Identificar se uma obra de arte precisa ser restaurada não é nada fácil. É necessário ter muito conhecimento, técnica e estudo. O Núcleo de Conservação e Restauração do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro é responsável pela preservação do acervo do MNBA, prolongando a perenidade dos bens culturais e, desse modo, possibilitando o seu estudo, divulgação e exposição.
— Deve-se analisar os aspectos de comprometimento estrutural (inerente ao envelhecimento dos materiais que compõem a obra ou a acidentes resultantes de impactos físico-químicos ou ambientais) e os aspectos de comprometimento estéticos (interferência na leitura ou fruição da obra) — explica Larissa Long, conservadora-restauradora de bens móveis e que trabalha no Laboratório de Restauração de Pintura do MNBA/Ibram/MinC.

Larissa Long restaurando um dos quadros no MNBA. Foto: Felippe Naus
O conservador-restaurador é um profissional que deve possuir conhecimento amplo sobre história da arte e das civilizações, sobre os métodos de pesquisa e documentação, tecnologia e materiais, sobre a teoria da conservação e ética, a história e as técnicas da deterioração, conservação, químicos, biológicos e físicos, e restauração. Em sua atuação, o conservador-restaurador de bens culturais deve prezar pelo respeito aos aspectos históricos e artísticos da obra, interferindo o mínimo possível.
Com muitas obras já restauradas, Larissa revela quais dentre tantas foram as mais importantes.
— Tive a oportunidade de trabalhar em diversos projetos, como a restauração da “Primeira Missa”, de autoria de Vitor Meirelles; a também “Primeira Missa” de autoria de Candido Portinari; a obra “Voyeur Amoroso”, de Rubens Gerchman; e “Alegoria as Artes”, de autoria de Léon Pallière, como coordenadora do projeto — explica Larissa, que atuou no MNBA como estagiária, nos anos de 1998 e 1999, trabalhou como contratada pela Associação de Amigos, no período de 2005 a 2010, e tornou-se servidora pública do museu, em 2012.
Para ser feita uma restauração, é necessário ter os materiais utilizados nas intervenções de conservação-restauração de bens culturais que devem ser testados e aprovados previamente. Vários aspectos têm que ser considerados antes da decisão sobre a utilização de um material, tais como a compatibilidade com o material constituinte da obra, a estabilidade do material, a reversibilidade ou retratabilidade, isto é, a possibilidade de remoção ou compatibilidade com outros materiais.

Hoje, existem no mercado lojas especializadas em materiais para conservação e restauração de bens móveis, que comercializam produtos especialmente produzidos para atender às demandas desse campo de atuação.
Larissa ainda tem um sonho particular que quer realizar.
— Existem várias obras no acervo que necessitam de intervenção de conservação-restauração. O projeto que gostaria de realizar é o de reestruturação da equipe técnica dos Laboratórios de Conservação-Restauração do MNBA e a criação de um Laboratório Científico para executar as análises das obras.
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Esta reportagem é parte do Trabalho de Conclusão de Curso em Jornalismo “Arte, pesquisa e conhecimento — Um passeio pelo Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro”, de Felippe Naus, na Universidade Veiga de Almeida

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