Saúde

Senado autoriza texto que antevê a distribuição de absorventes gratuitos para mulheres

Projeto estabelece o amparo para alunas da rede pública, presidiárias e mulheres em situações de vulnerabilidade social

Na última terça-feira (14) foi aprovada no Senado a proposta da deputada Marília Arraes (PT-PE) da criação de um programa de proteção e promoção à saúde menstrual, sancionado pela Câmara em agosto. O projeto tem como objetivo garantir a distribuição gratuita de absorventes para mulheres que não possuem condições de comprá-los, combatendo assim a ”pobreza menstrual”.

As mulheres que serão beneficiadas pelo programa são estudantes de baixa renda da rede pública de ensino, mulheres em situação de rua ou vulnerabilidade social, mulheres recolhidas em unidades do sistema penal e mulheres internadas durante cumprimento de medida socioeducativa.

Segundo a ginecologista Mônica Graziadio que trabalhou na rede pública de saúde por 30 anos, a ação é bastante benéfica, pois ajudará também no combate á doenças que segundo ela, são causadas na maioria das vezes por falta de higiene e promiscuidade. A especialista ainda complementa a importância não só da distribuição dos absorventes, mas também da orientação à essas mulheres.

”Nosso munícipio através das clínicas da família atendem milhares de mulheres e as orientam. Acredito que tudo pode ser resolvido com uma boa consulta ginecológica onde a mulher sai totalmente orientada e também além de doarmos absorventes precisamos orientar e educar”, explica a ginecologista.

A precariedade menstrual em nosso país ainda é muito constante. Dados da ONU informam que uma em cada dez meninas faltam as aulas durante o período menstrual por falta do absorvente. A opção de ficar em casa para essas meninas é a mais segura, pois o ambiente escolar se torna extremamente hostil. Além disso, a maioria das escolas no Brasil não possui infraestrutura para atender essas necessidades básicas femininas.

Para Simone Ervilha, de 51 anos, e professora aposentada que trabalhava em uma escola municipal da Zona Norte do Rio de Janeiro, a falta de recursos na escola em que trabalhou contribuiu um pouco para a ausência de suas alunas em sala de aula no período menstrual

.

”Dentro do possível a escola ajudava. Porém, devido a falta de recursos, muitas alunas precisavam ir embora para casa, pois a menstruação vinha inesperadamente, sujando toda a roupa delas. Como o colégio não tinha muito o que fazer, elas eram liberadas para casa”, afirma Simone.

Simone ainda complementa dizendo que esse novo projeto vai fazer com que a falta de recursos e informação menstrual não atrapalhe o desempenho de nenhuma aluna. Ela acredita que, não só as meninas de escola pública, mas todas que se encontram em situações vulneráveis, irão conseguir ter uma vida normal, sem preocupações.

Durante a semana, a aprovação da lei obteve bastante sucesso nas redes sociais. Páginas, ativistas, profissionais e populares, em sua maioria mulheres, não deixaram de se manifestar positivamente com a decisão, considerada um grande marco nos direitos das mulheres.

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Uma luta antiga

A página do movimento internacional apoiado pela fundação das Nações Unidas ”Girl up Elza Soares”, conta com mais de 2.000 seguidores no Instagram abordando assuntos essencias na vida das mulheres, como a menstruação, e trazendo posts que refletem na luta pela igualdade de gênero.

Após meses de insistência por parte das fundadoras do movimento contra o Senado, a página que já se compromete com a causa, pôde comemorar a conquista da aprovação da lei condizente com a distribuição gratuita de absorventes, com os seguidores.

De acordo com a estudante de Relações Internacionais e integrante do movimento ”Girl up Elza Soares” Amanda Dutra, de 19 anos, a aprovação da lei inspirou e motivou o movimento ainda mais a ajudar outras mulheres. Amanda demonstra a sua felicidade em ter um projeto tão importante como esse sendo aprovado depois de tanto esforço não só por parte dela, mas de outras componentes do grupo também.

”Para mim, a importância desse projeto é indescritível. Saber que agora, estudantes da rede pública estadual não faltarão às aulas por conta do difícil acesso à absorventes, é saber que muitas meninas poderão estudar durante todo o mês não se sentindo deixadas para trás por conta da sua menstruação”, conclui a estudante e ativista.

Para finalizar, ela complementa que por agora, mais projetos como esse virão, seja relacionado a pobreza menstrual ou qualquer outro problema que envolva crianças e adolescentes, o intuito sempre é de ajudar.

Post feito pelo movimento Girl Up em sua página no Instagram

O projeto originado pela Câmara e aprovado pelo Senado, foi encaminhado para a sanção do presidente Jair Bolsonaro. Caso sancionado, o programa está previsto para entrar a vigor em torno de 120 dias após a publicação no Diário Oficial da União.

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Maria Clara Coelho – 1º período

Com revisão de Bárbara Souza- 8º período

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