Esporte

Comissão para diversidade criada por Lewis Hamilton propõe mudanças no mundo do esporte

O heptacampeão mundial de Fórmula1, que constantemente se posiciona contra o racismo, encontrou uma maneira de promover a diversidade no automobilismo

O piloto britânico de Fórmula1, Lewis Hamilton, promove discussões desde 2020, sobre questões racistas e cobranças para uma maior diversidade nos espaços, não apenas na Fórmula1, mas no automobilismo como um todo, que é historicamente um esporte elitista. Por isso o piloto criou uma Comissão de Diversidade.

Em parceria com a Real Academia Britânica de Engenharia, Lewis desenvolveu um relatório denominado de Comissão Hamilton, que em uma pesquisa minuciosa, ajuda a entender as dificuldades e os desafios para o acesso de pessoas negras ao automobilismo. A iniciativa não pensa apenas nos pilotos, mas também em outros cargos, como engenheiros e mecânicos.

De acordo com a estimativa da Comissão Hamilton, há apenas 1% de negros empregados em cargos no automobilismo. Assim que o relatório da Comissão foi divulgado, a Fórmula1 já anunciou medidas para promover a diversidade no esporte, como disponibilizar bolsas de estudos em parceria com as principais universidades de engenharia da Europa e preparar esses profissionais para ingressar em cargos nas equipes.

Hamilton mostrando dados da Comissão em seu Instagram

A Comissão Hamilton foi muito bem aceita pelo público em geral , mas principalmente entre os fãs do piloto, como a estagiária de direito Cibele Gomes.

“Fiquei muito animada com a ideia de trazer mais representatividade para a categoria, já que o Lewis é um grande símbolo para milhares de jovens, o trabalho que ele vêm fazendo está abrindo os olhos da população e de seus companheiros”, comenta Cibele.

A opinião também é compartilhada pela publicitária Nathália Castro, que ressalta a importância das ações da Comissão em um ambiente elitizado como a Fórmula 1. “A Comissão veio exatamente para trazer mais oportunidades para jovens pretos e de outras origens, e também terem espaço e voz dentro deste ambiente, majoritariamente branco e formado por homens. me senti representada de alguma forma”, destaca Nathália.

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Todavia, apesar do automobilismo ser historicamente inacessível para as pessoas negras e de origens mais humildes, alguns acreditam que essas pautas de diversidade não deveriam transcender no esporte, que antes não possui tanto interesse em debater essas questões, como explica a jornalista Rafaela Oliveira, apresentadora do Punta Talks Podcast e comentarista do Boletim do Paddock.

“O automobilismo nunca sentiu a necessidade de mudar essa realidade, mas com o Hamilton lá isso já muda de cenário e ao mesmo tempo irrita os mais conservadores, já que ele expôs um problema que para esse nicho nunca existe”, analisa Rafaela.

Rafaela ainda destaca que Hamilton já pode ser considerado maior que o próprio esporte, e que ele influenciou muitas pessoas a se interessarem pelo esporte, a observar as situações que acontecem fora das pistas também e cobrar por mudanças efetivas.

“Um dos problemas apontados pela Comissão Hamilton é a desmotivação, pessoas sonham em trabalhar com automobilismo mas as barreiras e falta de pessoas como elas as fazem desistir, agora você tem um cara ganhando tudo na categoria e não só dizendo que é possível, mas também tentando gerar oportunidade para essas pessoas”, afirma a jornalista.

Apesar de ainda enfrentar muitas desconfianças e preconceitos, Lewis Hamilton conta com o apoio de milhões de apoiadores ao redor do mundo que o incentivam, cada vez mais, a seguir na luta por mais igualdade no automobilismo. Além disso, o piloto já mostrou que não se abala tão facilmente com aqueles que o criticam, segundo Nathália Castro.

“É incrível ver o poder que o Lewis tem fora e dentro das pistas, ele usar a voz e imagem dele para promover diversidade e igualdade dentro do esporte é muito bonito de se ver, ele tem essa força de juntar as pessoas em prol de uma mudança e dar voz aqueles que, infelizmente, foram e ainda são calados e menosprezados diariamente”, assegura a jornalista.

Cibele também está muito otimista com as propostas da Comissão Hamilton e acredita que daqui a pouco tempo, o Grid vai começar a ser mais diversificado. “Lewis está mostrando e abrindo espaço para que as pessoas lutem pelos seus direitos e aquilo que elas acreditam, ao meu ver ainda vamos ter jovens negros pilotando graças a grande influencia do Lewis”, conclui Cibele.

Racismo estrutural afeta o esporte

O doutor em Sociologia pelo IESP-UERJ que estuda as relações raciais e desigualdades , Jefferson Belarmino de Freitas, afirma que é muito importante que Hamilton faça frente ao racismo que sempre esteve estruturado no esporte e que é um ganho enorme ele trazer para discussão o tema.

“O preconceito racial faz parte de sua trajetória e ele preferiu não ficar calado. Nas investigações sobre as desigualdades vigentes na modalidade, um dado que chama a atenção é que há poucos engenheiros negros no circuito porque estes possuem uma deficiência na área de exatas, e não chegam as universidades mais prestigiadas. Esse é apenas um exemplo de como a diversidade a qual Hamilton joga luz se baseia em desigualdades estruturais, e em consequência, um racismo estrutural´´, afirma Jefferson.

O doutor ressalta que as mudanças na estrutura não podem depender apenas de ações individuais, e que políticas públicas sejam trabalhadas para amparar o esporte. “É ainda mais importante ele endossar que as desigualdades que agem sobre a Fórmula1 sejam investigadas em suas origens, Hamilton se mostra preocupado com o afastamento das comunidades negras em relação a sua modalidade. Em um país tão desigual como o Brasil, por exemplo, é muito provável que uma criança negra veja uma carreira na Fórmula 1 como algo muito distante de sua vida. Desigualdades destroem sonhos cotidianamente”, encerra.

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Maria Eduarda Duarte – 6° período

Sob supervisão de Barbara Souza – 8° período

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