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90 anos do Cristo Redentor: um símbolo da alma carioca

Um dos principais cartões postais do país, patrimônio do Rio, comemora aniversário com diversos tipos de celebrações

Como todo e qualquer aniversariante, ele estava tímido e resolveu se esconder logo na hora de cantar o parabéns, e posar para a foto. Aos pés da Lagoa Rodrigo de Freitas, quem passava nem percebia. Correndo, de bicicleta, no descanso depois do almoço, atrás das nuvens ele reparava em tudo, camuflado. Mas enfim ele apareceu para comemorar seus 90 anos.

O protagonista da Cidade Maravilhosa, considerado uma das sete maravilhas do mundo moderno e um dos principais cartões postais do Brasil, completou na última semana, nove décadas de braços abertos sobre a Guanabara, como diz a música de Tom Jobim. Com uma longa trajetória desde sua construção até a inauguração, o monumento tem muito mais história.

O Cristo Redentor foi uma figura cogitada nos tempos do Brasil Império. O monumento seria a imagem de Princesa Isabel, como forma de homenageá-la, após a criação da Lei Áurea. A princesa que ficou conhecida como “Isabel, a Redentora”, rejeitou sua imagem, afirmando que o único redentor era Jesus Cristo.

Diante disso, a princesa ordenou estudos para a construção da estátua de Jesus Cristo, junto ao padre francês Pedro Maria Boss. Após três décadas do projeto, a obra foi interrompida com a chegada da época Brasil República e foi somente retomada no século seguinte, com o apoio do Cardeal ArcoVerde.

Construção do Cristo Redentor no Rio de Janeiro. ( Foto: Fotos antigas prati.com.br/ Flickr.com).

Dessa forma, o monumento foi finalmente inaugurado no dia 12 de outubro de 1931, sendo considerado uma joia da arquitetura e da geografia carioca. A construção foi projetada no estilo arquitetônico francês Art Decor, que ganhava as ruas dos bairros do Flamengo, Copacabana e Glória na época, e assemelhando-se junto as fachadas dos prédios que ainda estavam sendo erguidos na Zona Sul do Rio.

A obra contribui para a cidade do Rio de Janeiro, que recebeu o título de “Capital do Art Decor“, sendo a cidade com maior número de edificações com esse estilo no mundo. Desde então, o famoso Cristo Redentor, localizado no Morro do Corcovado, se tornou um dos maiores símbolos nacionais, tombado em 2008 como patrimônio cultural material brasileiro.

Cópia fotográfica de gelatina e prata do cartão postal do Cristo Redentor em 1935. (Foto: Biblioteca Nacional Digital Brasil).

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Na época que foi inaugurado, o único meio de transporte até os pés do Cristo era somente pelo trenzinho do corcovado, com o ponto de partida do bairro do Cosme Velho, erguido antes mesmo da estátua por Pedro Segundo, em 1884. Sendo responsável pelo transporte das peças do monumento, o trenzinho passava pela floresta da Tijuca, uma das maiores floresta urbanas do mundo, que atualmente recebe mais de 600 mil turistas por ano.

Populares empurram carro enguiçado sobre a linha do trenzinho do Corcovado. (Foto: Acervo do Correio da Manhã).

Nos dias atuais, existem diversos meios de chegar até o monumento, sendo o principal meio as Vans das Paineiras, que leva até o cume do corcovado. A funcionária do Sistema Paineiras Corcovado Mariana Cardoso, que trabalha há quase 3 anos para a empresa, conta o ritmo do dia a dia do transporte. “A rotina é bastante movimentada, principalmente nos feriados e finais de semana, pois recebemos muitos turistas e cariocas”, comenta a funcionária.

Vans oficiais Paineiras Corcovado. (Foto: Internet/ Café Viagem por Alexandra Aranovich).

Comemorações do aniversário do Cristo

No dia 12 de outubro foi comemorado não só o dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e o dia das crianças, mas também foi celebrado 90 anos de história do Cristo Redentor. Para comemorar o aniversário, foram realizadas diversas atividades do 12 a 16 de outubro, das 9h às 16h, na Catedral Metropolitana de São Sebastião, no Centro do Rio de Janeiro.

A festa contou com a presença de entidades religiosas e políticas, como o governador do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e o perfeito da cidade, Eduardo Paes. Durante o evento, os líderes anunciaram o Bloco Postal Especial ao Monumento Cristo Redentor, e a Medalha Comemorativa dos 90 anos.

Fotos: Agência Brasil

Durante a coletiva da imprensa, o governador Cláudio Castro mencionou a pandemia da Covid-19 e aproveitou para comentar do uso da máscara no estado, um tema debatido nas últimas semanas.

“Neste 90 anos, queríamos comemorar sem pandemia e com a vida normal, creio certamente que o Cristo simboliza essa esperança, com o processo de vacinação avançando tudo pode voltar ao normal. A máscara hoje é uma questão de lei estadual e a lei não diz nada sobre flexibilização das máscaras. Sendo assim, vamos passar um novo projeto pela assembleia legislativa comentando acerca da flexibilização, essa semana já vou conversar com entidades para deixarmos a cargo da Secretaria Estadual da Saúde essa possibilidade de flexibilidade. Creio que nas próximas semanas vamos comentar melhor sobre essa situação”, afirmou o Governador.

Além disso, no primeiro dia de festa, na terça-feira (12), houve uma missa com a presença de entidades e da imprensa, uma apresentação da Esquadrilha da Fumaça, da Força Área Brasileira, que sobrevoou o Cristo Redentor, e a participação da Banda dos Fuzileiros Navais no monumento. Toda cerimônia foi transmitida pelo canal do Santuário Cristo Redentor no Youtube, e ao término da missa, os paraquedistas do Exército passaram perto do cartão postal em um salto livre.

Na Catedral Metropolitana aconteceu uma verdadeira festa do bem, de forma sustentável. A comemoração abrangeu os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, apresentados pelas Organizações das Nações Unidas (ONU). O propósito da festa foi deixar uma herança socioambiental e educativa para os brasileiros.

Durante as atividades para a comunidade, uma das mensagens passadas foi de como o Cristo assemelha-se ao carioca, aparecendo com múltiplas facetas, de várias formas, expressando vários sentimentos. Da zona sul ao subúrbio, ao som de bossa nova, de samba ou até no silêncio. Há 90 anos o Rio de Janeiro tem a honra de ser a casa do Cristo Redentor.

Confira agora, a parceria feita com a TV UVA acerca do tema.

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Gabriella Portela Lourenço – 2º período

Victor Hugo Serra Lopes – 7° período (TV UVA)

Com revisão de Bárbara Souza – 8° período

1 comentário em “90 anos do Cristo Redentor: um símbolo da alma carioca

  1. Amei a matéria! Adorei conhecer um pouquinho da história do Cristo Redentor.

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