Agência UVA Política

Populares comentam divergências governamentais diante do coronavírus

Cidadãos dizem se sentirem perdidos diante de mensagens dúbias de governantes

A falta de consenso entre as autoridades brasileiras tem gerado confusão em parte da população em tempos da pandemia global pelo Covid-19. Desde que o número dos infectados no país aumentou, governadores de estados começaram a tomar medidas mais drásticas relacionadas ao distanciamento social como forma de diminuir o número de contágio. Em contrapartida, o governo federal foi contra e o presidente Jair Bolsonaro se referiu a essas atitudes como “histeria”.  

Alternando ciclos em que parece apoiar as ordens da Organização Mundial de Saúde (OMS) e de seu próprio Ministério da Saúde e outros em que sugere aos brasileiros que o vírus é só “uma gripezinha”, o presidente passa mensagens dúbias à população. Em 24 de março, Bolsonaro fez um pronunciamento em que criticou o fechamento dos comércios e a paralisação das escolas, atacando os governadores que incentivaram o distanciamento social nos seus respectivos estados.   

Paralelamente, o governador do estado do Rio, Wilson Witzel, afirmou que a fala de Jair Bolsonaro foi “um absurdo”. O próprio Witzel admitiu ter ficado confuso posteriormente quando o Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reforçou a fala do presidente dizendo que “alguns governadores tinham tomado medidas “exageradas” para contenção do vírus”. 

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Para entender a repercussão da divergência de ações e de falas de diferentes governantes, a Agência UVA conversou com populares de idades e profissões diversas. Confira abaixo os principais trechos:

Presidente Jair Bolsonaro e Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta em videoconferência para tratar sobre o coronavírus
(FOTO: Isac Nóbrega/Ministério da Saúde)

Yedda Barbosa, 83 anos, aposentada 
“Na minha opinião só quem pode opinar é o Ministério da Saúde. O presidente não entende nada sobre a pandemia que estamos vivendo e está colocando a vida de muitos em risco contrariando a OMS.” 

Janaína Zappa, 41 anos, Responsável de Custos da Peggeout Citroen 
“Essa dualidade é bem peculiar ao momento que estamos vivendo, eu não gostaria de estar na posição dos nossos governantes. A transparência é a melhor arma nesse momento, falar claramente sobre ambas as crises, a crise econômica e a pandemia.” 

Bruna Rocha, 21 anos, estudante 
“O momento é de muita confusão, pois já existem muitos meios que propagam diversas informações, a população já precisa se certificar a todo momento do que é real ou não. E os governantes, que deveriam passar certa credibilidade para o povo, só aumentam as dúvidas, contribuindo com a instabilidade.” 

Betina Osório, 26 anos, Produtora Rural 
“Eu penso que isso traz muita confusão para a população. Porque vemos as duas figuras mais importantes de liderança para a população enquanto sociedade civil entrando em conflito, e muitas vezes uma das figuras sendo desacreditada ou voltando atrás. Então a população perdeu o seu ‘norte’, ela recebe uma grande quantidade de informações, pela televisão, por jornal ou pela internet, e não sabe exatamente no que acreditar, por conta de questões políticas”. 

Renata Farias, 43 anos, Consultora de Gestão de Pessoas 
“Nesse momento difícil pelo qual estamos passando estamos sem direcionamento algum, estamos perdidos sem saber o que devemos fazer. Isso é muito ruim, os governantes não falam a mesma língua, não se entendem e com isso ficamos à deriva sem uma uniformidade das lideranças.” 

Paulino da Costa, 53 anos, Comerciante 
“Eu preciso abrir a loja todo dia para ter lucro… e claro que nesse momento a saúde é mais importante. Mas eu fico à mercê dos governantes que cada hora dizem uma coisa sobre como devemos prosseguir. Atualmente estamos funcionando apenas meio período, mas eu não sei se isso é seguro. E se de hoje para amanhã resolvem que deve voltar a funcionar tudo normalmente o que eu faço? É necessário um consenso das autoridades priorizando sempre a nossa saúde.” 

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Marina Figorelli – 7º período

 

5 comentários em “Populares comentam divergências governamentais diante do coronavírus

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