Especialistas analisam impactos do atentado a Bolsonaro nas Eleições

Desdobramentos do crime contra o candidato à Presidência são comentados por professores da UVA

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O presidenciável Jair Bolsonaro foi atacado à faca em Juiz de Fora, gerando intenso debate na imprensa e redes sociais. Foto: Comissão de Direitos Humanos e Minorias para Visualhunt.com

O atentado ao presidenciável Jair Bolsonaro, ocorrido na cidade de Juiz de Fora (MG), na última quinta-feira (6), provocou intensa cobertura midiática e manifestações nas redes sociais, intensificando ainda mais a polarização política nacional. Por conta disso, a Agência UVA pediu a dois professores da Universidade Veiga de Almeida que analisassem as consequências do fato em face do quadro eleitoral: o cientista político Guilherme Carvalhido, professor do curso de Comunicação Social, e o advogado e doutor em Direito Econômico Leonardo Rabelo da Silva Mattos, professor e coordenador do curso de Direito.

Confira abaixo os principais depoimentos dos professores.

Agência UVA: Sobre as causas do atentado, o que poderia justificar um fato como este, levando em conta a radicalização das divergências políticas entre as ideologias de direita e esquerda e o marketing político empreendido pelo candidato Jair Bolsonaro?
Leonardo Rabelo: Não acho que o estilo próprio dele, escolhido como marketing político, seja responsável pelo atentado. Eu me preocupo com a disputa ideológica fomentada pelas redes sociais, na qual ou você é igual a mim ou é meu inimigo. Esse caráter nocivo da proteção que a internet proporciona, onde qualquer pessoa pode falar o que quer, inclusive destilar ódios. Mas, no caso em particular, acredito que seja uma ação do agressor por problemas mentais e não uma ação política.

Agência UVA: O Sr. acredita que o atentado pode ser explorado nas redes sociais e outras mídias para influenciar os eleitores, especialmente os indecisos?
Guilherme Carvalhido: O fato pode ser trabalhado pelos dois lados: pelo lado do Bolsonaro, como vítima de uma situação na qual ele é perseguido e, pelos adversários, sobretudo, caracterizando o atentado como resultado da atitude do próprio candidato, que estimulou esse comportamento na sociedade. De qualquer modo, devemos aguardar para conferir a reação das campanhas políticas.

Agência UVA: Os Senhores acreditam que o atentado causará algum impacto na campanha de Jair Bolsonaro, posto que os médicos indicam uma recuperação de sete a dez dias?
Leonardo Rabelo: Bolsonaro não faz campanha para o primeiro turno mais. Neste aspecto, é positivo para a candidatura dele, pois com a vantagem que tem, praticamente garante a ida para o segundo turno. O brasileiro tem uma tendência de apoiar o mais fraco ou aquele que sofre. Então, muito provavelmente, muitas pessoas vão se compadecer e votar nele por isso. Antes, eu tinha dúvida se ele passaria para o segundo turno, agora acho que já conseguiu.

Guilherme Carvalhido: É impossível saber. O que posso dizer é que Bolsonaro estará mais exposto na mídia e, possivelmente, isso vai ser positivo para a campanha porque sustenta a posição na casa de 20 a 23% dos votos, o que garante a presença no segundo turno.

Agência UVA: O Sr. acredita que os eleitores de Bolsonaro o veem como mais um “salvador da Pátria”, pelo fato dele tentar se diferenciar dos demais políticos por ser ficha-limpa?
Guilherme Carvalhido: Como um “salvador da Pátria”, não. Mas como um candidato que traz consigo o discurso de uma solução violenta, que constrói uma “estrutura de vingança” contra os políticos corruptos e o que ele chama de bandidagem e isso agrada a uma parte da população.

Agência UVA: O Sr. acredita que o atentado pode afetar a imagem do Brasil no exterior?
Leonardo Rabelo: Afeta. Qualquer atentado político afeta a imagem de qualquer país. Mais ainda, por se tratar de um atentado a um candidato à Presidência da República. Mas acho que, no exterior, as coisas vão se misturar e apenas reforçar o estereótipo de violência no Brasil. Pois, se no Brasil, até um candidato à presidência não está seguro, talvez esse não seja um país para se visitar.


Aluno: Francisco V. Santos – 7º período

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