Cultura

Debate sobre a representatividade feminina nas telas é destaque da Secom

As convidadas Marília Nogueira, Alice Marcone e Luz Maribel conversaram sobre a importância do protagonismo feminino nas telas do cinema e no mercado audiovisual

Na noite da última terça-feira (25), a Semana da Comunicação (Secom) da Universidade Veiga de Almeida (UVA), colocou em pauta a presença das mulheres no mercado audiovisual e nas telas do cinema, propondo uma crítica à baixa representatividade e diversidade feminina no setor.

A palestra contou com a ilustre presença da produtora cinematográfica e diretora do Cabíria Festival, Marília Nogueira, da roteirista, atriz, cantora-compositora e apresentadora de TV, Alice Marcone e da fotografa e realizadora audiovisual, Luz Maribel, jovem pertencente ao povo Mbya Guaraní Tamandua, em Misiones, Argentina.

O evento foi mediado pelo professor e Coordenador do curso de Cinema da Universidade (UVA) e da Agência lkimia, Evângelo Gasos, marcando uma ampla discussão sobre a representatividade feminina no mercado cinematográfico e a importância de ações e iniciativas que busquem dar mais espaço às mulheres no ramo.

O mediador Evângelo Gasos em palestra virtual junto as convidadas, Marília Nogueira, Alice Marcone e Luz Duarte.
(Foto: Reprodução / Youtube)

Antes de iniciar a roda de conversa, foi apresentado um pequeno filme produzido pela Netflix que foi enviado exclusivamente para o evento, retratando a temática da Secom deste ano “Multiculturalismo em Comunicação”, com depoimentos de executivos, vice-presidentes, gerentes e outro colaboradores da empresa, em que esses comentam sobre as estratégias de inclusão no time de funcionários da plataforma de streaming.  

A produtora e diretora Marília falou de como surgiu a ideia de criar o projeto Cabíria Festival, evento que premia roteiros com histórias escritas e protagonizadas por mulheres, em uma tentativa de aumentar essa representatividade no Brasil.

“Em um determinado momento eu escrevi um curta inspirado em uma história da minha avó e tempos depois, quando estou para filmar, minha avó acabou virando um avô… E coincidentemente foi em um momento que também surgiram vários dados sobre a presença das mulheres no audiovisual, com números absurdos dizendo que menos de 25% de protagonistas de grandes filmes de bilheteria do mundo são mulheres”, declarou Marília.

Já a atriz e cantora Alice Marcone descreveu sobre a forma que muitas vezes essa representatividade é apresentada, quando não se tem diversidade por trás das câmeras também. Ela explica como isso aprisionou as construções de personagens em inúmeros filmes e séries, inclusive como uma mulher trans, ela analisou filmes que tratam dessa temática apresentando, constantemente, protagonistas resumidas e “planificadas”.

“Nós caímos no problema em que a gente começa a construir uma representatividade desses grupos minoritários de forma repleta de fetiches em torno desses traços. Que não é capaz de dar conta de personagens complexas, humanizadas, cheias de camadas, com outros aspectos e conflitos que não sejam apenas da sua identidade de gênero, raça, classe social ou sexualidade”, completa a artista.

Outro ponto marcante do evento foram as apresentações de projetos das convidadas, como o clipe da música “Pistoleira”, que faz parte de um projeto de álbum que ainda está em andamento de Alice Marcone. E uma chamada para um financiamento coletivo, que está sendo realizado com o intuito de arrecadar dinheiro para auxiliar na compra de equipamentos para o Coletivo de Cinema Ara Pyau, formado por jovens Mbya Guarani da Argentina e do Brasil ativo há quatro anos.

Para mais informações sobre o financiamento, acesse o link do site ou entre nas redes sociais do Coletivo.

Imagens do vídeo apresentando o projeto de financiamento coletivo para compra de equipamentos. (Foto: Reprodução / Youtube)

Isis Sant’ Anna Machado, 22 anos, assistiu à mesa e comentou que achou o encontro bem completo e já aguardava desde o inicio do curso palestras sobre a temática da representatividade, como esta que ocorreu no evento. E ainda, citou o momento mais marcante para ela.

“Quando a palestrante Aline respondeu a uma pergunta sobre um filme em que um homem cis faz o papel de uma mulher trans. Naquele momento, percebi o quanto dói não ser representada e quanto a comunidade LGBTQIA+ é apagada, principalmente os transexuais. Ela comentou sobre como é absurdo colocar um homem que não entende nada sobre como é o dia a dia de uma mulher trans para representar em um filme, ao invés de dar o papel a uma trans, invalidando mais uma vez a comunidade”, concluiu a aluna.

Assista abaixo, na íntegra, a palestra ‘Representatividade feminina nas telas’.

Ao longo da semana ainda ocorreram oficinas, workshops e mais palestras, o evento vai acontecer até o dia 28 de maio de forma virtualizada, através do Youtube. Para mais informações sobre o evento e suas programações acesse o Instragram da Secom.

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Indaya Morais – 7° período

2 comentários em “Debate sobre a representatividade feminina nas telas é destaque da Secom

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