Panfletários políticos: como é o corpo a corpo de quem ajuda os partidos

A palavra panfletário, em época de eleição, faz o público pensar de imediato nos folhetos coloridos que são distribuídos pelas ruas da cidade. Na correria do dia a dia, muitos passam direto e não aceitam das mãos dos outros esses panfletos partidários. A população, no entanto, não imagina quem são essas pessoas que estão na rua oferecendo informações sobre os candidatos.

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Público alvo dos panfletários em um dia de semana. Foto: FreeImages

Esses trabalhadores são, em sua maioria, assalariados e obedecem a ordens superiores sobre como se portar e onde ficar para melhor atingir seu público-alvo. Katelyn, de 24 anos, que assim como a maioria dos entrevistados não quis dar o seu sobrenome, está trabalhando para o partido Democratas (DEM). “Todo dia a gente está em um lugar diferente e vê onde a aceitação é melhor”. A partir disso, a coordenadora dela é quem escolhe o próximo local de trabalho.

O perigo dessa abordagem é quando o contratado para o cargo não tem ciência dos ideais de quem estampa seu panfleto. Greice, de 22 anos, funcionária do Partido Humanista da Solidariedade (PHS), não soube informar as propostas dos candidatos aos cargos de Deputado Estadual e Federal.

A falta de conhecimento desses indivíduos oferece uma maior preocupação, já que nenhum deles conhece a legislação que faz a manutenção de seus cargos. As normas estabelecidas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) são claras quanto ao que pode ou não acontecer durante os três meses anteriores à eleição. Contudo, os dirigentes partidários insistem em burlar as regras, contratando adolescentes para entregar folhetos e colocando seus contratados em frente a universidades particulares e hospitais, o que é proibido.

Aqueles que são voluntários para as campanhas fazem questão de estar informados sobre os planos dos candidatos. Alexandre, de 44 anos, dirige uma corrente interna do PSOL. “A gente fala as propostas que apresentamos em nossa candidatura. Toda a nossa militância constrói a candidatura voluntariamente”. Entretanto, a maioria dos cidadãos não ouve o que eles têm para falar. A falta de tempo e a correria conduzem o povo a não se atentar ao que esses trabalhadores estão oferecendo.

Os voluntários ainda reforçam a importância de tal ofício, mesmo que não sejam filiados ao partido, como explica Tiago Dornellas, de 29 anos, que trabalha para o Partido Novo. “Como cidadão brasileiro, carioca, tenho que usar minha influência e força de trabalho para trazer o resgate à política, que muitas pessoas abandonaram, o que trouxe o estado em que estamos”.

Há ainda os que sofrem com as represálias em bairros dominados por milícias e não podem sequer ir a certos lugares da cidade. Um panfletário do PSOL, que não quis ser identificado, acredita que o motivo é porque seus ideais vão contra os da maioria. Além de ser um trabalho árduo, mal visto pela sociedade, no qual alguns ainda correm perigo nas ruas, os papéis que são oferecidos têm um destino fatídico antes mesmo de terem suas informações lidas: o lixo. Apesar dessas dificuldades, eles encontram forças para continuar e gerar emprego para pessoas de todas as idades.


Luiza Accioly Lins – 8º período

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