Ciência

Nobel de Química premia duas mulheres pela primeira vez por técnica de edição do genoma

Jennifer A. Doudna e Emmanuelle Charpentier ganharam a premiação em 2020; é apenas a 5ª vez na história que mulheres ganham o Nobel

A Academia Real de Ciências da Suécia divulgou hoje que, pela primeira vez na história do Nobel de Química, duas mulheres ganharam o prêmio juntas devido ao desenvolvimento do CRISPR, que é uma ferramenta capaz de editar o DNA, tendo assim a possibilidade de se reescrever o código da vida. Segundo esse estudo, acreditam poder criar bebês com resistência ao HIV. Editando o DNA de qualquer ser vivo, imaginam ter altas possibilidades de curar doenças de importância máxima, como o Câncer e o Alzheimer.

Emmanuelle Charpentier, francesa de 51 anos, é microbiologista e imunologista, e desde 2015 é diretora do Instituto Max Planck de Biologia de Infecções, situado em Berlim. Além deste prêmio, Charpentier já conquistou outros, como o Breakthrough Prize in Life Sciences e o Gruber de Genética. Ela, juntamente com Jennifer A. Doudna, foram reconhecidas pela revista Time em 2015 como duas das 100 pessoas mais influentes do mundo.

Jennifer A. Doudna, de 56 anos, é uma bioquímica e bióloga molecular norte-americana, e também exerce o cargo de professora na Universidade da Califórnia em Berkeley. Além do Nobel, Jennifer tem outras premiações importantes em sua carreira, como o Prêmio Dr. Paul Janssen de Pesquisa Biomédica; o Prêmio Gabbay e o prêmio WOlf de Medicina. Todos esses foram ganhos em parceria com sua colaboradora, Emannuelle Charpentier.

“Eu gostaria de passar uma mensagem positiva à meninas que gostariam de seguir o caminho da ciência. Acho que nós mostramos a elas que, em princípio, uma mulher na ciência pode ter impacto na ciência que elas estão fazendo. Espero que Jennifer Doudna e eu possamos passar uma mensagem forte às meninas”, comentou Charpentier com a imprensa após o anuncio da premiação.

A vitória deste prêmio alcançado por duas mulheres em uma mesma categoria significa que tanto mulheres como homens podem lutar por seus direitos igualmente. Porém, desde 1901 apenas 5% dos vencedores do Nobel foram mulheres, com destaque para figuras ilustres como a cientista e física polonesa Marie Curie, a religiosa católica Madre Teresa de Calcutá e Malala Yousafzai, ativista paquistanesa e a pessoa mais nova a ser creditada com o prêmio Nobel.

As mulheres também estão em minoria nas comissões responsáveis por escolher os vencedores, representando somente um quarto do número geral de membros. Neste ano, em Estocolmo, na Suécia, apenas homens ficaram à frente da comissão do Nobel. Colocando isso em conta, nos demais comitês como de Economia, Química, Medicina e Física, não houve a devida igualdade perante o gênero masculino.

Processo de como se deu a criação do CRISP (Fonte: CYAGEN)

“A premiação de duas mulheres em Nobel de Química é extremamente positiva. Uma área que desde o início é um ambiente povoado predominantemente por homens, os esforços de Madame Curie como a primeira mulher a ganhar um Nobel de Química se refletem até os dias atuais. Esse prêmio mostra que as mulheres são tão capazes quantos os homens”, afirma Anderson dos Santos, estudante de Química, ao falar da importância deste premio na sua área de atuação.

Congresso científico aonde estava presente alguns dos maiores gênios da história, inclusive com a presença de Marie Curie (Foto: pinimg)

“A competitividade existe, mas é possível homens e mulheres trabalharem nesta área que até pouco tempo as grandes ideias e contribuições eram predominantemente masculinas. O prêmio também pode ser uma quebra de paradigmas, na qual a contribuição de mulheres são tão relevantes quanto a de homens, além de que elas agora possam mudar esse cenário, quem sabe assim democratizando mais a área”, Anderson comenta sobre a competição entre homens e mulheres na área da Química.

Chega-se à conclusão que tanto homens como mulheres têm competência em suas devidas áreas para fazerem descobertas inovadoras e que serão de suma importância para a humanidade, seja na área de saúde, física, literária ou qualquer outra. Porém, é fato que não só nessas premiações com em muitas outras as mulheres não são tão agraciadas como os homens. Com esse reconhecimento de duas grandes cientistas dividindo o mesmo prêmio pela primeira vez em um Nobel de Química, espera-se que, futuramente, haja mais igualdade nos próximos eventos.

Rafael Barreto – 8º período

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