Da sala de aula

Ações sociais que fazem a diferença durante pandemia de Coronavírus

Voluntários se mobilizam para ajudar moradores e alimentar animais em tempos de isolamento

O jeitinho solidário do brasileiro de ser acabou se tornando de grande importância diante da crise gerada pelo novo Coronavírus. Uma das comunidades do Complexo da Maré, o Piscinão de Ramos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, evidencia a relevância das ações sociais nesse período de pandemia. Após se depararem com as dificuldades que a população local vem enfrentando nesse momento, moradores se mobilizaram para realizar ações sociais por toda comunidade, com o objetivo de diminuir o impacto da crise sanitária e econômica.

Alguns participam com arrecadações e distribuições de cestas básicas e kits de higiene pessoal. Além dos humanos, os pets também fazem parte desse ato de solidariedade e é realizada a distribuição de alimentos para os felinos que foram deixados à sorte nas ruas, mostrando que se deve ter responsabilidade com eles.

Uma das iniciativas das ações sociais surgiu após um pedido de ajuda. Marcos Vinicius de Oliveira da Silva Nascimento, atleta de futebol, de 21 anos, morador da comunidade desde sua infância, juntou sua vontade de ajudar com sua visibilidade em mídias sociais, e, com isso, projeto para ajudar a comunidade começou. Após a proposta de doação de alimentos para as mídias sociais, outros moradores começaram a colaborar com a divulgação. Diante dessa mobilização, foi possível receber doações e montar cestas básicas e kits de higiene pessoal. (Foto: Arquivo Pessoal)

Neste período de pandemia, o atleta acabou perdendo seu tio para o vírus, o que o deixou bem abalado e pensando em desistir do projeto, porém, um dos seus motivos para continuar não foi apenas sua vontade de ajudar os ‘moradores, mas também realizar uma homenagem ao seu tio, que anos atrás participou de projetos de distribuição de alimentos pela comunidade. Marcos diz: “Não há dinheiro no mundo que pague a sensação de fazer o bem ao próximo e receber todo carinho e gratidão das pessoas que estão sendo ajudadas”. (Foto: Arquivo Pessoal)

Além de Marcos, outras pessoas estão colaborando para o bem dos habitantes. Segundo moradores, a vida na comunidade se tornou difícil com o início da pandemia. Fabio Ferreira Miguel dos Santos, de 42 anos, também conhecido como Fabinho da feira, morador da comunidade Piscinão de Ramos e presidente da Associação dos Moradores, relata que no começo da pandemia, as pessoas não estavam levando a sério, mas que após os primeiros casos acontecerem na comunidade, a população começou a ter medo. Além disso, Fabinho afirma que notou um aumento no número de famílias necessitadas nesse período. (Foto: Arquivo Pessoal)

Diante disso, como Presidente, ele sentia a necessidade de buscar ajuda para o bem de todos. Fabio conseguiu parcerias com Organizações Não- Governamentais, como Cufa, AfroReggae e Rede Maré, e essa colaboração foi muito importante, pois contribuiu com as distribuições realizadas pela Associação dos Moradores. O Presidente não apenas entregou alimentos e kits de higiene pessoal, como também realizou distribuição de álcool em gel e máscaras para todos os moradores, para que todos pudessem se proteger nesse momento, até as pessoas mais necessitadas. (Foto: Arquivo Pessoal)

As distribuições são realizadas de duas formas: entregues na porta de cada morador ou diretamente na Associação dos Moradores. Os produtos são higienizados antes de serem entregues, e as pessoas que são responsáveis pela distribuição estão sempre utilizando máscaras e respeitando as recomendações feitas pelo Ministério da Saúde.

Fabinho da feira se empenhou para o bem geral da comunidade, conseguiu a higienização de todas as ruas e becos da comunidade, por meio de um pedido feito à Cedae. “Se eu não correr atrás de coisas para a população, o governo não vem nos ajudar. Somos uma parte esquecida por todos os políticos, mas enquanto eu estiver como presidente da comunidade, vou sempre correr atrás de fazer o melhor para todos os moradores”. (Foto: Arquivo Pessoal)

Os felinos também não ficaram de fora dessa solidariedade. Maria de Lourdes de Oliveira Rocha, aposentada, de 63 anos, que é protetora de animais, continuou com a causa nesse período. Diante de uma época difícil, ela não pensou em momento nenhum em desistir de continuar indo diariamente alimentar os animais de rua. A protetora afirma que houve um aumento de abandono de animais nessa crise gerada pelo novo Coronavírus, principalmente de gatas grávidas, e diz o quanto é triste se deparar com o aumento desse número por ignorância das pessoas.

Lourdes não recebe doações para realizar essa ação social, compra todos os alimentos com seu próprio dinheiro, o que acaba tornando seu trabalho mais difícil, e, às vezes, deixando-a desmotivada. Segundo a protetora, com o aumento desse abandono, prosseguir esse projeto se tornou mais difícil sem ter ajuda das pessoas, pois custear tudo do seu bolso é uma tarefa complicada desde que o número de pets para alimentar aumentou. (Foto: Arquivo Pessoal)

Ela afirma, porém, que mesmo com todas as dificuldades, com pandemia ou sem pandemia, não irá abandonar esses bichinhos e faz um pedido de ajuda em prol deles, mesmo que seja apenas com divulgação, que  ela julga como bem-vinda: “Ainda acredito que um dia as pessoas irão começar a se mobilizar e a abraçar também essa causa”.

*Matéria produzida pela aluna Rochelle da Silva Dantas para a disciplina Teoria e Técnica da Notícia, ministrada pela professora Maristela Fittipaldi.

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

3 comentários em “Ações sociais que fazem a diferença durante pandemia de Coronavírus

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