Especialistas debatem sobre o papel das Big Techs no futuro do jornalismo digital

No quarto dia de eventos do Festival 3i, convidados discutem sobre o impactos das grandes empresas no jornalismo digital

Não é de hoje que as grandes empresas de tecnologia começaram a participar ativamente de diversos setores da sociedade. E claro que o meio jornalístico foi um deles. Na mesa “Big tech e o futuro do jornalismo digital”, realizada na última sexta-feira (18) pelo Festival 3i de inovação no jornalismo, especialistas discutiram sobre o papel desempenhado por essas corporações no jornalismo digital, a importância da transparência e como garantir o equilíbrio no ecossistema da comunicação. 

As Big Techs são empresas multinacionais que detêm uma grande influência e poder sob a sociedade civil e os governos em todo o mundo. Alguns exemplos são: Google, Microsoft, Amazon, Meta, Apple e outras.

O debate contou com a mediação da cofundadora e diretora-geral do jornal “Nexo”, Paula Miraglia, além da participação de Iacy Correia, da “Alma Preta”, Meetali Jain, da “Reset”, e Francisco Brito Cruz, do InternetLab. O primeiro assunto a ser comentado foi o Projeto de Lei 2.630/2020, que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet.

Visando ampliar a acessibilidade, todos os eventos do Festival 3i contam com intérpretes de Libras (Foto: Reprodução/Youtube)

De acordo com a mestra em Comunicação, Iacy Correia, o texto da PL precisa ser melhor trabalhado, pois ainda há muitas lacunas a serem aprimoradas. Para ela, o posicionamento das grandes empresas em relação ao projeto é contraditório e questionável. 

“O argumento que mais me chamou atenção foi o de que essa PL deixaria o ambiente online desprotegido contra os discursos de ódio, facilitando a desinformação. Só que essas próprias empresas, como o Facebook, já possuem um posicionamento político”, declarou. 

Em tese, o objetivo da PL 2.630 é estabelecer normas e diretrizes de transparência que vão nortear o uso das redes sociais, ferramentas de busca e aplicativos de mensagens, a fim de combater a desinformação. Segundo Francisco, diretor do InternetLab, é difícil dispor de um projeto como esse sem saber com clareza o que essa palavra significa. 

“Parte do problema é que a desinformação está interagindo com o sistema, gerando transtornos a todo tempo. Então, é difícil distinguir o que é uma lei criada para resolver esse problema e uma lei voltada para legitimar as boas ações daqueles que lutam contra isso”, explicou. 

Outro tema também abordado pelos convidados diz respeito à participação da sociedade civil em decisões dessa magnitude. Para Iacy, gerente de comunicação da “Alma Preta”, um dos pontos a serem revistos na PL é justamente a falta de colaboração, não só dos veículos de comunicação, mas dos cidadãos que são usuários das redes. 

“Muitas pessoas não sabem o que é política de privacidade, então precisamos contar com a participação popular para dar início a qualquer debate de regulação”, comentou.

Meetali Jain, diretora adjunta da “Reset”, ainda aproveitou o assunto para reforçar que “nenhuma lei vai conseguir combater a desinformação completamente, porque é necessário um trabalho com a sociedade também”.

Perguntados acerca da importância desse projeto de lei na luta contra as fake news, os participantes se mostraram otimistas com a proposta de regulamentação. 

“Um projeto como esse tem o potencial de promover não só mudanças na arquitetura das redes, como também incentivos a uma maior responsabilização. Ou, até mesmo, uma maior transparência, instrumento fundamental na luta contra a desinformação”, apontou Francisco Brito Cruz.

Ao final do debate, os especialistas ainda comentaram sobre a dependência financeira vivida pelo jornalismo para com as grandes corporações. Segundo a cofundadora do “Nexo”, Paula Miraglia, ainda que seja fundamental diversificar as fontes de receitas, sobretudo no ramo do jornalismo digital, não se pode abrir mão de uma “interlocução com as plataformas”. 

A mesa “Big tech e o futuro do jornalismo digital” aconteceu no quarto dia do Festival 3i, que vai de 15 a 25 de março. A gravação da mesa pode ser acessada no link abaixo, para o canal do YouTube do festival.

Anne Rocha (5º período), com revisão de Leonardo Minardi (7º período)

Foto de capa – Markus Spiske/Unsplash

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2 comentários em “Especialistas debatem sobre o papel das Big Techs no futuro do jornalismo digital

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