Sociedade

Carnaval de rua 2021 é cancelado no RJ devido ao Coronavírus

Devido a não ter uma vacina a tempo, o Carnaval de rua será adiado de 2021 para 2022.

Na última terça-feira (27), por meio de uma conferência virtual com os representantes de blocos de rua, o presidente da RIOTUR (Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro), Fabrício Villa Flor, e especialistas na área de saúde e segurança pública anunciaram a decisão de que o Carnaval de rua no Rio de Janeiro no próximo ano não será realizado. Esta decisão se dá devido à pandemia que já matou mais de 150 mil pessoas em 2020 e seria um descaso manter os blocos de rua, podendo intensificar ainda mais esses números tão alarmantes. Como consequência do cancelamento, o Carnaval só voltará a acontecer em 2022.

Antes desta decisão, os desfiles das escolas de samba já haviam sido adiados por unanimidade em setembro pela Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro) para uma data que ainda não está definida, em vez de acontecer em fevereiro como de costume. As apresentações dos desfiles e dos blocos de rua dependerão da época em que irá chegar a vacina contra a Covid-19.

Para o jornalista e doutorando em carnaval de rua no Rio de Janeiro, Gustavo Lacerda, a atitude de cancelar o carnaval de rua em 2021 foi correta, já que, se o evento fosse mantido, aumentariam os casos de Coronavírus, ainda mais em um festival conhecido pela aglomeração de tantas pessoas em um local. Seria muito perigoso.

“O cancelamento do carnaval de rua ocorre quase um mês depois do cancelamento do carnaval da Sapucaí. E obviamente diante do que estamos vivendo na pandemia e sabendo da gravidade da segunda onda na Europa e sabendo das condições de infraestrutura, péssimas condições do sistema de saúde, principalmente da cidade do Rio de Janeiro, eu sou totalmente a favor do cancelamento do carnaval de rua, ou pelo menos da suspensão temporária. Porque ele vai ocorrer, a questão é quando. É importante a gente manter o foco para conseguir expurgar essa pandemia e, de forma segura, poder voltar às ruas, se divertindo e pulando carnaval. Então sou a favor. Acho que foi uma decisão consciente. E acho que foi uma decisão muito sóbria dos blocos diante de tantas questões e controvérsias envolvendo a vacina”, afirma Gustavo Lacerda

Em contraponto, a Prefeitura do Rio, por meio de um decreto no dia 20 de outubro feito pelo prefeito Marcelo Crivella, liberou o reabrir das quadras de escola de samba, permitindo assim a volta dos eventos que aconteciam normalmente nas quadras, porém agora de forma mais compacta, com distanciamento social e as cadeiras sendo numeradas para os presentes, para evitar uma possível proliferação do vírus. Esta permissão não é válida para todas as escolas, pelo motivo de muitas terem suas quadras situadas fora do Rio de Janeiro, como por exemplo a Beija-Flor, Grande Rio e a campeã do último ano, a Unidos do Viradouro. Para que isso ocorra, cada escola deve conversar com seus municípios.

Carnaval 2021 não ocorrerá devido a não se ter uma vacina a tempo. (Foto: Fernando Maia/RioTur)

Um método que está sendo pensado pelos blocos, segundo Rita Fernandes, presidente da Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua do Rio de Janeiro, é o uso de lives e campanhas para que ainda se possa aproveitar o festival que tem tanta importância cultural para o Brasil, já que presencialmente não será possível. É nisso que aposta Victoria Martins, que adora nesta época sair nos blocos, mas entende que o momento atual não é dos melhores para isso.

“A pandemia em si prejudicou todo mundo. Em forma de lives, como alguns blocos do Rio fizeram durante a quarentena, acho uma solução bem legal, você da sua própria casa, rindo e se divertindo. Mas vai ter que partir desses blocos procurar uma forma de ter uma interação a mais com os seus foliões. A gente mora no Brasil. Eu não acredito 100% que não terá o carnaval. Eu acredito que em alguns lugares tenham alguns bloquinhos clandestinos”, comenta Victoria.

O cancelamento do festival, apesar de um choque para algumas pessoas que adoravam sair nos blocos para aproveitar o carnaval, é uma medida necessária para evitar que o vírus se espalhe ainda mais, fazendo assim uma piora no quadro de ondas do Coronavírus, podendo fazer com que o Brasil entre em outro nível de medidas, dificultando ainda mais a vida dos brasileiros e também a questão de saúde. Eventos como Carnaval, shows de música e até partida de jogos esportivos com um alto número de pessoas próximas é um grande risco dado a periculosidade do vírus.

“O risco de contágio do vírus é menor que o do gripe e 99,6% mais ou menos das pessoas ficam bem. Só que é uma doença diferente que não tem cura, diferente da gripe. Se você pega o H1N1, você tem um remédio, você consegue controlar. O fato de adiar o carnaval, para mim, tem uma importância, porque é uma doença que não tem tratamento ainda. Isso, consequentemente, interfere nas unidades de urgência. É bom cancelar o carnaval de rua e das escolas de samba também. Acredito que em qualquer tipo de festa assim ocorre aglomeração. Apesar de o risco de contágio ser um pouco menor que o da gripe, acho essa atitude de extrema importância para que daqui a um tempo a gente não tenha os hospitais lotados” explica o médico Tito Von Held sobre os riscos de saúde que aconteceriam com a permanência do carnaval para 2021.

Apesar de ser uma medida para proteção da população, evitando que o vírus se prolifere mais e também cause mais problemas futuros, o Carnaval é o festival brasileiro que mais mexe com a economia, já que, atraídos pela festa, muitos turistas vem para cá com a intenção de aproveitar ao máximo tudo o que o país oferece e chega a movimentar 8 bilhões de reais segundo estimativa feita pela CNG (Confederação Nacional do Comércio), usando o carnaval deste ano como base. Ou seja, apesar de ser por uma boa causa, o cancelamento do carnaval fará um baque na economia nacional.

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