Agência UVA Comunicação

Discussões sobre colaboração no jornalismo e desinformação agitam segundo dia do Festival 3i

Segunda edição do evento contou com a presença de jornalistas de destaque internacional como Glenn Greenwald (foto)

Desinformação, fact-checking e jornalismo colaborativo foram os temas do segundo dia do Festival 3i — de jornalismo inovador, inspirador e independente, realizado na Fundição Progresso, no Centro do Rio de Janeiro. No primeiro dedicado a palestras, jornalistas de diferentes países compareceram e debateram os principais desafios e problemas da profissão.

Logo no início da programação, desinformação esteve em pauta. O tema tem sido bastante discutido atualmente, uma vez que mesmo com diversos meios de comunicação e fontes de informação, o fenômeno das fake news só aumenta, chegando até mesmo a influenciar o resultado de eleições.

A mesa foi composta por “Hache” Ariel Merpet, coordenador do site de fact checking Chequeado, da Argentina; Adriana Barsotti, professora de jornalismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), e Tania Montalvo, editora chefe do Animal Político, meio digital independente mexicano. A mediação ficou por conta de Gilberto Scofield Jr., diretor da Agência Lupa.

Ariel ressaltou a importância dos jornalistas na formação da opinião dos leitores. “Os jornalistas gostam de contar histórias, mas o que nós devemos ensinar é que as pessoas tenham pensamento crítico”. Como case, Ariel apresentou uma propaganda política na Argentina envolvendo os candidatos à presidência de 2019, promovendo a conscientização sobre a checagem de fatos antes do compartilhamento de uma notícia ou boato.

Já na parte da tarde, a segunda mesa tratou de jornalismo colaborativo. Fizeram parte Maria Teresa Ronderos, diretora do Centro Latinoamericano de Investigación Periodística (CLIP), eleita em 2014 jornalista do ano pelo Prêmio Nacional de Jornalismo Simón Bolívar, da Colômbia; José Roberto de Toledo, editor-executivo do site da Revista Piauí, e Natalia Viana, co-diretora da Agência Pública, além do mediador, o jornalista Agostinho Vieira, do Projeto Colabora.

Eles destacaram projetos de jornalismo que contaram com a participação de profissionais do mundo todo, como o caso do Panamá Papers, uma investigação sobre empresas de fachada criadas pelo escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, que atendia a clientes do mundo todo, inclusive do Brasil. Os documentos desse escritório foram investigados por mais de 370 jornalistas.

“Nós queremos construir uma plataforma virtual de uso rápido e prático para acessar informações públicas de vários países”, afirmou Maria Teresa.

Ainda no gancho do vazamento de informações, a terceira mesa tratou do trabalho dos jornalistas em lidar com dados e tecnologia. Nela, debateram Marcel Gomes, secretário-executivo da ONG Repórter Brasil; Giannina Segnini, diretora do mestrado em Jornalismo de Dados na Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia, e Glenn Greenwald, jornalista e fundador do The Intercept, considerado a principal atração do dia.

“Eu participei do WikiLeaks e do Panamá Papers, e acredito que sempre é preciso se utilizar desses vazamentos como ponto de partida para uma investigação para descobrir mais dados”, ressaltou Giannina.

Glenn, por sua vez, afirmou:

“O jornalismo é difícil. Se você quer enfrentar poderosos, deve estar preparado para isto. Vão haver riscos, ameaças. Se você não quer isso, deveria procurar outra profissão. Mas nada é melhor do que ver os resultados do que você vai fazer”, afirma.

Por fim, a última mesa contou com a presença de Fabiano Maisonnave, correspondente da Folha de São Paulo na Amazônia; Nelly Luna Amancio, cofundadora e editora do Ojo Público (Peru); e Chico Otávio, repórter do jornal O Globo e professor da PUC-Rio, mediados por Marina Barbosa, repórter do Congresso em Foco.

Eles falaram sobre a segurança e os riscos à vida que os jornalistas correm na jornada de trabalho durante uma investigação ou cobertura. “O risco para mulheres jornalistas é ainda maior. Em coberturas afastadas, é necessário ensaiar todos os cenários possíveis. Às vezes, é preciso abrir mão de uma cobertura individual, e contar com o apoio de uma equipe”, afirmou Nelly.

Com tantos temas em discussão, os estudantes que compareceram puderam aproveitar para aprender e ter contato com profissionais de destaque. Foi o caso do estudante de Jornalismo, Pedro Cardoso. “Eu achei muito interessante a palestra do Glenn, que era a que eu estava mais ansioso para assistir. O mais difícil hoje é se destacar no mercado, uma vez que tem muitos jovens jornalistas vindo aí, tornando a profissão algo cada vez mais colaborativo”, afirmou.

Textos e foto: João Henrique Oliveira, 6º período, do UVA em Foco, especial para a Agência UVA.

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

1 comentário em “Discussões sobre colaboração no jornalismo e desinformação agitam segundo dia do Festival 3i

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