa vez em comemoração a decisão do julgamento.

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Luiza Nascimento – 1° período

Sob supervisão de Indaya Morais – 7° período

2 comentários em “Morte de dois jovens negros e o julgamento de Derek Chauvin desencadeiam uma nova onda de protestos nos Estados Unidos

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