Trilhando o caminho do sucesso a partir do estágio em Museologia

O mercado de trabalho para museólogos no Brasil é um tanto quanto penoso. O único modo de se ter uma estabilidade é por meio de concursos públicos, que não são frequentes. Também é possível trabalhar em projetos temporários. Mas o estudante que deseja ingressar nesse mercado deve ter em mente que os contatos são fundamentais para se conseguir indicações para esses trabalhos. Tudo pode começar com um estágio e o aprendizado na prática da profissão. Foi o que aconteceu com Amanda Cavalcanti.

— Eu fui estagiária da Divisão Técnica do Museu Nacional de Belas Artes entre abril de 2014 e março de 2016. Escolhi permanecer os últimos dois anos de minha graduação no museu, porque eu realmente adorava a instituição. Já na faculdade, me encantei pelas disciplinas de história da arte. E estar ali, no MNBA, o local em que eu aprendia diariamente a partir do contato direto com as obras dos maiores artistas brasileiros, realmente era o que eu gostava de fazer. Minha função era auxiliar nos processos referentes às coleções de desenho e pintura brasileiros, como catalogação e pesquisa — conta.

Desde criança, Amanda era fascinada por acervos históricos e científicos. Aos cinco anos, dizia que seria paleontóloga quando crescesse. A visita aos museus era uns dos seus programas preferidos. Um pouco mais velha, passou a dizer que seria arqueóloga, pois adorava ler sobre artefatos antigos e entender a história através dos objetos. Porém, não se imaginava em campo, mas pesquisando acervos em alguma instituição.

Aos 15 anos, já no ensino médio, Amanda buscava decidir o curso para o qual prestaria o vestibular. Lendo a revista “Guia do Estudante”, acabou se deparando com o curso de Museologia.

— Quando li a grade de disciplinas, foi paixão à primeira vista. O curso oferecia tudo o que eu queria: aulas de paleontologia, arqueologia, história e história da arte, cujo objetivo era trabalhar diretamente com acervos em instituições culturais.

Com apenas 24 anos, Amanda já é mestranda da linha de História e Crítica de Arte pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Escola de Belas Artes da UFRJ. Foi uma forma de aprofundar seus conhecimentos, já que tem vontade de continuar trabalhando com acervos artísticos.

— Me formei em março de 2016. Atualmente, trabalho em um projeto de catalogação e pesquisa de acervo artístico e de imaginaria de uma irmandade religiosa situada no Rio de Janeiro. Junto com a equipe de museólogos e uma historiadora, vou aos locais que têm guarda de acervo para levantamento de informações primárias, que são colocadas nas fichas catalográficas. Em seguida, realizamos pesquisas em arquivos, bibliotecas e sites, para a complementação do documento gerado – completa Amanda.

Amanda Cavalcanti - Museóloga (Foto - Felippe Naus)

Amanda em uma das Galerias de Moldagens do MNBA. Foto: Felippe Naus

Ela lembra ainda que a museologia é importante por trazer educação em um espaço não-formal, isto é, educa a partir das experiências vividas nos espaços culturais. Assim, tem o potencial de alcançar grande parte da população, promovendo o diálogo, a reflexão, a tolerância, o conhecimento histórico e o estímulo ao estudo, podendo ser utilizada como ferramenta social.

— Recomendo àqueles que são apaixonados por história, história da arte, arqueologia e outras disciplinas ligadas a acervos e que acreditam no potencial de uso do patrimônio na esfera social. Existem inúmeras áreas em que se pode atuar: conservação, documentação, pesquisa, expografia. Cada um se encontra em uma delas, visto que a museologia é uma ciência muito interdisciplinar e rica — finaliza.

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Esta reportagem é parte do Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo “Arte, pesquisa e conhecimento  — Um passeio pelo Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro”, de Felippe Naus, na Universidade Veiga de Almeida

6 comentários sobre “Trilhando o caminho do sucesso a partir do estágio em Museologia

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