Diferença salarial evidencia abismo entre homens e mulheres no futebol

Confira a reportagem especial da Agência UVA, que entrevistou Yasmim Lima (foto), goleira do Vasco da Gama, além de outras atletas e jornalistas

Certamente já se ouviu muito a seguinte frase: “futebol é um esporte para homens”. Ultimamente, no entanto, cada vez mais mulheres entram em campo, demonstrando que o esporte não tem gênero. A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) passou a exigir que os clubes interessados em disputar suas competições masculinas tenham investimentos em torneios femininos. A medida começou a valer esse ano e apesar de outras mudanças para o benefício das jogadoras, um fato ainda incomoda: a diferença salarial em relação aos homens.

O futebol feminino brasileiro enfrenta baixos salários pagos às atletas, desinteresse das marcas em investir e de emissoras de TV em transmitirem os jogos. E, além da grande diferença salarial entre jogadores e jogadoras, os valores das premiações dificultam o crescimento da modalidade. Para se ter uma ideia,  segundo dados do Uol Esporte, o Campeonato Brasileiro da categoria feminina de 2018 pagou às jogadoras R$ 120 mil, enquanto que o masculino, R$ 18 milhões – ou seja, 143 vezes mais.

Em uma comparação feita entre os maiores salários do futebol mundial, fica claro o desnivelamento do pagamento para homens e mulheres. Uma jogadora de destaque ganha no ano bem menos do que um craque fatura em um mês. De acordo com o site TSM Sports, no ano passado, a atleta da modalidade mais bem paga era a atacante Alex Morgan, atualmente no Orlando Pride, dos Estados Unidos. A norte-americana ganhava US$ 650 mil (R$ 2,12 milhões) por ano e mais premiações. Já no masculino, o brasileiro Neymar assumiu o topo da lista com a transferência para o PSG. Ele fatura R$ 137 milhões por ano. Em uma conta básica, dá para concluir que o atacante do PSG ganha mensalmente cinco vezes mais do que a atleta norte-americana embolsa por ano. Uma diferença brutal.

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Alex Morgan, atacante do Orlando Pride, é a jogadora que ganha o maior salário no futebol feminino Foto: Alex Menendez

O desequilíbrio é ainda mais assustador quando se analisa o atual cenário do futebol feminino no Brasil. Somente quatro das 15 equipes que já deram os primeiros passos para a estruturação da modalidade confirmaram que vão efetivamente pagar salários às jogadoras a partir de 2019 – com valores que, de forma oficial, variam de R$ 1.500 a R$ 4 mil. Além de Corinthians e Santos, que já pagam, o Grêmio e o Internacional, que têm parte do elenco profissionalizado, pretendem unificar este quesito em 2019. A meia-atacante, Taíla Farias, 17 anos, do Vasco, acredita que por mais que as mulheres estejam crescendo no esporte, ainda falta bastante apoio. “Para as mulheres ganharem mais, o futebol feminino tem que fazer tanto sucesso quanto o masculino e precisa de pessoas que realmente acreditem na modalidade”, diz.

Talía Farias, atacante do Vasco, antes do amistoso contra a seleção brasileira sub-17 Foto: Arquivo Pessoal

Uma grande ajuda para a valorização do futebol feminino é a mídia esportiva. Para Carla Araújo, repórter da TV Coluna do Flamengo, os veículos de comunicação têm melhorado no apoio às jogadoras, mas ainda falta avançar um pouco mais:

“Já mudou bastante, é verdade. Se cobra mais, se incentiva mais. Só que ainda parece que a mídia não entrou no barco para remar junto. Fazer mais transmissões de partidas; criar matérias com foco nos jogos e nas atletas; fazer com que se torne mais natural ao telespectador/ouvinte/leitor acompanhar as mulheres no futebol”, diz Carla.

O que se tem visto no cenário do futebol feminino é um aumento do público nos jogos. O jogo entre Atlético de Madrid e Barcelona, na Espanha, no dia 17 de março, teve um público de 60.739 presentes, o novo recorde na categoria feminina. Aqui no Brasil, o jogo que teve mais espectadores, foi entre Santos e Iranduba, com 25 mil pessoas, na Arena da Amazônia, uma marca histórica. A goleira Yasmin Lima, de 17 anos, do Vasco da Gama, fala da importância da oportunidade como atleta e do que espera com o crescimento das mulheres no esporte. “Espero ter mais respeito e que isso possa influenciar mais meninas a jogarem futebol”, afirma.

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Yasmim Lima, Goleira do Vasco da Gama, em ação no treinamento Foto: Divulgação / Rafael Ribeiro

Assim como muitos meninos sonham em seguir uma carreira profissional no futebol e jogar por grandes clubes da Europa, esse desejo também está no coração de muitas meninas que estão começando sua trajetória dentro das quatro linhas. Para elas, o apoio dos brasileiros é fundamental.

“Jogo em um time grande como o Vasco e apesar de ele ser grande, ainda percebo que falta apoio. Ainda assim, é muito claro que somos vitrine e exemplo para atletas que não têm time ainda e até mesmo crianças e jovens meninas”, diz Taíla.

A repórter Carla Araújo espera que, com esse crescimento no futebol feminino, as garotas tenham mais vontade de seguirem com o sonho de jogar futebol. “Um menino quando decide, na infância, ser jogador, é incentivado, é colocado na escolinha rapidamente. Os pais veem um futuro ali. Quando uma menina fala que quer fazer a mesma coisa, é desacreditada, cortam dizendo “futebol não dá futuro para mulher”. Isso faz com que as garotas desistam. Não é justo. Por que para um é sinônimo de esperança e para outro é o oposto?”.


Luhan Alves – 6º Período

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