Arte, conhecimento e pesquisa: MNBA é fundamental no panorama museológico latino-americano

O Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro tem sua origem numa grande mudança sócio-política. A instituição nasceu com a chegada de D. João VI às terras brasileiras. A comitiva real era composta de quinze mil pessoas, muitos deles políticos, intelectuais, professores e técnicos. Com conhecimentos pela própria natureza do meio em que viviam, aqui aligeiraram o seguimento cultural.

Passando, de uma hora para outra, de província ultramarina à sede de um império, era natural que o Brasil conhecesse a bonança científica — criou-se o Jardim Botânico e a Casa dos Pássaros, origem dos museus de ciências no Brasil —, educacional e artística.

As notícias começaram a circular, por meio da Imprensa Régia, que editava a “Gazeta do Rio de Janeiro”. A tipografia foi instalada depois de trezentos anos de proibição e algumas tentativas sufocadas por ordens de Lisboa. Novos teatros foram construídos. Havia bibliotecas pertencentes às ordens religiosas, franqueadas ao público, e outras bibliotecas particulares foram criadas, difundindo-se o hábito da leitura entre aqueles que sabiam ler, na época.

Os movimentos literários evoluíram com as academias, retomando iniciativas de pouca duração, do século XVIII. Entre muitos outros sinais de progresso, foram fundadas escolas de medicina, militar e de marinha. As duas últimas também ensinavam engenharia.

Se no plano cultural foram muito produtivos os 13 anos de D. João VI no Brasil, o mesmo não se pode dizer da situação política e da economia. À época da partida do rei, em 1821, a opinião pública estava dividida. De um lado, os partidários da coroa. De outro, o desejo de independência.

Primeiro número do jornal da colônia. Foto: Arquivo Biblioteca Nacional

Primeiro número do jornal da colônia. Foto: Arquivo Biblioteca Nacional

Nesse ambiente ansioso por encontrar sua autonomia como povo e como nação, desenvolve-se o Museu Nacional de Belas Artes.

O Início

O Museu Nacional de Belas Artes começou com um pequeno volume de 54 obras trazidas por Lebreton como parte do material didático da Missão Artística Francesa (1816). A esse material foram reunidas peças da coleção de D. João VI, formando-se a Pinacoteca da Real Academia de Belas Artes.

O primeiro prédio da Academia foi construído por Grandjean de Montigny. Mais tarde, serviu de Tesouro Nacional e hoje é apenas um terreno baldio (estacionamento) na esquina da Avenida Passos com a Travessa das Belas Artes. Restam alguns elementos — o conjunto central do pórtico principal da entrada da Academia Imperial de Belas Artes —, levados em 1937 para o Jardim Botânico da cidade, como detalhe decorativo.

A pinacoteca cresceu através de doações, aquisições e trabalhos enviados da Europa, por alunos da Academia Imperial de Belas Artes e, posteriormente, pelos da Escola de Belas Artes, que estudavam subsidiados pelo governo. Quarenta anos depois da fundação, foi reorganizada em novo prédio, perto do anterior.

Em 1908, o endereço definitivo: Avenida Rio Branco. Projetado pelo arquiteto espanhol Morales de Los Rios, o edifício atual já apresentava características bem marcantes. As galerias, especialmente estudadas, receberam as obras existentes e foram ampliadas em tamanho, arranjo museológico e função pedagógica. Na construção original, foram anexadas, em 1923, as galerias internas e o segundo pavimento.

Mais à frente, o museu teria no terceiro pavimento as principais galerias de arte no Brasil. A grande galeria perimetral, com cerca de 2 mil metros quadrados, abrigando coleções de diversos estilos do início da produção artística nacional, com destaque para as monumentais telas das Batalhas do Avaí e dos Guararapes, até as primeiras linguagens artísticas que deflagraram a transição para o século XX.

A ideia de um museu independente da Escola de Belas Artes já havia sido proposta ao governo no primeiro ano da República. Mas a separação só ocorreu em 13 de janeiro de 1937, pela Lei nº 378. Na ocasião, foram estabelecidos as normas administrativas e o quadro de funcionários, sob a direção do pintor Oswaldo Teixeira.

O acervo do Museu Nacional de Belas Artes é composto de obras do século XIX e das primeiras décadas do século XX. Entre as pinturas brasileiras mais antigas, o museu possui obras de Franz Post, do tempo da ocupação holandesa. Seguem-se obras dos professores e das gerações de alunos que passaram pelo ensino artístico oficial da Missão Artística Francesa e da Escola de Belas-Artes.

Fachada do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Foto: Felippe Naus

Fachada do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Foto: Felippe Naus

O Acervo

A memória nacional concretiza-se nas cidades históricas, nos monumentos, nos textos, em toda obra de arte móvel ou imóvel. A preservação, o estudo e a divulgação desse patrimônio é também responsabilidades dos museus. Daí sua importância cada vez mais volumosa nos dias atuais.

Ao mesmo tempo, publicações influentes divulgam a história e o mérito dos museus na formação global do indivíduo. Desde sua fundação, nunca foi uma instituição voltada, unicamente, para a conservação e exibição de obras de arte. Pois a verdadeira função de um museu é educar, direta ou indiretamente.

O Museu Nacional de Belas Artes tem importância fundamental no panorama museológico latino-americano, tanto pela qualidade do acervo, quanto pela excelente localização geográfica no corredor cultural do Rio de Janeiro, como também por estar implementando uma dinâmica e diversificada atuação abrindo espaços para diversos projetos artísticos culturais.

Um dos corredores da Galeria de Arte Brasileira do Século XIX. Foto: Felippe Naus

Um dos corredores da Galeria de Arte Brasileira do Século XIX. Foto: Felippe Naus

Ao contrário do que acontecia até o século XIX, quando os museus eram privilégios das elites, o Museu Nacional de Belas Artes é hoje um museu aberto para um número cada vez maior de pessoas que, com suas vivências e observação, ampliam seus horizontes culturais e educacionais. O ato de contemplação da obra de arte envolve todo um processo carregado de significação, podendo ser observado pelos mais diversos pontos de vista.

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Esta reportagem é parte do Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo “Arte, pesquisa e conhecimento  — Um passeio pelo Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro”, de Felippe Naus, na Universidade Veiga de Almeida

6 comentários sobre “Arte, conhecimento e pesquisa: MNBA é fundamental no panorama museológico latino-americano

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