Cultura

Secom 2021: evento traz a voz da diversidade brasileira em palestra inaugural

Carlos Tufvesson e Glamour Garcia inauguraram a Secom 2021, que será realizada virtualmente até quinta (27)

A Semana de Comunicação da Universidade Veiga de Almeida (UVA) deste ano, a Secom 2021, começou na noite desta segunda (24), colocando em pauta o “Multiculturalismo: A Voz da Diversidade Brasileira”. O evento, organizado pelos alunos de Jornalismo, Publicidade e Marketing, tem como tema central o Multiculturalismo na Comunicação e será realizado virtualmente, pelo YouTube, até a quinta-feira (27).

Nesta primeira mesa, moderada pelo ex-aluno de Jornalismo Juney Freire, a atriz e ativista LGBTQIA+, Glamour Garcia, e o coordenador da Coordenadoria Executiva de Diversidade Sexual (CEDS) da Prefeitura do Rio, Carlos Tufvesson, debateram sobre a necessidade de tratarmos a diversidade com mais profundidade. A live contou ainda com a apresentação de Thiago Santos Varella e Breno Dias, alunos de Publicidade, e música de Luana Genot, também aluna no curso.

O professor André Ladeira, diretor acadêmico do campus tijuca fez uma breve apresentação sobre multiculturalismo. (Foto: Acervo Pessoal)

Glamour Garcia acredita que a sociedade precisa saber se adaptar melhor quanto a temas relacionados à grande pauta da diversidade. Segundo ela, o movimento LGBTQI+ precisa ser levado mais a sério e não apenas como um assunto supérfluo, relacionado a um “grupo minoritário”.

“Acredito que a comunidade LGBT tem um papel importante na temática, como agente da sociedade, principalmente no campo da comunicação. Acho que não dá para deixar as coisas apenas em um tópico. Não podemos apenas tratar de forma supérflua tópicos, demandas, necessidades da sociedade que não são só tópicos numa ordem de prioridade. Elas realmente precisam ser conversadas e espaços estão sendo criados”, enfatiza Glamour.

Tufvesson fala um pouco sobre militância que lhe é tão familiar: ele foi um dos responsáveis por trazer à pauta brasileira o casamento homo afetivo.

“Eu sou gay, mas também sou cidadão gay. Existe uma diferença entre os dois. Não posso viver em um país e aceitar que sou sub-cidadão e não fazer nada. Quando meus direitos civis, direitos de todo cidadão brasileiro, não eram reconhecidos, eu tinha os meus deveres mas não os meus direitos, isso é um flagrante inconstitucional, de acordo com o artigo quinto da nossa Constituição vigente. E isso eu não poderia aceitar. Direito não se difere de gênero. O reconhecimento do casamento civil foi um grande passo para que as nossas relações pudessem ser vistas de maneira diferente”, explica ele.

Outro ponto falado na live foi o uso da Internet como fonte para disseminar fake news, ódio e rancor a grupos específicos. Segundo os debatedores, as redes sociais têm sido usadas para atacar pessoas ou grupos, de forma gratuita. “É preciso respeito também nestes ambientes e mais do que isso, precisamos denunciar”, disseram Tufvesson e Glamour.

“Percebo que existe muita intolerância na atualidade brasileira, como se estivéssemos repetindo um momento histórico errôneo do passado, como aconteceu por meio do nazismo. Hitler teve um ministro da comunicação que se chama Goeebles, que usava a linguagem para transformar em inimigas pessoas que pensavam e eram diferentes de um grupo. Posso não pensar como você, mas nem por isso preciso ser seu inimigo. É na diversidade que a gente cresce. Não é todo mundo pensando igual, dando tapinha nas costas, mas sim ajustando sempre aos poucos e aí que vamos crescendo”, conta o coordenador.

Glamour enfatiza que mesmo no mercado de entretenimento, uma produção feita por uma pessoa ou grupo trans ainda é vista de forma diferente das demais produções. Para ela, existem eventos separados que trazem mudanças, mas ainda é preciso que seja feito mais em conjunto. Ela também pede que os “donos da comunicação” repensem a possibilidade de dar mais espaço à construções e produções trans e não apenas a outras siglas do movimento LBTQI+.

Glamour por sua experiência como atriz trans trouxe bons argumentos para o debate. (Foto: Acervo Pessoal)

Segundo eles, a melhor forma de evitar que casos de homofobia aconteçam é sempre denunciar práticas, de forma a inibir futuros casos. “Deixar que esses tipos de ações passem desapercebidas só fará com que agravem-se os casos e agressões físicas, verbais ou até mortes de pessoas LGBT nessa sociedade cada vez mais violenta”, coloca Tufvesson.

Ao final, ambos os palestrantes pregaram o amor. “É só o amor que vai transformar o mundo”, disseram.

Para assistir ao evento de abertura, clique abaixo no link para o YouTube.

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3 comentários em “Secom 2021: evento traz a voz da diversidade brasileira em palestra inaugural

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