Cultura

Secom 2021: a pluralidade musical brasileira do Coala Festival em pauta

Live com os criadores de um dos festivais queridinhos de público e crítica abordou a riqueza da música brasileira

Na noite da última quinta-feira (26), a Semana da Comunicação da Universidade Veiga de Almeida (UVA), que este ano tratou de “Diversidade na Comunicação”, encerrou com uma live sobre pluralidade musical. O bate-papo, moderado pelos professores Érica Ribeiro e Guto Lacerda, contou com Christiano Vellutini, diretor criativo no Coala.LAB e na AKQA São Paulo, e Gabriel Junqueira, fundador e curador do Coala Festival, também à frente do selo e do núcleo de projetos do festival, o Coala.LAB, liderando o pilar de estratégia para música.

O debate sobre a pluralidade musical trouxe questões sobre as inovações, a competitividade e as transformações atuais desse ramo, sobre a relação da propaganda a partir e através da música e sobre como a gama de consumidores heterogêneos são influenciados e atraídos por uma mesma paixão: a música.

Duda Beat no Coala Festival 2019 - Fernando Schlaepfer / Divulgação - Fernando Schlaepfer / Divulgação
Duda Beat em ação num dos palcos do Coala Festival 2019. Foto: Fernando Schlaepfer/Divulgação

Gabriel Junqueira, fundador e curador do Coala Festival, já começou o encontro explicando como começou a desenvolver esse projeto, que é considerado um dos queridinhos da música brasileira contemporânea.

“Essa ideia do projeto surgiu quando ainda estava na faculdade em 2012. Em São Paulo, na época frequentávamos muito casas de show, lugares bem específicos para encontrar bandas. Mas quando a nossa casa de show preferida fechou, (Estúdio SP) a gente ficou bastante comovido. Com isso, surgiu a ideia de criar o Coala Festival. Uma marca para fortalecer musica brasileira”, expressa Gabriel.

Fundador do Coala Festival, explica de como surgiu a ideia de criar o projeto. Foto: Reprodução/ Youtube

Em seguida a professora Erica Ribeiro levantou uma questão para os dois convidados, em saber quais são as maiores dificuldades em realizar um evento de médio porte.

“A maior dificuldade para realizar um evento, com certeza, é conseguir recursos. No primeiro ano a gente conseguiu um auxílio de via lei de princípio cultura, pelo Programa de Ação Cultural pelo (ProAC), não foi um recurso que a gente esperava, mas foi uma boa quantidade de grana que deu para gente se organizar e planejar o evento”, afirmou Gabriel.

Christiano Vellutini, diretor Criativo no Coala, continuou contando das dificuldades enfrentadas no início do projeto.

“Quando você já tem o projeto, você já tem o que mostrar, mas quando você não tem nada, só tem o projeto no papel, fica muito difícil de desestabilizar aquela pessoa que está no lado de fora. É aquilo, acreditar no potencial do evento, mas não saber de fato que vai existir”, conclui o Christiano.

O diretor criativo do Coala, relembrou as dificuldades que passou do inicio do projeto. Foto: Reprodução/ Youtube

Durante a live, por meio de algumas perguntas no chat, surgiu a curiosidade de saber por que alguns gêneros musicais ainda são marginalizados, como o funk e o rock.

“Isso tem muita a ver com a profissionalização dessas cenas. Você tem o sertanejo que tem uma dominância muito grande, depois vem o pop brasileiro, que vem alcançando lugares grandes. O funk, apesar de ser marginalizado, é main stream (isto é, está na cena principal). Isso tem muito a ver com o ciclo da cultura, de quem está criando e que quer chegar na maioria. Uma coisa interessante é observar como a Bahia segue sendo um seleiro musical desde sempre, o tempo todo revelando talentos para o resto do Brasil”, afirma Gabriel.

Para ele, a organização e a profissionalização de cenas musicais, especialmente em áreas distantes do eixo Rio-SP, é chave para que artistas atinjam maior número de público e crítica. “Este fortalecimento acontece quando artistas daquela determinada região se apoiam mutuamente… isso faz com que este cenário cresça”, completa.

A dupla de coalas também respondeu a perguntas sobre a captação de recursos de patrocínio de grandes marcas.

“Foi realmente em 2017 que a gente começou a captar grandes patrocínios. Quando a gente fez o nosso primeiro sold out, as marcas começam a entender o que você está fazendo e percebem nisso algum valor. O processo de captar grandes patrocínios está associado antes em provar que se é relevante. É muito difícil conseguir um patrocínio sem antes provar a relevância do que você está fazendo”, afirma Gabriel.

Nas considerações finais, Gabriel o fundador do Coala Festival falou um pouco de qual deve ser o legado do projeto.

“Sobre o legado do Coala, espero que seja o de potencialização da música brasileira mesmo, um festival que se propõe a dar espaço para nossa música. Além disso, criar um palco grande e relevante para essas cenas e que no futuro a gente consiga fazer trabalhos que entrem para história. Meu sonho é ver os gringos vindo para cá assistir a um festival repleto de brasilidade como o Coala Festival, em vez de ver brasileiros saindo daqui para curtir shows fora do país”, afirma Gabriel.

Para assistir a Live completa, acesse o link abaixo.

A Semana da Comunicação da UVA acontece até o dia 28 de maio, totalmente virtual, com mais palestras e atividades para alunos e professores. Mais informações sobre o evento e a programação, você encontra no Instagram da Secom 2021.

Se ficou curioso para conhecer mais da curadoria do Coala, acesse esta playlist no Spotify.

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Mateus Almeida Marinho- 8º período

2 comentários em “Secom 2021: a pluralidade musical brasileira do Coala Festival em pauta

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