Neste sábado, 26, aconteceu o primeiro dia do festival Balaclava Fest 2026 em São Paulo, na casa de shows Tokio Marine Hall. Organizado pelo selo Balaclava Records, o evento acontece desde 2015 e já recebeu em suas edições figuras importantes da música independente internacional como American Football, Mac Demarco, Unknown Mortal Orchestra, Slowdive, Alvvays, Stereolab e Yo La Tengo (estes últimos na edição de 2025). Em 2026, a curadoria aumenta com o dobro de atrações no line-up, dividindo o festival em duas datas. Com nomes nacionais e internacionais no sábado e domingo, a equipe da Agência UVA esteve no festival e organizou uma cobertura deste primeiro dia, destacando as principais atrações deste sábado. Confira:
bar italia
Banda formada por Nina, Sam Fenton e Jezmi Fehmi, bar italia foi a primeira atração internacional a se apresentar no palco da casa de shows Tokio Marine Hall. O trio britânico fez sua segunda apresentação no Brasil, seguida de um show realizado na Casa Rockambole na sexta-feira, 25, um dia antes do festival. O show, que durou por volta de uma hora, elevou a experiência de estúdio do grupo conhecido por sua sonoridade lo-fi. Com o carisma enigmático da vocalista NINA, que dançou em todas as músicas agitadas, que misturava timidez e euforia. O único problema da apresentação também envolveu a cantora, que teve sua voz no microfone com volume reduzido. Não sabe se foi uma decisão estética ou um problema técnico que durou o show inteiro.



Ludovic
Grupo brasileiro de post-punk com mais de vinte anos de estrada, Ludovic fez um show de cair o queixo no Palco Hall, próximo à recepção da casa de show. Desde seus primeiros minutos, o público foi absorvido pela carga pesada do barulho das guitarras e da potente presença vocal do líder Jair Naves. Infelizmente, o palco improvisado na entrada do festival pareceu pequeno demais para a grandiosidade do repertório raivoso e angustiado da banda, que acabou de lançar seu primeiro álbum em vinte anos. Naves agradeceu a oportunidade de se apresentar no Balaclava Fest, e a manifestou a honra pelo convite. Este é o primeiro ano de Naves, desde o início de sua carreira solo nos anos 2010, que ele se dedicou inteiramente a Ludovic, como disse em um post no Instagram. Sua apresentação no Balaclava Fest, organizado pelo selo em que lançou o disco de retorno da banda, foi uma celebração disso.


Dry Cleaning
O grupo britânico Dry Cleaning se apresentou pela segunda vez no Brasil nesta edição de 2026 do Balaclava Fest. Encabeçado pela enigmática vocalista Florence Shaw, a banda é conhecida por misturar riffs angulares do post-punk com a voz da artista dividida entre o canto e o spoken word. Há um contraste entre a performance dos instrumentistas, que dançavam e brincavam com o ritmo da música, com o estilo de Shaw, teatral explicando com o olhar as emoções da música. Outro efeito marcante da apresentação foi como os instrumentos soaram mais carregados de texturas e noise, fortalecendo o repertório que não parecia tão forte em discos como “Stumpwork” e o mais recente “Secret Love” de 2026.


Blonde Redhead
Como encerramento deste sábado de festival, Blonde Redhead, trio americano formado pela japonesa Kazu Makino e os gêmeos italianos Simone e Amedeo Pace, subiram aos palcos brasileiros 14 anos depois de sua primeira vinda ao país. A banda, em atividade desde o início dos anos 1990 e com mais de dez álbuns lançados, mesclou em seu setlist músicas de seus principais álbuns como “23” de 2007 e “Sit Down For Dinner” de 2023, seu último disco. O show ganhou força com a famosa química entre o trio de integrantes e com a belíssima iluminação monocromática, se dividindo entre o azul e o vermelho. No meio da apresentação, Makino falou, em português, sobre sua gratidão e aprendizado com o Brasil, com a música “Blood Spilled”, último single do grupo. A artista dedicou a canção à Palestina e ao candidato à presidência Lula. O show, prestes a encerrar, foi improvisado com a faixa “23” que não estava no setlist e pedida pela plateia, que foi à loucura com a ideia que fechou o show mais que especial.


Foto: Vinicius Corrêa
Reportagem de Vinicius Corrêa
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