Saúde

Ministro da Saúde presume desobrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre até novembro

Deputado e especialistas comentam e replicam a decisão de Queiroga a partir da pressão do presidente.

Nesta semana, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga comentou a desobrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre até novembro, apesar do Brasil ainda estar vivenciando a pandemia da covid-19. Diante desse repertório, especialistas manifestam suas respectivas opiniões.

O professor do curso de graduação em enfermagem da Universidade Veiga de Almeida Paulo Machado explica que apesar da melhora nos indicadores do cenário da Covid-19, não é possível pensar em relaxamento nas atitudes preventivas.

“A análise dos indicadores atuais nos mostram que há uma diminuição nas internações de casos graves, mas, ao mesmo tempo, temos um aumento no número de infectados no Rio de Janeiro, por exemplo. O número de óbitos por dia no país, apesar de ter diminuído ainda, é bastante expressivo e preocupante. O RJ é o epicentro da variante Delta cujos estudos mostram ser mais contagiosa e menos letal que as cepas anteriores. Isto justifica as últimas análises dos gráficos que apontam essa tendência”, afirma o professor de enfermagem.

Conforme citado pelo professor de enfermagem, a previsão de Marcelo Queiroga se dá em função da queda no número de pessoas com Covid-19, assumindo a menor média móvel de novas ocorrências desde março de 2020.

Com a média móvel abaixo de 500 óbitos diários e com maiores tendências da diminuição de casos da Covid, a avaliação de Queiroga sobre o avanço da vacinação no Brasil está pautada também na pressão do presidente Jair Bolsonaro, atualmente sem partido, sobre ele.

Com evidências por trocas de mensagens pelo whatsapp no dia 13 com o ministro, Jair Bolsonaro cita a liberação do uso de máscaras nas ruas de Portugal, país que atualmente apresenta mais de 85% da população completamente vacinada.

O deputado federal Paulo Pimenta utiliza de sua rede social para tratar da indignação sobre a pressão de Jair Bolsonaro no Ministério da Saúde e, em parte, sobre a decisão final de Queiroga prever o fim de algo que pode influenciar o aumento na taxa de infecção da Covid no Brasil.

Paralelamente, Luciano Hang, um dos sócios-fundadores da empresa Havan, comenta sobre a esclusa da obrigatoriedade da máscara através de uma pergunta retórica ao final de sua postagem, sem deixar seu questionamento sobre tal assunto a partir do envolvimento do presidente brasileiro em que compara com a liberação do uso de máscaras nas ruas de Portugal.

Diante desta conjuntura, o Mestre em Comunicação Social e cientista político Guilherme Carvalhido esclarece sua visão na política do Marcelo Queiroga sabendo que o presidente Bolsonaro faz pressão no ministro quanto à desobrigatoriedade ao fazer uma comparação com Portugal.

“Hoje, pode-se dizer que o ministro vive uma situação bastante complicada entre agradar o presidente que tem uma visão claramente negacionista, anti os protocolos de defesa contra o vírus, ao qual, concomitantemente, o ministro não vem praticando, mas que por outro lado, apresenta uma visão de respeito a esses protocolos e, principalmente, ao processo de vacinação o mais rápido possível, ou seja, uma visão intermediária e incerta entre as ações do ministro”, enfatiza Guilherme Carvalhido.

Segundo os dados apontados pelo Consórcio de Veículos de Imprensa vinculado a secretarias estaduais, no dia 14, o mapa da vacinação contra a Covid-19 no Brasil totalizava cerca de 35,43% para a população brasileira vacinada com as duas doses.

A partir desses dados, é possível entender a relação entre as porcentagens com relação na liberação do uso de máscaras nas ruas no Brasil e no país europeu.

Portanto, com base na percepção de melhora dos pacientes que sofrem de Covid ou em meio à tendência dos casos, o professor ainda explica sua visão mediante ao comportamento do Governo Federal no que tange ao afrouxamento das regras quanto ao uso de máscaras.

“Acredito que ainda não seja a hora de flexibilizar como se não houvesse mais risco. As “surpresas” provocadas pela Covid, a irregularidade de abastecimento de vacinas no país, a falta de uniformidade do Oiapoque ao Arroio Chuí e a não adesão de toda população à vacinação, tem contribuído para não termos ainda atingido a cobertura vacinal desejada e, consequentemente, a erradicação do vírus causador dessa pandemia; logo, ainda é muito cedo para pensarmos em voltar a viver como vivíamos até 2019″, argumenta Paulo Machado.

Dessa forma, fica evidente que a retirada da obrigatoriedade do uso de máscaras não está equiparado com o presente momento vivido por alguns dos países europeus, no qual já possuem grande parte da população totalmente vacinada.

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Luiz Guilherme Reis – 2º período

Sob supervisão de Lucas Pires – 8º período

1 comentário em “Ministro da Saúde presume desobrigatoriedade do uso de máscaras ao ar livre até novembro

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