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Streaming e produções nacionais no centro dos debates da Rio2C

Brasileiros produtores de conteúdo para plataformas de streaming refletem sobre crescimento e oportunidades do mercado audiovisual

Brasileiros produtores de conteúdo para plataformas de streaming refletem sobre crescimento e oportunidades do mercado audiovisual nacional

O segundo dia de Rio2C começou com o ator e diretor Wagner Moura e Ted Sarandos, chefe de conteúdo do Netflix, colocando em pauta o cenário da produção audiovisual brasileira. O assunto foi recorrente durante toda programação do maior festival de inovação e criatividade da América Latina, que está sendo realizado desde terça-feira (23) na Cidade das Artes – o evento segue até domingo (28).

No papo com Moura, o executivo da plataforma de streaming anunciou a produção de 30 filmes e séries originais brasileiras para os próximos anos. “Os brasileiros têm uma conexão bem forte com a Netflix e percebo uma ótima estrutura de produção aqui para se filmar. Seremos uma fonte de financiamento de produções brasileiras para as próximas décadas”, garantiu ele.

Já Moura, que dirigiu recentemente o filme “Marighella”, será o produtor do filme “Sérgio”, que a Netflix vai fazer. O filme contará a história do diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, que foi da Organização das Nações Unidas e morreu num atentado em Bagdá em 2003.

“Tenho como objetivo produzir filmes sobre latinos que desconstruam o esteriótipo do latino-americano. Sérgio entra neste pacote. Não vejo outro grande estúdio americano interessado neste tipo de produção, além do Netflix”, contou o brasileiro, estrela da série “Narcos”, da mesma plataforma.

Storytelling para serviços de streaming
Em todas as mesas e painéis apresentados durante esta quarta-feira (24), falou-se muito da necessidade de criar histórias originais e locais para abastecer o serviço de streaming e fomentar a indústria nacional.

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Produtores e diretores brasileiros se reuniram para falar sobre storytelling para serviços de streaming como o Netflix. Foto: Divulgação Rio2C

Aproveitando a deixa da primeira apresentação, produtores brasileiros da Netflix subiram ao palco para conversar sobre suas experiências e visões do mercado do entretenimento brasileiro, e de como as mídias de streaming podem ajudar o desenvolvimento desse ramo.

O papo (foto ao lado), moderado pela diretora de Conteúdo Original Internacional da Netflix, Maria Ângela de Jesus, contou com a presença de Michel Tikhomiroff, diretor de ”O escolhido”, Elena Soares, roteirista de ”O mecanismo”, Pedro Morelli, criador de ”Irmandade”, e Caito Ortiz, produtor executivo e diretor de ”Coisa Mais Linda”.

Um dos assuntos mais em voga na conversa foi a diversidade, passando também pela importância de usar artistas locais nos elencos e cenários impactantes. É o que conta Pedro Morelli, sobre como as locações ajudaram a criar uma estética específica em ”Irmandade”. “Filmamos em um presídio em Curitiba e ele estava funcionando. Apesar de rodarmos as cenas em um pavilhão desativado, houve uma certa identificação entre os detentos retratados na série com os que convivemos enquanto gravávamos. Isto com certeza ajudou no clima”, disse.

Esse aspecto de contar histórias através do cenário também é uma das tônicas de ”Coisa mais linda”, série que retrata o Rio de Janeiro no final da década de 50.  “Tive que voltar no tempo para achar um Rio que não estava esperando a gente. Buscamos achar um Rio que não fosse de documentário, mas sim da memória afetiva”, afirmou o diretor Caito. Entre os desafios também estavam o empoderamento feminino presente na série e a representatividade  dos negros, que segundo Caito, foram retratados de maneira respeitosa e carinhosa.

Já acostumada em trabalhar com o cinema, Elena Soares reconhece que o processo de escrever em equipe é bem diferente do qual estava acostumada. Segundo ela, em tempos de novos players e serviços digitais, é inevitável a necessidade de assumir novas funções como a produção executiva e desenvolver novas habilidades.

“A exposição que temos a tudo no mundo contemporâneo faz com que aprendamos quase que automaticamente, disse ela. Outro a comentar as diferenças de criar junto de um grupo foi Caito Ortiz. “Apesar da total liberdade criativa, o conteúdo colaborativo acaba por gerar bastante embates entre as equipes. A rica troca de informações foi a maior surpresa do processo de criação”, disse Caito.

Os produtores de conteúdo também comentaram sobre o futuro da produção nacional nessa era de streamings. Segundo Michel Tikhomiroff, esses serviços estão movimentando o cenário, produzindo muita coisa e trazendo gente nova para o mercado.  “Sou bastante otimista com o futuro ainda somos uma indústria em formação”, disse.

Novas oportunidades para a produção cinematográfica
A terceira atração do dia também aproveitou para discutir as chances que o mercado brasileiro vem oferecendo para o mercado audiovisual com as plataformas de streaming. Bruno Garroti, diretor de “Amor.com'”, Thomas Portella, chefe de operações especiais da Netflix, e a escritora Thalita Rebouças debateram também.

“No streaming, o filme tem uma sobrevida. Ele nunca fica velho e isso é maravilhoso”, disse Portella. “Para quem produz cinema e audiovisual é incrível ter este espaço. ‘Amor.com’ ganhou grande repercussão depois de entrar no catálogo da Netflix”, completou Garroti.

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A escritora Thalita Rebouças (de vermelho), que fará sua estreia no Netflix, falou sobre como é criar um produto audiovisual para adolescentes. Foto: Felipe Pereira/Agência UVA

Escritora com quase 20 anos de carreira, Thalita Rebouças conta como é ter sua obra adaptada para outras mídias, como o cinema. “É muito difícil adaptar. Autor é uma coisa apegada”, diz ao revelar que a história sempre precisa passar por mudanças pontuais em suas readaptações cinematográficas.

A convite da Netflix, Thalita lançará seu primeiro filme não baseado em livro: “Quem Nunca?”. A escritora, que tem seu público formado por jovens e adolescentes, também comentou que espera uma boa receptividade também do público não brasileiro “Adolescente é tudo igual. São os mesmos conflitos, as mesmas espinhas, os mesmos crushes“, completou.

Para Thomas, um importante sinal do desenvolvimento do audiovisual brasileiro é o fato de as produções, aos poucos, encontrarem seus respectivos gêneros (comédia, ação, documentário). “Antigamente, o cinema brasileiro era conhecido como cinema nacional e ponto. Entrava tudo na mesma categoria. Hoje, percebemos que as produções conseguem alcançar sub-gêneros e isso ajuda no fato de serem exibidas em outros países”, contou.

Outro motivo pelo qual o conteúdo por demanda vem se tornando mais forte no Brasil é o alto custo que os cinemas exigem dos investidores, algo que acaba tendo a pressão de reverter em bilheteria. Porém com a entrada de empresas como a Netflix no mercado, os diretores acreditam que uma era mais democrática pode surgir no mercado de entretenimento brasileiro.

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Felipe Pereira – 7o período

2 comentários em “Streaming e produções nacionais no centro dos debates da Rio2C

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