Festival 3i: internet e novos nichos são responsáveis pela transformação do jornalismo cultural

Especialistas debatem como a editoria está em crescimento, conquistando um público maior

Ocorreu nesta terça-feira (22) o sétimo dia do Festival 3i – Jornalismo Inovador, Inspirador e Independente, que teve como atração o painel “Como o jornalismo cultural está se reinventando?” , transmitido via Youtube. O objetivo foi trazer iniciativas jornalísticas que propõem um novo ponto de vista sobre as áreas da cultura e da literatura.

O evento foi mediado pelo jornalista Rafael Gloria, editor do Nonada Jornalismo e teve a participação de Luciana Veras, repórter especial da Continente, Paulo Floro, um dos editores da revista O Grito!, Paulo Werneck, diretor de redação da Quatro Cinco Um, e André Gonçalves, um dos fundadores da Revestrés.

Luciana Veras, repórter especial da Continente, conta como a revista fez mudanças não apenas gráficas, mas também de conteúdo, para poder se adequar a nova realidade do jornalismo cultural.

“Tiramos algumas seções que eram fixas da revista, como cardápio (que falava de gastronomia) ou palco (que tratava de teatro), e se apostou na produção de maior volume de matérias longas. Reportagens de 10 a 20 páginas, que exigem um trabalho maior, mas ao mesmo tempo propicia uma melhor apuração”.

Luciana Veras relata uma mudança de abordagem no
jornalismo cultural ( Reprodução – Youtube ) 

Para a jornalista, a reinvenção do jornalismo cultural se passa por um entendimento do que cada veículo tem e pode oferecer de melhor, independente de ser impresso ou online.

“Precisamos ter cuidado e saber diferenciar os formatos. Existem notícias que você vai trazer para plataformas como o Instagram e o Twitter, e assuntos e temas que podem ser aprofundados em uma reportagem de 12 e 14 páginas”, afirma.

Na opinião de Paulo Floro, editor da revista O Grito!, a transformação do jornalismo cultural se passa muito pela pauta, pois ainda existem diversos nichos que precisam ser descobertos e atendidos, sendo necessário formar um elo com a comunidade de cada um.

“A pauta está muito ligada ao público. É preciso entender o que este público consome, qual a necessidade dele “, analisa.

Paulo Floro analisa que a transformação do jornalismo cultural se passa por entender diferentes nichos ( Reprodução – Youtube)

Outro tópico bastante abordando foi sobre a segmentação do jornalismo cultural. Segundo Paulo Werneck, diretor de redação da Quatro Cinco Um, a internet foi um fator primordial para essas distribuições, pois os nichos se encontraram.

Os admiradores de todos os gêneros literários hoje tem um lugar para se encontrar, isso está muito bem segmentado, entretanto a crise que a indústria cultural sofreu ao longo do tempo, fez com que financiadores de projetos fossem derrubados, por isso é importante que as pessoas consumam e ajudem o jornalismo cultural , pois ele é tão importante quanto a editoria de direitos humanos”, explica.

Os jornalistas também aproveitaram para dar dicas de como se inserir nesse mercado, que está em constante crescimento e é uma das áreas mais requisitadas por jovens estudantes de comunicação. André Gonçalves, fundador da Revestrés, acredita que é muito importante que jornalistas mais experientes auxiliem os mais jovens nessa colocação no mercado, os estimulando a desenvolverem pautas e produtos próprios, algo que ele procura fazer em sua revista.

“A gente sempre pediu para que alunos escrevessem e mandassem pautas e matérias, e fomos descobrindo novos talentos. Foi um pontapé inicial para essas pessoas, e é muito importante que se estude, leia e se arrisque com as pautas. É procurar um caminho sobre o que você quer falar”.

Paulo Floro, que também é professor universitário de jornalismo, explica que sempre aconselha seus alunos a serem proativos e pesquisar sobre o segmento. Ele cita também a importância de avaliar seus objetivos.

“É importante já começar a identificar seu foco a partir dos primeiros períodos da faculdade, saber em que área investir e começar a pensar em pautas e fazer um caderninho de fontes. O jornalismo como um todo passa por um período de grande transformação e hoje existem muitas possibilidades “, afirma.

O painel “Como o jornalismo cultural está se reinventando?” aconteceu no sétimo dia do Festival 3i, que vai de 15 a 25 de março. A gravação do painel pode ser acessada no link abaixo, para o canal do Youtube do festival.

Maria Eduarda Duarte (7° período ), com revisão de Leonardo Minardi (7° período)

Foto de capa- Reprodução – Youtube

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2 comentários em “Festival 3i: internet e novos nichos são responsáveis pela transformação do jornalismo cultural

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