Saúde

Especialistas avaliam retirada da obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes internos no Rio

"Podemos estar na reta final da pandemia, mas os cuidados devem prevalecer”, aponta Marcelo Otsuka, da Sociedade Brasileira de Infectologia

Na última segunda-feira (07), foi publicado no Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro o decreto que viabiliza a liberação do uso facultativo das máscaras em ambientes internos e externos. A decisão atende aos requisitos do Comitê Especial de Enfrentamento à Covid-19 (CEEC) no monitoramento da baixa dos indicadores de casos na cidade, que têm levado cada vez mais Estados e municípios a fazerem o mesmo.

Em suas redes sociais, o prefeito Eduardo Paes comemorou a medida e acrescentou que em três semanas não será mais necessária a apresentação do passaporte de vacinação. “Com um esforço para vacinar aqueles que podem tomar dose de reforço, em três semanas acabamos também com o passaporte”, informou.

O coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Infectologia, Marcelo Otsuka, expõe sua visão conferindo que as medidas do Comitê Científico da Prefeitura do Rio têm de ser baseadas em dados científicos quando atribuídas também à liberação do passaporte de vacinação da Covid-19.

Ele recomenda a obrigatoriedade do passaporte vacinal e reforça a importância de se estar em dia com o ciclo de vacinas, já que o decreto prevê o fim da exigência para a entrada em eventos e estabelecimentos na cidade. 

“Quando pensamos na possibilidade de existirem pessoas que ainda não se vacinaram, é preciso evitar o contágio da doença. Estamos na reta final da pandemia, mas os cuidados devem prevalecer”, aponta Marcelo Otsuka.

Para o professor do curso de Enfermagem da Universidade Veiga de Almeida, Paulo Machado, revogar a medida não é algo a ser pensado agora, já que o decreto em vigor complementa a exigência do ciclo vacinal a partir do quadro epidemiológico de casos de Covid, que está em queda.

“Não há incoerência do Comitê Científico, pois não houve revogação da exigência de passaporte vacinal. Concordo com o decreto, já que a exigência para entrada em eventos e estabelecimentos será automaticamente cancelada quando a cidade do Rio atingir a cobertura vacinal de 70% de vacinados com a dose de reforço na população com 18 anos ou mais”, enfatiza o professor.

O infectologista Marcelo Otsuka é contra a desobrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes fechados para todos, desde idosos a profissionais da saúde e pessoas com comorbidades de alto risco, e esclarece uma recomendação importante a ser seguida.

“Minimamente, aconselho a essas pessoas continuarem a usar máscaras, que não sejam as de tecido, pois não são capazes de proteger esse público adequadamente, e sim, dispor de máscaras protetoras específicas”, aponta.

“Existe também o cenário da empatia, de usar a máscara para proteger não apenas a si mesmo, mas o próximo”, afirma o infectologista.

Duque de Caxias foi a primeira cidade a liberar o uso da máscara em espaços fechados, na sexta-feira (4). Paralelamente, na capital do Rio, a medida foi anunciada pelo prefeito Eduardo Paes (PSD). Os demais municípios aguardam ainda avaliação da curva de contaminação do novo Coronavírus. 

O uso de máscaras deixou de ser obrigatório no Acre (8), mesmo a orientação do governo acreano continue sendo reforçar a proteção facial em locais fechados ou de aglomeração. Já no estado de São Paulo, o uso de máscaras ao ar livre já não passa a ser mais uma imposição, mas em locais fechados seguirão, por enquanto, obrigatórias.

No Rio, a liberação do uso de máscaras ocorre devido uma queda no número epidemiológico desde o início da pandemia. De acordo com os dados da Secretaria Municipal de Saúde, a cidade não registrou mortes pela doença na última semana entre 27 de fevereiro e 05 de março.

No entanto, há contraposições ao cenário que se apresenta. De acordo com a postagem feita pelo médico e neurocientista, Miguel Nicolelis, em sua rede social, o momento não é de afrouxamento de medidas. “Este é um vírus para não se ter nunca. Nem de forma assintomática, branda ou leve. O vírus pode causar múltiplas complicações crônica graves que reduzem qualidade de vida e podem ser fatais”.

“Portanto, remover máscaras e tentar mascarar a verdade, seja sobre o estado real da pandemia no Brasil e no mundo, ou tentar confundir a sociedade com a falsa dicotomia epidemia x endemia é literalmente atentar contra a saúde e bem-estar de dezenas de milhões de brasileiros”, declara Nicolelis.

Foto de capa: Raquel Portugal/Fiocruz

Luiz Guilherme Reis (3° período), com revisão de Leonardo Minardi (7° período)

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2 comentários em “Especialistas avaliam retirada da obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes internos no Rio

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