Tecnologia

Infodemia: as redes sociais e a pandemia das fake news

Numa sociedade que cada vez mais mistura o mundo real com o virtual, as Fake News, para especialistas, são um vírus a ser contido

Viver sem tecnologia atualmente é quase uma missão impossível. A cada dia mais inovadora e disruptiva, ela tem o poder de impactar todo o cotidiano de uma sociedade num piscar de olhos. Entretanto, nem sempre as mudanças são positivas. Entre os impactos negativos causados pelos avanços tecnológicos, as Fake News se destacam como um dos mais difíceis de se combater.

Com a popularização dos meios de comunicação e a democratização do acesso à internet, as notícias falsas têm se tornado cada vez mais presentes no dia a dia das pessoas. Seja por meio de uma mensagem no WhatsApp ou em uma matéria publicada num site desconhecido, a maneira com que as informações são apresentadas visa confundir o leitor e, assim, levá-lo a acreditar naquilo que está sendo dito. 

Impulsionadas durante o período de isolamento social, elas se alimentam da busca dos usuários por novas informações, que, guiados por um sentimento de urgência, acabam não checando a veracidade dos fatos. Para Erivelto Amarante, mestre em comunicação, a pandemia de Covid-19 influenciou diretamente no aumento da disseminação de Fake News.

“A chegada da pandemia fez crescer o interesse das pessoas por informações sobre o novo coronavírus. Num contexto em que nem mesmo a ciência tinha as respostas, muitas pessoas com interesses diversos, como políticos e econômicos, se aproveitaram da situação para disseminar notícias falsas. Esse fenômeno ficou conhecido pelo termo infodemia”, aponta.

Além disso, outro fator que contribuiu para a propagação dessas notícias foi a presença das redes sociais. Se antes era preciso comprar um exemplar de jornal ou mesmo ligar a TV para ter acesso aos últimos acontecimentos, hoje basta estar logado em algum aplicativo de mídia social e pronto, já é possível saber tudo que anda rolando no mundo. De fácil consumo e com enorme capacidade de circulação de conteúdo, as redes sociais se tornaram a casa das Fake News. 

Segundo uma pesquisa feita no Brasil pela Agência Reuters, os entrevistados apontaram o WhatsApp e o Facebook como as duas principais fontes de fake news no país (Foto: Reprodução/Pixabay)

De acordo com Samuel Lima, pesquisador do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS/UFSC), o modelo de negócio das plataformas digitais também é baseado em desinformação. Segundo ele, tentar manipular a opinião individual e coletiva dos usuários é natural no ambiente online.

“Para mim, não é por acaso que as redes sociais compõem hoje uma indústria trilionária que se articula mundialmente sem contestação dos países ou de qualquer organismo multilateral. Acredito que o papel dessas mídias é fazer negócio, ou seja, ganhar dinheiro”, declara. 

Já para Gilmar Lopes, fundador do E-farsas, um dos primeiros sites de fact-checking no Brasil, as redes sociais se encontram “numa via de mão dupla”, pois necessitam descobrir formas de lidar com a desinformação sem que haja interferência na liberdade de expressão dos indivíduos. 

“Por experiência própria, verificamos que as redes sociais que tentaram resolver o problema da disseminação de fake news com a implantação apenas de scripts não tiveram sucesso. É preciso que haja uma curadoria humana por trás e que esse serviço não impeça os usuários de se expressar”, explica.

Ainda de acordo com Gilmar, o fator “velocidade” é muito importante para minimizar os efeitos de uma informação falsa. Segundo o analista de sistemas, quanto mais rápido a notícia for desmentida, menor será o seu potencial de alcance.  

“Desde quando começamos o E-farsas, há vinte anos, temos a noção que o desmentido não tem a mesma capacidade de disseminação que o boato. Por isso, investimos em criar públicos nas mais diversas plataformas. A velocidade é de extrema importância, pois o quanto antes a gente consiga desmentir um assunto, as chances dele alcançar mais pessoas diminui”, afirma.

Logo, percebe-se que para combater a pandemia de Fake News é preciso que as pessoas estejam atentas e se acostumem a verificar a fonte e a veracidade daquilo que estão consumindo na internet. Pois, por mais importante que seja o papel das agências de checagem de fatos, deve-se ressaltar que seu poder ainda é limitado perto do enorme universo de postagens e links disponíveis.

Para evitar cair em Fake News, confira abaixo dicas de Gilmar Lopes enviadas por ele a Agência UVA:

Foto de Capa: Reprodução/Pixabay

Anne Rocha (5º período), com revisão de Leonardo Minardi (7º período) e Gabriel Folena (5º período)

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