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Segundo Fórum de futebol americano debate expansão do Flag Football no Brasil

Evento no Rio de Janeiro reuniu atletas, dirigentes e representantes da NFL às vésperas do jogo no Maracanã

O Rio de Janeiro recebeu, nesta quinta-feira (24), o segundo Fórum Brasileiro de Futebol Americano. Organizado pela Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), em parceria institucional com o Comitê Olímpico do Brasil (COB), o evento reuniu atletas da seleção brasileira de Flag Football, jornalistas, dirigentes e representantes da NFL para discutir o crescimento da modalidade no país. A proximidade do NFL Rio Game, que acontece neste domingo (27), também esteve entre os principais assuntos do encontro.

Com a estreia do Flag Football nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, a modalidade ganhou espaço nas discussões sobre o futuro do futebol americano no Brasil. Durante o primeiro painel, a diretora administrativa do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Ana Terra, e Cristiane Kajiwara e Rakel Barros, presidente e vice-presidente da CBFA, respectivamente, falaram sobre a inclusão do esporte no programa olímpico e os desafios para ampliar sua prática no país.

Segundo Fórum de futebol americano trouxe mais informações sobre a nova modalidade olímpica e a expansão do futebol americano no Brasil.
(Foto: Yan Barros/CBFA)

Ana Terra também apresentou o Programa Esporte Seguro, iniciativa do COB voltada à construção de um ambiente esportivo mais seguro. Segundo ela, mais de 100 mil pessoas já foram capacitadas e mais de 50 organizações participam do projeto, que aborda temas como assédio, racismo, abuso e doping.

Para a CBFA, no entanto, a participação olímpica é apenas uma parte do processo de expansão da modalidade. A entidade também busca aproveitar a visibilidade proporcionada pela partida da NFL no Maracanã para aproximar o Flag Football do público brasileiro.

Cristiane Kajiwara e Rakel Barros em painel sobre a CBFA e o COB
(Foto: Yan Barros/CBFA)

“O nosso desafio agora é transformar toda essa atenção em legado: levar o Flag Football para mais pessoas, mais escolas, mais cidades, formar novos atletas e fazer com que quem assistir à NFL no domingo descubra que existe um futebol americano brasileiro acontecendo o ano inteiro”, explica a presidente da CBFA.

A força da NFL no Brasil

A presença da NFL no país também foi tema de discussões durante o fórum. Danilo Ximenes, representante da patrocinadora Zurich, e Giana Han, jornalista americana que trabalha diretamente na cobertura do Baltimore Ravens, participaram de um painel sobre a internacionalização da liga e o crescimento da modalidade entre os brasileiros.

Com perspectivas diferentes, os convidados falaram sobre o mercado nacional e o comportamento dos torcedores. Segundo Giana, a expectativa da NFL em relação à recepção brasileira foi superada pelo entusiasmo dos fãs.

“O marketing rastreia, então eles sabem que o Lamar Jackson é bem famoso por aqui, que eles têm jogadores famosos aqui. Eles me disseram que normalmente estariam bem ativos ao chegarem no país, mas vocês já estão tão empolgados que eles estão apenas acompanhando os fãs por aqui, em vez de tomar o lugar”, conta a jornalista.

Jornalista Giana Han no painel sobre a relação entre o marketing e o esporte.(Foto: Yan Barros/CBFA)

A realização do jogo no Maracanã também foi abordada durante o evento. O líder de Operações Comerciais da NFL no Brasil, Victor Szepilovski, falou sobre a logística para levar uma partida da liga ao estádio e destacou o significado do local para a cultura brasileira.

Victor Szepilovski explicando sobre a logística da NFL ao trazer um jogo para o Brasil.
(Foto: Yan Barros/CBFA)

“É muito especial estar no Maracanã, que é o estádio mais famoso do Brasil. Acho que é um estádio que conta muito sobre a nossa cultura. Eu sou paulista, mas acho que o Rio de Janeiro tem um lugar muito rico de cultura, e o Maracanã é um estádio maravilhoso”, afirmou.

A cobertura da partida e a comunicação com diferentes públicos também foram discutidas pelos comunicadores Pedro Pinto, da GETV, Gabriel Golim, da ESPN, e JP, do 10 Jardas. Os profissionais falaram sobre o desafio de explicar as regras e características da modalidade para quem está começando a acompanhar a NFL sem afastar o público que já conhece o esporte.

“A gente explica de forma simples. É claro que é mais complexo, mas, para quem está chegando agora, pelo menos eu crio essa vontade e essa curiosidade de querer entender, e ele consegue acompanhar com o básico”, explicou Pedro.

Pedro Pinto (GETV), Gabriel Golim (ESPN) e JP (10 Jardas) em um painel sobre a comunicação do futebol americano no Brasil.
(Foto: Yan Barros/CBFA)

Flag Football como porta de entrada

Além da visibilidade proporcionada pela NFL, o fórum também apresentou o Flag Football como uma possibilidade de ampliar o acesso ao futebol americano no país. Raphael Martins, da NFL Brasil, e Afia Law, da NFL Flag, participaram de um painel sobre a modalidade e seu impacto na formação de novos praticantes.

Na semana que antecede o NFL Rio Game, a NFL Flag e a CBFA promoveram eventos e ativações gratuitas em diferentes pontos do Rio de Janeiro. As ações também chegaram a comunidades como a Rocinha, onde atletas da seleção brasileira ensinaram a modalidade para crianças.

Afia Law destacou ainda as oportunidades criadas pelo Flag Football para meninas e mulheres. Segundo ela, o crescimento da modalidade feminina pode abrir novos caminhos para jovens atletas, incluindo oportunidades de bolsas de estudo e, com a chegada do esporte aos Jogos Olímpicos, a possibilidade de uma carreira profissional.

“Eu acho muito especial sobre a equipe feminina que nós possuímos diversos caminhos para mulheres e meninas jogarem. Desde as mais velhas até o ensino médio, estão começando a jogar mais e mais. Nós também temos uma bolsa de estudos internacional para atletas que vêm de fora dos Estados Unidos, temos as Olimpíadas chegando e logo estaremos vendo um caminho onde diversas mulheres estarão praticando o Flag profissionalmente”, conta Afia.

Afia Law explicando sobre os projetos da NFL Flag.
(Foto: Yan Barros/CBFA)

A modalidade também foi apontada como uma alternativa para facilitar a expansão do futebol americano no Brasil. No último painel do evento, atletas da seleção brasileira, o treinador Adan Rodriguez e o ex-jogador da NFL Durval Queiroz, o Duzão, compartilharam suas experiências e falaram sobre os desafios de desenvolver o esporte no país.

Duzão, primeiro jogador revelado pelo Campeonato Brasileiro de Futebol Americano a chegar à NFL, destacou a necessidade de encontrar formas mais acessíveis de introduzir a modalidade no Brasil. Para ele, o Flag Football pode ser uma dessas alternativas por exigir menos equipamentos e estrutura.

“Não vamos conseguir inundar o Brasil com o futebol americano se não for com o Flag”, explicou Duzão.

Durval Queiroz (Duzão) contando sobre sua experiência na NFL
(Foto: Yan Barros/CBFA)

O treinador da seleção brasileira, também ressaltou os desafios de trabalhar com uma modalidade que ainda está em crescimento no país. Os atletas, por sua vez, retormaram os eventos voluntários e experiências nas ações realizadas pela CBFA em parceria com o Miami Dolphins para levar o esporte a crianças e ampliar o contato do público com o Flag Football.

Portanto, com a NFL chegando ao Maracanã e o Flag Football se preparando para sua estreia olímpica, o fórum mostrou que o crescimento do futebol americano no Brasil vai além da realização de uma partida internacional. A expansão da modalidade passa pela formação de novos atletas, pelo acesso às escolas e comunidades e pelo desenvolvimento das equipes femininas e masculinas. Para a CBFA, o desafio agora é transformar a atenção gerada pelo NFL Rio Game em um interesse contínuo pelo esporte no país.

Foto de Capa: Yan Barros/CBFA

Reportagem de Carolina Bento

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