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Economia

Coronavírus: impactos financeiros já atingem autônomos e desempregados

Sem renda fixa, profissionais liberais comentam dificuldades decorrentes da suspensão de atividades comerciais

No pronunciamento em rede nacional na última quarta (08), o presidente Jair Bolsonaro destacou as tribulações geradas pela pandemia de Covid-19. “O vírus e o desemprego”, afirma o chefe de Estado, “devem ser tratados simultaneamente”. Muitos dos que não foram contaminados pelo primeiro, seguem expostos ao segundo. Para estes casos, ainda não foram descobertas medidas eficientes de prevenção.

Ministério da Educação também está envolvido nas medidas de combate aos efeitos da pandemia de Covid-19

Ficar em casa, lavar as mãos com atenção, não tocar no rosto. A rotina do isolamento social não apenas impôs ao Brasil um distanciamento entre o povo, conhecido mundialmente pelos sorrisos e abraços calorosos, como também dificultou o dia a dia do exercício de diversas profissões. Na realidade contemporânea de mercado, técnicos de informática, como Valdirley Santos, 41 anos, não ficavam sem trabalho. Porém, computadores de locais fechados não precisam de conserto.

Pai de dois filhos pequenos, o analista de TI contava com clínicas médicas, escolas, construtoras e redes de lojas na cartela de clientes, e estava prestes a fechar contrato com outras empresas. Estas negociações foram suspensas após a imposição de restrições no estado do Rio, em 13 de março. Os antigos acordos mantiveram apenas o serviço de suporte. Para quem recebe por horas trabalhadas, ficar em casa é a certeza de bruto impacto na renda familiar.

Essenciais no mercado de trabalho atual, majoritariamente informatizado, analistas de TI ficam sem trabalho durante a suspensão de atividades comerciais. (Foto: Reprodução/Creative Commons)

“Tenho algumas reservas aqui, mas não sei o quanto vão durar”, verifica Valdirley junto à esposa, enquanto reavalia o orçamento doméstico e visualiza até quando consegue pagar as prestações do cartão de crédito. Ele já foi conversar com a escola das crianças, pediu renegociação do aluguel e cogita mudança de moradia. A escolinha de futebol do filho e as aulas de balé da filha foram suspensas.  “Estamos nessa loucura aí, fomos pegos de surpresa. Estou em casa sem fazer nada, uma situação bem difícil”, conclui o profissional e chefe do lar.

A surpresa não poupou sequer o ramo da alimentação. A cozinheira Deise Souza, 40 anos, entregava quentinhas por encomenda em Duque de Caxias. Acostumada a acordar às 5 da manhã para iniciar o preparo dos alimentos e enviar o cardápio do dia a clientes fiéis, agora, lamenta pela mercadoria encalhada durante o isolamento provocado pela pandemia. “Não tenho mais como entregar nas lojas, porque estão todas fechadas. A maioria dos empresários reduziu o quadro de funcionários, e estes não estão pedindo as quentinhas, porque não sabem como vão receber o salário”, explica Deise. 

A maioria da clientela de Deise era composta por funcionários das empresas que foram fechadas pelo governo estadual. (Foto: Deise Souza/Arquivo pessoal)

As empresas começaram a parar as encomendas no dia seguinte às restrições impostas pelo governador Wilson Witzel, sendo a última suspensão em 28 de março. Dois dias depois, Deise precisou entregar a loja alugada que usava para preparar a comida que vendia. “Não vou ter como pagar o aluguel”, declara a cozinheira, que passou a cozinhar na própria casa. A restrição do espaço é equivalente à diminuição das vendas, pois, desde o início da quarentena, ela não vende nem a metade da quantidade costumeira anterior.

Alguns estabelecimentos de Caxias permaneceram abertos mesmo com as restrições estaduais. Entretanto, o prefeito Washington Reis determinou na última sexta (03) que qualquer loja que permanecesse funcionando a partir de segunda-feira (06) pagará multa de 400 reais. 

A renda de Deise Souza serve também às duas filhas da cozinheira. “É através da venda das minhas quentinhas que eu tiro o dinheiro para pagar minhas contas, comprar as coisas para dentro de casa”, comenta. Além do sustento diário, as despesas da autônoma incluem o material de trabalho, alimentos e embalagens. Com a paralisação das vendas, Deise contraiu uma dívida enorme no cartão de crédito, e perdeu a remuneração que lhe daria o dinheiro para pagar. 

Com vendas paralisadas, a cozinheira autônoma Deise Souza possui mais de 150 embalagens sem uso. (Foto: Deise Souza/Arquivo pessoal)

Tanto Valdirley como Deise se enquadram nos requisitos para sacar o Auxílio Emergencial, anunciado pelo Governo Federal em 1º de abril. Apesar da data sugerir desconfiança, o cadastramento já está disponível no site da Caixa Econômica. Destinado a trabalhadores informais, microempreendedores registrados, autônomos e desempregados, o benefício tem por objetivo fornecer suporte no período da crise causada pela pandemia do novo coronavírus. Não é a cura para o desemprego, mas certamente alivia os sintomas.

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2 comentários em “Coronavírus: impactos financeiros já atingem autônomos e desempregados

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