Rio2C começa mostrando inovações e tendências para indústria criativa

Saiba como foi primeiro dia do evento, que está sendo realizado na Cidade das Artes, e termina no domingo (28). Mais de mil palestrantes se apresentarão

Começou na terça-feira (23), na Cidade das Artes, a nona edição da Rio2C, a maior conferência de inovação e criatividade da América Latina. Reunindo profissionais do setor criativo, o evento contará com mais de mil palestrantes nessa edição, que segue até o próximo domingo (28). Confira com a Agência UVA, o que de mais interessante ocorreu no primeiro dia de Rio2C:

Talk Show de Marcius Melhem
O convidado que abriu o dia foi Marcius Melhem, jornalista, humorista, e desde setembro de 2018, responsável pelos projetos de humor na Rede Globo. Em palestra intermediada pelo CEO da Talent Marcel, João Livi, cujo objetivo era explicar o processo de criação e os novos formatos da emissora, Marcius ressalta que seu trabalho está em teste constante. Além disso, ponderou sobre os contrastes entre sua personalidade criativa e a executiva, devido a sua nova função.

“Sou ator, autor e estou executivo. Apesar do estranhamento, ainda tenho muito a contribuir como criador e humorista, mas aceitei a oportunidade pela perspectiva de poder abrir novos caminhos na emissora”, disse Melhem.

 

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Marcius Melhem abriu o Summit Rio2C by Meio & Mensagem no primeiro dia de evento. Foto: Divulgação

 

Ao falar sobre a nova linguagem do programa “Zorra”, um dos carros chefes da emissora, Melhem, explica que sugeriu uma dinâmica com mais rapidez e inteligência para o programa, se aproveitando de temas polêmicos como política e as famigeradas fake news. “Veio na esteira do sucesso do Tá no ar, essa ideia de tocar em feridas abertas do povo brasileiro”, completou.

Com um público de 32 milhões espectadores todo sábado, o “Zorra”, segundo o humorista não aproveita todo o seu potencial comercial: “a gente poderia explorar mais o humor no mercado publicitário.não tem merchandising dentro dos programas”, disse.

Melhem também comentou sobre o uso de dados para a elaboração de pautas e temas abordados e como reação imediata de seu conteúdo. Porém ressalta que os criadores não devem se limitar em excesso ao uso desses recursos, segundo ele, o humor exige grande intuitividade: “você tem que dar ao telespectador o que ele nem imagina que vai gostar”, contou. 

Música, novos players do mercado
O segundo bate papo do dia contou com profissionais de marcas, agências e gravadoras, que falaram da diversidade e dos desafios do mercado musical atual, especialmente em tempos de streaming e da internet banda larga. 

A conversa, mediada pela repórter Karina Balanço, contou com a presença de Samantha Almeida, diretora de planejamento e inovação da Music2_Mynd8 Brasil, Fernanda Paiva, gerente de marketing da Natura e Alexandre Wesley, diretor de shows e festivais da Som Livre.

Assim como qualquer outro bem de consumo, a música também é um produto, concordaram em unanimidade os especialistas. Fernanda Paiva explica o por quê de uma marca de cosméticas investir tanto em artistas e shows:

“A essência de Natura é produzir serviços que promovam o bem estar, pensando nisso, criamos o Natura Musical, projeto que vincula artistas e shows à marca. Sabemos que a música é um dos grandes passion points do mundo atual, realizamos um processo de curadoria formado apenas por especialistas no ramo e com isso geramos impacto em volta da empresa”, disse Fernanda.

Outro participante do debate, Alexandre Wesley, resumiu: “eu sou música”. Falando sobre suas experiências trabalhando em uma das maiores gravadoras do país, Wesley relata como esse mercado mudou nos últimos anos, mostrando que com o avanço da tecnologia e dos home studios, gravar deixou de ser negócio, e hoje é um grande hub de negócios envolvendo música, publicidade e inovação.

“As gravadoras viram o fim de seu negócio. Tiveram que se reinventar”, disse Wesley,  que citou o exemplo do camarote oficial do Estádio do Corinthians, em Itaquera (SP). “O camarote, para 300 pessoas, é gerado por nós, que vendemos ingressos e proporcionamos algo mais do que somente o futebol. Shows, publicidade, inovação, isso tudo faz parte do programa. É tudo entretenimento”, completou. 

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Rio2C teve também bate-papo sobre a indústria da música, que teve de se transformar com a tecnologia. Na foto, os debatedores do painel. Foto: Felipe Pereira/Agência UVA

Segundo Samantha Almeida, nesse novo contexto, a diversidade é algo que deve ser sempre buscado, tentando compreender as particularidades culturais de cada local e se manter aberto para o novo. “Sentada jamais vou descobrir coisas novas” afirma. Em um mundo cada vez mais apressado em que as pessoas tem menos disponibilidade, a publicitária diz que é uma tarefa dos comunicadores trazer essas experiências para o público: “o novo está aí acontecendo, queira você ou não”.

Os debatedores da mesa deram ainda dicas para pequenos selos e novos artistas: “Ninguém e mais dono(a) de sua fanbase que você, essa é sua maior propriedade”, disse Samantha. “Profissionalizem-se, pesquisem hubs e coletivos que possam te ajudar a se expandir como marca”, sugeriu Fernanda. “Se associe, busque parcerias. Sozinho se chega mais rápido, mas junto se chega mais longe”, completou Wesley. 

As marcas dos E-sports
A atração seguinte do evento reuniu marcas que estão investindo de maneira consciente e embasada nos E-Sports, um mercado que mesmo em ascensão, ainda sofre preconceitos por parte dos patrocinadores. O bate-papo, conduzido por Luiz Gustavo Pacete, contou com as presenças de Yugo Motta, gerente sênior de comunicação e marketing da Coca-Cola, Fernando Bueno, gerente de marketing da Gillette no Brasil, e Bruno Oliveira, youtuber dono do canal Playhard.

Segundo Luiz Gustavo, existe a estimativa de que o mercado movimente US$ 1 bilhão só em 2019, números que aos poucos vão atraindo empresas para que se associam à tendência, como é o caso da Gillette.

Fernando Bueno descreve como uma experiência enriquecedora ver uma marca que já é ligada aos esportes mais tradicionais, entrar no setor dos games. A empresa foi a primeira a patrocinar o Campeonato Brasileiro de League of Legends e para o gerente o sucesso da empreitada passa por entender o que a comunidade está procurando. “Não é só um joguinho’’, concordaram todos os participantes da mesa.

Gamers

O mercado dos e-Sports também foi assunto de debate no primeiro dia do Rio2C. Foto: Felipe Pereira/Agência UVA

Por esse motivo, Yugo Motta ressalta que o Brasil é o terceiro colocado no ranking de países com mais jogadores e justifica o interesse de uma empresa como a Coca-Cola em se aproximar dos atletas. “Se é relevante, a Coca tem que estar ali. Por conta desta percepção, já fechamos parcerias com importantes produtoras de games, como a Blizzard e Activision, visando construir e conversar com o público gamer“, comentou Motta.

Youtuber há seis anos, Bruno Oliveira, conta que apesar de hoje ser um cenário bem diferente se comparado a quando começou, muitas empresas ainda têm medo de investir nos E-sports. O comunicador explica que novos nichos não parar de surgir, e que seu foco atual são os jogos de celular, que já movimentam multidões para seus campeonatos. Bruno, além de ter um canal, também investe nos pró-players, trabalhando seus clientes como celebridades para facilitar seu apelo midiático. “O fã sabe quando é algo natural e quando é uma coisa forçada” explica.

Os participantes afirmam que o engajamento dos games é mais poderoso do que o de qualquer outra mídia, e que isso permite expandir as opções de uma marca.

“O nível de engajamento é diferente. Enquanto um filme ocupa cerca de duas horas de consumo, um jogo pode chegar facilmente até 80 horas de gameplay”, disse o youtuber.  Fernando também compartilha de visão e complementar. “A resposta é diferente. A reação é instantânea”, pontuou. 

De plataforma a produtor de conteúdo
O diretor do site Meio e Mensagem, Pyr Marcondes, recebeu no palco do Teatro de Câmara Petrobrás,  Cleber Paradela, head de brand experience da 99, Vinícius Malinoski, Head do Zoo (Google) e Erika Arendes, gerente de marketing do Youse. Na conversa, os painelistas destacaram a velocidade de mudança que o mundo atual exige e explicaram como suas determinadas marcas se posicionam frente a esse fato.

Cleber conta que a 99 investe em um conteúdo local, segundo ele, “bairro a bairro, cidade a cidade’’, sendo uma maneira de regionalizar a marca. Para os especialistas na mesa, o conteúdo de storytelling marca uma transição nas agências e em sua maneira de trabalhar. “O que eu vejo é que se acostumou a fazer propagando de uma determinada forma limitada anteriormente”, observou Marcondes, ressaltando a importância de uma uma narrativa intimamente ligada com as plataformas digitais, usando essas mídias para contar histórias e se comunicar com o mundo.

Burger King- Hackvertising e ousadia
Já no início da noite, Bruno Grunkraut, diretor de vendas e marketing do Burger King no Brasil, animou o público com uma palestra divertida, repleta de cases de sucesso da franquia de fast food. Bruno assegura o posicionamento da marca como encorajador das pessoas do jeito que elas são: “assim como nossos consumidores são únicos, nossos hambúrgueres também são”, disse.

Após a introdução, explicou o marketing arrojado que caracterizam a empresa, como na época das Eleições em 2018, ou nas campanhas abraçando a causa LGBT. “Abraçar a diversidade está no cerne de nosso posicionamento”, relatou. A rede também se envolveu em polêmicas com a grande rival no setor, após uma séria de propagandas provocativas. “A criatividade é a base de tudo. Não pode se levar muito a sério, tem que rir de si mesmo”, afirmou categoricamente. 

Bruno mostrou em números que a atitude arrojada da empresa vem funcionando, apesar de certos entraves judiciais. “Se a gente não está conversando com o advogado, a campanha não está indo como deveria estar”, disse. Em pesquisa realizada no fim do ano passado, o Burger King superou o McDonald’s como hambúrguer mais vendido no Brasil.

LEIA TAMBÉM: Saiba tudo sobre a programação do Rio2C


Felipe Pereira – 7o Período e David Barbosa – 6o Período

2 comentários sobre “Rio2C começa mostrando inovações e tendências para indústria criativa

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